Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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O caso Nardoni e o novo fenômeno midiático da classe C

Por Carlos Castilho em 27/03/2010 | comentários

Hoje em dia não dá mais para discutir um fato, dado ou fenômeno sem levar em conta o papel da mídia. Todo mundo sabe disto, mas a grande dificuldade é identificar onde a mídia interferiu e onde ela não tem uma função decisiva.


 


A condenação do casal Nardoni é um bom exemplo disto. O julgamento dos acusados foi um espetáculo midiático onde os grandes protagonistas não foram os jornalistas mas o público que ficou do lado de fora e os participantes do juri. Enquanto na fase das investigações, logo após o crime, a imprensa foi determinante na definição de ênfases, no julgamento ela se limitou a armar o palco.


 


O jogo de cena dos advogados, testemunhas e parentes era natural e faz parte do script. O que surpreendeu foi a reação do público, que acompanhou o julgamento como se estivesse participando de um BBB ou de uma novela. Este envolvimento da platéia é que precisa ser discutido e estudado porque pode embutir algumas surpresas para quem procura fazer uma leitura crítica do que a mídia apresenta.


 


Observando pela televisão, a maioria das pessoas que se aglomerou em frente ao Fórum de Santana, em São Paulo, para acompanhar o julgamento era formada por pessoas da classe C, muitos dos quais jovens e com predominância de mulheres. A classe C é o grande fenômeno social contemporâneo graças à sua crescente visibilidade por conta do aumento do seu poder de compra.


 


A classe C é o grande filão de público para a TV aberta porque a população com maior renda já migrou para a TV a cabo ou para a internet. Foi a classe C que esteve na origem do fenômeno midiático dos Nardoni. É bom lembrar que tudo começou quando, há dois anos, a TV Record apostou na cobertura do crime e conseguiu uma empatia imediata da classe C.


 


Ao perceber o sucesso da concorrente, a Globo entrou pesado no jogo não por interesse jornalístico ou informativo, mas por razões basicamente comerciais. A estratégia era não deixar a audiência da Record disparar porque isto significava perda de pontos no IBOPE e queda do valor do minuto comercial. A Globo não estava tão preocupada com a perda de pontos, mas com o custo da recuperação dos telespectadores perdidos para a concorrente. O custo, segundo os especialistas, é oito vezes maior do que o prejuízo líquido da perda de um ponto.


 


A partir daí o caso Nardoni se tornou uma estratégia comercial e as regras do jogo da cobertura passaram a ser determinadas por esta opção. Mas o público ficou confuso e não teve a chance identificar o que era da natureza do caso e o que era interesse comercial da mídia, disfarçado de jornalismo.


 


A lógica de mídia é facilmente identificável, mas o mesmo já não acontece com a identificação das causas que levaram a classe C a se interessar pelo caso. É muito importante estudar este fenômeno porque ele pode estar associado a determinados comportamentos políticos deste segmento social, que tem a tendência a posições radicais, para compensar sua dificuldade em entender situações complexas. Ela não entende porque não lhe dão informações.


 


A palavra chave na mobilização popular em torno do julgamento foi impunidade. As pessoas não queriam que o casal saísse impune. As razões para este comportamento são várias e seria muito interessante conhecê-las em detalhes para poder entender melhor o perfil comportamental deste segmento social cuja presença midiática é cada vez maior.


 


O processo de diferenciação de interesses e contextos num caso como o dos Nardoni é complexo porque a mídia é a responsável por 95% das informações recebidas pelas pessoas.  Assim, a mídia escolhe os crimes que vai cobrir e com isto a população é induzida a participar segundo regras e cenários que ela não escolheu, e que na maioria das vezes ela nem consegue distinguir.


