Mudança de hábitos de leitores gera novo desafio para as redações | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Quinta-feira, 16 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Mudança de hábitos de leitores gera novo desafio para as redações

Por Carlos Castilho em 21/08/2008 | comentários

Uma pesquisa que acaba de ser divulgada pelo instituto Pew Research Center for the People and the Press mostra que os consumidores de informações já não consomem passivamente as notícias publicadas pela imprensa e adotam cada vez mais uma postura investigativa e seletiva.


 


Esta constatação é a principal conclusão da pesquisa bianual sobre hábitos de consumo de noticias entre os norte-americanos e aponta para a necessidade de mudanças significativas nas estratégias editoriais, por meio da substituição da noticia pronta e acabada por um cardápio de opções informativas.


 


Tom Rosenstiel, diretor do Project for Excellence in Journalism, analisou os resultados da pesquisa e apontou uma marcada preferência dos novos consumidores de informação em buscar a diversidade de fontes, seja por meio da pesquisa e da busca, como pelo uso dos chamados agregadores de noticias[1].


 


Isso significa que os leitores já não se contentam mais com a notícia publicada num jornal, seja na versão impressa ou na versão online. Ele vai procurar noutras fontes, como por exemplo os weblogs. O leitor tornou-se mais exigente e passou a preferir o que Rosenstiel chamou de “cultura da exigência” (on demand culture).


 


Esta nova atitude dos consumidores de informação é mais intensa na geração com menos de 30 anos, mas manteve a preferência do público pelas fontes tradicionais de notícias, como grandes jornais, revistas e emissoras de radio ou TV. As pessoas lêem cada vez menos publicações impressas, mas procuram cada vez mais a versão online do seu jornal, revista ou emissora de televisão de preferência.


 


Os resultados da pesquisa mostram também um novo desafio para as redações convencionais. Publicar notícias já não é mais tão importante como se pensava. Muito mais relevante começa a ser a oferta de opções informativas, ou seja, a recomendação de fontes e sua respectiva avaliação.


 


É o que especialistas como o australiano Alex Bruns chamam de gatewatching, ou seja observação de fontes. Trata-se de um jogo de palavras com a expressão gatekeeper, usada para caracterizar a seleção de notícias, em que o jornalista decide o que o leitor vai ou não ler. A internet reduziu drasticamente a importância do “porteiro da notícia”, ao ampliar a margem de opções à disposição do leitor.





[1] Agregadores de notícias são softwares usados para automatizar a captura, seleção e recomendação de noticias publicadas na Web.

Todos os comentários

  1. Comentou em 25/08/2008 Fernando Pascoal

    Não há qualquer dúvida que o atual método de produção de notícias está em crise. A falta de credibildade aliada à multiplicação dos meios de difusão da informação derrubou o profissional do confortável trono. Tanto nos EUA quanto no Brasil ou em qualquer canto do mundo onde exista relativa liberdade de comunicação, o público, aos poucos, busca fontes alternativas para a compreensão dos fatos. O jornalismo, mantidas as atuais condições de temperatura e pressão, é uma profissão em forte declínio, porque jornalismo é, e sempre foi, meio (canal), e, porque é canal, vem sendo substituído por outros canais. O que ainda sustenta a existência da profissão é o receio do público em confiar nas novas fontes de informação. Passada esta etapa, o jornalista e o jornalismo tal qual conhecemos desaparecerão.

  2. Comentou em 25/08/2008 Ana Clara Silveira

    Em primeiro lugar não podemos comparar a sociedade americana com a nossa, se naquele país os blogs são levados a sério, dificilmente isso acontece no Brasil. Além do problema da pouca visibilidade, os mais visitados são de colunistas já consagrados e que invariavelmente pertencem a grande mídia. Não sou contrária a exposição de opinião de todos, contudo, para que ela tenha credibilidade essa comunicação deve seguir alguns parâmetros que jornalistas dominam. Caso contrário estariamos diante de ´informação por informação´, que não não nos leva a lugar nenhum.

  3. Comentou em 22/08/2008 silvio freitas

    Já faço isso a muitos anos, fico feliz em saber que as pessoas não aceitam mais ‘prato feito’ pelos censores de redação. Aprofundar-se na informação é a maneira mais correta de aproximar-se da verdade.

  4. Comentou em 22/08/2008 vinicius dias

    Caro Carlos se você desse uma olhada mas atenta nos Blogs de comentaristas vc veria esria este fenomeno, e nao somente este, mas a participação das pessoas tambem em informarem e não deixarem em branco qualquer opinião dos colunistas…olhe principalmente o blog da Miriam Leitão

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