Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

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O Brasil não cresce com exclusão digital

Por Carlos Castilho em 28/11/2005 | comentários


Estamos mal no ranking global de acessos à internet segundo os dados da pesquisa divulgada há dias pela seção nacional do Comitê Gestor da rede mundial de computadores. Estamos na incômoda sexagésima quarta posição, junto com o México e bem atrás dos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile. Perdemos até para a Costa Rica, na América Central.


Mais da metade dos brasileiros (54,79) nunca usou computador e 67,76% jamais entrou na internet. Os dados impressionam mas não chegam a ser dramáticos no contexto mundial, porque a exclusão digital é uma norma, até mesmo nos Estados Unidos, que está apenas no décimo lugar no ranking de acessos à internet.


O verdadeiro significado da desigualdade digital não está tanto nos números e estatísticas mas no processo de transição para a sociedade da informação. A redução do número dos sem internet é condição indispensável para que a economia digital funcione no país, porque a lógica do sistema mudou.


Para que as empresas funcionem no ambiente virtual elas tem que obrigatoriamente contar com sistemas de certificação de confiabilidade em parceiros e intermediários. Estes sistemas já existem e tem uma lógica: quanto mais gente emitir opiniões mais confiável é a avaliação de reputações, como provam os casos do eBay e do Submarino.


O caso da certificação de credibilidade é apenas um dos elementos que compoem a nova lógica da internet, onde a inclusão é essencial. Outro é o da inovação através de sistemas de código aberto onde quanto maior o número de participantes opinando e colaborando, maior a criatividade coletiva, uma exigência que passou a ser crítica na era digital onde o sistema só funciona se for alimentado pelo lançamento contínuo de novas idéias, serviços e produtos.


Até no jornalismo a inclusão digital passa a ser fundamental porque a tendência é a valorização do noticiário local e hiperlocal através da contribuição de leitores/repórteres. Quando mais colaborações, mais diversificado e atraente ficará a página noticiosa e consequentemente maior a sua clientela.


Mas se existe uma lógica da inclusão na internet porque a desigualdade digital não diminui no Brasil e no mundo? A resposta está na atual coexistência entre duas estratégias distintas de crescimento econômico. A tradicional, baseada no princípio de que é necessario manter um exército de mão de obra barata para que a produção de bens seja lucrativa para uma minoria. A outra, que poderiamos chamar de nova economia apoia-se no princípio de que a inovação e a automação garantirão a produção de bens capazes de garantir o crescimento econômico para todos.


No primeiro caso, a exclusão está imbutida no sistema que não funciona sem ela. No segundo, ocorre o contrário, ou seja a inclusão é o motor da inovação e criatividade. Quanto mais pessoas participarem do processo, maior o seu dinamismo e portanto maiores os resultados a serem distribuidos.


É importante ressaltar que a lógica da inclusão na nova economia não significa que ela caminhará para a eliminação da desigualdade. A única diferença é que enquanto no capitalismo clássico, a tendência é o aumento das diferenças entre os com e sem computadores, na era digital diferença diminuirá, sem desaparecer por completo.







Ausência: Entre os dias 29/11 e 3/12, estarei em Santiago do Chile participando de um colóquio internacional sobre exclusão digital organizado pela Universidade do Chile e patrocinado pelo governo da França.






Aos nossos leitores: Serão desconsiderados os comentários ofensivos, anônimos e os que contiverem endereços eletrônicos falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/12/2005 JOAO CARLOS

    SÓ FALTOU A MOTIVAÇÃO DO CAPITALISMO PARA QUE A ESQUERDA DEIXASSE O SABER PARA SEGUIR EM FRENTE E FAZER.

  2. Comentou em 04/12/2005 geraldo moura

    Pelo visto até aqui, a ‘direita inteligente’ que govenou o Brasil não se preocupou muito com a questão educacional. Em Cuba praticamente não há analfabetos. A Venezuela (embora Chávez não seja, como muitos pensam, um ‘esquerdista’, mas um nacionalista) obteve recentemente da Unesco a declaração de área livre de analfabetismo – a grande mídia não informou. Na URSS, todos tinham acesso à educação. Não sou um ‘esquerdista’, mas na questão educacional a esquerda tem mais a mostrar do que a direita.

  3. Comentou em 03/12/2005 Joao Carlos

    Crescimento econômico se explica com EDUCAÇÃO, muita educação. Agora sobre o CAPITALISMO da forma como é abordado pelo articulista e foristas é apenas uma interpretação que procura validar ou negar um modelo, no caso o capitalismo. O primeiro princípio como é colocado ´…mão-de-obra barata para que a produção de bens seja lucrativa para uma minoria´ atende ao discurso míope da esquerda burra, a qual foca pequeno espectro do CAPITALISMO para daí fazer todo seu levantamento, serve como discurso e antiga retórica demagógica. Já a leitura de uma nova economia na qual ´…a inclusão é o motor da inovação e criatividade. Quanto maior participação, maior dinamismo e melhores resultados distribuídos…´ Faz parte do discurso dos defensores da nova tecnologia dentro do CAPITALISMO, nada contra, porém ninguém será incluído nesta nova tecnologia sem o que disse: EDUCAÇÃO ou seria como darmos ferramentas a um macaco.