 


A tendência da classe C para posições extremas é muito perigosa em termos políticos porque pode ser facilmente manipulada pela mídia, pelos argumentos citados acima e que são apenas uma tímida tentativa de entender o que está se passando, além das câmeras e microfones.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/04/2010 Carlos Fradique Mendes

    O texto é assaz frágil e aponta para conclusões precipitadas. Primeiro ponto: o direito à informação está previsto na Constituição do Brasil. Isto não indica que uma cobertura midiática contrária aos réus seria necessariamente prejudicial ao casal haja vista que a racionalidade processual não tem nada que ver com (des)razão laica apresentada pelas instituições de imprensa. Segundo ponto: não entendo o razoabilidade de um argumento que afirma que os protagonistas na cobertura do caso seriam jornalistas. Estes não são atores dos fatos!Terceiro ponto: Não vejo problema na hipótese da TV Globo ter realizado a cobertura do caso por razões comerciais. Imprensa também é negócio! Não se pode ser puro e-ou ingênuo em análises sobre a conduta e os interesses (in)confessáveis das instituições de imprensa. Quarto ponto: < A classe C tende a posições radicais >, diz o articulista. Como conceituar classe C e generalizar a existência de ? A generalização é leviana. Quinto ponto: Obviamente, as instituições de imprensa escolherão os crimes de maior repercussão. Qual o problema? Precisamos deixar a tutela do Estado e das mídias. Devemos cooperar com elas, defender as suas respectivas funções ,mas, não podemos ser por elas manipulados. Estou a enviar minha contribuição ao debate. Agradeço ao autor pela publicação do texto e pela possibilidade de contraler os argumentos dele.

  2. Comentou em 01/04/2010 José Paulo Badaró

    “A tendência da classe C para posições extremas é muito perigosa em termos políticos porque pode ser facilmente manipulada pela mídia…” – Bem! Se isso não implica em discriminação, em taxar a classe C de ignorante (ou burra, como aqueles que foram direto ao ponto), então é uma questão de impropriedade verbal… A explicação que se seguiu, no sentido de que a classe C não é burra, mas que não dispõe de fontes de informação confiáveis, é pior ainda. Tome-se, como exemplo, o massacre da mídia golpista contra o governo Lula. Não há como negar que a Veja, Folha, Estadão, Globo, etc, fazem a cabeça das classes A e B, com ou sem tv a cabo. No entanto, por mais que se esforcem não conseguem fazer a cabeça da chamada classe “C”, já que a popularidade do governo Lula é cada vez maior! Oras, diante disso, quem, no final das contas, é mais facilmente manipulado pela mídia?!? As classes A e B que devoram e engolem sem refletir o que o PIG lhes entrega a título de informação de primeira, ou o cidadão comum que assiste ao massacre de forma impassível, serenamente, sem mudar de opinião?!? No mais, não entendi porque a classe C teria tendência (sic) à posições extremadas! Será algo genético ou hereditário?!? Só para exemplificar, em 64 aqui, e em 2009 em Honduras, as classes A e B, manipuladas pela mídia, deram total apôio a golpes militares. Afinal, quem tem tendência a o que?!?

  3. Comentou em 30/03/2010 Thiago Beleza Beleza

    Cristiana… e vc não saiu de casa pq? Por não fazer parte da classe C? è simplesmente disso qu eu to falando…. sujeição a manipulação não tem relação direta com poder aquisitivo… DIzer que as pessoas que estavam lá, fazendo circo, representam uma classe social e, pior, só estavam lá por pertencerem a essa classe (já que as demais não foram manipuladas pela mídia), é discriminação e generalização…

    Senti isso ao ler que as classes mais abastadas, mirgaram pra internet ou TV a cabo, como se estes fossem privilégios dos seres iluminados intelectualmente…

    Dizer que a claasse c esta mais vulneravel pela pouca instrução é um olhar paternalista.. como se fôssemos um bando de coitados… Ledo engano…

    Sobre o caso do julgamento, específico… o julgamento precipitado, fale por vc.. Pefiro o benefício da dúvida, sempre…
    não entrei em momento algum no assunto, justamente por não ter informações suficinetes sobre o caso… faço parte da classe C (do ponto de vista economico) mas sou a exceção a regra do autor.. não sei se eram inocentes ou culpados e msm na possibilidade de serem culpados, não entendo as motivações uqe os levariam a fazer, o que pode significar que não fizeram….É uma lógica simples, de não opinar sobre aquilo que não se conhece…

