Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Não tirem Denise das manchetes

Por Luiz Weis em 22/08/2007 | comentários

Nem o mensalão no Supremo, nem os resultados da perícia nos papéis de Renan Calheiros. A personagem mais notícia desses dias, que só o Globo, dos três grandes jornais brasileiros, teve a argúcia jornalística de catapultar para a sua manchete, é a senhora Denise Abreu, diretora da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac.

Menos, talvez, pelo fato específico que determinou a sua promoção ao lugar mais vistoso do que alguns chamam erroneamente de capa – quem tem capa é revista, jornal tem primeira página – do que por uma denúncia que deixou estarrecido o país ainda de luto pelos 199 mortos do Airbus da TAM.

O fato específico foi a decisão da CPI do Apagão Aéreo do Senado de quebrar os sigilos bancário, fiscal e telefônico de dona Denise. Numa entrevista ao Globo, ela tinha sido acusada pelo ex-presidente da Infraero, José Carlos Pereira, de favorecer um amigo num negócio de transferência de cargas de Congonhas para Ribeirão Preto.

Na CPI, Pereira amarelou, dizendo que não disse exatamente o que o jornal lhe atribuiu, mas, nas circunstâncias, os senadores fizeram o que tinham de fazer.

Mas o que deveria manter madame Denise nas manchetes foi a revelação da juíza federal Cecília Marcondes, em entrevista à Folha, de que foi enganada por ela – e essa enganação tem ligação direta com a catástrofe de Congonhas.

Em fevereiro, a diretora da Anac apresentou à desembargadora um documento – que supostamente seria uma norma de segurança adotada pela agência – segundo o qual o pouso em Congonhas, de aviões de grande porte com reversor inoperante, mesmo quando as pistas estivessem molhadas, não oferecia riscos.

Com base nesse documento, que não era norma coisissima nenhuma – uma fraude, portanto -, a juíza reverteu decisão de primeira instância proibindo tais operações.

Se Denise não mentisse, a desembargadora provavelmente ratificaria a decisão judicial anterior. E no fatídico 17 de julho, ou o Airbus defeituoso, vindo de Porto Alegre, teria de pousar em Guarulhos, ou a TAM teria usado outro avião que estivesse nos conformes.

Ora, a quem interessava que Congonhas continuasse a ser usada pelos grandes aviões, chovesse ou fizesse sol, com os reversores em ordem ou desordem?

Até os carregadores de bagagem dos aeroportos brasileiros sabem que a Anac tem parte – e que parte! – com o duopólio TAM-Gol que domina a aviação comercial brasileira desde a quebra da Varig.

Hoje está em todos os jornais a acusação da desembargadora Marli Ferreira, presidente do Tribunal Regional Federal onde atua a colega Cecília:

“O Tribunal foi fraudado na sua obrigação constitucional de dizer o direito na sua forma reta, justa, moral, equitativa para o cidadão. E o resultado são 200 mortes. E o nosso choro como cidadãos, e não mais como juízes, se faz ecoar em todo o país, por falta de responsabilidade administrativa desses administradores que desservem à nação.”

Para ela, a apresentação documento que não era o que parecia, “foi uma atitude impensada, ilegal, que abusou do poder de regulamentar, do Poder Judiciário e se vestiu de inconstitucionalidade à medida que manifestou a vontade do Estado de forma não-verdadeira, inverídica. Foi uma afirmação falsa.”

***

Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/08/2007 Murilo de Paula Souza

    Como demonstram os comentários (sensatos) anteriores, a profissão de jornalista cada dia mais deve atentar para os caveat quando encampa denúncias. Atentar para o contraditório. Evitar cometer injustiças irreparáveis.

    Particularmente acho até que a Sra. Denise possa ser antipática e que não tenha o perfil técnico para ocupar o cargo para o qual foi aprovada por senadores da situação e da oposição.

    Mas endossar a acusação de que ela tenha culpa nas mortes do sinistro, sem embasar tal afirmação com fatos, aí beira o insano.

    Li também o blog do Nassif a respeito do caso e fico com a alma um pouco mais leve ao ver que alguns comentaristas anteriores o tenham feito. Não que lá seja a fonte da verdade absoluta. Mas lá se dá o devido respeito ao contraditório antes de lançar a acusação.

