Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Na vaga de Delcídio, dono de jornal, rádio e TV

Por Mauro Malin em 09/05/2006 | comentários

No dia 3 de maio o presidente do Senado, Renan Calheiros, cometeu um ato ilegal. Deu posse ao suplente do senador Delcídio Amaral, do PT de Mato Grosso do Sul, Antônio João Hugo Rodrigues, do PTB. Ele é dono do jornal Correio do Estado, da TV Campo Grande e das emissoras de rádio FM 94 e Rádio Cultura AM de Campo Grande.


A Constituição Federal estabelece no artigo 54 que deputados e senadores não poderão, entre outras coisas, aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado em pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público. Nesse último caso enquadram-se as emissoras de rádio e televisão.


João Antônio não é o único. Basta mencionar, para não gastar muito espaço, os senadores Antônio Carlos Magalhães, do PFL de Bahia, ou José Sarney, do PMDB do Amapá, donos de emissoras de rádio e televisão. Se o ato não é ilegal, é antiético.


Antônio João concorreu como suplente de Delcídio Amaral, que agora faz campanha para suceder Zeca do PT no governo de Mato Grosso do Sul. Ele foi um dos financiadores da campanha de Delcidio. Sua empresa Rádio Jornal Empresa Jornalística Mato-Grossense deu 81 mil reais, e ele, como pessoa física, doou 41,5 mil reais. (Veja adiante a lista completa dos doadores, obtida no site www.asclaras.org.br, mantido pela Transparência Brasil.)


O Projor, entidade mantenedora do Observatório da Imprensa, entregou à Procuradoria Geral da República, em 25 de outubro de 2005, representação pedindo providências contra a posse ilegal de meios de comunicação por parlamentares. Recentemente, a Procuradoria encaminhou ao Ministério das Comunicações um pedido de informações sobre os fatos que lhe foram relatados.


Retribuição


Segundo informações que circulam em Campo Grande, o presidente da CPMI dos Correios entregou o mandato a Antônio João por duas razões. Primeiro, para fazer campanha junto às bases eleitorais, o que não pôde fazer direito ao longo dos muitos meses de funcionamento da CPMI. Segundo, para pagar uma dívida com seu suplente, que lhe deu apoio político, de mídia e financeiro na campanha de 2002.


Essa prática chama a atenção para os métodos políticos convencionais seguidos pelo PT e demais partidos Brasil afora, mas sobretudo, especificamente no que diz respeito a este Observatório da Imprensa, para as ligações incestuosas entre meios de comunicação, partidos, candidatos e detentores de mandatos.


A lista de doadores da campanha de Delcídio Amaral sintetiza o drama vivido hoje por todos os partidos no Brasil. É muito estranho que entre os doadores esteja a Confederação Brasileira de Futebol. Também figuram um dos adversários de Delcídio, Ramez Tebet, eleito com a maior votação, e Luiz Umberto Aspesi, assessor do senador Tebet.


Ao total de R$ 1.835.877 se chega com a soma das seguintes parcelas:




  1. Delcídio Amaral Gomez …………………………     R$ 504.842



  2. Comitê Financeiro Único – PT …………………    R$ 291.488



  3. Itel Informática Ltda. ……………………………… R$ 220.000



  4. Banco Itaú S.A. ……………………………………… R$ 150.000



  5. CBF – Confederação Brasileira de Futebol…   R$ 100.000



  6. Banco de Crédito Real de Minas Gerais …….  R$ 100.000



  7. Rádio Jornal Emp. Jorn. Mato-Grossense …….R$   81.000



  8. João Roberto Baird …………………………………. R$  80.000



  9. Construtora Norberto Odebrecht ………………. R$ 45.000



  10. Antônio João Hugo Rodrigues …………………… R$ 41.500



  11. UTC Engenharia ……………………………………… R$ 30.000



  12. Unibanco – União de Bancos Brasileiros ……… R$ 30.000



  13. Tractebel EGI – South América Ltda. ………….. R$ 30.000



  14. Ramez Tebet ………………………………………….. R$ 26.200



  15. Bovespa – Bolsa de Valores de São Paulo…… R$ 20.000



  16. Supripack Ind. Ltda. ………………………………… R$ 12.000



  17. Klabin – Riocell S.A. …………………………………. R$ 11.849



  18. Rosario Congro Neto ……………………………….. R$ 10.000



  19. CBLC – Cia. Bras. de Liquidação e Cust. ……… R$ 10.000



  20. Distribuidora Brasil de Medicamentos …………. R$   9.000



  21. Kristiane Rondon de Oliveira ……………………… R$   6.000



  22. João José Jallad ……………………………………….  R$   5.000



  23. Antonieta Nassar ……………………………………..  R$   4.500



  24. GTA Proj. E Const. Ltda. ……………………………. R$    4.000



  25. Antonio S. Náutica Ltda. ……………………………. R$    3.000



  26. Roberto Teixeira dos Santos ………………………. R$   3.000



  27. Carlos Roberto de Moraes ………………………….. R$   3.000



  28. Conpav Engenharia Ltda. …………………………… R$   2.000



  29. Luiz Umberto Aspesi ………………………………….. R$   1.500



  30. Robson Teixeira dos Santos ………………………… R$  1.000


Nem é preciso dizer que essas são as doações oficialmente registradas. Elas correspondem exatamente ao total de gastos declarados ao Tribunal Regional Eleitoral.


Esses dados não permitem dizer se houve ou não outras despesas e outras receitas. O senador Ramez Tebet fez uma campanha oficialmente mais barata: total de R$ 412.048. Excetuados o agora senador Antônio João e sua empresa, a CBF e a Odebrecht, a lista de doadores da campanha de Tebet é muito parecida com a dos doadores da campanha de Delcídio.

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