  4. Comentou em 30/03/2010 Cristiana Castro

    Bem Thiago, vc insiste em entender como um fenônemo de classes. Tudo bem, nesse caso, vc eve ter um boa explicação para essa mesma classe C não render-se aos apelos midiáticos, no caso de Lula, por exemplo. O que está se discutindo é o fato de tomar-se como verdade uma informação, qdo não se tem a vivência do contraponto., ou ainda, o que não parece ser político está livre de manipualções. E, ainda, se o público alvo é específico e o oder de manipulação está restrito aos meios inteligentes,pq a campanha contra as cotas exigiu uma tese de doutorado, ou sei lá de que? Vc acredita mesmo que aquela embormação não convenceu a classe mega letrada AA? A manipulação ocorre em todos os níveis e funciona, sempre que a experiência pessoal é nula ou favorável. Eu pergunto a vc, de onde tiramos a certeza absoluta de que o tal casal é culpado pelos crimes? Intuição? Lemos o processo? Tivemos acesso ao laudo pericial? Vc mesmo tirou suas conclusões baseado em que? E, se eu te disesse que a madrasta tem um amante que já estava no apto e que qdo o pai desceu, calçou os seus chinelos e jogou a criança em conluio com a amante? Do mesmo jeito que o Brasil inteiro, eu tb acho que o pai e a madrasta são os culpados, mas acho pelo que vi e li na Imprensa, eu já tinha julgado os dois sem saber de, absolutamente, nada. Mas o que me moveria a ponto de sair da minha casa e ir para porta do Fórum? Nada.

  5. Comentou em 30/03/2010 Thiago Beleza Beleza

    Sobre isso comentei no meu blog… é quase uma unanimidade que pessoas mais pobres são automaticamente vulneráveis a manipulação (em outras palavras, burras)…INsisto qeu esse fenômeno não está diretamente ligado ao pder aquisitivo. Esse tipo de afirmação, isenta pessoas de maior poder aquisitivo, criando uma idéia falsa da existência de uma elite intelectual, criada pelo tamanho da sua conta bancária…

    Enquanto isso, centenas de jovens das classes menos favorecidas estão ngrossandoa fileira da nova geração de poetas, artistas, intelectuais…

    É um estigma….

    E essa afirmação é tãoincorreta.. basta olhar a profissão dos comentaristas…fazer uma afirmação sem ter real conhecimento do setor social ao qual se referem, é trabalhar com conceitos obtidos por onde? Pensem com a própria cabeça…. pensem antes de falar….

    Não dissertem sobre o que vc´s não conhecem….

  6. Comentou em 30/03/2010 Cristiana Castro

    ( cont. ) que ele tivesse pensado bem e mudado de opinião. No caso desse texto, a intenção do alerta ou informe, é clara. As informações vieram da TV, atngiram o alvo, ou seja, telespectadores da TV aberta, a produtora do ‘ evento´, e não apenas, consumram essas informações, como passaram a agir em função delas. É muito mais um teste para o poder de manipulação da TV aberta, ou seja, um medidor de poder de ação do que uma discussão acerca de classes sociais. Entender quem estava como platéia do show e pq passou a ação, sem conhecimento dos fatos é de importância vital para qq pessoa interessada em comunicação social. Hoje foi um julgamento, ontem foi uma passeata pelos royalties, amanhã… Parabéns, pelo texto, Castilho, excelente reflexão. De minha parte, fiquei sem saber, afinal, qual a MOTIVAÇÂO, dos acusados. Independente do resultado do jurí, o que ficou para mim foi um crime, sem testemunhas, sem confissão, sem motivação e uma condenação baseada em provas periciais. Insisto, que acredito na autoria do crime por parte dos acusados, mas que para o tamanho do circo, sobrou palhaço e faltou espetáculo, eu teno certeza.

