Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

O Brazil é uma floresta

Por Luiz Weis em 21/05/2005 | comentários

“Mr. da Silva” voltou a aparecer ontem em um texto assinado pelo correspondente do New York Times, Larry Rohter.


Falando da crise política gerada pelo escândalo da corrupção nos Correios, certo?


Errado. Falando da decisão do Partido Verde, o PV de Fernando Gabeira e Sarney Filho, de romper com o governo. Com apenas sete deputados, o PV, informa Rohter logo na primeira linha, é o menor dos oito partidos da base do presidente Lula.


É bom também esclarecer logo que a matéria, com apenas sete linhas, era uma das oito, mais ou menos do mesmo tamanho, que nesse dia entraram na seção World Briefings (algo como Notas Internacionais).


Um jornalista poderia perfeitamente bem perguntar se a notícia do desligamento do modesto apêndice verde da maioria (teórica) do Planalto na Câmara – o novo Centrão que vai do PT ao PP – merecia consumir alguns centímetros quadrados do mais disputado espaço da mídia impressa no mundo, embora espremida na humilde terceira classe do Jumbo jornalístico que é a seção Mundo do NYT.


A resposta está no primeiro motivo apontado por Rohter para o rompimento, com base no que andaram dizendo os líderes verdes: “o desmatamento da Amazônia”.


A mesma razão para a verdejante imprensa inglesa, do Financial Times e do Economist, na meia-direita, ao Guardian e ao Independent, na meia-esquerda, olhar ontem para o Brasil com o cenho franzido: a informação, divulgada quarta-feira pelo Ministério do Meio Ambiente, de que a floresta amazônica perdeu 26.130 quilômetros, quase uma Bélgica (ou, como o El País esclareceu os seus leitores espanhóis, uma Galícia).


E hoje a repercussão da notícia na imprensa estrangeira, na Inglaterra mas não só, repercutiu nos jornais brasileiros. Da manchete de primeira página do Globo (“Brasil sofre desgaste mundial por devastação na Amazônia”) ao noticiário de página inteira no Estado, sob o título “Amazônia escandaliza os ingleses”.


A Folha preferiu voltar-se para Brasília (“Lula defende ministra e anuncia reservas”), mas não deixou de transcrever a matéria do Independent. Pena que não tenha reproduzido o título de primeira página do jornal londrino: “O estupro da floresta…e o homem por trás disso”.


O homem, naturalmente, é o megasojicultor Blairo Maggi, governador do Mato Grosso pelo PPS. (Vá lá explicar para um inglês como um filiado ao partido descendente em linha direta do velho Partidão pode ser ao mesmo tempo, na versão do Independent, “um fazendeiro milionário e um político sem compromissos”.


Na improvável hipótese de que o Planalto não soubesse o que é notícia brasileira no exterior, com n maiúsculo, bastaria o exemplo do dia de ontem.


Da notinha de Rohter sobre a mudança de alinhamento da bancadinha do PV ao materião da seção Global Agenda, da edição on-line da Economist (“A economia viceja, as florestas desaparecem”), o produto brasileiro mais consumido pelos estrangeiros na hora de se informarem sobre o mundo chama-se ambiente.


Como me dizia há pouco alguém que sabe das coisas: “Lá fora, somos antes de tudo uma imensa floresta cercada de pobres por todos os lados.”

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