  2. Comentou em 22/08/2007 jorge cordeiro

    Olha a nova teoria do jornalismo, testando hipóteses, de vento em popa. O editorialista do Estadão simplesmente compra a tese da juíza sem ter lido exatamente o que dizia o documento. Tsc tsc tsc… (www.escriba.org)e

  3. Comentou em 22/08/2007 Agnaldo Junkeira

    O senhor, sendo tão vigilante zeloso da correção das informações publicadas pelos seus colegas jornalistas, deveria ter mais cuidado com aquelas que publica em seu blog. Veja o caso desta postagem em que o senhor afirma que:

    “Em fevereiro, a diretora da Anac apresentou à desembargadora um documento – que supostamente seria uma norma de segurança adotada pela agência – segundo o qual o pouso em Congonhas, de aviões de grande porte com reversor inoperante, mesmo quando as pistas estivessem molhadas, não oferecia riscos.”

    Trata-se de uma informação incorreta. Na verdade o documento dizia que em dias de chuva apenas aviões em perfeitas condições (com os dois reversores operantes, portanto) poderiam pousar na pista de Congonhas.
    Além disso, não se trata de uma “desembargadora” mas sim de uma juíza federal (do Tribunal Regional Federal de São Paulo)

    Fica o alerta. Quem muito vigia os outros deve também se auto-vigiar para não dar atestado de que é apenas rígido com aqueles.

  4. Comentou em 22/08/2007 janes pretto

    Os padrinhos do presidente da ANAC são o senador Pedro Simon/PMDB, o oportunista, o senador Leonel Pavan/PSDB e o governador do DF, sr. Arruda/DEM, que havia renunciado o mandato de senador quando foi pego, junto com o colega ACM, no escândalo de violação do painel, lembram? Pois é, esses senhores que sempre foram apoiados pela midia, hoje tem a covardia de imputar toda a culpa dos estragos feito pelos seus partidos corruptos, ao presidente Lula. Senhores, ainda bem que a história os colocará no lugar que vocês merecem: o de terem sucateado o país, os estados e municípios. Ver esses senhores idosos posando de moralistas, é de dar nojo. Realmente, o país não existia antes de 2003. Hoje começo a ter orgulho de ser brasileira, porque percebo que não mais andamos de joelhos como nos governos anteriores. A midia que se dane porque ela não está nem aí para o pais e o povo. Eu nunca havia visto uma oposição apioada pela mídia, muito pelo contrário, e percebo que para atingir seus objetivos (nada democráticos), são capazes de qualquer coisa.

  5. Comentou em 22/08/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    A conclusão a que se chega de tudo isso é: alguém do governo tem que ser culpado. A grande mídia, logo após o acidente, quis culpar diretamente o presidente. Não conseguiu. Depois partiu para seus ministros e intermediários. Não conseguiu. Agora quer culpar mais alguém envolvido com o governo. Ou seja, ninguém está preocupado se morreram 200 pessoas, ou se o aeroporto tem condições de pouso. O governo, em algum momento, deve ser penalizado. É um terceiro turno contínuo e enfadonho. Enquanto isso, os verdadeiros culpados, as companhias aéreas, capitalistas e, por isso mesmo, intocáveis, estão fazendo o que bem entendem nos aeroportos do país. A propósito: por que nenhum jornal, rádio, televisão, tablóides, blogs e auxiliares de mídia voltou a noticiar atrasos nos aeroportos a partir do acidente? Será que a confusão foi resolvida? Cadê os jornalistas de plantão nos aeroportos? Que estranho, né? O caos aéreo era real, ou alguém mais uma vez foi enganado?

  6. Comentou em 22/08/2007 Pedro Aladar Tonelli

    Acho relevante neste caso notar que a proibição da justiça de 5 de fevereiro
    deste ano era para operações de Fokker 100, B737-800 e B737-700 (Gol)
    e não mencionava A320 ou A318. Também o documento fraudulento não dizia que a pista era segura mas que dever-se-ia pousar com reversos
    não era isso? Ainda que deva ser esclarecida esta fraude, imputar-lhe a
    responsabilidade por 200 mortes é demasiado.

  7. Comentou em 22/08/2007 Edison Bittencourt

    A acusção é : homicido culposo.
    homicídio culposo ( Wikipedia)
    Este delito pode, da mesma maneira, ser provocado em razão de falta de cuidado objetivo do agente, imprudência, imperícia ou negligência. Nesses casos, em que não há a intenção de matar, é culposo o homicídio, é o que ocorre sem animus necandi.

    A culpa pode ser consciente, quando o resultado morte não era previsível, ou inconsciente, quando a morte era previsível, mas o agente não a aceita por acreditar que pode impedir sua ocorrência.

