Terça-feira, 20 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1014
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O Brasil não cresce com exclusão digital

Por Carlos Castilho em 28/11/2005 | comentários


Estamos mal no ranking global de acessos à internet segundo os dados da pesquisa divulgada há dias pela seção nacional do Comitê Gestor da rede mundial de computadores. Estamos na incômoda sexagésima quarta posição, junto com o México e bem atrás dos vizinhos Uruguai, Argentina e Chile. Perdemos até para a Costa Rica, na América Central.


Mais da metade dos brasileiros (54,79) nunca usou computador e 67,76% jamais entrou na internet. Os dados impressionam mas não chegam a ser dramáticos no contexto mundial, porque a exclusão digital é uma norma, até mesmo nos Estados Unidos, que está apenas no décimo lugar no ranking de acessos à internet.


O verdadeiro significado da desigualdade digital não está tanto nos números e estatísticas mas no processo de transição para a sociedade da informação. A redução do número dos sem internet é condição indispensável para que a economia digital funcione no país, porque a lógica do sistema mudou.


Para que as empresas funcionem no ambiente virtual elas tem que obrigatoriamente contar com sistemas de certificação de confiabilidade em parceiros e intermediários. Estes sistemas já existem e tem uma lógica: quanto mais gente emitir opiniões mais confiável é a avaliação de reputações, como provam os casos do eBay e do Submarino.


O caso da certificação de credibilidade é apenas um dos elementos que compoem a nova lógica da internet, onde a inclusão é essencial. Outro é o da inovação através de sistemas de código aberto onde quanto maior o número de participantes opinando e colaborando, maior a criatividade coletiva, uma exigência que passou a ser crítica na era digital onde o sistema só funciona se for alimentado pelo lançamento contínuo de novas idéias, serviços e produtos.


Até no jornalismo a inclusão digital passa a ser fundamental porque a tendência é a valorização do noticiário local e hiperlocal através da contribuição de leitores/repórteres. Quando mais colaborações, mais diversificado e atraente ficará a página noticiosa e consequentemente maior a sua clientela.


Mas se existe uma lógica da inclusão na internet porque a desigualdade digital não diminui no Brasil e no mundo? A resposta está na atual coexistência entre duas estratégias distintas de crescimento econômico. A tradicional, baseada no princípio de que é necessario manter um exército de mão de obra barata para que a produção de bens seja lucrativa para uma minoria. A outra, que poderiamos chamar de nova economia apoia-se no princípio de que a inovação e a automação garantirão a produção de bens capazes de garantir o crescimento econômico para todos.


No primeiro caso, a exclusão está imbutida no sistema que não funciona sem ela. No segundo, ocorre o contrário, ou seja a inclusão é o motor da inovação e criatividade. Quanto mais pessoas participarem do processo, maior o seu dinamismo e portanto maiores os resultados a serem distribuidos.


É importante ressaltar que a lógica da inclusão na nova economia não significa que ela caminhará para a eliminação da desigualdade. A única diferença é que enquanto no capitalismo clássico, a tendência é o aumento das diferenças entre os com e sem computadores, na era digital diferença diminuirá, sem desaparecer por completo.







Ausência: Entre os dias 29/11 e 3/12, estarei em Santiago do Chile participando de um colóquio internacional sobre exclusão digital organizado pela Universidade do Chile e patrocinado pelo governo da França.






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