Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

No que deu o desprestígio do professor

Por Luiz Weis em 10/06/2008 | comentários

Com uma das mais importantes matérias sobre as raízes da crise da educação básica no Brasil, o repórter Fábio Takahashi antecipou na Folha de ontem as conclusões desalentadoras de um estudo sobre o preparo do professorado.

Apenas 1 em cada 4 dos melhores alunos do ensino médio escolhem o magistério como carreira, informa a reportagem, citando a pesquisa. É exatamente o contrário do que acontece na Coréia do Sul, cujas escolas estão entre as melhores do mundo. Ali, só os 5% mais bem avaliados num exame nacional podem ser professores. Na Finlândia, outro exemplo de sistema educacional bem sucedido, o candidato a professor deve estar entre os 10% com as notas mais altas.

O desprestígio social da profissão no Brasil é a causa primeira do desinteresse dos melhores estudantes em cursar pedagogia. Isso conta mais até do que salário e condições de trabalho para afugentar do magistério a elite dos que terminam o ensino médio – embora bons salários e boas condições de trabalho contribuam para a imagem de uma atividade.

Os educadores sabem disso. O grande público, não necessariamente.

”Como a profissão é desprestigiada”, diz com franqueza o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Roberto Leão, “a maioria daqueles que escolhem trabalhar como professor o faz porque o curso superior na área é mais fácil de entrar, barato e rápido”.

A maioria também vem de famílias com baixa renda.

A matéria menciona um levantamento da Fundação Carlos Chagas segundo o qual 73% dos 2.700 participantes de cursos de formação de professores no país afirmam que seus amigos entendem que a carreira não vale a pena.

Isso resume “a impressão que a sociedade tem do professor”, observa a coordenadora do levantamento, Clarilza Prado.

E a impressão é de que tem fundamento o ditado “quem sabe faz, quem não sabe ensina”.

A mídia decerto não tem poderes para mudar essa impressão, mas bem que poderia mostrar, desde logo, que a desvalorização social do magistério não aconteceu por acontecer. A imprensa deu de ombros e a sociedade – leia-se: a classe média – não chiou quando os salários do professorado da rede estatal começaram a cair em termos reais, ao mesmo tempo em que a escola pública se massificava, a partir dos anos 1970.

Como a própria Folha registra, nas palavras do professor Dermeval Saviani, da Unicamp, “a opção dos governos foi atender mais gente com praticamente os mesmos recursos. Por isso, os salários foram reduzidos e o prestígio dos professor diminuiu muito. O docente virou um simples funcionário público.”

A imprensa vive martelando, com razão, que sem um grande salto no ensino básico o Brasil continuará a se desenvolver aquém do seu potencial. No entanto, quando noticia o mau desempenho da maioria dos alunos nos exames nacionais de avaliação, deixa em segundo plano, ou nem mesmo menciona, uma das causas básicas do fracasso disseminado – a desvalorização social do magistério, que afugenta da profissão muitos daqueles que, de outro modo, fariam a diferença nas salas de aula.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/04/2009 Geraldo Silva

    Mas se o mau do país são as elites, por que então transformar o professor numa elite.

  2. Comentou em 15/07/2008 Roberto Martins de Abreu

    Pois é pra você ver como é séria essa pesquisa,quando havia concluido o ensino médio ,havia passado com êxito e um curso de engenharia mecânica e deixei-o por condições finaceiras óbvias e fui obrigado a optar pelo magistério, atualmente sou pós -graduado em matemática e estou terminado o 2º curso superior Física,e pra ser sincero vou utilizar matérias por mim cursada nesses cursos pra eliminar matérias do antigo curso de engenharia que de maneira errônea havia o deixado,quero faze-lo enquanto é tempo,pois só estando dentro de uma sala de aula pra se ter a correta noção do que ser um cidadão com vários cursos de nível técnico e superior e artes plásticas,e ser tratado como um indigente quando o problema é a sua saúde e ser visto como um ‘coitado’ por alunos mais esclarecidos,que é e são a nossa matéria prima de trabalho.A questão é: como motiva-los a seguir a mesma profissão se somos os principais desmotivados?(…) .Acho que a pesquisa devia ter consultado aos filhos dos professores pra saber quantos desejam seguir a carreira dos pais e o que os seus pais acham disso(…).Grato pela oportunidade.

