Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Nada de pôr azeitona na empada alheia – mas haja azeitona!

Por Luiz Weis em 13/01/2006 | comentários

Quando um político solta a franga, o desafio da mídia é informar e analisar as suas ações – e as reações que elas provocam – sem fazer o jogo do dito cujo. Não é fácil.

Desde que, em dezembro, o governador paulista Geraldo Alckmin teve o estalo de responder categoricamente, com uma brevíssima palavra – “sou” – à pergunta inicial do apresentador do Roda Viva, da TV Cultura, se era candidato à presidência da República, quase não passa dia sem que ele dê um jeito de mostrar que veio ao mundo da sucessão a serviço e não a passeio.

O mais notório evento de mídia que ele criou, com essa intenção, foi o anúncio de que deixará o governo até 1º de abril, prazo final para a saída dos detentores de cargos executivos que queiram participar da eleição nacional de 1º de outubro.

Os seus motivos são transparentes, como se diz. O primeiro é puxar o tapete do rival tucano mais bem situado nas pesquisas eleitorais, o prefeito José Serra, que esperava ser “convocado” pelo PSDB para tentar tomar o Planalto de Lula. Assim poderia argumentar que se alevantou um valor mais alto do que a sua promessa de campanha de ficar na Prefeitura até o fim do mandato.

Além de colocar o partido diante de um fato consumado – como se só pudesse se candidatar a presidente, e não a senador, o que seria o caso, do ângulo dos serristas –, Alckmin precisa se escarrapachar na mídia um dia sim o outro também para se tornar mais conhecido pelo eleitorado não paulista.

Mas a mídia não tem por que fazer o seu jogo, ou de quem quer que seja, naturalmente. Ao se mover pelo pantanoso território das ambições políticas desatadas, do que não pode obviamente fugir, corre o risco de dar dimensão de fato ao que não passa de factóide, como a promessa de Alckmin de que, já no seu primeiro dia no Planalto, terá prontos todos os seus projetos de reforma.

Foi o que ele disse ao Estadão, numa entrevista publicada ontem, cujo destaque, inversamente proporcional à sua falta de sustança, poderia levar o leitor a achar que o jornal vestiu a camisa de sua candidatura – o que nega oficialmente, embora, no mesmo dia, a Rádio Eldorado, do mesmo grupo, tenha aberto os seus microfones para o auto-declarado presidenciável tucano.

Melhor fez o Valor, ao publicar, lado a lado, duas matérias densas de informação e análise sobre a sucessão vista das trincheiras de Alckmin e de Serra. Não colocou azeitona na empada de ninguém e prestou um serviço ao leitor.

P.S. acrescentado às 16h00 de 15/12: A leitura dos jornais hoje deixa a forte impressão de que, se depender do Estado e do Globo, não faltarão grandes azeitonas gordal na empada de Alckmin. Menos mal que a Folha, em vez de gastar páginas com entrevistas com bolas levantadas e matérias gênero ‘lado humano’ do governador, tenha publicado um texto de bastidor sobre as expectativas de Lula em relação ao PSDB, e outro, didático, na base de perguntas e respostas sobre as ‘fissuras’ dos tucanos paulistas.

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/01/2006 Geraldo Oliveira Maia

    Embora a mídia venha se acautelando em se posicionar quanto ao nome do candidato tucano à presidência, ela deixa bem claro que se definirá a partir dos resultados das pesquisas eleitorais. Afinal, para ela não importa o nome, mas sim aquele que representar vitória sobre o PT. Pois, para os ‘intelectuais’ é muito difícil assumir o êxito do governo de um matuto.

  2. Comentou em 15/01/2006 Francisco das Chagas Alves

    Um pequeno detalhe sobre a mudança de postura da imprensa televisiva quanto ao Sr. Alckmin: onde se ouvia ‘governo de São Paulo’ faz isso ou aquilo, hoje se ouve o ‘governador de São Paulo, Geraldo Alckmin’ faz isso ou aquilo. Um empurrãozinho ao ‘picolé de chuchu’ – que não deve sair de graça. Será que não derrete até outubro?

  3. Comentou em 14/01/2006 Jorge Washington Astigarraga

    Seria de admirar,que o atual governador de São Paulo,não tentasse ser o candidato do seu partido à presidência da república.Tudo o que fez no cargo durante sua gestão,não deixava dúvidas.Pena que, o debate entre os pré-candidatos não seja mostrado.Seria uma excelente oportunidade de se apreciar o confronto entre a pasmaceira e a mesmice.Como escreveu um leitor,apenas ‘picolé de chuchu’.