  7. Comentou em 30/03/2010 Cristiana Castro

    Já li o texto três vezes e por isso, demorei a comentar. Sinceramente, não consegui enxergar onde os muitos comentaristas detectaram, preconceito com relação a classe C. No meu entendimento o texto refere-se ao público alvo das reportagens. E, sim, o público alvo da TV aberta é mesmo a classe C. Se não pudermos localizar uma questão não teremos como resolvê-la. Vamos sair do caso Nardoni e vejamos a passeata dos Royalties do petróleo, as TVs convocaram para uma passeata e lá se forma 100 mil pessoas, sem, ao menos, entender o que se passava. Ser manipulável, não significa ser burro, temos uma tendência a crer no que nos é dito por pessoas/instituições que consideramos confiáveis. E é nesse sentido que o texto alerta para uma possível manipulação dessa confiança ( e não da inteligência ) do segmento, que confia numa determinada fonte de informação. Enfim, o meu entendimento, o texto é um alerta. Até pq, todos nós já estamos carecas de ‘ conhecer’ os articuistas do OI e, portanto, elementos suficientes para ter absoluta convicção que o autor não faz o estilo seletor de castas. Pode parecer pouco importante mas, ‘ conhecer’ o autor já é metade do texto lido. Se um de nós lesse um texto de Reinaldo Azevedo, defendendo o PNDH3, imaginaríamos que o autor ou teria pirado ou estaria sob a mira de uma pistola ao escrevê-lo, mas não passaria pela cabeça de ninguém ( cont. )

  8. Comentou em 30/03/2010 Wagner Borella

    Caro Carlos Castilho,

    Primeiro temos que definir em âmbito geral o que realmente é a classe ‘C’ que hoje realmente está em evidência graças ao seu poder de consumo.O fato é que está classe social está crescendo não apenas como consumidor,mas como poder intelectual, ou seja, temos diversos universitários que se enquadram nesta classe econômica. O que quero indagar sobre o texto, que por sinal está bem escrito, é se a classe que estava presente no julgamento não era talvez a ‘D’ ou ‘E’, pois essa classe ainda não teve o privilégio de ter um amadurecimento intelectual para poder ter uma visão critica sobre o caso Nardoni. Veja bem, estamos falando de um Brasil que almeja alcançar liderança e visibilidade mundial. Essa questão do ‘povão’ ir às ruas caberia um estudo muito aprofundado, inclusive no âmbito sociológico.
    Por fim, deixo claro que também não sou a favor do ‘circo’ que foi criado, mas também não sou a favor dessa forma ‘taxativa’ que a classe ‘C’ foi submetida. Tivemos um das piores crises globais,inclusive um dos males da globalização, não esqueçamos que foi o mercado interno que ajudou o país, ou seja, o povão acatou as ordens do nosso excelentíssimo Sr presidente à consumiu sem medo.
    Até mais…

  9. Comentou em 30/03/2010 Hélio da Rosa Machado Machado

    De fato a imprensa mercantiliza a informação e isso é perigoso na media em que mostra apenas um lado. O advogado dos réus tinha plena razão quando dizia que o Conselho de Sentença poderia fazer um prejulgamento e os debates em plenário se transformarem apenas num formalismo de resultado único. Essa tal de classe C que você muito bem demonstra no seu artigo, não está preparada para enxergar além da notícia. Alguém já conseguiu imaginar a hipótese do casal ser inocente? Imaginar o martírio de alguém ser condenado nessas circunstâncias?Os próprios jurados tinham uma missão desagradável, pois caso não condenassem caíriam na desaprovação popular e seriam outras vítimas das vais feitas ao advogado. Esse profissional só fez o seu trabalho. Vaiar o advogado é o mesmo que vaiar o pedreiro de uma obra. Não há diferença alguma porque ambos estão trabalhando…Enfim, esse julgamento foi marcado pelo desrespeitos aos princípios constitucionais, pois até os réus (mesmo culpados), tem direito a um julgamento sereno e sem presunção de resultado, o que não ocorreu no presente caso, por força de um imprensa que a tod custa só queria alcançar pontos no ibope. Alguém que comentou fala em arena dos leões. Certíssimo, os réus forma colocados no alcapão para serem comidos pelos bichos ferozes…