  3. Comentou em 22/06/2008 Cláudia Dolores Martins Magagnin

    A imprensa (TICs) deveria fazer um trabalho mais aprofundado, ouvindo os professores em sala de aula, para saber o que está acontecendo dentro de nossas escolas públicas, o que mudou da década de 70 para nosso atual momento, como deixamos a profissão de educadores ficarem tão desprestigiada? Nada adianta se as políticas públicas ficarem só no discurso, e nada se fazer na prática. Pois o resultado desta página é doloroso para o leitor da área da Educação, principalmente pelas palavras do Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, para Roberto Leão, ‘a maioria daqueles que escolhem trabalhar como professor o faz porque o curso superior na área é mais fácil de entrar, barato e rápido,’ é um fato absurdo de se ler das próprias palavras de um presidente da Educação, se o próprio coloca assim, como que teremos mudanças na Educação.

  4. Comentou em 22/06/2008 Marina Felipe

    Quando o próprio professor já questionou e procurou entender a importância de sua profissão? Que professor faz marketing de seu trabalho?
    Se o professor não tem consciêcia de seu valor profissional, não tem como passa isso para seus alunos e para a sociedade. Esperar que seja reconhecido sem se qualificar e lutar para isto é querer muito.
    O professor não depende da mídia para atingir o público, ele tem um canal direto que o próprio aluno, podendo atingir os pais e assim toda a sociedade, mas não sabe usar esse ambiente precioso que tem a seu dispor, precisa ter união e saber como fazer isso. Ao invés de fazer greve, distanciando dos alunos e dos pais, trabalhar a consciencia política dos alunos no dia-a-dia, mas de forma planejada, consistente e contínua, certamente teremos melhores resultados.

  5. Comentou em 16/06/2008 Joilson Silva

    Olá caros colegas, acredito que seja importante o programa observatorio da imprensa, com urgência, dedicar uma mesa sobre a cobertura da mídia sobre as manifestações que ocorreram na sexta-feira (13/06) por parte dos professores estaduais de sp, e a manifestação nudista em favor de ciclovias, precisamos continuar este debate aqui já iniciado com o artigo de Luis Weis, sobre educação e verificar o grau de prioridades tanto em políticas públicas pelo poder público, como também a maneira das coberturas dos eventos pela mídia e ampliar a discussão em rede nacional televisa e radiodifusora para que outras pessoas possam se informar melhor e se posicionar criticamente frente aos fatos absurdos que ocorrem neste país.

  6. Comentou em 16/06/2008 Joilson Silva

    Olá caros colegas, acredito que seja importante o programa observatorio da imprensa, com urgência, dedicar uma mesa sobre a cobertura da mídia sobre as manifestações que ocorreram na sexta-feira (13/06) por parte dos professores estaduais de sp, e a manifestação nudista em favor de ciclovias, precisamos continuar este debate aqui já iniciado com o artigo de Luis Weis, sobre educação e verificar o grau de prioridades tanto em políticas públicas pelo poder público, como também a maneira das coberturas dos eventos pela mídia e ampliar a discussão em rede nacional televisa e radiodifusora para que outras pessoas possam se informar melhor e se posicionar criticamente frente aos fatos absurdos que ocorrem neste país.

  7. Comentou em 13/06/2008 Warley Higino

    Mais do que desvalorização pela sociedade em geral é a desvalorização pelo poder público, é constrangedor ver inúmeros professores, como é o meu caso também, terem que fazer concursos públicos federais ou até mesmo estaduais, para passarem em cargos de nível médio pois a remuneração, o tipo de trabalho e as condições deste em relação ao magistério serem superiores. O que mais me deixa contrariado e ver que os meios midiáticos impressos(principalmente), televisos e radiodifusores simplesmente ignoram, em Minas, que o IDEB de nosso estado despencou em relação a outros menos influentes e abastados como os do nordeste e darem uma simples pincelada no assunto ou simplesmente nem o fizeram. Em nosso estado o governo acredito, controla com mão-de-ferro a imprensa, pois tais publicações vão em desencontro à falácia oficial. Mas o que se esperar de um estado que efetiva 98mil servidores em educação sem concurso público, oferece salário de R$673,22 para um professor dar vinte aulas semanais, não oferece incentivo à capacitação e coloca Superindecências de ensino que nos atendem mal. Para concluir, o que angstia realmente e ver que há leitores que ainda acham o governo de Minas uma ‘coisa’ de outra mundo. Francamente e, urgentemente, precisamos de educação.