  4. Comentou em 02/12/2005 Raquel Moraes

    Ao contrário do que o senhor argumenta, a causa da exclusão digital continua a ser a estratégia do modelo de desenvolvimento político-econômico do capitalismo (entendido como centralização e concentração da riqueza por uma minoria através da alienação do trabalhador) adotado desde os primórdios da revolução industrial que não mudou na chamada ‘nova era’ da economia digital.

    Essa ‘nova economia’, apoiada, segundo seu artigo, no princípio de que a inovação e a automação garantirão a produção de bens capazes de garantir o crescimento econômico para todos, já está embutida, a nosso ver, na lógica do próprio Capital que desde a revolução industrial utiliza a ciência e a tecnologia, C&T, para eliminar o trabalho vivo (trabalhador) em detrimento do trabalho morto (C&T).

    Se essa estratégia e esses valores não forem mudados, se a posse de tudo por uma minoria continuar a prevalecer, e não apenas serem adotadas políticas de inclusão, continuaremos a viver no abismo cultural e científico-tecnológico com consequências graves para o futuro do nosso próprio planeta.

    Raquel Moraes
    Dra. em Educação
    UnB – FE
    Aula Virtual e Democracia
    http://www.aulavirtualedemocracia.cjb.net
    Fone: +55 61 3383 35 91 e +55 61 9986 32 61

  5. Comentou em 30/11/2005 Fernando Paixão

    Para acabar o anafalbetismo você começar não produzindo novos analfabetos. ( Paulo Freire disse algo semelhante ) O mesmo vale para a Exclusão Digital. No início do mes no Workshop do programa TIDIA o Prof. John Silvester apresentou a construção da rede Scenic que inclui todas as Universidades e 8000 escolas do estado da California. Investimento no primeiros anos $30 M e este ano $18. Que tal começar a usar os fundos e conectar as escolas?

    Vejam um resumo na Agencia Fapesp

    http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data%5Bid_materia_boletim%5D=4587

  6. Comentou em 30/11/2005 Ary Carlos Moura Cardoso

    Inclusão e exclusão digitais passam por estes dois fatores: a Educação e a Economia. Ter um computador, manipulá-lo e acessar internet não são coisas que caem dos céus. Portanto, queiramos ou não, a forma como a própria sociedade se organiza, no caso da nossa, ‘Liberal-Conservadora’, chega mesmo a determinar o que o articulista levanta como questão. Não podemos nos esquecer de outro desafio: os ditos ‘ignor@ntes’.

  7. Comentou em 29/11/2005 Fabio de Oliveira Ribeiro

    O Brasil tem continentes de pobresa, privação, sofrimento e exclusão digital. Tem também pequeninas ilhas de riquesa, fartura, felicidade e inclusão tecnológica. Se as ilhas forem até os continentes crescemos e nos tornamos um país rico. Se os continentes invadirem as ilhas, o que é mais provável, todos voltaremos a comer tapioca e viver em taperas.

  8. Comentou em 28/11/2005 Adriano

    O comentário do internauta anterior tem lógica, porem é impossivel realizar pesquisa sem ter como parâmentro dados quantitativos, como da população do país, renda percapita, expectativa de vída tudo se resolve com um número absoluto e total para a chegarmos a resultados referencias que são considerados fidedignos. Assim em um país continental, temos que ter politicas de inclusão digital continentais, qualificando o professor de base e adquirindo computadores para locais mais periféricos entre outros que também não tem nesses locais.
    A solução esta no investimento em educação, em todos os níveis, acredito eu.

  9. Comentou em 28/11/2005 Paulo Falcão

    Essas pesquisas, que fazem certas comparações, do Brasil com outros paises, especialmente os nosso vizinhos, deveriam ser revistas, pois o Brasil é um país continental e federalista enquanto que outros são provincianos e a maioria da população se concentra em torno da capital do seu pais para tentar um modo de sobrevivencia já que em seu interior só se encontra desolação e misérias muito maiores que aqui. O Brasil, possui 28 capitais fora as cidades importantes e de menor porte que ficam localizadas em seu interior e só comparar com os EEUU e verificar que lá é um país de 1° mondo e ocupa a 10ª posição. Conheçam o país de vocês para depois divulgarem pesquisas tendenciosas. Muito obrigado

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