    A denise por apresnetar documento falso e a Juiza por ,sem ter competência, deliberar sobre assunto que foge a sua competência. Vítimas: 200

  8. Comentou em 22/08/2007 Henry Fulfaro

    Da mesma forma que a imprensa saiu à caça do presidente, responsabilizando-o minutos depois do desastre com o avião da TAM pela morte de 200 pessoas, novamente a imprensa vai à caça do Lula, só que agora indiretamente, pré-julgando a diretora da ANAC, quando um mínimo de prudência e cautela aconselharia verificar o que exatamente foi pedido pela juíza, e o que exatamente a ANAC quis provar ao utilizar a famigerada IS-RBHA 121-189, documento que, por sua vez, a imprensa até agora não buscou conhecer o inteiro teor, o que não seria difícil de obter, já que se trata de um documento acostado a um processo que não corre em segredo de justiça, e nem sequer se deu ao trabalho de transcrever ao menos os trechos por onde se possa afirmar que serviriam para enganar alguém, enfim, nada… É a denúncia vazia de sempre, é mania de atirar dejetos no ventilador ou na parede para ver se gruda, mas investigação séria que é bom, nada – Quosque tandem Imprensa inconsequente abutere patientia nostra

  9. Comentou em 22/08/2007 antonio carvalho

    Os limites do inusitado, do descaso, da incompetência, do etnocentrismo político, da desfaçatez, foram ultrapassados. E pensar que essas criaturas não podem ser demitidas sumariamente (mereciam, em seguida, partir ao presídio) porque o FFHH assim fez, e o L. INACIO assinou embaixo, vetando os artigos que impediam a salutar medida. Pobres vítimas, quem se lembra delas de fato ? Só os familiares.

  10. Comentou em 22/08/2007 Paula Milkevicz

    É melhor ler antes o blog do Nassif do que falar essa grande besteira e usar para isso todo o seu ódio e preconceito contra a tal Denise. Blog também é pra isso e tem gente muiiiiiiiiiito boa escrevendo sim e o Estadão e a Folha vão acabar sim, porque são ruins. A arrogância nunca fez bem. O que houve, o estadão ‘cansou’ dos blogs? Que melhore então seu conteúdo e tente competir. Acho que já é tarde mas ….

  11. Comentou em 22/08/2007 José Paulo Badaro

    Apesar do escarcéu que a Globo vem fazendo, até onde consta a tal proibição (que no final das contas Denise diz não ter validade), se destinava a aviões da BOEING e da FOKKER, e assim mesmo antes da reforma da pista e para quando estivesse molhada, mas em momento algum se referiu aos aviões da AIR BUS – Sem entrar no mérito, até porque não duvido da incompetência da ANAC , o que me chama a atenção, ou melhor, me causa verdadeira espécie, é o fato da juíza Cecília de tal aparecer diante dos holofotes e câmeras da Globo para se lamuriar, para se queixar publicamente de que teria sido enganada pela Denise Abreu!!!

    Francamente, não me lembro de ter visto tamanha demonstração de pusilanimidade, tamanha inapetência para o exercício da magistratura, uma vez que os juízes gozam de poderes discricionários e de instrumentos legais para ordenar a presença em juízo de quem quer que seja, a fim de prestar esclarecimentos sobre processos que estejam sob os seus cuidados, podendo, inclusive, ordenar a prisão liminar de alguém que haja cometido fraude processual, desacato às suas ordens, abertura de inquérito policial de ofício na forma do art. 40 do CPP, etc, não cabendo, em hipótese alguma, ademais, manifestar-se publicamente sobre os casos a respeito dos quais lhe compete julgar.

  12. Comentou em 22/08/2007 Marco da Costa

    Assunto fora do artigo, porém o que o senhor diz sobre a truculenta polícia do Serra, a qual invadio um templo sacrado da cultura e sabedoria que o homem pode frequentar.

  13. Comentou em 22/08/2007 José Ayres Lopes

    O leitor André Martins disse tudo. Mas o jornalista Luiz Weis não foi ‘pouco cuidadoso’; ele foi intencional. O jornalista faz parte do esquema da imprensa brasileira organizado para golpear o governo federal. Fico imaginando os adjetivos que deve falado em voz alta (referindo-se à diretora da ANAC), assim que acabou de escrever o texto.

  14. Comentou em 22/08/2007 André Martins

    Luiz Weis você precisa ser mais cuidadoso em dois aspectos. Primeiro na linguagem utilizada. Ao tentar desqualificar a acusada, você usou de forma pejorativamente machista termos como dona e madame. Isso desqualifica mais você do que ela. Em segundo lugar, essas acusações podem ser apenas hipóteses sendo testadas. Pelo que saiu no blog do Nassif o fato não ocorreu exatamente como você citou. Não ponho a mão no fogo por ela, mas acho que nesse artigo você caiu na armadilha da repercussão.