  8. Comentou em 12/06/2008 Lúcia Nunes

    O presidente Lula afirmou na imprensa que a ministra Dilma Roussef será candidata à presidência da República. Como é dito por aí ‘nada de novo no front’… O tema ‘Educação’ faz tabelinha com a ‘Saúde’s: corte aqui, corte ali, absolutamente necessários… Em torno de 2 bilhões (me corrijam, sim?) Era astronômico o corteda Saúde no Orçamento passado. Faria o atendimento público de saúde entrar em colapso em 2008: dengue, malária, ambulancioterapia, leitos, etc. Aí, alguém engendrou a ‘recriação’ da repudiada CPMF. Voltou, via Governo (à revelia do País), agora com jaleco: ‘CCS’. Viram? Aqueles que elegemos para mudar o ‘básico’ desceram dos palanques e, para espanto continuado e geral, continuamos sendo nada além de ‘massa de manobra’. Seria possível que tivessem o descaramento de inventar outra taxa para ‘garantir’ os percentuais previstos na Constituição para as escolas e universidades públicas? Os salários até o médio subiriam, por certo, mas seria ilegítimo. ‘Tapar’ furos (na Saúde, principalmente) para manter um superávit, aliás discutível, é desrespeito . O crescimento econômico, que tem íntima relação com a dívida interna quando fará parte da pauta do Palácio? O ministro Fernando Haddad, que assumiu a pasta em julho-2005, publicou, conforme o site do MEC: O Sistema Soviético, Scritta Editorial – São Paulo 1992;Em Defesa do Socialismo (…). Ainda bem que ele os esqueceu.

  9. Comentou em 12/06/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    É, estudante Felipe Faria, continue morrendo de rir. É melhor mesmo. Houve quem morresse naquela época para que você espoucasse a barriga de rir agora. Morreram de verdade, sem efeitos especiais. Aliás, como estudante, deve aprender muito ainda e saberá que as agruras pelas quais estamos passando agora são decorrentes daquela época, sim, senhor. Estude, leia e se informe. Não fique a vida toda como estudante risonho.

  10. Comentou em 12/06/2008 ronalda paxeco paxeco

    A matéria é bem interessante e atual. É bom mídia falar disto, e a sociedade pensar sobre nisto. Quem sabe se a educação no Brasil melhorar, vamos ter um índce menor de prostituição e trabalho infantil, que é vergonhoso. A educação como forma de minimizar as desigualdades sociais deveria ser um horizonte a ser percorrido pelos nossos governos e, por que eles não fazem isto? Por que o Rio de Janeiro não prioriza a educação? Por que Lula nada fez, ou fez pouco para mudar a qualidade das escolas brasileiras? Por que em São Paulo o PSDB está tratando a educação com preconceito e descaso? São perguntas que devem ser respondidas e que a sociedade deve lembrar em momentos eleitorais, para não eleger quem nada faz pelas escolas e que remunera mal professores. Aproveito, para comentar, sobre o que escreveu este cineasta-jornalista, o salário é em torno de 500 reais no início de carreira em escolas estaduais, com 10 anos de serviço chega a mil reais, caso o professor não possua pós-graduação, com a pós aumenta um pouquinho. Os municípios pagam mais, em torno de mil reais no início, gostou senhor cineasta? Achou justo? Atrativo? Então assuma 6 turmas com 40 alunos jovens, que pela sua idade são barulhentos etc, sendo que existe a necessidade de se preencher diários, chamadas, confeccionar provas, preparar bem as aulas, estar bem, para ser dinâmica, competente no dia-a-dia escolar.

  11. Comentou em 12/06/2008 Marco Antônio Leite

    O professor percebe o insuficiente para ter uma vida digna. Os pais de alunos ganham um salário indigno, por isso seus filhos não gostam de ir à escola, destroem o patrimônio público e espancam os professores. Esse é o famoso circulo vicioso, todos ganham mal, e todos não respeitam a escola e acabam virando massa de manobra da elite mandante.

