Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O Brasil do IDH e o ‘caso Brasil’

Por Luiz Weis em 28/11/2007 | comentários

Tempos de coincidências reveladoras. Na semana passada, nenhum jornalista político que valha o seu sal pode ter deixado passar em branco a co-incidência de dois fatos, um deles puxando o tapete de outro – a denúncia do procurador-geral da República contra 15 envolvidos no mensalão tucano em plena festa da convenção do PSDB.

Agora é a descoberta de um episódio-síntese do horror concentracionário das prisões brasileiras, ante a indiferença geral, escarnecendo da promoção do Brasil ao 70º e último lugar entre os países classificados pela ONU como de “alto desenvolvimento humano”.

O ranking é formado com base nas informações de cada país sobre a sua situação em matéria de expectativa de vida ao nascer, matrículas nos três níveis de ensino e PIB por habitante.

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nasceu da gritante constatação de que não basta a um país ser rico. A qualidade de vida de sua população diz tanto ou mais do seu desenvolvimento do que a evolução do produto interno bruto.

Além disso, a pesquisa periódica é feita para dar aos povos, em forma de números, armas para pressionarem os governos por mais saúde, mais educação e mais participação na riqueza nacional.

Mas diante da tragédia de L.A.B., a garota mantida presa durante 24 dias para servir à alcatéia das cadeias paraenses, a expressão “alto desenvolvimento humano” é de chorar.

Qualquer um, em 5 minutos, é capaz de arrolar características sub-sub-desenvolvidas da vida brasileira, que autorizam perguntar: mas de que desenvolvimento humano estamos falando?

Índice de mortandade no trânsito é uma delas. A criminalidade dos não-criminosos profissionais (para não falar da outra), com o linchamento de prostitutas e a incineração de mendigos, por exemplo, é outra. A caricatura de Justiça é mais uma. E por aí.

É “o caso Brasil”, em suma. A expressão, uma sacada lancinante, saiu ontem da boca do secretário de Direitos Humanos do governo federal, o valoroso ministro Paulo Vanucchi.

Ele ligou duas coisas que não se sabe até quando continuarão indissociáveis no mundo dos símbolos – o nome do país e o sobrenome – que aparentemente nenhum jornalista conhecia, ou se conhecia bobeou – da menina que virou carniça na cadeia de Abaetetuba. O sobrenome é Brasil.

Por mim, de agora em diante, toda reportagem, artigo e editorial sobre a monstruosidade deveria chamá-la de “caso Brasil”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/11/2007 Jairo Fernando Oliveira

    Correta a expressão MENSALÃO TUCANO, uma vez que foram efetuados diversos pagamentos para os envolvidos. Não pode ser, de forma alguma, denominado MINEIRO, pois de acordo com o próprio Eduardo Azeredo, o dinheiro não ficou restrito a Minas Gerais, foi utilizado também na campanha do então candidato a presidente, Fernando Henrique, do PSDB.
    Antes de ser acusado de petista de carteirinha, petralha e por aí afora, não observo a sigla e sim o perfil do político, portanto, meus votos vão para PT, PV, PSDB, etc.

  2. Comentou em 28/11/2007 Leonardo Lani de Abreu

    Até os paralelepípedos das calçadas sabem que a mídia está superdimensionando este episódio do Pará para queimar a governadora Ana Júlia, que por acaso é do PT. É um absurdo o que aconteceu com a moça, acho que ela merece uma boa indenização, mas a cobertura que a imprensa está dando ao caso está sendo desproporcional à sua importância. Comportamento típico dos escrevinhadores sem amor-próprio que se auto-intitulam jornalistas.

  3. Comentou em 28/11/2007 maria natalia lebedev martinez moreira

    Parabens professor Weis. São essas contradições do nosso pais que merecem a nossa reflexão. Não é um país simples. Não podemos perder tanto tempo discutindo a pequenez da disputa mesquinha entre PTxPSDB. O Brasil é maior ,mais complexo ,mais tragico. Não podemos ficar indiferentes aos reais problemas da nação.

