Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Mortos ‘mais iguais’ que outros

Por Luiz Weis em 19/07/2006 | comentários

A cada ciclo de barbárie no Oriente Médio, jornais de outras partes do mundo que mereçam respeito têm a obrigação elementar de cobrir e comentar com a máxima honestidade a sangueira e de oferecer aos seus leitores, dia sim, o outro também, artigos de opinião que exprimam os pontos de vista das partes em conflito – sem esquecer que, em cada lado, pode haver mais de uma opinião.

É o que faz, por exemplo, o Guardian de Londres. É o que não fazem os jornais americanos, nem mesmo os “liberais” – para não falar do noticiário escancaradamente faccioso da CNN, que se tornou, no caso, pouco mais do que uma Fox News do B.

[Para azar da CNN, a sua pergunta na internet “Você acha que a resposta militar de Israel no Líbano se justifica?”, recebeu até o momento em que escrevo esta nota 55% de votos não e 45%, sim, em 776 mil votantes.]

Na imprensa brasileira, aqui e ali há artigos moderadamente críticos de Israel, como os dos colunistas Nicholas Kristof, do New York Times, e Richard Cohen, do Washington Post, ambos transcritos no Estado de hoje.

Mas textos que tomem claramente o partido árabe, vi apenas um, no Valor, ‘Legítima defesa ou crime’, de Salem Hikmat Nasser, professor de direito internacional na Fundação Getúlio Vargas citado ontem na nota “Leituras da barbárie”.

Em compensação, a Folha publica hoje, com direito à chamada na primeira página “Desta vez, Israel apenas se defende”, o artigo “O real inimigo do Líbano é o Hizbollah”, do escritor israelense Amós Oz – não confundir com o grande jornalista Amos Elon, do diário Haaretz, severo crítico das políticas de seu país.

O que diz Oz de tão notável que a Folha achou que precisava alertar o leitor – e publicar sem a contrapartida de outro artigo com sinal contrário?

“Israel não está invadindo o Líbano. Está se defendendo do assédio e bombardeio diário [sic] de dezenas [sic] de nossas cidades. Não pode haver comparação moral entre o Hizbollah e Israel. O Hizbollah está alvejando civis israelenses, onde quer que estejam, enquanto Israel alveja principalmente [sic] o Hizbollah.”

O assédio do Hizbollah matou até ontem 25 israelenses – 13 civis e 12 militares. Também até ontem, os bombardeios israelenses mataram 228 libaneses e estrangeiros civis, alguns deles em fuga para a Síria, e 11 militares, além de arrasar o Líbano e de provocar o êxodo de meio milhão de pessoas.

Em compensação, sabe quantos soldados do Hizbollah Israel conseguiu matar até ontem? Quatro. Isso: 1, 2, 3, 4. Deu até no Jornal Nacional.

Mas o que há de especialmente repulsivo no artigo de Oz, que a Folha promoveu na primeira página, não são nem as inverdades factuais e as desbragadas omissões do autor.

É a referência à impossibilidade de “comparação moral” entre os atos da organização terrorista muçulmana e os do Estado que pretende destruir – e que, desde Sharon pelo menos, não raro se comporta como um Estado terrorista, seguro da impunidade na condição de protetorado americano.

É uma idéia tão repulsiva como a que manifestou ontem o embaixador dos Estados Unidos na ONU, John Bolton [o mesmo que certa vez afirmou que o edifício-sede da organização poderia ser cortado pela metade que não faria a menor diferença].

Segundo a agência France Presse, Bolton disse que não há “equivalência moral” entre as vítimas civis dos ataques israelenses e as vítimas de “malignos atos terroristas” contra Israel.

As ações militares de Israel visam à auto-defesa do país, dizem Oz e Bolton. Se elas provocam mortes civis, paciência. São “consequências trágicas e desafortunadas”.

Como perguntou com amarga ironia o leitor – por sinal de origem judaica – que me chamou a atenção para a fala de Bolton:

”Sacou?”

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 23/07/2006 saraiva botelho

    Da mesma forma que os misseis e foguetes libaneses não têm a intensão de atingir civis israelenses, os mísseis e foguetes israelenses também não têm a intensão de atingir civis libaneses.
    Mas erros acontecem, não é?

    Que tal concentrar o foco da discussão na forma como isso tudo começou, quando os libaneses atacaram e sequestraram os israelenses em seu próprio território? E os que aqui reclamam, que reclamações fizeram enquanto Israel era sistematicamente atacado por misseis diariamente?