  4. Comentou em 14/01/2006 Jorge Oliveira

    O Alckmin não está com essa bola toda não,com a força e a grandeza que tem o estado de São Paulo, qualquer administrador mediano poderia ter feito igual ou mais que ele,temas centrais e relevantes a sua atuação foi decepcionante, é o caso da educação principalmente no ensino fundamental a qualidade é muito baixa, sem falar nas condições precarias das escolas. A promessa de trabalhar junto com o Serra não passou de um sonho de campanha, porque na pratica ninguem viu nada…

  5. Comentou em 14/01/2006 Antoniuo Marques PARDAL

    É DEVERAS LAMENTAVEL NÓS ESTARMOS DISCUTINDO CANDIDATURAS DE DIREITA A PRESIDENTE. ISTO NÃO É SÓ PURA E SIMPLESMENTE RETROCESSO, É ACIMA DE TUDO INCAPACIDADE DE DISCUTIR CANDIDATURAS MAIS A ESQUERDA. A REVOLUÇÃO É DEMOCRATICA E SOCIALISTA, QUANDO NÃO SEI MAS QUE UM DIA ACONTECE ,ACONTECE. TORÇO PARA QUE AS ELITES NÃO TENHAM MAIS A INTENÇÃO DE ENGRUPIR CANDIDATOS HIPOCRITAS E CINICOS,ASSIM NÃO PRECISAMOS ACABAR COM A RAÇA DE NIMGUEM. AMEM.

  6. Comentou em 14/01/2006 GILBERTO GENTILLE

    ANTES DO SAUDOSO E QUERIDO MARIO COVAS QUEM ERA O ENTAO GOVERNADOR DE SP CHEGOU ONDE ESTA AS CUSTA DO GRANDE HOMEM PUBLICO E COMPETENTE POLITICO SOZINHO SERIA APENAS O QWE ERA DURANTE ESTE TENPO TODO NAO CONSEQUIU SE QUER SER CONHECIDO PELOS BRAZILEIRO POIS NAO CONHECE O NOSSO PAIS,SERRA JA FEZ A MUITO TEMPO O QUE O GOVERNADOR ESTA TENTANDO FAZER AGORA QUE E CONHECER OS ELEITORES BRASILEIROS GOVERNADOR POR FAVOR NAO DEIXE QUE PERCA TOTAL ACABE COM O RESTINHO QUE NOS RESTA PT FAZ MAL PARA O BRAZIL E SEUS SIMPATISANTES PASSE A BOLA PARA O SERRA E DARA TUDO CERTO ESPERE PARA A PROXIMAS

  7. Comentou em 14/01/2006 Haroldo Mourão Cunha

    A democracia não pode ser encarada como um fim, mas um maio de se viver e conviver com seus semelhantes. Isso poto, o governador de SP tem a sagrado direito de fazer o que bem entende, em relação a ser candidato a candidato a alguma coisa! Nosso maior problema, como eleitor, é que não dispomos de material ´para fazermos um julgamento elitoral com imparcialidade, digo julgamento eleitoral pois apenas podemos ver as itenções dos canditatos, sejam elas falsas ou verdadeiras, o depois é que são elas!
    Sou eleitor do Lula, voterei nele novamente com toda a certeza, mas não podemos abandonar o contraditório, se não correremos o risco do monolítico. Vejo na atualidade uma chance de conseguirmos a tão sonhada democracia geral e irrestrita, portanto não vou abandonar o barco só porque vazou água, quero consertá-lo em alto-mar, mesmo correndo risco de naufrágio sei que tenho uma bóia de salvação, coisa que não vislumbro caso as velhas elites retornem com força total ao poder.
    Luiz, seu texto sobre o jornalismo esportivo, se é que assim posso denomina-lo, foi magistral. Feliz 2006!

