Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Mudança de hábitos de leitores gera novo desafio para as redações

Por Carlos Castilho em 21/08/2008 | comentários

Uma pesquisa que acaba de ser divulgada pelo instituto Pew Research Center for the People and the Press mostra que os consumidores de informações já não consomem passivamente as notícias publicadas pela imprensa e adotam cada vez mais uma postura investigativa e seletiva.


 


Esta constatação é a principal conclusão da pesquisa bianual sobre hábitos de consumo de noticias entre os norte-americanos e aponta para a necessidade de mudanças significativas nas estratégias editoriais, por meio da substituição da noticia pronta e acabada por um cardápio de opções informativas.


 


Tom Rosenstiel, diretor do Project for Excellence in Journalism, analisou os resultados da pesquisa e apontou uma marcada preferência dos novos consumidores de informação em buscar a diversidade de fontes, seja por meio da pesquisa e da busca, como pelo uso dos chamados agregadores de noticias[1].


 


Isso significa que os leitores já não se contentam mais com a notícia publicada num jornal, seja na versão impressa ou na versão online. Ele vai procurar noutras fontes, como por exemplo os weblogs. O leitor tornou-se mais exigente e passou a preferir o que Rosenstiel chamou de “cultura da exigência” (on demand culture).


 


Esta nova atitude dos consumidores de informação é mais intensa na geração com menos de 30 anos, mas manteve a preferência do público pelas fontes tradicionais de notícias, como grandes jornais, revistas e emissoras de radio ou TV. As pessoas lêem cada vez menos publicações impressas, mas procuram cada vez mais a versão online do seu jornal, revista ou emissora de televisão de preferência.


 


Os resultados da pesquisa mostram também um novo desafio para as redações convencionais. Publicar notícias já não é mais tão importante como se pensava. Muito mais relevante começa a ser a oferta de opções informativas, ou seja, a recomendação de fontes e sua respectiva avaliação.


 


É o que especialistas como o australiano Alex Bruns chamam de gatewatching, ou seja observação de fontes. Trata-se de um jogo de palavras com a expressão gatekeeper, usada para caracterizar a seleção de notícias, em que o jornalista decide o que o leitor vai ou não ler. A internet reduziu drasticamente a importância do “porteiro da notícia”, ao ampliar a margem de opções à disposição do leitor.





[1] Agregadores de notícias são softwares usados para automatizar a captura, seleção e recomendação de noticias publicadas na Web.

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