    O fim desse conflito passa obrigatoriamente pelo reconhecimento de todos os árabes aos direitos de Israel existir. Enquanto isso não acontecer nada se resolve.

  2. Comentou em 21/07/2006 pedro américo barbosa barbosa

    se estou sendo atacado devo me defender, mas aí vem a pergunta por que estão me atacando? Será que sou uma vitima indefesa, ou tenho também culpa? Será que justifica em nome desta defesa invandir ,arrasar um país e matar pessoas inocentes ? Acrédito que não , devo me defender de quem esta me agredindo . Do ponto de vista do outro não sou eu um agressor também?

  3. Comentou em 20/07/2006 Jorge Lima

    Até os massacres de civis nos campos de Sabra e Chatila eu via Israel como um país civilizado cercado por hordas bárbaras (seqüela de muito cinema americano). A partir do conhecimento desses fatos minha visão mudou completamente. Descobri que os palestinos eram as vítimas indefesas de um país que representa hoje para os árabes o que os alemães representaram para os judeus no século XX.
    Israel, graças a poderosa influência dos judeus ricos nos EUA, é a maior potência militar na região, com a garantia extra de que, se se vir em maus lençõis, terá todo o poderio militar americano correndo em seu auxílio. É uma desproporção de forças absurda.
    Quanto aos atos de terror cometidos pelas milícias árabes, é bom lembrar que os judeus expulsaram ingleses e palestinos da região mediante o uso dos mesmos expedientes. Aliás, alguns ex-primeiros ministros de Israel foram figuras destacadas dessas forças terroristas que levaram a formação do estado judeu.
    Era de se esperar que um povo que sofreu tudo que a história conta seria muito mais compassivo com os inocentes do outro lado. Ledo engano. Os judeus são racistas. Tão racistas que, conforme a bbcnews, um candidato a primeiro ministro não tinha qualquer chance por ser de origem marroquina, e não da linhagem aristocrática dos judeus do leste europeu.
    Não leremos nenhuma condenação contra Israel na grande mídia. Ela pertence a judeus.

  4. Comentou em 20/07/2006 jucca sassafrás

    Quer dizer que condenar os atos TERRORISTAS de Israel é ser anti-semita ou ‘simpatizante’ do terrorismo, senhor Jorge??
    Então o senhor deve ser no mínimo conivente com um estado que ‘apenas reage’ quando mata ‘terroristas de 3 anos de idade’,certo?
    O senhor também devia se informar que SEMITA também são os árabes, e ser SEMITA não é ‘privilégio’ só de Israel ou dos judeus.
    Portanto,se eu ofender a cultura árabe, também posso passar por anti-semita.
    Um pouco de conhecimento de história não faz mal também…
    Não importa quem começou tudo ou não, pois esta questão é semelhante ao do ovo e da galinha…
    Será que pessoas inocentes devem pagar pela insanidade de uma guerra maldita, cujo apoio vem do ocidente para Israel em nome de Deus ou do diabo que for?
    O seu discurso está em perfeito acordo com o discurso do terror, e neste caso seja de qual lado for, pois o belicismo que ‘qualquer nação reagiria’ só reflete a truculência maniqueísta destes tempos em que vivemos.

  5. Comentou em 20/07/2006 Carlos Muanis

    Parabéns Weis. A barbárie no O.M. merece uma cobertura da nossa imprensa à altura das nuances de cada posição e não viseiras apaixonadas. Amós Oz, escritor que admiro, apequenou-se neste artigo. Falar em superioridade moral diante de um terrorismo de estado tão letal e devastador é muito, muito triste.

  6. Comentou em 20/07/2006 Jorge Rebolla

    Israel X Hezbollah: quem iniciou esta guerra?
    Antes da invasão do território israelense que causou a morte de oito soldados judeus e o sequestro de dois, Israel estava bombardenado as bases mantidas pelos extremistas islâmicos no Líbano? Não! Quem promoveu a primeira ação foi o Hezbollah, armado e guiado pela Síria e pelo Irã. Israel reagiu ao ato de guerra, invasão de seu território e as baixas em seu exército. Agora ficam os simpatizantes dos terroristas e os anti-semitas de todos os matizes clamando contra a resposta ‘desproporcional’. Qualquer país do mundo em semelhante situação reagiria.