  10. Comentou em 30/03/2010 José Albino

    Caro Castilho, é muito triste constatar que você esta absolutamente certo, bem como o comentarista Ibsen Pinheiro. Triste pois parece que esses espetáculos com a desgraça alheia são como um ópio para as classes que somente tem como informação a TV aberta, Datena, Record, Globo, e todo esse abismo de desgraças. Seu texto esta corretíssimo, embora possa soar polêmico e agressivo, e muitos leitores não entenderam sua mensagem. Mas é a pura realidade. No caso em questão, a imprensa ( principalmente a televisiva) conclamou todos a ser trasformarem em juízes, promotores, jurados, levou todos ao “coliseu”, soltou os leões e promoveu o espetáculo, lucrando ( e continuará a lucrar) com um aspecto triste da natureza humana, porém absoluta e inegavelmente humana. A sombra jungiana manifestando-se na natureza humana. Ao saber que a multidão agrediu o advogado de defesa, gritava palavras de justiça e vingança, tentou agredir o caminhão dos réus, pensei no quanto essa multidão se aproximava dos atos dos réus julgados entre outras coisas por uma atitude de extrema covardia contra a criança. Quase assistimos a aplicação sumária da lei de talião, promovida pela imprensa que lucra com a desgraça humana. Triste, muito triste.

  11. Comentou em 30/03/2010 Sabrina Alves

    É o pós modernismo transformando tudo em espetáculo passível de ser vendido e pela metade, não fornecendo ao público informações suficientes para assumir uma posição de forma pensada…triste.

  12. Comentou em 29/03/2010 Jair Vaiana

    O delírio das pessoas em frente ao Fórum de Santana,de certa forma serviu para comprovar que a mídia sensacionaliza o fato, dependendo deseu interesse nos números do Ibope.Outra questão que precisa ser discutida é até onde vai a resposnabilidade dos veículos na cobertura de casos como o de Isabella.A imprensa levou o povo a fazer uma comemoração, com direito a fogetório e tudo mais, diante de uma desgraça que estava sendo tratada entre quatro paredes, no Judiciário. Havia razão para comemoração? De um lado,a família enlutada e de outro, uma família dividida entre a perda da neta e a prisão dos filhos.É pouco?

  13. Comentou em 29/03/2010 A Loureiro

    Caro Ibsen, concordo cum sua frase ‘a falta de uma formação de qualidade nos bancos escolares fragiliza muito a capacidade de entendimento e discernimento das pessoas’. Mas, não devemos nos esquecer que isto não ocorre só na classe C (e nas D e E). Ocorre também, e muito, nas classes A e B. Vivemos num país em que a cultura é pouquíssimo valorizada. E falo de cultura de uma maneira ampla. Se fizermos uma pesquisa, veremos que a maioria da população, mesmo os que constituem as classes A e B, não é capaz de citar, por exemplo, quais as 27 unidades da federação e suas capitais. Não são capazes de dizer qual o valor aproximado do nosso PIB, qual a estrutura do nosso governo, quais os 4 símbolos oficiais do Brasil, etc. Mas esta mesma população é capaz de citar os personagens (e atores) das novelas que estão no ar e citar todos os participantes do BBB. Resumindo, dizer que este é um problema da classe C, é ser muito simplista. Talvez a multidão que estava em frente ao fórum fosse constituída majoritariamente pela classe C porque é a classe (junto com D e E) que mais sente a impuidade que reina em nosso país, já que normalmente não têm quem os defenda.