  12. Comentou em 12/06/2008 alfredo sternheim

    Perguntar não ofende: VOLTO a perguntar, já que não encontrei matérias informando a respeito. Quanto ganha em média o professor de ensino médio em escalas públicas, o professor de ensino médio em escolas particulares, o prof. em universidades? Pelo menos nos estados de SP e RJ? Porque o debate se alonga, mas essas informações, mais do relevantes, não paracem na imprensa escrita e nem aqui. Um professor de ensino médio em escola pública ganha cerca de 2 mil por mês? Se ganha, emn quanto tempo de trabalho? Cinco horas diárias?, Seis? Algum professor pode me esclarecer?
    Caso contrário esse debate s´´o vai resultar em muro de lamentações. A matéria apontada por Weis comteu esse engano, deixou de informar valores para que o leitor possa ter um quadro real, comparativo

  13. Comentou em 12/06/2008 Felipe Faria

    Essa não, colocar a culpa no regime militar que já se foi há mais de 20 anos é de chorar de rir. A verdade é que é preciso de novo formar uma elite de professores para evitar esse tal de cego-guiando-cego e náufrago-ajudando-náufrago que é a calamidade do ensino público no Brasil. Eu não conheço o que o Pinochet fez na educação de seu país, mas se você acha que os militares são culpados pelo atual estado das coisas, terá que dar crédito (de novo, não sei, é apenas um exercício de lógica) ao Pinochet pelo estado do ensino público do Chile dos dias de hoje.

  14. Comentou em 12/06/2008 Ivo Aldo Auerbach

    Senhores; atentem para o trocadilho em que se tornou o ensino no Brasil. Temos o ensino público e o privado. No ensino fundamental o filho do rico estuda na escola privada, enquanto o filho do pobre estuda na escola pública. Já no ensino superior, as coisas se invertem. O pobre como não teve uma boa formação no ensino fundamental porque estudou em uma escola pública, só terá (com raras exceções) como única opção ingressar no ensino das universidades privadas. Já o filho do rico, como teve uma boa formação fundamental, terá uma boa base para enfrentar os vestibulares das melhores universidades, que na sua grande maioria são públicas. Mas como todos sabem, o ensino superior é mais caro que o ensino fundamental, seja ele público ou privado. O resultado desta anomalia, é que as classes mais abastadas da população estão sendo “financiadas” pelos impostos pago por todos, ricos e pobres. Mas vejam a sutileza da situação. Os pobres, como é do conhecimento de todos, pagam proporcionalmente mais impostos do que os ricos. Eu cheguei a seguinte solução. Ou privatizam todas as universidades públicas, ou tornem todas as privadas em públicas. Só assim, o governo teria dinheiro suficiente para uma melhor formação no ensino fundamental pagando melhor os professores do ensino fundamental.

  15. Comentou em 11/06/2008 marina chaves

    educçao nunca foi prioridade no brasil…. é trsite constatar isso…. foi bem feita por um curto periodo, em que poucos tinham acesso ao ensino publico…. depois disso a escola só perdeu….

  16. Comentou em 11/06/2008 Ivo Aldo Auerbach

    Senhores; atentem para o trocadilho em que se tornou o ensino no Brasil. Temos o ensino público e o privado. No ensino fundamental o filho do rico estuda na escola privada, enquanto o filho do pobre estuda na escola pública. Já no ensino superior, as coisas se invertem. O pobre como não teve uma boa formação no ensino fundamental porque estudou em uma escola pública, só terá (com raras exceções) como única opção ingressar no ensino das universidades privadas. Já o filho do rico, como teve uma boa formação fundamental, terá uma boa base para enfrentar os vestibulares das melhores universidades, que na sua grande maioria são públicas. Mas como todos sabem, o ensino superior é mais caro que o ensino fundamental, seja ele público ou privado. O resultado desta anomalia, é que as classes mais abastadas da população estão sendo “financiadas” pelos impostos pago por todos, ricos e pobres. Mas vejam a sutileza da situação. Os pobres, como é do conhecimento de todos, pagam proporcionalmente mais impostos do que os ricos. Eu cheguei a seguinte solução. Ou privatizam todas as universidades públicas, ou tornem todas as privadas em públicas. Só assim, o governo teria dinheiro suficiente para uma melhor formação no ensino fundamental pagando melhor os professores do ensino fundamental.

