O bazar de imagens na guerra no Libano | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Domingo, 19 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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O bazar de imagens na guerra no Libano

Por Carlos Castilho em 25/07/2006 | comentários


O site de videos YouTube  é hoje uma amostra da primeira guerra da era cibernética contada através de imagens produzidas pelas suas vítimas. O You Tube é um site criado em fevereiro de 2005 por Chad Hurley, Steve Chen e Jawed Karimum, três jovens norte-americanos recém saídos da universidade e que embarcaram na onda da chamada Web social para publicar, de forma gratuita, vídeos enviados por profissionais e amadores. Em pouco mais de um ano e meio o site orgulha-se de ter atingido a fantástica meta de 100 milhões de vídeos visualizados por dia.


Este mega bazar de imagens era mais conhecidos por seus filmes bizarros estilo video-cassetadas e pelas experiências amalucadas de cineastas amadores. O material mais politizado era pouco visível, mas agora, com a guerra no Líbano, o quadro mudou radicalmente e já é possível ter uma visão do conflito a partir da ótica de quem está no alvo das bombas isralenses e dos foguetes dos guerrilheiros do Hezbollah.


A maior parte dos vídeos é postada por moradores de Beirute que de alguma forma conseguiram sair do país e têm acesso à internet por banda larga. Outros conseguiram mandar os vídeos para a Turquia ou Síria, através de parentes que depois colocaram o material na internet. As imagens feitas do lado israelense são menos numerosas, mas igualmente impactantes.


A proporção de material sobre a guerra ainda é muito pequena em relação aos 650 mil vídeos recebidos diariamente pelo You Tube, cuja sede fica na cidade de San Mateo, na California, onde trabalham 70 pessoas.


É uma sensação estranha ver a guerra pelo lado das vítimas porque o distanciamento dos correspondentes de guerra é substituido por relatos cheios de dramaticidade e também de raiva.


Há de tudo em se tratando de imagens amadoras sobre o conflito no Oriente Médio. Há filmes de pura propaganda, a material clonado de telejornais norte-americanos com textos beligerantes, cenas do quotidiano nos destroços de Beirute, choro das vítimas de foguetes no norte de Israel, até imagens idílicas de um poema pacifista com imagens de uma praia do Havaí e que recebeu nada menos que três mil visitas no último fim de semana (22-23/7).


Outro vídeo impactante é o postado por um homem que se identifica como Mohammed e que mostra cenas noturnas de um bombardeio israelense sobre um subúrbio ao norte de Beirute. No texto do vídeo o autor diz: ‘Ouçam o barulho destas bombas. Elas me lembram o mesmo ruido que eu ouvi nos bombardeios da invasão israelense de Beirute em 1982, quando eu tinha 4 anos de idade. Acho que vivi 24 anos dentro de uma guerra’.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/07/2006 IVAN Moraes

    A respeito de ‘um perigoso nazista e anti-semita’: F, o mundo inteirinho eh! Talvez voce nao tenha sido informado:
    >>http://www.tau.ac.il/Anti-Semitism/CR.htm<< Traducao: voce esta lidando com extremistas/ortodoxos --da na mesma.

  2. Comentou em 28/07/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    É muito chato usar seu tempo e espaço para informar que o conflito no Oriente Médio já respinga aqui no Brasil há algum tempo.

    Preocupado com a escalada da violência no Oriente Médio patrocinada pelo governo de Ariel Sharon (invasão de Ramalah e Jenin), publiquei na Internet um texto denominado ISRAEL O III REICH DO SÉCULO XXI. No referido texto comparei elementos do judaismo e do nazismo, discursos de Hitler e Chaim Weizmann sobre o respeito às fronteiras e o expancionismo da Alemanha nazista e de Israel.

    A reação da comunidade israelense no Brasil foi fantástica e virulenta. Minha revista foi retirada da Internet por ordem de uma Delegada de Polícia a pedido de uma entidade cultural patrocinada por Israel. Não bastasse isto, meu nome constou de um relatório da Universidade de Tel Aviv como se eu fosse um perigoso nazista e anti-semita:

    http://www.crisbrasil.org.br/apc-aa/cris/noticias.shtml?AA_SL_Session=90d51238aa713891b74b5b16e6956928&x=454

    Tenho enviado mensagens solicitando providências para a Câmara, Embaixada do Brasil em Israel, Embaixada de Israel no Brasil, para o Reitor da Universidade de Tel Aviv, para o Presidente da República, mas ninguém deu a menor importância. Não tenho cabedal (dinheiro e influência), portanto, posso ser literalmente massacrado pela comunidade israelense no Brasil e pela Universidade de Tel Aviv.

  3. Comentou em 26/07/2006 Luis Neubern

    Através deste sítio, youtube, assisti alguns vídeos impressionantes sobre a guerra travada no Iraque com imagens reais de carros bombas, assassinatos de soldados americanos por um franco atirador, um tal de ‘Juba Sniper’, e cenas de combates onde monstra o desespero dos soldados nos momentos de conflitos. Tais vídeos me deram uma real dimensão do atoleiro iraquiano. Nenhum jornal conseguiu traduzir em palavras o que assisti neste sítio, ou seja, a brutalidade e a estupidez das guerras.

  4. Comentou em 26/07/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Durante séculos as populações civis foram obrigadas a suportar as conseqüencias dos conflitos engendrados pelos senhores da guerra e pelos mercadores da morte. Somente agora estas mesmas populações podem exprimir sua dor, mostrar as atrocidades de que são vítimas sem cortes, nem interpretes ou censura. Será preciso, entretanto, que os destinatários desta avalanche de informação saibam o que fazer com ela e tenham coragem de exprimir sua indignação. Tenho feito a minha parte enviando mensagens às Embaixadas de Israel e dos EUA solicitando o fim dos conflitos, das remessas de armas, etc…, bem como estimulado meus colegas a fazerem o mesmo. Confesso, entretanto, que às vezes fico abismado ao saber que existem pessoas que se divertem com a desgraça alheia, que fazem vidios, fotos e textos referentes à guerra no Oriente Médio circularem pelo simples prazer de observar ou de mostrar as escabrosas, hediondas e imperdoáveis matanças de ambos os lados. Um filósofo francês já classificou a civilização pos TV como ‘sociedade do espetáculo’. Não sei se tinha razão, mas certamente tocou num ponto sensível que vale a pena discutir.

  5. Comentou em 26/07/2006 moska texugo

    Oi!
    só queria dizer que as histórias de guerras e conflitos estão sendo contadas por imagens e depoimentos produzidas diretamente por suas vítimas aplamente desde 1999, com a criação do site e da rede do Centro de Mídia Independente, em Seattle, cuja publicação é aberta e sem filtros. E desde antes também, com alguns projetos menore e menos pretensiosos de publicação livre em redes abertas. A expansão dessa rede em pouquíssimo tempo pelo mundo todo atribuiu-se a esse movimento caráter global.

    Apenas para pontuar que esse processo não se inicia com o you tube, mas tem nele uma expressão de sua expansão.

    boa matéria!

  6. Comentou em 26/07/2006 Pablo Arruti

    A internet é a nova revolucionária do mundo! Os messias virão via cabo!
    Estou em EXTASE de informação!

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