  14. Comentou em 29/03/2010 Ibsen Marques

    Caro A. Loreiro, concordo em parte com você, mas como lembrou o Julio Prático, a falta de uma formação de qualidade nos bancos escolares fragiliza muito a capacidade de entendimento e discernimento das pessoas. De qualquer forma eu considero que se você só possui uma fonte de informação terá mais dificuldade em ver o problema por outros ângulos. De qualquer forma concordamos no principal que é a incapacidade da mídia de oferecer uma informação de qualidade ao seu usuário e a luta desse observatório é exatamente aprofundar a discussão sobre o desempenho da mídia e seu papel na sociedade. Digamos que talvez tenha havido uma conjunção de fatores que desembocaram no radicalismo que vimos na parte externa do tribunal. Digo radicalismo não pelo apoio à condenação, mas pela forma como aquelas pessoas encararam os parentes dos réus.

  15. Comentou em 29/03/2010 Aldo Jung

    Parabéns, Castilho. Escrevi algo parecido no meu blog. Veja se concorda: http://coisasdoaldo.blogspor.com.

  16. Comentou em 29/03/2010 jeni melo romão romao

    Retificando: Mas certamente o que se viu na área externa do Tribunal de Santana foi uma mistura de todas as classes e um comportamento inaceitavel.

  17. Comentou em 29/03/2010 Julio Prático

    A Loureiro, concordo com você, mas é preciso aceitar os fatos. Nossa gente mais humilde é realmente muito manipulável, não por serem humildes, é claro, mas pela falta de qualidade no ensino e da mídia exploratória. Isso para mim fica ainda mais claro quando voltamos nossa atenção para os ‘produtos culturais’. Há uma máquina muito bem estruturada nesse país para ‘criar modismos’, e com eles vender milhões de livros e CDs. O interessante é que a moda tem período curto, uns 02 a 03 anos, aí vem outro estílo, seja o pagode, seja o axé, seja a lambada, seja um grupinho juvenil americano ou latino, um carrossel de música ruim e previsível que vende como água por um período. Isso para mim é o supra-sumo da manipulação, percebe o direcionamento? Percebe a mídia dirigindo a cabeça e o gosto dessas pessoas? A classe C não é o único alvo, mas é o maior em volume, em arrecadação apesar da pirataria, e infelizmente o mais prejudicado com isso.

  18. Comentou em 29/03/2010 A Loureiro

    Prezado Ibsen, o que o autor do texto falou foi que a ‘classe C pode ser facilmente manipulada pela mídia’. O que isto significa senão que esta classe não pensa, não tem raciocínio? A propósito, que diferença há, no caso Isabella, entre a informação dada pelas TV´s abertas e as pagas? E entre estas e a mídia impressa? Não vejo muita diferença. Como costumo dizer, ‘o Brasil é um país que cresce, mas não se desenvolve’.

    Esta imprensa tendenciosa existe por várias razões, entre as quais, o fato de sermos uma sociedade escravocrata, onde ainda mandam os ‘coronéis’, isto é, as oligarquias, o 1% da população que detém 50% da renda nacional. Este sim é um dos grandes problema e praticamente ninguém quer mudar esta situação, nem a classe baixa, nem a média, nem a alta. Concluindo com outra frase que costumo dizer: ‘somos um país, mas não uma nação’.

  19. Comentou em 29/03/2010 Ibsen Marques

    A. Loureiro, se você prestar atenção ao oitavo parágrafo, verá que o Castilho em nenhum momento se referiu à classe C como burra. O que ele disse é que os meios de comunicação a que essa classe tem acesso informam mal e propositadamente mal. A tendência à radicalização é um fenômeno que atinge às pessoas com lacunas nas informações que recebem, sejam elas da Classe A, B ou C. É mais ou menos o que diz aquele ditado: A violência é o argumento de quem não tem argumento e, não é possível munir-se de argumentos quando as fontes de informação disponíveis os omitem propositadamente tratando o assunto como puro sensacionalismo. Nessa hora eu gostaria de ver a análise do professor Dallari sobre o julgamento. É como eu disse anteriormente, esse caso serviu para aplacar a ira da população contra a impunidade e contra a ineficiência da polícia e do judiciário e, engana-se quem acredita que ‘daqui para frente tudo vai ser diferente’ e esse caso serviu como um novo paradigma de nosso sistema de justiça. Verão que foi exatamente ao contrário.

