Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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No caso Calheiros, o escândalo maior omitido

Por Luiz Weis em 07/08/2007 | comentários

Na chamada grande imprensa, apenas o Estado, ao comentar a denúncia das incursões clandestinas do presidente do Senado, Renan Calheiros, pelo negócio da mídia, lembra hoje que ‘pelo menos 1 em 10 deputados e pelo menos 1 em 4 senadores controlam, direta ou indiretamente, concessões de rádio e TV’.

O novo escândalo envolvendo Calheiros parece até aqui uma oportunidade desperdiçada para a imprensa jogar o foco sobre aquele escândalo muito maior, difundido e antigo.

Como o Estado assinala, ‘a lei proíbe a deputados e senadores, sob pena de perda de mandato, ter vínculo com empresas concessionárias de serviço público – a exemplo de órgãos de mídia eletrônica’.

A fonte da informação sobre a amplitude do coronelato eletrônico – citada no primeiro comentário do jornal a respeito, em julho do ano passado – é um levantamento produzido e coordenado pelo professor Venício A. Lima, da Universidade de Brasília, a pedido do Instituto Projor, entidade mantenedora do Observatório da Imprensa.

Cruzando os nomes dos sócios e diretores de empresas de comunicação com os dos atuais deputados, o estudo descobriu que 51 deles detêm ilegalmente concessões de rádio ou TV. ‘O número real’, observou o Estado à época, ‘é decerto bem maior, dado o ´fator laranja´.’

Diretamente, ou acobertados por familiares, laranjas e testas-de-ferro, os políticos figuram entre os principais donos das mais de 4 mil emissoras de rádio e televisão autorizadas a operar no país.

Em 2004 [último ano pesquisado], dos 33 titulares da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, 15 eram sócios ou diretores de 26 emissoras de rádio e 3 de televisão. Cabe à comissão homologar novas concessões, aprovar a renovação das já existentes e se pronunciar sobre projetos relativos ao setor.

Depois de acompanhar a tramitação de 762 processos, informou o jornal, o professor Venício apurou que até agosto de 2005 não se tinha notícia de qualquer pedido de outorga ou renovação ‘que não tenha sido aprovado pelo Congresso Nacional’.

P.S. A rota reação de Renan

O senador Renan Calheiros tentou revidar à reportagem da Veja que revela ser ele sócio de duas rádios em Alagoas, dirigidas, no papel, por um filho e um primo, com um truque mais velho do que andar para a frente.

Sem desmentir uma palavra da matéria, acusou a revista de pegá-lo ‘como cortina de fumaça’ para ‘deixar na obscuridade um negócio de R$ 1 bilhão que é a venda da TVA, da Editora Abril, a uma empresa internacional’ [a Telefônica].

Não se vê relação entre uma coisa e outra, mas passemos.

O antiquíssimo truque revivido pelo político alagoano é buscar desqualificar o acusador para desqualificar a acusação.

No caso concreto, muita gente concordará com o senador – que o procurador-geral da República quer ver processado no Supremo Tribunal Federal – quando ele afirma que a Veja não tem ‘limites éticos’. Mas, tendo ou não, o fato é que essa reportagem em particular, já considerada ‘a gota d´água para Calheiros’, é uma construção jornalística solidamente alicerçada em fatos.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 14/08/2007 Alexandra Garcia

    O Dines informa num artigo que os beneficiários de concessão somam trinta e poucos, fora os casos onde os parlamentares estariam representados por testas de ferro. Pena que não deu um passo adiante, esclarecendo ao menos nos casos conhecidos, quais os partidos que foram mais beneficiados nessa maracutaia, nesse festival de imoralidade. Tenho a ligeira impressão que o PFL , PDM e PSD ganham de goleada!

  2. Comentou em 09/08/2007 Paula Abreu

    Agora tem o seguinte: a imprensa tem de tomar o devido cuidado para, ao enfocar o tema das concessões, não ser usada pelo governo e seus aliados (como Renan Calheiros) para isentar o senador de suas responsabilidades. A manutenção de Calheiros, depois de tudo o que já veio a público, na condição de líder do Senado é prova inconteste do nível de esculhambação ao que chegou nossa política na atual conjuntura (onde não se respeita mais as liturgias do cargo, onde não há limites para nada) e do poder absoluto e concentrado que detèm o atual governo (que fez escola, seguida por Calheiros em que a defesa se baseia em acusações generalizadas e sem provas de tudo e todos na linha ‘se eu não presto, logo ninguém presta’.

  3. Comentou em 09/08/2007 Paula Abreu

    Parabéns ao Estado por abordar a questão! Alguém tem de meter o dedo nesse vespeiro (doa a quem doer!), mesmo porque parcela esmagadora da base aliada de Lula é formada pelos beneficiários diretos de tais concessões (ao contrário do que os petistas militantes, em seus delírios fantasiosos, crêem religiosa e dogmaticamente).

