Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Números ajudam a compreender causa de Bono e tornar futrica da Folha ainda mais reacionária

Por Alceu Nader em 23/02/2006 | comentários

A patrulhinha contra o cantor Bono que chegou à primeira página da Folha de S.Paulo oferece a ocasião para pontuar, parcialmente, o convívio da imprensa com mitos que ela mesma cria. O líder do U2 é uma instituição global para boa parte da juventude não só por causa da sai música, mas porque ele tem coragem de comprar uma briga que outras instituições poderosas querem manter à distância.

A razão da militância é pouco explorada no noticiário, e menos ainda bem explicada. Trata-se, em resumo, do comportamento indefensável da Europa e pelos Estados Unidos, que insistem em continuar regando seus produtores agrícolas com subsídios. A ajuda, em excesso, acaba gerando excedentes de produção que depois caem no mercado internacional com preços que os produtores de países mais pobres não conseguem competir.

A briga se arrasta em todas as rodadas de comércio global promovidas pela Organização Mundial do Comércio, mas os países ricos não arredam o pé da prática desleal. Na Europa, o problema mora em três letras PAC, sigla da Política Agrícola Comum. Muito dinheiro escorre para os produtores europeus. Somente na Europa, em 2003, foram 40 bilhões de euros – o maior item do Orçamento da UE, União Européia. Para os produtores europeus, o dinheiro dado de mão beijada representa 35% de tudo que recebem. Esse percentual cai nos EUA, mas não é menos escandaloso: 21%.

A segunda grande injustiça cometida é que poderosos grupos econômicos são beneficiados pela farta distribuição de dinheiro. Os empresários do ramo açucareiro são os que mais ganham sem precisar produzir. Na França, o grupo Beghin Say morde 236 milhões de euros por ano; na Alemanha, a Sudzucker fica com 201 milhões de euros e, na Inglaterra, a Tate &Lyle ganha 158 milhões de euros. Duas dessas empresas têm ponte com o Brasil. A Beghin Say faz parte do grupo francês Tereos, que por sua vez é dono da Açúcar Guyarani S.A., do interior de São Paulo. A Tate & Lyle Brasil S.A, além do café expresso, é grande comercializadora de produtos cítricos e açúcar brasileiros.

A bandeira da injustiça levantada por Bono mira principalmente a tragédia provocada pela política de subsídios dos países ricos provoca na África.

Os argumentos da futrica publicada na Folha de S.Paulo de ontem mostram que o autor do texto está desinformado. Em seu texto, ele desafiou Bono a fazer um show na França contra os subsídios. Para sua infelicidade, a discussão encontra-se vários tons acima. O serviço de notícias do IOL – Irlanda Online, pertencente ao poderoso grupo British Telecom – trouxe, no mesmo dia da publicação de seu comentário, a seguinte notícia reproduzida abaixo. Nela, se informa, entre outras coisas que Bono conseguiu extrair o compromisso dos líderes de países desenvolvidos em perdoar a dívida dos países africanos – o que já foi parcialmente feito – além de US$ 5 bilhões de um ‘pacote de ajuda’.

Ao que parce, o maior problema de Bono é que um de seus aliados atualmente mora em Brasília.




Bono tenta persuadir Chirac

O roqueiro engajado Bono quer convocar o presidente francês, Jacques Chirac, para um debate por causa dos efeitos da política agrícola francesa em sua batalha pelo comércio justo na África.

O líder do U2 está animado com os US$ 5 bilhões do pacote de ajuda que ele conseguiu arrancar dos líderes políticos reunidos no encontro do G8, em julho passado, mas agora está empenhado em garantir aos africanos a possibilidade de participar do mercado internacional com pagamento justo pelo que produzem.

Ele condena políticas ultrapassadas que protegem um pequeno grupo de fazendeiros às custas dos países em desenvolvimento:

‘Nós conseguimos progredir na questão da dívida e da ajuda internacional, o que precisa ser comemorado. A justiça no comércio será uma batalha épica de longa duração, e a França representa um dos principais obstáculos para a obtenção de um acordo comercial. As pessoas temem que o fim da Política Agrícola Comum na Europa irá afetar a vida dos pequenos fazendeiros franceses, mas nós não acreditamos que isso vá acontecer. Empresas agrícolas gigantes dos Estados Unidos e da Europa são as que recebem a maior parte dos subsídios, e esses subsídios são cruéis para fazendeiros dos países dos países em desenvolvimento que estão tentando competir’




Íntegra em inglês: 21/02/2006 – 09:26:31

Bono to lobby Chirac

Campaigning rocker Bono is planning a showdown with French President Jacques Chirac, because the leader´s agricultural policies are affecting his battle for fair trade in Africa.

The U2 frontman is thrilled by the $5bn (€4.1bn) aid package he secured by lobbying politicians at the G8 summit in July, but is now keen to ensure Africans are given the chance to trade in the international market and be fairly rewarded for their produce.

And he blames outdated policies protecting a few independent farmers, at the expense of the developing world.

The Elevation hitmaker says: ‘We´ve made progress on debt and aid and that must be celebrated. Trade will be an epic long-term battle.

‘France is one of the biggest problems in reaching a trade deal.

‘People are worried that dismantling the common agricultural policy (CAP) in Europe will really affect small French farmers. We don´t think it should.

‘The giant corporate farmers in America and Europe are receiving most of the subsidies.

‘These subsidies are cruel to a farmer in the developing world who is trying to compete.’


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