  20. Comentou em 29/03/2010 Julio Prático

    Carlos Castilho, dê uma olhada no texto do Washington Araújo – ‘Quintessência da Frivolidade’. E veja que há comentáristas que afirmam categoricamente que programas televisivos não afetam ou influenciam a sociedade. Seu texto contradiz essas pessoas, a começar pela frase: ‘ acompanhou o julgamento como se estivesse participando de um BBB ou de uma novela ‘. Pronto, você já disse tudo. Na ausência de uma educação de qualidade, quem educa e transmite cultura é a TV.

  21. Comentou em 29/03/2010 Antonio Pasolini

    Esse caso demonstra que o Brasil é um país medieval, onde as pessoas
    consideram o linchamento uma forma de punição. Eu queria saber quem
    são as pessoas que ficaram do lado de fora do fórum? Eu tenho a
    impressão que é gente louca para aparecer na TV, nem que seja por um
    minuto. Esse caso não tem nada a ver com impunidade e justiça, e tudo a
    ver com o vazio cultural dos nossos tempos.

  22. Comentou em 29/03/2010 A Loureiro

    Na falta de ter o que escrever, o Sr Carlos Castilho resolveu escrever qualquer coisa e se saiu mal. Com certeza, a classe C não foi a única a acompanhar o episódio. E mais, chamar a classe C indiretamente de burra é um grande preconceito, típico de coronéis de uma sociedade escravocrata.

    Admiro-me de ver um articulista do OI redigindo um texto desta forma. O que ocorreu no caso Isabella Nardoni foi a reação popular (de todas as classes) diante de um episódio que aparentava ter um desfecho diferente do que vemos todos os dias, que é a total impunidade.

    Não estou afirmando que os Nardonis eram de fato culpados, pois a única coisa que havia eram algumas evidências, mas nenhuma cabal. O que digo é que a sociedade está farta de ver tudo terminar em pizza, incluindo muitos homicídios (Pimenta Neves, p.ex.). Daí, quando se vislumbra um julgamento onde ambas as partes podem apresentar suas teses, há um juiz de boa reputação à frente do caso e os jurados são escolhidos de forma democrática (sem a interferência de ‘fatores humanos’), o sentimento geral é que desta vez, pelo menos, não acabará em pizza. Por isto a comoção popular.

  23. Comentou em 29/03/2010 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Discordo. A visibilidade do caso Nardoni ajudou a RECUPERAR
    alguma CREDIBILIDADE do Poder Judiciário, para que o Poder
    Judiciário continue exatamente como está: lento, custoso e duvidoso.

    Você sabe quantos casos criminais prescrevem sem sentença? Você
    sabe quantos réus estão presos e já tem direito a benefícios?

    Acorde, meu caro. O show judiciário só beneficiou os JUIZES. Agora
    eles podem continuar lerdos, ineficientes e ‘duvidosos’ e até vão
    poder reivindicar um AUMENTO dos privilégios e dignidades.