  17. Comentou em 11/06/2008 maria luzia erthal mello

    Caro Luiz, este assunto vem consumindo os meus pensamentos nos últimos tempos, por que escolhi ser professora, por que não mudei de profissão quando poderia, isto tudo, por quanto desta situação: ‘desvalorização do profissional da educação’. Outro dia, uma empregada domestica me disse: ‘o professor esta ganhando menos que uma domestica!’, e acho que ela tem razão, porque para um professor do meu estado em começo de carreira, o salário é mais ou menos em torno de R$500,00, sem vale transporte e mais nada, e o que é pior, não existe vaga, em cada concurso são muitos candidatos para pouca vaga. O mercado, do meu ponto de vista, não se renova, porque tem muito docente com tempo de serviço para se aposentar, mas que não faz porque o governo não incorpora as gratificações e, este docente vai passar fome, aliás, ele já passa fome trabalhando porque o salário está baixo mesmo. Nós, para ganharmos algum, temos que acumular muitas turmas, e isto, quando é possível, gera uma sobrecarga muito ruim, perde o aluno e o profissional: cada turma tem em média 40 alunos, ele acumula em torno de 20 turmas para ter uma renda razoável, é um desgaste muito ruim. Bom, terminando, queria dizer que amo ser professora, só gostaria de poder ter um nível salarial bom e mais reconhecimento, porque salário digno também é um fator demonstrador de mérito pelo que se dedica, pelo que se dá seu suor e labor.

  18. Comentou em 11/06/2008 Lúcia Nunes

    Um país que não experimenta crescimento econômico (‘para todos’, obviamente!) vai sempre viver o dilema ‘professores devalorizados=estudantes despreparados. Tornou-se repetitiva a idéia da ligação entre salários baixos de professores e sua relação com o nível de aprendizado de crianças e jovens, principalmente nas escolas públicas que, quem ensina se tornou vilão, bode expiatório das mazelas nacionais. Eu não concordo com este reducionismo na análise deste drama brasileiro. Bem, eu acrescentaria: qual? A falta de progresso em todos os âmbitos da vida de nosso País, ou seja, o ‘desprestígio’ da noção de crescimento econômico (, ou se trata de tão somente de poder aquisitivo para os professores da escola pública adquirirem livros, ou terem condições econômicas gerais para se aprimorarem? Se isto for equacionado podemos começar a compreender como em outros países da América Latina, como a Argentina, p.ex., governo e população saíram da terrível crise vivida na década de 90? Vivíamos situação semelhante, mas a deles foi traumática para o conjunto de seu país. Aqui faziam até chacotas… Que nos perdoem por isto. Foi horrível e irresponsável, já que eles – nos ‘hermanos’ – saíram do ‘fundo do poço’ econômico e social, enquanto o Brasil não para de afundar… Um estudioso da área de Educação, nos anos90 foi categórico: chegamos ao ‘fundo poço’, a tendência é subirmos..

  19. Comentou em 11/06/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Creio, piamente, que é um problema de toda a sociedade. Evidentemente que os governos não oferecem condições estruturais, tampouco planejamento a longo prazo para garantir um sistema educacional eficaz e eficiente. Mas a sociedade, como um todo, tem culpa no cartório, sim. O professor, bem formado ou não, não pode ser o principal responsável pela formação de um cidadão numa escola. Isso deve vir de casa, de pais dedicados, que exijam aproveitamento escolar de seus filhos. Que freqüentem as escolas, ofereçam soluções, que conheçam o pátio onde seu filho brinca. Quantos pais exigem que seus filhos passem ao menos 3 horas por dia lendo ou se envolvendo com estudos? Quantos pais assinam as provas e conferem as notas dos filhos? Quantos pais desligam a TV, internet quando estão em casa e tomam a lição dos pimpolhos? Qual pai ou mãe sabe onde está seu filho agora? Quantos pais dão celulares e MP3s para os ‘anjinhos’ levarem para as salas de aula? Na verdade, o que ocorre é um empurrômetro geral. Não tem educação no país e as pessoas também não correm atrás disso. ‘Ah, a vida é dura e difícil.’ É, pra quem não arregaça as mangas. ‘Ah, eu tenho tanta coisa pra fazer, não tenho tempo. Por isso pago a escola para meu filho.’ Esse é o discurso de muita gente. O grande problema é que no Brasil estamos apinhados de coitadinhos.

