Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

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Novo czar da tecnologia de Obama sinaliza maior transparência pública e antecipa debate sobre ética digital

Por Carlos Castilho em 21/04/2009 | comentários

Ao indicar o descendente de indianos Aneesh Chopra (foto), 33 anos, como novo responsável pela política tecnológica do seu governo, o presidente Barack Obama  mostrou que está disposto a ampliar o acesso do cidadão comum aos dados e informações do governo, acelerando o início de uma complexa discussão sobre privacidade e a nova ética digital.


 


A indicação de Chopra mostra também que Obama está interessado em intensificar as relações com a empresa Google, que já está fazendo trabalho semelhante nas administrações estaduais da Virginia, Arizona, Utah e Califórnia.


 


Tudo indica que o primeiro ocupante do cargo de Chefe do Escritório de Tecnologia (Chief Technology Officer) do governo norte-americano vai centrar sua gestão no desenvolvimento de parcerias público-privadas com o objetivo de agilizar a digitalização dos órgãos públicos, especialmente os que têm relação direta com os contribuintes.


 


Chopra já vinha trabalhando com a Google desde 2007, quando foi indicado para o cargo de Chefe do Escritório de Tecnologia no estado da Virginia. A Google desenvolveu para o estado um novo sistema de indexação de dados públicos para torná-los mais acessíveis pelos mecanismos privados de buscas na Web.


 


O Site Map Protocol viabiliza, por exemplo, a integração dos vários bancos de dados da área da saúde púbica na Virginia. Agora, qualquer pessoa interessada em marcar uma consulta com um médico em hospital público poderá saber se o profissional procurado tem processos na justiça ou no conselho médico nacional. Também saberá se existem reclamações de outros pacientes contra o mesmo médico.


 


O sistema criado pela Google permite  que buscas a uma página de um órgão do governo, acionem automaticamente buscas nos site de outros órgãos governamentais que tratem do mesmo tema procurado.


 


Se por um lado, o sistema facilita as buscas dos usuários da internet e oferece aos jornalistas uma inédita transparência nos dados  públicos, por outro tende a acelerar e aprofundar o debate em torno dos novos parâmetros da privacidade na internet.


 


O acesso da Google a setores cada vez mais amplos da administração pública norte-americana transformará a maior empresa de buscas na internet num gigantesco repositório de dados públicos e privados. Nunca na história da humanidade uma empresa teve tanta informação acumulada em seus computadores.


 


Esta situação torna compulsório um novo debate, em todo o mundo, sobre o papel da tecnologia na vida quotidiana dos cidadãos e nas suas relações com órgãos públicos. A transparência é uma faca de dois gumes: se por um lado é indispensável ao funcionamento da democracia e aos negócios contemporâneos, por outro, implica um novo comportamento de todos nós em relação à informação pessoal.


 

A ampliação da transparência em todos os aspectos da vida moderna, tanto na internet, como nos governos e entre as pessoas, traz como corolário a valorização da ética como única ferramenta capaz de organizar as relações humanas. Estamos entrando na era das paredes de vidro, o que nos obriga também a discutir também uma nova moral para uma sociedade baseada na tecnologia e na informação.

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/04/2009 Jeverson -

    Olá! Por favor, será que dá pra apagar meu comentário das páginas: http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=444CIR003 e http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=458TVQ001 Meu nome está sendo captado pelo sistema de busca do Google e isto está afetando alguns setores da minha vida. Não é primeira vez que peço. Não entendo como um site que presa pela liberdade de expressão, que se julga em posição de criticar a conduta da imprensa, não atende ao pedido de alguém que colaborou com o site escrevendo um comentário e agora deseja não mais fazer. Espero que a demora em atender o meu pedido não passe de um mal entendido. Obrigado. ps: Favor apague este também. Escrevi aqui porque pelo ‘Fale Conosco’ a única coisa que obtive foi desrespeito da vossa parte.

  2. Comentou em 22/04/2009 Uirá Porã

    A afirmação quanto ao controle de dados públicos e privados carece de reflexão. Sendo os dados ´públicos´, qualquer infeliz pode ter acesso e então armazená-los. No entanto a matéria faz entender que ao utilizar uma solução compartilhada com o google, a empresa teria, necessariamente, acesso aos dados privados do estado da Virginia. Isso não é necessariamente verdade, uma vez que pode-se fazer um sistema onde o google não tenha acesso aos dados ´não-públicos´.

    Aqui no brasil, e em outros lugares do mundo, seria muito interessante a utilização e disponibilização de informações através de infra-estruturas públicas de informações. Os dados privados podemo ficar em servidores do governo local, enquanto dados públicos podem ser replicado de acordo com o interesse de que isso seja feito. Para que isso seja mais simples, utilizar softwares livres é uma premissa básicas, tanto no quesito privacidade, quando no quesito replicabilidade dessas soluções. O ideal seria que bairros e municípios investissem em soluções locais que pudessem ser replicadas em escala nacional ou estadual. Sendo software livre, também seria mais interessante a participação de empresas sem que elas exerçam monopólio sob os governos. e facilite a concorrência em serviços de desenvolvimento de soluções para e-gov.

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