  7. Comentou em 20/07/2006 Léo Bueno

    Weis acerta na mosca. A distância entre a realidade do Oriente Médio e a nossa produz imensos equívocos toda vez que se debate a questão. Nossa única alternativa, a mídia, nos informa mal. Há comunidades de origem libanesa e judaica no Brasil. É por elas que me informo, embora tocar no assunto sempre lhes seja doloroso. Um restaurante perto do meu trabalho tem fotos do Líbano na parede. Lindas. Fico imaginando esses locais depois dos mísseis de Israel. O homem é o câncer do planeta, disse o Millôr.
    Tudo o que envolve o Estado de Israel é complicado de debater. Muitos dos partidários da política oficial adotam uma tática crápula de ´retórica´: se você é contra as ações do Estado de Israel, é anti-semita; logo, nazista. Isso 60 anos depois do Holocausto, que Zygmunt Bauman demonstrou ter sido uma tragédia para toda a Humanidade. Além disso, o genocídio não deu a nenhum Estado carta branca para matar.
    E que história é essa de Israel ter ‘direito de se defender’? Está nas palavras de Amos Oz e no discurso de George W. Bush. Três crianças brasileiras já foram mortas pelos mísseis jogados a longa distância, mas Israel está só se defendendo. Essas crianças nos deixaram com um dilema para computá-las. São casualidades ou terroristas? Criança de três anos, filhas de civis e mortas enquanto dormiam em áreas civis: isso é casualidade? Ou, na outra mão: crianças de 3 anos, terroristas?

  8. Comentou em 20/07/2006 Marcio Pandolfi

    A questão do terrorismo do estado de Israel por vezes é ocultada e dissimulada por artigos e chamadas na imprensa em geral, pelo fato da descendência e influência judaica nos meios de comunicação; o sionismo é uma forma de racismo, que encontra ressonância midiática pela conivência como os fatos no oriente médio são tratados.
    Este artigo na Folha citado acima é um grande exemplo disso.
    Aqui no sul do país, os jornais Zero Hora e Diário Catarinense,ambos do grupo RBS, não estampam em suas manchetes o banho de sangue promovido por Israel, pois os donos deste grupo são de descendência judaica.
    Aí morreu a ‘imparcialidade’…

  9. Comentou em 20/07/2006 José de Souza Castro

    Israel é o pior exemplo, na atualiade, de como uma grande idéia, essencialmente generosa na sua gênese – a idéia de dar finalmente uma pátria aos judeus – se degenera ao longo do tempo. Aliás, como aconteceu antes com a revolução francesa de Robespierre e com a revolução comunista de Lenin, só para citar os casos mais conhecidos. Israel está se transformando não numa nação, mas num simples protetorado americano e, como tal, servindo aos piores designios do capital dominante no mundo, à custa dos vizinhos árabes. O que mais causa estranheza, neste episódio, é o comportamento da Folha de S. Paulo, ao dar destaque a um artigo flagrantemente tendencioso, sem levar em conta a posição oficial brasileira, que se justifica até mesmo porque no Brasil vivem 6 milhões de descendentes libaneses (mais do que a população atual do Líbano) e não sei quantos milhões de descendentes judeus.

  10. Comentou em 20/07/2006 Mario Cesar Monteiro de Oliveira

    Grande artigo. Aumenta a credibilidade do OI.

  11. Comentou em 20/07/2006 Ernesto Marra

    Excelente artigo !
    O Globo de hoje publica entrevista com um israelense carioca, serve o exercito de lá, explica a ofensiva pelo ‘valor que Israel dá à vida humana’. Parece, mas não é irônico. É exatamente sua tese.
    È dificil encontrar midia imparcial sobre o conflito no Oriente Medio
    Os jornais brasileiros traduzem os americanos , com seus pontos de vista manipulados.
    Notar que uma operação dessa envergadura deve ter sido planejada pelo estado maior do exercito de Israel com antecedência, objeto de muitas reuniões de gabinete. As forças armadas colhem informações, preparam as oerações, a logística, recursos, escolhem alvos, Dão estimativas ao gabinete de custos, baixas, prazo necessário para atingir objetivos. Com certeza, como Israel usa armamento americano, necessitou de anuência do governo Bush para desencadear a operação. Uma vez aprovada, ficou em stand by, até haver algum fato político que sirva de pretexto para desencadea-la. Supomos que Bush tenha dado um prazo para Israel desenvolver sua ofensiva no Líbano.
    Esperamos que cessem as mortes de civís !