  20. Comentou em 11/06/2008 Kleber Ribeiro

    É o caos. Tanto na escola pública, quanto na particular. O mundo vive uma falta de perspectiva e, isso se reflete e não é refletido nas escolas. Todo mundo está gritando pela falta de algo. Vivemos a síndrome do homem vazio. E esse homem vazio tem sua primeira formação na família vazia, depois na escola vazia e frequenta com orgulho uma universidade vazia, incapaz de fazer ciência com criticidade: vazia academia. E, pasmo diante do vazio das minhas salas ( História), dou aulas para um povo de raiz vazia. Triste sina, raciocino, continuam nos esvaziando, como há 500 anos. E o pior está para acontecer: eleições para decidir quem irá ocupar a grande cadeira dos vazios municipais, estaduais e federais. É o caos! E ainda querem uma escola cheia? De quê?

  21. Comentou em 11/06/2008 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Uma das supremas ironias do destino é a seguinte. Durante o Regime Militar a maioria dos Juizes era formado sob a égide da CF de 1946, portanto, tiveram alguma dificuldade para engolir os argumentos dos militares. Na atualidade, os Tribunais estão cheios de juizes formados durante a ditadura e alguns deles são autoritários fora de época e não se ajustam ao contexto da CF de 1988. A outra se referente a educação. Estudei em escola pública de 1970 em diante. Os professores ainda eram bons porque formados antes dos militares desmantelarem o sistema educacional. Hoje muitos dos professores mais ‘capacitados’ foram formados sob a influência da Pedagogia do Pinochet (não confundir com a Pedagogia do Piage) e não conseguem fazer nada além de criar filhotinhos para desgosto da população. Tristes trópicos, diria um estruturalista francês.

  22. Comentou em 11/06/2008 Sergio Tadeu Guimaraes dos Santos

    Quando entrei no ensino fundamental (numa escola publica) em 1974 ouvia falar que ‘no meu tempo a escola era melhor’ Tenho ouvido desde então a mesma coisa. Não acho que a classe média esteja preocupada com a educação e saúde pública (só os que caem de patamar – o que é normal – tem que apelar para o setor público). Mas não vejo nenhum movimento nacional pela escola publica, apenas atos pontuais, nem julgo que a educação será a salvação da lavoura ou da indústria. A falta de mao-de-obra qualificada que existe agora é também pontual e será logo resolvida. Lembro, com tristeza, o romance de Machado de Assis ‘Memórias postumas de Bras Cubas’ onde o personagem principal vai para Lisboa fazer seu curso de Direito, fica na farra 4 anos, volta e como será fazendeiro terá uma cadeira na Camara. A classe média, hoje, tem outras preocupações em como sobreviver para manter seu status, empregabilidade etc.

  23. Comentou em 11/06/2008 Gustavo Gomes de Matos

    Infelizmente, a questão não é apenas salarial. Conheço muitos professores de ensino superior, com mestrado, doutorado e salários razoáveis para o padrão brasileiro, que são incapazes de sustentar um argumento ou opinião com as mais básicas fundamentações conceituais da sua área. Sabem ler, mas não lêem, e o pior, sabem pensar, mas não pensam, não refletem sobre o que falam, e, conseqüentemente, não incentivam seus alunos a pensar e refletir também. São meros repetidores de uma fonte única: a pobreza intelectual.

  24. Comentou em 11/06/2008 Gustavo Gomes de Matos

    A desvalorização social do magistério é conseqüência também da péssima qualificação desses profissionais. O pior ignorante é aquele que sabe ler e não lê. O professor deve ser em essência um educador, ou seja, aquele que transmite valores e incentiva os seus alunos a pensar e refletir sobre o assunto que abordam. Muitos professores, bem formados, que lecionam nas mais caras escolas particulares do país, são incapazes de manter uma atitude e comportamento condizentes com a responsabilidade de um formador de opinião. Falam palavrões em sala de aula e fazem comentários inconseqüentes e desrespeitosos sobre os alunos e assuntos extras.