  4. Comentou em 08/08/2007 Fernando Teixeira

    É a velha mídia de guerra e os seus bombardeios cirúrgicos.

  5. Comentou em 08/08/2007 Ivan Moraes

    ‘Se essa ‘moda’ pega e começarem a investigar os políticos que tem concessões de radio, tv ou jornal no Brasil, não vai sobrar pedra sobre pedra’: o alto judiciario esta infiltrado de nao-juizes exatamente pra falhar aa hora certa. Precedente nao tem precedencia no judiciario brasileiro. Eh palavra importada do jurismo norte americano com a finalidade de protecao aos ricos e criminalizacao dos pobres, sem mais significado ou valor.

  6. Comentou em 08/08/2007 Adriano Soares de Assis

    O grande problema da midia é ser corporativista por necessidade de sobrevivencia dos seus profissionais. Como diz Mino Carta, o Brasil é o único país do mundo onde dono de empresa jornalística também é chamado de ‘jornalista’, quer dizer, colega de profissão. E é claro que ‘colegas’ jamais serão contrários em defesa de interesses, pois jornalistas aqui não têm ponto de vista, têm interêsses. Porque será?

  7. Comentou em 08/08/2007 Helano Cid Timbó

    É a pura verdade. A maioria dos políticos brasileiros possuem concessões de rádio e televisão através de familiares e dos famosos laranjas. É patético observar alguns senadores do DEM e do PSBD pedirem o afastamento – justo – do senador Renan da presidência do Senado, pois, muitos não têm moral suficiente para isso. O que dizer do senador Agripino Maia?

  8. Comentou em 08/08/2007 José Ribamar

    Usemos de sinceridade! Se essa ‘moda’ pega e começarem a investigar os políticos que tem concessões de radio, tv ou jornal no Brasil, não vai sobrar pedra sobre pedra na política brasileira! Voltaremos as denúncias de corrupção e do mensalão, alguém faz a denúncia e todos fazem OOOOOOOOHHHHHHHH!!!!!!!! ‘Horrorizados com o fato!’ Sejamos um pouco menos hipócritas! TODO o povo brasileiro sabe que em maior ou menor grau a maioria (atenham-se que eu disse MAIORIA e não TODOS) dos políticos do Brasil tem ‘parentesco’ nos meios de comunicações e só votam projetos mediante ‘compensação financeira’ que pode, portanto não ser em espécime. Se você duvida disso acompanhe as votações da câmara de vereadores da sua cidade. Não afirmo com isso que sou conivente com essa anomalia! Só não fico usando os meios de comunicação para fazer caras & bocas como o JÔ e suas ‘MENINAS’as assanhadetes!

  9. Comentou em 07/08/2007 Cério Santos

    Eis que a Senhora Dona mídia, madame cheia de vontades, já azeitou os seus canhões e retornou sua artilharia contra o “judas da vez” (outra vez) o presidente do Congresso Senador Calheiros. O calundu é o mesmo, o de sempre, como aquilo não deu certo voltemos a este de novo, tentaremos agora desta forma e enquanto isso vamos cavando, cavando… documentos antigos para nossa manipulação, uma frase… sei lá qualquer coisa enfim, vale tudo. Afinal, ninguém pode com a gente, a MFC (mídia futebol clube) é cruel, do pescoço pra baixo é tudo canela. E o Senador ainda tentou desqualificar a já desqualificada (crime impossível). Mas o verdadeiro crime do congressista em tela (já sabemos) é o de ser aliado do governo, por este ele já foi denunciado e condenado. A pena: perseguição sistemática, implacável e constante. Se ainda fosse o ministro da justiça de fernandinho aí seria o melhor dos homens (como foi) Interessante observar como a “tchurma” da oposição ficou impermeável a toda e qualquer corrupção mesmo tendo representantes que são a própria personificação desta. No mais… uma acende o pavio e as outras explodem. Êta mídia safadinha (como ela é esperta)

  10. Comentou em 07/08/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    Como diria Odorico Paraguassu, o célebre Bem-Amado, ‘me causa frouxos de risos’ a sanha desenfreada contra Renan Calheiros. Ora, o pau de galinheiro dele é tão sujo quanto o dos outros, mas ele virou o judas do Sábado de aleluia. Parece-nos que, se for vingado, poderemos dormir tranqüilos, pois nossos travesseiros se tornarão mais molinhos. Ora bolas, todos são iguais, todos são patifes, apenas mudam de bandeiras. Se alguém me apontar um político no Brasil que mereça respeito, dou o meu salário de um ano (embora também não seja lá grande coisa!). Não estou preocupado se ele cairá ou não, mas como a mídia nacional fabrica suas artimanhas. Enquanto isso, a Gautama continua intocável. Por que a história do Renan só surgiu quando a Gautama foi citada? Alguém sabe?