  12. Comentou em 19/07/2006 joel toledo

    Sempre defendi os judeus, mas depois com a ofensiva contra os palestinianos, chego a conclusao, que sao muito piores do que os nazistas. Transformaram a terra sagran da em terra sangrenta, com uma guerra desigual, crianças, velhos, com pedras enfrentando tanques, misseis, jatos e o que ha de mais moderno em armas. E´lamentavel e muito triste.

  13. Comentou em 19/07/2006 Bruno Leonelo Payolla

    Finalmente um colaborardor o OI abordou a questão dos ataques de Israel aos palestinos e ao Líbano. A abordagem de grande parte da imprensa brasileira é tímida, parcial e culminou com a publicação pela Folha de São Paulo do artigo do escritor Amós Oz, que além de assutador é imoral. É incrível o poder das lideranças do estado de Israel e da comunidade judaica que vive nos Estados Unidos sobre a imprensa e principalmente sobre os governo americano (seja repúblicano ou democrata). A louca reação de Israel mostra para mim que hoje ele é um cancer que corrói o Oriente Médio.

  14. Comentou em 19/07/2006 Artur Ribeiro de Araujo

    O cinismo e a hipocrisia da mídia de mais de meio mundo é incrivel. E como se nada estivesse acontecendo alí no Líbano. Agora imaginemos se ao invés de Israel, o Hezbolah tivesse matado pelo menos um brasileiro. Um só. Quase toda a nossa grande mídia, obediente aos ditames do Imperio, estaria com imensas manchetes condenando com uma veemencia que não está sendo utilizada na condenação aos excessos cometidos pelo pau mandado do Médio Oriente

  15. Comentou em 19/07/2006 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Sei não…. A escalada de violência contra a Palestina precedeu o ataque americano ao Iraque. As escaramuça entre israelenses e partidários do Hizbolah pode ser apenas a entrada para a Guerra do Irã (ou da Pérsia). Um ataque iraniano para defender libaneses ou sírios seria o pretexto que os americanos precisam para realizar a guerra que foram diplomaticamente imepedidos de inicial há um ou dois meses. Já defendi isto na Internet e despertei comentários furiosos de defensores ardorosos de americanos e israelenses. Sei não… Há cheiro de muita pólvora no ar. O pouco de estabilidade que existe no Oriente Médio está prestes a desmoronar de vez. Pior para todos, árabes, israelenses e americanos.

  16. Comentou em 19/07/2006 Beto Venturini

    Parabéns Weis pela ótima análise q vc fez. Não encontro na mídia, ninguém condenando esses ataques brutais de Israel. Não vejo editores e comentaristas abismados com tais atitudes. Os entrevistados vindos do Libano só falam do horror q sentiram lá, mas nenhum tem a chance de criticar Israel. Ótima análise

  17. Comentou em 19/07/2006 Giovanni Moscato Júnior

    Israel precisa aprender a ter respeito por seus vizinhos, a parar de comportar-se como o ‘Império’ da região. Ainda hoje o Estado de Israel se vale do Holocausto para constranger o mundo a não contrariá-lo, como se as vítimas dos nazistas estivessem representadas, em algum momento, pelos senhores que governam aquela nação. Estes estariam mais para os colaboracionistas, isso sim!

    Todavia, parole, parole, os EUA nada farão contra Israrel. A Rússia protege os interesses sírios na região, o que é bom, pois dá uma refreada nos ímpetos militaristas do 1º macaco da história a chegar à Presidência do país mais poderoso do Planeta. Quem precisa agir, e rápido, é a UE, tomando medidas diplomáticas e econômicas drásticas contra Israel, além de um muito bem-vindo boicote dos demais países árabes à venda de combustível para os israelenses. Quero ver de onde vão tirar gasolina para movimentar sua poderosa máquina de guerra!

    Se ninguém fizer nada, de verdade, em breve o mundo assistirá Israel varrer o Líbano do mapa, cometendo o mesmo crime pelo qual o Hizbollah é tão implacavelmente taxado de terrorista. Isso na opinião do Ocidente. Eu estive naquela região em 2003, e só o que vi e ouvi foram elogios rasgados a eles. Questão de ponto de vista.