  25. Comentou em 10/06/2008 Felipe Faria

    Excelente artigo, vai ser criticado como elitista pelos amigos daqui frequentadores, mas a verdade é cristalina. Não foram só os professores que decairam em termos de rpestígio e salario na rede pública, os médicos também. A sociedade (não só a classe média) inteira não chiou.

  26. Comentou em 10/06/2008 Helena Felisbino

    Não concordo com a afirmação de que os que poderiam fazer a diferença não estão nas salas de aula. Não acredito que todos os professores do Brasil que estão na sala de aula são incapazes de fazer a diferença. Parece que ocorre sempre assim: quem pode resolver os problemas brasileiros nunca estão onde deveriam estar. Nesse lugar sempre está um outro. Creio que há necessidade de se atribuir valor aos que o têm. Estamos diante de um problema muito mas muito maior do que o que está dentro dos debates.

  27. Comentou em 10/06/2008 Gustavo Gomes de Matos

    A desvalorização social do magistério é conseqüência também da péssima qualificação desses profissionais. O pior ignorante é aquele que sabe ler e não lê. O professor deve ser em essência um educador, ou seja, aquele que transmite valores e incentiva os seus alunos a pensar e refletir sobre o assunto que abordam. Muitos professores, bem formados, que lecionam nas mais caras escolas particulares do país, são incapazes de manter uma atitude e comportamento condizentes com a responsabilidade de um formador de opinião. Falam palavrões em sala de aula e fazem comentários inconseqüentes e desrespeitosos sobre os alunos e assuntos extras.
    Infelizmente, a questão não é apenas salarial. Conheço muitos professores de ensino superior, com mestrado, doutorado e salários razoáveis para o padrão brasileiro, que são incapazes de sustentar um argumento ou opinião com as mais básicas fundamentações conceituais da sua área. Sabem ler, mas não lêem, e o pior, sabem pensar, mas não pensam, não refletem sobre o que falam, e, conseqüentemente, não incentivam seus alunos a pensar e refletir também. São meros repetidores de uma fonte única: a pobreza intelectual.

  28. Comentou em 10/06/2008 Fábio Galvão

    O resultado desta pesquisa é muito triste para a educação pública brasileira. Mas o papel da imprensa na educação também é triste, embora venha melhorando nos últimos anos, é fato. Existe hoje uma campanha de alguns veículos e alguns gestores para ‘criminalizar’ o professor pelo caos no ensino público. Caro Luis Weis, converse com o presidente da Apeoesp que ele lhe dirá quem são. A imprensa não fala dos próprios gestores da educação (ministros e secretários). Estes, sim, são os grandes responsáveis pela má educação. Outro ponto importante, na minha opinião: o MEC está fazendo uma ampla fiscalização nos cursos de Direito, Medicina e …. Pedagogia. A mídia só se interessou pela fiscalização nas duas primeiras carreiras. Quanto à fiscalização dos cursos de Pedagogia, quase nada foi publicado. Apenas registros burocráticos. Enquanto os professores pedem mais investimentos e a criação de planos de carreira e enquanto o projeto do piso para o professor fica parado no Congresso por dois anos, a imprensa silencia. Na semana passada, todos os secretários de educação se reuniram. Não li, não ouvi, nem ví nada publicado. Advinha o que está preocupando os secretarios? O piso dos professores. Para ser professor não precisa ser o melhor. Precisa apenas ter uma boa formação. Mas nossos administradores não estão muito preocupados com isso. Talvez a mídia acorde um dia.

  29. Comentou em 10/06/2008 Reinaldo Reis

    O desprestígio veio justamente em um momento em que deveria acontecer justamente o contrário. A massificação do ensino trouxe um maior desafio para a docência, pois começaram a freqüentar pessoas que não estavam acostumado com uma cultura escolar.

    Em São Paulo onde tenho acompanhado mais de perto, vejo que o partido do governo atual perdeu uma grande oportunidade, pois estão a 16 anos no governo e tiveram condições de planejar a longo prazo e dar seqüência em suas políticas para educação, mas o que vemos é um total desmonte do ensino público (privatização branca).

    Coisa comum de se ver é profissionais de outras áreas como fisioterapeutas, advogados e outros em sala de aula, justificados pela falta de profissionais, os motivos explícitos estão na pesquisa citada na excelente matéria acima.

