Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Novo czar da tecnologia de Obama sinaliza maior transparência pública e antecipa debate sobre ética digital

Por Carlos Castilho em 21/04/2009 | comentários

Ao indicar o descendente de indianos Aneesh Chopra (foto), 33 anos, como novo responsável pela política tecnológica do seu governo, o presidente Barack Obama  mostrou que está disposto a ampliar o acesso do cidadão comum aos dados e informações do governo, acelerando o início de uma complexa discussão sobre privacidade e a nova ética digital.


 


A indicação de Chopra mostra também que Obama está interessado em intensificar as relações com a empresa Google, que já está fazendo trabalho semelhante nas administrações estaduais da Virginia, Arizona, Utah e Califórnia.


 


Tudo indica que o primeiro ocupante do cargo de Chefe do Escritório de Tecnologia (Chief Technology Officer) do governo norte-americano vai centrar sua gestão no desenvolvimento de parcerias público-privadas com o objetivo de agilizar a digitalização dos órgãos públicos, especialmente os que têm relação direta com os contribuintes.


 


Chopra já vinha trabalhando com a Google desde 2007, quando foi indicado para o cargo de Chefe do Escritório de Tecnologia no estado da Virginia. A Google desenvolveu para o estado um novo sistema de indexação de dados públicos para torná-los mais acessíveis pelos mecanismos privados de buscas na Web.


 


O Site Map Protocol viabiliza, por exemplo, a integração dos vários bancos de dados da área da saúde púbica na Virginia. Agora, qualquer pessoa interessada em marcar uma consulta com um médico em hospital público poderá saber se o profissional procurado tem processos na justiça ou no conselho médico nacional. Também saberá se existem reclamações de outros pacientes contra o mesmo médico.


 


O sistema criado pela Google permite  que buscas a uma página de um órgão do governo, acionem automaticamente buscas nos site de outros órgãos governamentais que tratem do mesmo tema procurado.


 


Se por um lado, o sistema facilita as buscas dos usuários da internet e oferece aos jornalistas uma inédita transparência nos dados  públicos, por outro tende a acelerar e aprofundar o debate em torno dos novos parâmetros da privacidade na internet.


 


O acesso da Google a setores cada vez mais amplos da administração pública norte-americana transformará a maior empresa de buscas na internet num gigantesco repositório de dados públicos e privados. Nunca na história da humanidade uma empresa teve tanta informação acumulada em seus computadores.


 


Esta situação torna compulsório um novo debate, em todo o mundo, sobre o papel da tecnologia na vida quotidiana dos cidadãos e nas suas relações com órgãos públicos. A transparência é uma faca de dois gumes: se por um lado é indispensável ao funcionamento da democracia e aos negócios contemporâneos, por outro, implica um novo comportamento de todos nós em relação à informação pessoal.


 

A ampliação da transparência em todos os aspectos da vida moderna, tanto na internet, como nos governos e entre as pessoas, traz como corolário a valorização da ética como única ferramenta capaz de organizar as relações humanas. Estamos entrando na era das paredes de vidro, o que nos obriga também a discutir também uma nova moral para uma sociedade baseada na tecnologia e na informação.

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