  18. Comentou em 19/07/2006 walter junior

    Faz tempo que tantos civis brasileiros não eram assassinados numa guerra.
    Por muito menos Getúlio rompeu relações e declarou guerra a Alemanha.
    Pq será que nenhum jornalista que se preze pergunta aos nossos candidatos a presidência se o Brasil não deveria romper relações com o estado sionista uma vez que como disse antes, faz tempos que tantos brasileiros civis não são assassinados de uma só vez por um exército estrangeiro?
    Pelo rompimento de relações com Israel. Essa é a minha opinião.

  19. Comentou em 19/07/2006 Antonio Peres Pacheco

    A força militar aplicada por Israel hipoteticamente dirigida contra os terroristas do Hizbollah é injustificável. Até ontem, 18/07, já haviam sido mortos maiis de 200 inocentes em território libanês, entre os quais, sete brasileiros enquanto apenas quatro militantes do grupo terroristas haviam sido abatidos.
    Mesmo que, nos dias atuais, fossemos considerar como plausível a aplicação da Lei de Talião, Israel deveria ser repudiado pela sua descabível selvageria. Afinal, quatro militantes do Hizbollah foram mortos, um a mais que os três soldados israelenses sequestrados e que ensejaram a desculpa para a chuva de bombas assassinas que Israel faz cair sobre as cabeças libanezas.
    O Hizbollah não merece consideração, são terroristas, sim. De fato, não querem saber de nada que possa significar um arrefecimento das hostilidades entre Árabes e Judeus. Assim como para a Al Qaeda, a paz no oriente médio significa para o Hizbollah, antes de mais nada, o fim ds razão de sua própria existência.
    A imprensa brasileira é caolha para assuntos de nossa realidade e é absolutamente míope quando se trata de cobrir temas internacionais. E é caolha e míope por opção, não por algum mal alheio à sua vontade. Ou melhor, à vontade de seus controladores. é ingenuidade esperar seriedade, imparcialidade e profundidade da imprensa tupiniquim na cobertura do que quer que seja. Menos ainda desse conflito.

  20. Comentou em 19/07/2006 Eduardo Galdino

    Só espero que os comentários aqui postados não caiam na facilidade da construção de maniqueísmos e formulação de preconceitos, que alimentam as incompreensões e adubam a barbárie. Não é por ser judeu ou muçulmano, que são menos ou mais violentos, menos ou mais justos, manos ou mais protegidos de Deus. A política de agreessão de Israel é uma política de governo e não de religião. Contrário fosse não teriam o apoio, também oriundo de política de governo, dos EUA, hoje orientado ideologicamente pela direita cristã. Acontece que a morte de pessoas civis não se justifica, seja qual for a ótica abraçada. Pensar diferente nos forçaria a raciocinar que o ataque ao WTC em 2001 seria plenamente justificável, pois estaria no contexto de uma causa, para aqueles que planejaram e efetivaram o ataque. Mesmo que não aceitássemos ou discordássemos, teríamos que compreender. Quanto ao texto, como vários deste Jornalista, excelente.

  21. Comentou em 19/07/2006 jefferlhe Barbosa

    Parabens, procurei ja algun tempo na imprensa braileira, vida inteligente e acho que encontrei .

  22. Comentou em 19/07/2006 taciana oliveira

    Desculpas pelo erro de português: ponhe no lugar de põe.

  23. Comentou em 19/07/2006 Adir Nasser Jr

    O Hizbullah sabia perfeitamente qual seria a reação de Israel a um ato como o que cometeu (seqüestro de soldados). Eles sabem que Israel joga sujo, muito sujo, como um autêntico terrorista, matando civis e destruindo covardemente a infra-estrutura libanesa, como observou Weis. No entanto, por que o Hizbullah agiu assim? Simples: porque não se preocupa com o Líbano e com os libaneses. Quer usá-los como arma e campo de guerra para interesses que vão além do conflito imediato por Shebaa ou por que quer que seja. Estão a serviço de países estrangeiros (Síria e Irã). A resposta israelense desproporcional aumenta o ressentimento anti-sionista entre os árabes, mas os libaneses particularmente percebem que o Hizbullah, que serviu como ‘tropa de resistência’ aos israelenses, não quer o bem-estar dos libaneses.

  24. Comentou em 19/07/2006 Josué Machado Costa

    Na guerra a verdade é a primeira a morrer, onde existem bandidos e mocinhos. Desta vez os bandidos vem de Israel.