  4. Comentou em 28/11/2007 Arno Esquivel

    Eu faço UI ptofundo diante da monstruosidade da situação da adolescente presa numa cadeia do Pará, seu ACAguiar. Só não faço UI para quem, por ter perdido a vergonha e a dignidade, não se constrange com isso e se comporta como um babuíno ignaro (ou como um biólogo eunuco de pudores primatas!).

  5. Comentou em 28/11/2007 Luciano Prado

    …ou seja, esse índice veio mostrar que estamos encrencados, ou pior, estamos lascados. É provável que mais alguns anos e o Brasil desapareça do mapa. É lastimável a situação do Brasil em 70º lugar no IDH, pior, em último lugar. Tudo por culpa desse desgoverno de Lula. E não adianta dizer que esse tal campo de Tupi vai salvar a pátria. Não, absolutamente não. Isso tudo é uma invenção do PT e da Petrobrás para não apavorar o povo com a notícia de que o Brasil logo, logo vai sumir do mapa. Portanto, aproveitem seus últimos dias de IDH. O anúncio do próximo índice já poderemos ter sumido do globo. E depois não me venham dizer que os jornalistas da nossa (digo, deles) grande imprensa não avisaram com bastante antecedência. Vejam o caso da CPMF. Esse imposto está arrasando com o povo brasileiro. Mas o Arthur Virgílio e o Agripino Maia (meus heróis) vão acabar com essa farra e contribuir para a melhoria do nosso IDH. Nem tudo está perdido.

  6. Comentou em 28/11/2007 Max Suel

    ‘a denúncia do procurador-geral da República contra 15 envolvidos no mensalão tucano em plena festa da convenção do PSDB.’ Lá vem de novo o Sr. Weis …’mensalão tucano’ . Por que este nome, se o que houve foi desvio de dinheiro público para caixa 2 de campanha eleitoral? ‘Caixa 2 Tucano mineiro’ poderemos aceitar, mas ‘Mensalão’ , este surgiu e teve seu máximo no governo Lula e no PT e partidos ‘avançados’ da Base: PTB, PL e PP; Mensalão porque os parlamentares comprados pelo esquema petista recebiam regularmente seu dinheirinho. Faltou sempre registrar que no ‘Caixa 2 Tucano mineiro’ houve a participação fundamental do ex-ministro do Turismo e das relações institucionais Walfrido, do governo lulo-petista. Hoje, no jornal Estado de São Paulo, o Sr. Weis assina artigo na pág 2 onde faz um ataque frontal e eu diria brutal ao PSDB. A continuar assim, logo logo o Sr. Weis será contratado pela Lula News (aquela TV que vai consumir centenas de milhões de dólares anuais). Fico pensando como serão bem remunerados os jornalistas da Lula News, verdadeiros marajás sem dúvida. É tentador não Sr. Weis? A propósito, como lembrou um leitor: quando teremos aqui no OBI (observatório bolivariano de imprensa) uma leitura crítica de uma ‘Carta Capital’ por ex?

  7. Comentou em 28/11/2007 Gentil Borges

    Prezado Sr. Luiz Weiss:

    Desculpe a ousadia, mas entre as situações abomináveis neste País, que nos mantém no subdesenvolvimento, está justamente uma imprensa marron, subserviente a interesses escusos.

    Obrigado pela oportunidade.

  8. Comentou em 28/11/2007 Alexandre Carlos Aguiar

    Num outro espaço deste sítio me bloquearam as palavras que enderecei à classe média, que as merece, a respeito deste assunto. Mas me causa asco a indignação contumaz desta gente frente ao caso. Então quer dizer que ninguém sabe disso. As dondocas e os engravatadinhos não sabem que estas coisas acontecem, todos os dias, ás vezes debaixos de seus narizes? Quer dizer que a mídia tão eivada de informações nunca soube que se estupram, matam, esfolam e massacram seres humanos todos os dias nas carceragens imundas do país. Não me preocupam mais os criminosos, mas as pessoas que fazem ‘Ohs’ e ‘Uis’ frente às atrocidades do dia a dia. Ou essa gente ignorante acha que os mendigos e moleques espalhados pelos semáforos das grandes cidades são retrato do que, de algum teatro? Quando vocês, ignaros, fecham-lhes os vidros na cara, estão se escondendo da realidade.

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