Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Nem organizado, nem normal, nem sob controle

Por Mauro Malin em 19/05/2006 | comentários

Vários termos e expressões correntes no noticiário precisam ser reavaliados. Quatro exemplos:


Primeiro, crime organizado. Essa expressão surgiu nos Estados Unidos pela primeira vez em 1929, num estudo a propósito de Chicago. Voltou nas décadas de 1960-1980, principalmente depois que uma comissão governamental publicou um relatório sobre “Crime Organizado”, em 1967. Há uma explicação no verbete ‘Organized crime’, do The Oxford Companion to United States History, editado por Paul S. Boyer. Segundo o livro, foi a mídia americana que criou o mito.


Segundo, normal, normalidade. Tal como está nos dicionários, o conceito não se aplica à realidade paulista e brasileira. Melhor usar rotina.


Terceiro, sob controle. Dispensa comentários.


Quarto, segurança máxima. Para haver plena segurança seria preciso, entre outras coisas, que os agentes da lei fossem 100% solidários com esse objetivo.


Também é preciso cuidado para não colocar na conta do tráfico de drogas toda a criminalidade. A realidade dos fatos está bem distante disso, sobretudo porque o Brasil é um entreposto, não uma praça expressiva de consumo. Muitas outras modalidades criminosas, como se sabe, são altamente rentáveis.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/05/2006 Samira Moratti

    Sim, muita coisa está errada na gramática paulistana, mas não só a gramática: vê-se que tudo está errado, inclusive seu governador.. acho que este vive no mundo das nuvens ou terra do nunca – nunca corrupção, nunca destruição, nunca sem controle… Vi, semana passada no Planeta cidade, exibido pela Cultura, uma entrevista com o governador de SP, e sinceramente, ele é tranquilo até demais. Talvez seja hipocondríaco… tiremos nossas próprias conclusões…

  2. Comentou em 20/05/2006 Jose de Almeida Bispo

    Não pode ser crime organizado o assalto do trombadinha na praia ou no calçadão ao tomar a bolsa de uma infeliz senhora (ou senhor); salvo se ele já estiver sob a proteção de um policial que lhe dará umas bolachas em público – se necessário – mas que o resguardará de males maiores. Neste caso já existe uma mínima organização que envolve o trombadinha, o policial, o delegado que não encaminha a punição deste, o corregedor que não pune o delegado e até o juiz que acha uma brecha na Lei para não punir alguém desta macabra cadeia. Ora, o crime é a negação da base da civilidade que aprendemos com a educação, logo, é próprio da natureza humana. Por isso deve ser combatido se é que queremos sobreviver civilizadamente. Se envolver mais um praticante que se protegem solidariamente, então, é crime organizado sim.

  3. Comentou em 19/05/2006 Gilson Raslan

    Não importa de onde a expressão CRIME ORGANIZADO partiu, mas que ele existe no Brasil não resta a menor dúvida, senão vejamos: 1.pessoas inescrupulosas se aboletam no Concresso Nacional para dilapidar o dinheiro da nação; 2.empresários inescrupulosos se associam a doleiros e banqueiros desonestos para enviar dinheiro sujo de sonegação fiscal, de tráfico de drogas e de armas e do erário público para o exterior, para não citar outros exemplos. Isto é CRIME ORGANIZADO OU NÃO?

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