  25. Comentou em 19/07/2006 Francisco Mazziotti

    Caro Sr. Luiz Weis Você sempre nos faz lembrar para quê serve um jornalista. Lembro-me desse conflito no Oriente Médio (poderia ser chamado também de Oriente Médico, tal o número de vítimas) desde que era criança, nos anos 50 onde, com ou sem motivo, sempre há tiroteios e mortes inúteis. Assim como no Chile, Brasil, Argentina, El Salvador e alhures, a confederação americana é a grande promotora do morticínio e, assim como fizeram no Iraque (e devem repetir no Irã), aumentam seu faturamento, através da captura de lençóis petrolíferos, do comércio de armas e na reconstrução dos países que se incumbem de destruir. Desta vez, eles arrumaram Israel como sócia do projeto. E o pior disso tudo é que os Estados Unidos acham que estão certos. Abração e fique com Deus

  26. Comentou em 19/07/2006 Marcelo Monteiro

    ‘É a referência à impossibilidade de “comparação moral” entre os atos da organização terrorista muçulmana e os do Estado que pretende destruir – e que, desde Sharon pelo menos, não raro se comporta como um Estado terrorista, seguro da impunidade na condição de protetorado americano.’ Será o cão que abana a cauda ou a cauda que abana o cão ? Será Israel o ‘protetorado americano’ ou os EUA um ‘proterado judaico e sionista’ ?’ Ou os dois ? O sobrenome ‘Weis’ do autor deste artigo, sugere ascendência judaica alemã, seria importante que o autor desta ‘crítica da imprensa majoritariamente pró-sionista ocidental’ dissesse suas ‘credenciais’ ? E quem são os patrocinadores deste ‘Observatório’ ? O ateu de origem judaica Karl Marx disse: liberdade de imprensa só quem tem é o dono do jornal’ ….. E de crítico dos jornais, lógico ! Sr Weis, o Sr é de origem judaica como o Sr Alberto Dines ? Que pensa o senhor sobre o estado de Israel, deve existir ? Sobre que pretexto ? Onde ? A custo de quem ? Caio Binder foi citado como judeu, o Sr também o é, Sr Weis? Que sugere para o povo judeu e palestino , que sugere para a humanidade? Novamente, muito obrigado pela sua reflexão.

  27. Comentou em 19/07/2006 Marcelo Monteiro

    É dificílimo informar-se sobre a questão Israel. É dificílimo compreender a história do povo judeu, o único povo que sobrevive em sua substância desde a idade clássica.

    A contribuição judaica positiva ou negativa na história da humanidade é tema profundo, digno de estudo sempre interminável e jamais possível em um só artigo ou crônica, ou por uma só mente, com as ‘verdades’ disponíveis neste momento da história da humanidade.

    Parabéns pela tentativa do autor deste artigo em tentar ao menos trazer o tema Israel ao observatório. Ontem, foi ressussitado aqui, o ‘affaire Dreyfus’, de 100 anos atrás e hoje, eis que vejo na pauta do observatório, as monopolísticamente eternas vítimas da história da humanidade e suas vítimas eternas idem, que ousam aparecer, quanta ousadia!

    Mais um encontro do anti-gentilismo e exclusivismo da religião judaica e as reações opostas que estes provocam. Motivos há para lamentar a história, esta fábula contada pelos vencedores, desde as invasões assírias de 2500 anos atrás e ler muito, lamentar muito e quem sabe crer que é possível Armagido muito em breve, mesmo quando se é ateu.

    Eric Hobsbawn, judeu britânico e reconhecidamente um dos maiores historiadores vivos, acredita que Israel tal qual é, não é melhor nem para o povo judeu nem para o resto da humanidade. Suas razões no link em inglês:

    http://www.lrb.co.uk/v27/n20/hobs01_.html

  28. Comentou em 19/07/2006 Paulo Fessel

    Cada vez mais o Israel de 2006 se assemelha à Alemanha dos anos 1930-1940. Não duvido que, em breve, alguns israelenses começarão a propor a invasão do Líbano e da Síria, em busca do ‘lebensraum’. Se construírem campos de concentr, ops, de trabalho, isso não me espantará.

    O pior de tudo é que, enquanto os EUA estiverem apoiando financeiramente o estado de Israel e enquanto grupos como o Hezbollah não aceitarem fazer o jogo de Israel – que é ser a única potência militar da região, já que goza da confiança dos EUA – o conflito continuará, sem previsão de término.