  8. Comentou em 13/01/2006 Bento Magalhaes

    Geraldo Alckmin presidente: alegria da Daslu, Opus Dei e neoliberais; tristeza dos professores, funcionários públicos, sem-tetos e sem-terras. É o fim da picada. Esse cara não fez nada por S.Paulo!
    P.S. A Febem, o sistema carcerário, quase uma rebelião por dia. De JK ele só tem igual a profissão abandonada: médico (anestesista, no seu caso, o que é bem sugestivo)

  9. Comentou em 13/01/2006 José Carlos dos Santos

    O picolé de chuchu contra o Tio Fester

  10. Comentou em 13/01/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    A foto que se refere a matéria abaixo não é uma fotomontagem:

    http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/mundo/2240001-2240500/2240146/2240146_1.xml

    Os leitores familiarizados com a historiografia antiga sabem a importância que se dava ao nascimento de um animal com deformidade tão severa. O episódio era encarado como um prodígio ou presságio de calamidade futura. Em sua História de Roma, Tito Lívio relata inúmeros destes prodígios. Eles se tornaram tão constantes na região da Campania, que Lívio ridiculariza-os e aos crédulos habitantes daquela região infestada de malária a 50 Km de Roma.

    É claro que sabemos que a genética explica perfeitamente a reprodução defeituosa do gato da foto. Entretanto, mesmo que não explicasse, em se tratando de Brasil, ninguém deveria ficar assustando.

    Quem suportou um Lula presidente e está na iminência de ver José “cadavérico” Serra, Garotinho “marotinho” ou o próprio Lula “four fingers” vestir a faixa presidencial é capaz de suportar qualquer calamidade. Se é que possa existir uma calamidade maior do que qualquer um destes três patetas se tornar Presidente. A propósito, deveríamos dar uma faixa para cada um dos três e deixá-los brigar pela cadeira. Seria um BBPB (Big Brother Presidentes do Brasil) bem mais interessante do que o programa da rede bobo.

  11. Comentou em 13/01/2006 Tiago de Jesus

    Estou louco para que Alckmin seja o candidato escolhido pelo PSDB. Provavelmente será uma nova Roseana Sarney. O partido será pego, no meio do caminho, com um balão murcho na mão e sem poder trocar os nomes. Serra vai rir à toa ou, mais a seu feitio, planejar 2010.

  12. Comentou em 13/01/2006 Arnaldo Reis Caldeira Junior

    É fato que o presindenciável e governador de Sao Paulo Geraldo Alckimin, busca um espaço, e bem como é de seu feitío, foi a luta – arregaçou as mangas – como sempre o faz.
    Porém para quem nao conhece o Governador, é só procurar saber a sua história de homem público desde a cidade de pindamonhangaba – Vale do Paraíba – até o palácio dos Bandeirantes. Caminhada de aprendizado e realizaçoes.
    Tenho certeza que nesta campanha eleitoral, o Brasil irá conhecer como foi esculpido / formado o carácter e a integridade deste político; seus desejos e anseios para com o Brasil.
    Será mostrado que o Sr. Alckimin, zela e ainda acredita no maior patrimônio que o Brasil possui – A FAMÍLIA.
    E somente através da família, que realmente acontecerao as verdadeiras mudanças que o Brasil necessita.
    Parece que sim, alguém realmente preparado e com propostas para o povo Brasileiro.
    Boa Sorte Governador.

  13. Comentou em 13/01/2006 João Figueiredo de Almeida

    O atual chefe do Governo Paulista, pode não ser conhecido em todo território nacional, porém conta com fatores fundamentais em uma carreira política de sucesso: sorte e competência. O Planalto é o próximo passo de uma possível candidato, marcado pela competência.

  14. Comentou em 13/01/2006 flavio friedrich

    Parabens pela materia isenta , bem colocada no sentido de atentar para as armadilhas de marketing empregada por politicos .
    Fica cada vez mais claro que ; A midia se deixa usar . uma arma pouco democratico . condizente com o nivel de nossos politicos e nossa midia .

  15. Comentou em 13/01/2006 LAFAIETE CAMPOS

    O BRASIL TEVE UM NEOLIBERAL QUE NOS EMBARAÇOU , DEPOIS VEIO UM TRABALHADOR QUE NÃO PARA DE DAR DOR DE CABEÇA A TODOS, AGORA TEREMOS UM MEDICO COMO JK COM EXPERIENCIA SUFICIENTE PARA TRATAR TODOS OS FERIDOS AINDA BEM !

  16. Comentou em 13/01/2006 izilda Costa

    Geraldo Alckmin está certo, mais uma vez arregaçou as mangas e foi a luta, como sempre fez. Serra deve cuprir seu mandato conforme prometeu.

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