  15. Comentou em 22/08/2007 Euclides Rodrigues de Moraes

    Sr. Weis,
    Sobre esse assunto, o Senhor ou seus comentaristas, antes de prosseguirem espancando essa Senhora, testando hipóteses, como deve ser o jornalismo moderno, segundo o Sr. Kamel, poderia acessar o blog do Nassif e ler uma informação prestada pela a Brickman, assessoria de imprensa contratada pela acusada, que esclarece a exata informação prestada aos Tribunais?

  16. Comentou em 22/08/2007 Alvaro Metello

    Lembro que a senhora do charuto, procuradora do estado, foi indicada pelo Sr José Dirceu.
    Portanto não o tirem das machetes também por mias essa.
    Não tirem das manchetes os padrinhos e apadrinhados da ANAC.
    Aliás para que ANAC ?

  17. Comentou em 22/08/2007 Anônimo Anonimus

    Caro Luis Weis

    O senhor sendo tão vigilante zeloso da correção das informações publicadas pelos seus colegas jornalistas deveria ter mais cuidado com aquelas que publica em seu blog. Veja o caso desta postagem. O senhor afirma que:

    “Em fevereiro, a diretora da Anac apresentou à desembargadora um documento – que supostamente seria uma norma de segurança adotada pela agência – segundo o qual o pouso em Congonhas, de aviões de grande porte com reversor inoperante, mesmo quando as pistas estivessem molhadas, não oferecia riscos.”

    Trata-se de uma informação incorreta. Na verdade o documento dizia que em dias de chuva apenas aviões em perfeitas condições (com os dois reversores operantes, portanto) poderiam pousar na pista de Congonhas.

    Fica o alerta. Quem muito vigia deve também se auto-vigiar para não dar atestado de que é apenas rígido com os outros.

  18. Comentou em 22/08/2007 Marco Antônio da Costa

    Como é do conhecimento da torcida do flamengo, a pirataria tomou conta do país. Existem produtos em geral piratas, isso ocorre com roupas, jóias, peças de automóveis, alimentos entre outros produtos de uso pessoal, bem como coletivo. Existem também funcionários públicos piratas, como também políticos, na esteira da pirataria surgiu uma nova atividade dessa moda, a qual esta dentro da ANAC. Vejamos então, a senhora Denise Abreu apresentou um suposto documento que seria uma norma de segurança da ANAC, que autorizava o pouso do avião da TAM, o qual dizia que a pista não oferecia perigo para aeronaves de grande porte. Portanto, tratava-se de um documento pirateado, sem lastro legal, causando com isso tamanha catástrofe. Quanto ao senhor Pereira que não assumiu o que havia dito anteriormente, isso ocorreu devido encontrar-se doente, pôr isso na CPI do apagão estava com febre amarela.

  19. Comentou em 22/08/2007 Jose de Almeida Bispo

    Resumindo; LULA É O ASSASSINO! É só analisar que a companheira Denise mandou passar o sabão na pista; que o Lula sabia; que a nova juiza Frossard (aquela de de Campos, RJ, que matava a pau ao fim dos anos 80 com contra a patuléia e depois de aposentada foi promovida a nobre deputada anti-mensaleira) mandou que salvasse as criancinhas e os malditos vermelhinhos as levaram à morte |Asesinos! Que viva Daudt, Clóvis Rossi e um monte de fascistóides neocons… Será que não daria pra fazer mídia e marketing inteligente ao invés de canalhice?

  20. Comentou em 22/08/2007 Luiz Carlos Bernardo

    À vezes me pego a devanear: quando foi que o Brasil começou a dar errado. Foi já com Pedro Álvares Cabral ou durante as capitanias hereditárias? ou mais adiante com D. Pedro I ou D. Pedro II? ou a partir da proclamação da república? O certo é que o país está vivendo numa zona cinzenta há muito tempo, intensificando agora na era dos ‘aloprados’. A sra. Denise, em favor de algum conchavo político ou econômico, mentiu em juízo e por isso, talvez, morreram 199 pessoas. As nossas autoridades estão de brincadeira, para não usar outro termo, porque tudo que se fala os melindrosos de plantão interpretam como golpe. E ainda querem aprovar o ‘trem da alegria’ a fim de chancelar mais de 300 mil cargos públicos sem concurso. Têm razão as desembargadoras Cecília e Marli. Enquanto isso, a ANAC continua por aí! Ministro Jobim toma cuidado, porque se não mexer em muito ‘vespeiro’ as coisas continuarão como dantes. E só palavras e boa intenção não resolvem.

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