  30. Comentou em 10/06/2008 Ana Zanelli

    No tempo em que fiz Instituto de Educação, lá estudavam moças que já vinham de famílias cultas, em que se falava fluentemente o português. Seria interessante fazer uma pesquisa nas escolas que formam as professoras que darão aulas para as crianças da escola pública. De onde vêm? Quem são seus pais? O que lêem? Qual o seu universo cultural? Quais os seus valores éticos? Como vêem a profissão para a qual se preparam? Que importância dão a si mesmas?

    Completa carência. De tudo. De vitamina e de afeto. De cultura e de respeito.
    Não adianta culpar a televisão, entretenimento único da maioria, e a Internet, a que poucos têm acesso, pelo baixo nível cultural, lingüístico, reflexivo da juventude brasileira. Tapar o sol com a peneira é o que vêm fazendo há anos…

  31. Comentou em 10/06/2008 alfredo sternheim

    Li essas e outras matérias sobre o desprestígio do professor que, de fatos, tem profundas e acertada sobservações. Mas esqueceram o principal para o leitor: informar quanto ganha em média um professor do ensino básico, das universidades, das escolas públicas e particulares. Qual é o salário hora/aula? Ou será que o esquecimento em SP foi para não respingar nos salários estaduais e municipais (estes, ´parece, são maiores que os primeiros). Afinal, pelo menos nos últimos 12 anos de tucanato no estado de SP, essa soituação poderia ter evoluido positivamente. Enfim, essa ausência de dados é uma falha do jornalista e do editor.

  32. Comentou em 10/06/2008 Samara Faccio

    É triste e verdadeiro. Sou estudante de Pedagogia e de Letras, tenho 19 anos e… bom, não sou feia. Então, quando as pessoas perguntam o que eu faço, já respondo esperando a reação de espanto e preconceito. ‘Mas você? tão jovem, tão bonita, tá querendo passar fome?’
    Não caros amigos, não estou querendo passar fome, não vou passar fome. Muito pelo contrário, serei uma ótima Professora e ganharei bem, penso em entrar no Mestrado assim que me formar. Nesta pequena cidade, tento modificar a idéia das pessoas, mostrando que ser Professor é normal e não é coisa apenas para velhas mal-amadas. Alguns me dizem… quero ver até quando vai essa empolgação! Pois eu digo, ela vai durar muito. Já faço estágio, conheço bem a realidade e eu amo, simplesmente amo!
    Tenho mais duas amigas na mesma situação que a minha e isso é bom né? Porém, vale lembrar que nós 3 somos filhas de Professoras.
    Espero que aos poucos a Profissão volte a ser valorizada e essa concepção mude, eu estou fazendo minha parte 🙂

  33. Comentou em 10/06/2008 Marco Antônio Leite

    Professor desmotivado, estudante anarquizado. Após a conclusão dos ciclos escolares o aluno deixa a sala de aula com conhecimento duvidoso e penoso. Isso acaba afastando o indivíduo da profissão de mestre do ensino inicial, fazendo opção para outras atividades existente no mercado educacional. No meu tempo de estudante, quando acontecia um evento num feriado nacional, quem estava no palanque junto com as ‘autoridades’ prefeito, juiz, fazendeiro e bajuladores e papagaios de pirata era o professor. Pois, naquela época, não faz tanto tempo assim, o professor era muito valorizado nos quesitos salários, respeito pelos alunos e profissão que trazia satisfação em ensinar os jovens. A escola do estado foi sucateada por diversos governantes desumanos, dando prioridade para ao ensino particular, ou seja, quem pode pagar aprende quem não tem cacife fica curto de inteligência a vida toda, cuja escol acaba fazendo do pobre massa de manobra para servi-lá gratuitamente.

  34. Comentou em 10/06/2008 José Gaspar Ruas-Filho

    Prezado Luiz,

    Meu pai era professor e eu vi isto acontecer ao longo do anos. Valeria lembrar, por exemplo, o que disse a atual secretaria de educação do estado de SP: ‘Num mundo ideal, eu fecharia todas as faculdades de pedagogia do país, até mesmo as mais conceituadas, como a da USP e a da Unicamp, e recomeçaria tudo do zero.’
    Vai ser muito dificil o professor voltar a ser respeitado qunato mais valorizado.
    Um abraço.

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