  11. Comentou em 07/08/2007 Célio Mendes

    Clap, Clap, Clap, Clap (tentativa de onomatopéia para palmas), gostei muito da primeira parte, realmente que tal aproveitar o ensejo das denuncias contra o Senador e ‘passar a limpo’ o sistema de concessões? Sonhe caro Weis não viveremos para ver esse dia. Quanto a briga Calheiros X Veja é uma reedição da Band X Veja que acabou (odeio essa expressão) em pizza, é claro que a defesa do senador Renam é patética mas os antecedentes do acusador não ajudam muito também não é mesmo? O que me deixa mais perplexo com esse caso é que Renam Calheiros teve papel proeminente em quase todos os governos desde que conquistamos o direito de eleger presidentes novamente em 1989, é nunca, repito nunca se lançou qualquer suspeita quanto a sua conduta, quando foi líder do Collor ou Ministro de FHC ninguém se interessou por suas vacas, fazendas, amantes ou filhos ilegítimos, agora como que por encanto o cabra virou a Geni da republica, teria ele se modificado tanto de um ano para cá? Alias circula por ai que coincidentemente FHC tem também um filho com uma jornalista da globo (essas jornalistas são um perigo não é mesmo?) que pelo que nós leitores saibamos nunca recebeu um tostão de pensão do príncipe, quem será que paga esta pensão? Não poderíamos aproveitar a polêmica do caso do senador e apurarmos mais desta história? Sonhe Célio não viveras para ver este dia…

  12. Comentou em 07/08/2007 José M. Alves

    Consta ser falso que um falecido presidente francês, Charles De Gaulle, tenha dito, na década de 1960, que ‘o Brasil não é um país sério’. Na verdade, ele apenas teria dito que ‘o Brasil não é um país’.

    O ‘sério’ foi acrescentado depois, para amenizar…

    Uma versão ou outra ? Tanto faz…

    As duas não se anulam; Muito pelo contrário, se complementam.

    Sinto vergonha de ser brasileiro…

  13. Comentou em 07/08/2007 Marco Antônio Leite

    Na política existem todo o tipo de calhordas, os da direita, de centre, bem como de esquerda. Nesta situação o Calheiros é um político indefinido, que ora esta com a direita, ora com o centro e outras com a esquerda. Mas isso não exime-o de cometer atos indecorosos contra a ética parlamentar. O Calheiros vem cometendo os mais variados deslizes no que concerne a conduta de manter um romance fora do casamento, como também relacionada a corrupção generalizada. Pôr esses motivos, o ilustre senador deveria pedir para sair da presidência do Senado e dar uma c.. e não retornar mais a sua cadeira de origem, faria um bem para si mesmo e deixaria de ser notícia jornalística.

  14. Comentou em 07/08/2007 Luiz Carlos Bernardo

    Lei, ora lei! Isto é, lei foi promulgada para ser desrespeitada e não cumprida. Por isso, vemos que 51 deputados possuem vínculos com emissoras de rádio e televisão. Se assim é, por que tanto medo da mídia? E por falar em Renan – o senador – qual escândalo falta a surgir? Tenho a sensação de que veremos muita água suja passar sob a ponte da nossa indignação.

  15. Comentou em 07/08/2007 Henry Fulfaro

    Cruzando os nomes dos sócios e diretores de empresas de comunicação com os dos atuais deputados, o estudo descobriu que 51 deles detêm ilegalmente concessões de rádio ou TV. ‘O número real’, observou o Estado à época, ‘é decerto bem maior, dado o ´fator laranja´.’ – – – Ou muito me engano, isso apenas comprova que o cara realmente está sendo perseguido pelo PFL, PSDB e seus aliados, dentre os quais a nossa querida mídia “imparcial”. Não que ele seja um exemplo do ética e que não mereça encarar um processo. Nada disso, mas é que cinismo tem (ou pelo menos deveria ter) limite! Se inúmeros parlamentares detêm, ilegalmente, concessões de rádio e TV (fora o laranjal), com que moral os tartufos que o ameaçam – e que também ameaçam o país e as instituições, dizendo que não votam mais nada enquanto ele estiver a frente do Senado – (como se nós, o povo, tivéssemos culpa pela incapacidade deles em cassar o mandato do indigitado), com base, com que moral. enfim, pretendem defenestrá-lo?!? – – Resumindo a ópera, nesse caso estou mais ou menos de acordo com o articulista: Só pra variar a mídia está deixando de lado o que é fundamental, ou melhor, está mais preocupada em malhar o Judas do que em qualquer outra coisa, eis que, próxima ou remotamente, o judas no caso é, ao menos teoricamente, aliado do governo…

  16. Comentou em 07/08/2007 ANTONIO santana

    Renan,

    O que o Sen Renan Calheiros tem a ver com o filme DURO DE MATAR?

    Espero que o Senado responda.

  17. Comentou em 07/08/2007 antonio santana

    Será que o congresso e refém de Calheiros?

  18. Comentou em 07/08/2007 Silvano Carvalho

    Não se vê relação entre uma coisa e outra, mas a mídia deveria confirmar esta denúncia do Renan, ou a mídia é corporativista?

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