  29. Comentou em 19/07/2006 Carlos N Mendes

    Bem, primeiro : o Hizbollah é, latu sensu, um grupo ‘terrorista’ ? O fato dele não representar um povo com pátria o torna um ‘grupo terrorista’? Eles explodem velhinhas em ônibus? é da mesma laia da Al Qaeda? Até agora, como qualquer outro exército, vi o Hizbollah usar apenas mísseis, e com o mínimo de tecnologia, se comparados aos satélites e F-16 de Israel. Justificativas expostas, é difícil qualquer pessoa achar razóavel matar 50 civis para cada soldado do Hizbollah morto.
    Triste mesmo é ouvir no Bom Dia Brasil nesse dia 19 : ‘ Hizbollah ataca com mísseis o norte de Israel. Já são 6 brasileiros mortos’. Para o incauto, foram os mísseis do Hizbollah, e não o bombardeio israelense, que mataram os brasileiros. Erro? Não acredito que o jornalismo da Globo cometa um erro desse tamanho.

  30. Comentou em 19/07/2006 Diego Damasceno

    Semelhante posição foi defendida na TV fechada, canal GNT, por Caio Blinder, no programa ‘Manhattan Connection’, no domingo último, dia 16.
    Blinder classificou como ‘acidentes’ as mortes de civis pelos bombardeios de Israel. Absurdo, desprezível, principalmente para um jornalista que vive a dizer que sua religião (Blinder é judeu) não influencia em suas análises profissionais.

  31. Comentou em 19/07/2006 Dante callefi

    Israel,apresenta-se neste momento aos olhos da comunidade internacional,como nação manipulada pelos interesses geopolíticos dos Estados Unidos.Foge ao entendimento comum,as razões deste cruel ‘pogrom’ por terra,mar e ar prepretado por um estado naturalmente belicoso,apoiado pela maior potência do planeta,contra um país que sequer possue forças armadas, técnicamente, contituidas.O Líbano ainda sofre as seqüelas da guerra civil que o destroçou. Recurso infindáveis foram consumidos, para reconstituir àquela que foi chamada de Paris do oriente. A quem interessa a destruição desse país neutro?Quantos terroristas foram eliminados até agora?Menos de dez.Qualquer general,de qualquer exército mambembe,seria destituido e encaminhado à côrte marcial,por essa desproporcional ação bélica. Cabe aos jornalistas,levantarem essa questão: a inpunibilidade de Israel e seus desmandos.Talvez a resposta seja tão prosaíca: apaz,o convívio, a coexitência, sejam menos rentáveis do que interminável guerra.

  32. Comentou em 19/07/2006 taciana oliveira

    Há pouco tempo, o Papa Bento XVI visitando campos de extermínio nazistas, perguntou onde estava Deus que não viu tudo aquilo acontecer. O Padre Vieira em certa ocasião também perguntou a Ele por que não acudia o povo? E agora, onde está Deus que não vê as atrocidades presentes de Bush e de Israel? Será que vamos ter que engolir que realmente Israel é o eleito de Deus e como tal se lhe justifica fazer todas as atrocidades que quiser? Será realmente que o anjo com espada de fogo do Antigo Testamento vai baixar mais uma vez para dizimar as hostes dos inimigos infiéis? O novo protestantismo de Bush é como uma prega no tempo e na História, em que todos os ensinamentos do cristianismo (Novo Testamento) são esquecidos e quem não for ‘povo eleito por Deuas’ é ‘eixo do mal’ e deve ser destruido, numa ação meritória. Isso só confirma que, em nome de sua pretensa superioridade,dada por direito divino, Israel e seu anjo vingador( Bush) se sentem no direito de tomar e subjugar tudo e todos, difundir que anti sionismo é anti semitismo, manipular a Imprensa, perseguir quem se oponhe,ressuscitar a Pena de Talião e avançar cada vez mais no mundo, às custas de sangue e vidas de inocentes levados de roldão no meio de batalhas ou simplesmente dormindo em suas casas. Enquando Deus não se manifesta, ( Dará uma entrevista na CNN?) vamos rezar até Ele ouvir e para ver se a sociedade ouve.

  33. Comentou em 19/07/2006 Ricardo Silva

    Texto (quase) impecável. Continuo sem entender a razão de se usar ‘inverdades’. Se não são verdades factuais, são mentiras… não?

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