Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Nada de pôr azeitona na empada alheia – mas haja azeitona!

Por Luiz Weis em 13/01/2006 | comentários

Quando um político solta a franga, o desafio da mídia é informar e analisar as suas ações – e as reações que elas provocam – sem fazer o jogo do dito cujo. Não é fácil.

Desde que, em dezembro, o governador paulista Geraldo Alckmin teve o estalo de responder categoricamente, com uma brevíssima palavra – “sou” – à pergunta inicial do apresentador do Roda Viva, da TV Cultura, se era candidato à presidência da República, quase não passa dia sem que ele dê um jeito de mostrar que veio ao mundo da sucessão a serviço e não a passeio.

O mais notório evento de mídia que ele criou, com essa intenção, foi o anúncio de que deixará o governo até 1º de abril, prazo final para a saída dos detentores de cargos executivos que queiram participar da eleição nacional de 1º de outubro.

Os seus motivos são transparentes, como se diz. O primeiro é puxar o tapete do rival tucano mais bem situado nas pesquisas eleitorais, o prefeito José Serra, que esperava ser “convocado” pelo PSDB para tentar tomar o Planalto de Lula. Assim poderia argumentar que se alevantou um valor mais alto do que a sua promessa de campanha de ficar na Prefeitura até o fim do mandato.

Além de colocar o partido diante de um fato consumado – como se só pudesse se candidatar a presidente, e não a senador, o que seria o caso, do ângulo dos serristas –, Alckmin precisa se escarrapachar na mídia um dia sim o outro também para se tornar mais conhecido pelo eleitorado não paulista.

Mas a mídia não tem por que fazer o seu jogo, ou de quem quer que seja, naturalmente. Ao se mover pelo pantanoso território das ambições políticas desatadas, do que não pode obviamente fugir, corre o risco de dar dimensão de fato ao que não passa de factóide, como a promessa de Alckmin de que, já no seu primeiro dia no Planalto, terá prontos todos os seus projetos de reforma.

Foi o que ele disse ao Estadão, numa entrevista publicada ontem, cujo destaque, inversamente proporcional à sua falta de sustança, poderia levar o leitor a achar que o jornal vestiu a camisa de sua candidatura – o que nega oficialmente, embora, no mesmo dia, a Rádio Eldorado, do mesmo grupo, tenha aberto os seus microfones para o auto-declarado presidenciável tucano.

Melhor fez o Valor, ao publicar, lado a lado, duas matérias densas de informação e análise sobre a sucessão vista das trincheiras de Alckmin e de Serra. Não colocou azeitona na empada de ninguém e prestou um serviço ao leitor.

P.S. acrescentado às 16h00 de 15/12: A leitura dos jornais hoje deixa a forte impressão de que, se depender do Estado e do Globo, não faltarão grandes azeitonas gordal na empada de Alckmin. Menos mal que a Folha, em vez de gastar páginas com entrevistas com bolas levantadas e matérias gênero ‘lado humano’ do governador, tenha publicado um texto de bastidor sobre as expectativas de Lula em relação ao PSDB, e outro, didático, na base de perguntas e respostas sobre as ‘fissuras’ dos tucanos paulistas.

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