Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Novas mídias e estudantes colocam o ensino do jornalismo diante de um duplo desafio

Por Carlos Castilho em 14/04/2008 | comentários

Os professores de jornalismo enfrentam atualmente uma tarefa inglória: transmitir para jovens de 18 a 20 anos as regras, rotinas e valores de uma atividade que está sendo drasticamente alterada pela generalização da internet.


 


Isto tudo num contexto onde a popularidade dos cursos de jornalismo está em alta, segundo os dados dos últimos vestibulares em todo o país, mas, ao mesmo tempo, a atividade emprega cada vez menos profissionais e os recém-formados não têm outra alternativa senão o trabalho autônomo para o qual não foram preparados.


 


Este paradoxo desaparece quando se descobre que os jovens, na verdade, estão mais preocupados com a comunicação do que com o jornalismo. Eles não lêem jornais, nem revistas, esnobam a televisão e preferem a internet, o YouTube, as comunidades online e os sites de música digital, onde passam interagir.


 


A nova geração de estudantes procura nas faculdades de comunicação primeiro um ponto de encontro e, secundariamente, um ambiente de estudo. Isto causa arrepios em muitos professores, mas a realidade é que a preocupação dos alunos com a convivência está condicionando a forma como eles aprendem.


 


Aqui pode-se ver com clareza o conflito entre as aulas expositivas e as participativas. Na primeira, o professor tem o comando absoluto e o aluno, no máximo, pergunta e questiona. Numa aula participativa, o professor propõe projetos de comunicação que os alunos executam em grupos, somando habilidades.


 


Na aula expositiva, predomina a voz do professor. Na participativa, a ruidosa interação entre alunos é a marca registrada. Numa, a ordem, na outra uma aparente desordem, onde se combinam a necessidade de conviver e interagir com a vontade de criar.


 


Esta nova realidade bate de frente com a grade de horários e de disciplinas. A duração das aulas foi determinada pelo caráter expositivo, mas mostra a sua inadequação quando o professor tenta torná-la participativa. Aí o tempo é curto demais e os alunos freqüentemente invadem os intervalos e o horário de outras disciplinas, na tentativa de concluir o trabalho que iniciaram.


 


Isto é só uma amostra mínima das alterações que estão acontecendo dentro das faculdades e salas de aula em conseqüência de mudanças no exercício do jornalismo e na cultura informativa, principalmente dos jovens com menos de 23 anos.


 


O que acontece nas salas de aula das faculdades de comunicação afeta a situação das redações, pois é nelas que desembocam as contradições do ensino superior. Os projetos jornalísticos baseados em multimídia exigem um profissional polivalente, com experiência de trabalho em grupo, e o mercado está carente deste tipo jornalista.


 


Por outro lado, a super-oferta de recém-formados, que não encontram emprego em redações formais, torna inevitável a opção pelo trabalho em redes virtuais.


 


Os professores de jornalismo, e eu sou um deles, não têm alternativas senão mudar o sistema de ensino para ampliar o tempo dedicado às atividades criativas em grupo, dando aos alunos melhores condições de entrar no mercado de trabalho — seja em empresas, seja como autônomos.

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