Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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O bazar de imagens na guerra no Libano

Por Carlos Castilho em 25/07/2006 | comentários


O site de videos YouTube  é hoje uma amostra da primeira guerra da era cibernética contada através de imagens produzidas pelas suas vítimas. O You Tube é um site criado em fevereiro de 2005 por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karimum, três jovens norte-americanos recém saídos da universidade e que embarcaram na onda da chamada Web social para publicar, de forma gratuita, vídeos enviados por profissionais e amadores. Em pouco mais de um ano e meio o site orgulha-se de ter atingido a fantástica meta de 100 milhões de vídeos visualizados por dia.


Este mega bazar de imagens era mais conhecidos por seus filmes bizarros estilo video-cassetadas e pelas experiências amalucadas de cineastas amadores. O material mais politizado era pouco visível, mas agora, com a guerra no Líbano, o quadro mudou radicalmente e já é possível ter uma visão do conflito a partir da ótica de quem está no alvo das bombas isralenses e dos foguetes dos guerrilheiros do Hezbollah.


A maior parte dos vídeos é postada por moradores de Beirute que de alguma forma conseguiram sair do país e têm acesso à internet por banda larga. Outros conseguiram mandar os vídeos para a Turquia ou Síria, através de parentes que depois colocaram o material na internet. As imagens feitas do lado israelense são menos numerosas, mas igualmente impactantes.


A proporção de material sobre a guerra ainda é muito pequena em relação aos 650 mil vídeos recebidos diariamente pelo You Tube, cuja sede fica na cidade de San Mateo, na California, onde trabalham 70 pessoas.


É uma sensação estranha ver a guerra pelo lado das vítimas porque o distanciamento dos correspondentes de guerra é substituido por relatos cheios de dramaticidade e também de raiva.


Há de tudo em se tratando de imagens amadoras sobre o conflito no Oriente Médio. Há filmes de pura propaganda, a material clonado de telejornais norte-americanos com textos beligerantes, cenas do quotidiano nos destroços de Beirute, choro das vítimas de foguetes no norte de Israel, até imagens idílicas de um poema pacifista com imagens de uma praia do Havaí e que recebeu nada menos que três mil visitas no último fim de semana (22-23/7).


Outro vídeo impactante é o postado por um homem que se identifica como Mohammed e que mostra cenas noturnas de um bombardeio israelense sobre um subúrbio ao norte de Beirute. No texto do vídeo o autor diz: ‘Ouçam o barulho destas bombas. Elas me lembram o mesmo ruido que eu ouvi nos bombardeios da invasão israelense de Beirute em 1982, quando eu tinha 4 anos de idade. Acho que vivi 24 anos dentro de uma guerra’.

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