  24. Comentou em 29/03/2010 Ibsen Marques

    Eu acho um precedente muitíssimo perigoso prmomover uma sentença de acordo com o clamor popular. Quer dizer: como o povo se revoltou, então, 30 anos. Se o caso tivesse sido abafado, pouco divulgado, como dois casos citados por um dos comentadores, então, tudo bem, a pena poderia ser mais branda;poder-se-ia chegar até à absolvição. Pensei que as leis e a justiça tivessem uma função diametralmente oposta, isto é, promover um julgamento livre de paixões para que se garantisse a justiça e a punição e não somente a promoção de uma vingança. Esse caso foi nitidamente uma vingança contra todas as falhas de nossa polícia e de nosso judiciário em outros casos. Assim aplaca-se o clamor popular. É bom que se tenha em mente que a maioria dos casos que aparecem e que alimentam o clamor popular são justamente casos em que as vítimas pertencem às classes mais favorecidas. São os relógios Rolex de um apresentador da Globo ou de um Ministro do Supremo, o assassinato de uma criança ou um senhor da classe média alta e por aí vai. Não importanto a que classe social pertenciam os manifestantes, o fato é que pareciam uma turba enfurecida que, não satisfeitas com a condenação, ameaçaram atacar os familiares dos réus, pixaram-lhes a casa etc. Se promover o linxamento de pessoas, culpadas ou inocentes, é o melhor que podemos fazer com nosso senso de justiça creio que nossa sociedade agoniza.

  25. Comentou em 29/03/2010 Jeni Melo Romão Romão

    Bem, obrigada pelo retorno. Vamos deixar de lado essas
    considerações que são apenas teoria, uma maneira de ver a terrível
    realidade cotidiana. O que realmente deve importar é que não
    podemos aceitar a mentira comprovada e a violência, aconteça onde
    acontecer. Show temos assistindo todos os dias: as estórias de
    Brasilia, da Igreja Católica esconde sob o tapete a sujeira da
    Pedofilia, O que não podemos aceitar é que a imprensa hoje mais real
    e menos mentirosa não tenha liberdade de prosseguir no seu trabalho.
    Não nos importa se está assegurando ou não a audiência. Muitos que
    não estavam lá assinam embaixo a decisão do juri nem por isso fazem
    show. Mas certamente o que se viu na área externa do Tribunal de
    Santana é uma mistura de todas as classes e também não é
    aceitavel.

  26. Comentou em 28/03/2010 Emily Cardoso

    sem dúvida, esse caso virou um show, impulsionado pela mídia. A multidão que se aglomerava na frente do tribunal vibrou com o resultado, como se estivesse numa torcida de futebol. Juro, tive medo do que vi, tenho medo de descobrir para onde nos encaminhamos. Com a saída dos culpados, de volta à prisão, a turba, ainda insatisfeita, avançou aos berros, com fúria e socos para os caminhões. A multidão clama por pena de morte, isso sim. Não tem nada de diferente com os espetáculos sangrentos promovidos em praça pública na Idade Média, para alegria do povo. Enquanto isso, na casa da família de Isabela, a mãe super-star surge na sacada, acenando à massa, após o julgamento. Justiça se fez? Pelo visto, não. A população se diz frustrada com o resultado, uma vez que o casal poderá sair antes do tempo da pena. Além disso, a defesa tenta pedir anulação do julgamento. Ao que tudo indica, o show ainda continuará.

  27. Comentou em 28/03/2010 Ovilton Carlos de Oliveira

    Fiquei surpreso pela admiração do autor diante da reação popular no caso Isabella. Pelo menos o brasileiro tratou de uma coisa séria nessas últimas semanas, o que é difícil de acontecer. Agora, culpar os brasileiros da classe C é brincadeira, né? Como assim ‘eles tem tendência a posições radicais’? O problema da manipulação midiática, ou de qualquer outro tipo, é simples: ‘pensar dá trabalho.’.. Então, fico com a maioria!rs. Mas isso não é particularidade da classe C. É cultural, mal do brasileiro (sem querer generalizar, tá?). O importante nessa história é que o desfecho foi um raio de esperança para a Justiça brasileira. Isso sim deve ser ressaltado!

  28. Comentou em 28/03/2010 João Boaretto

    Carlos Castilho, delimitando o que você falou a respeito da classe c, por influência da mídia, ser adepta de posições mais radicais, no tribunal do juri isto é ALARMANTE em uma situação: O tribunal do juri, absolve uma maioria esmagadora dos réus, que mataram ou tentaram matar alguem que tem uma ficha criminal mais ou menos ‘bandida’, pergunte para algum promotor de jusatiça se é fácil condenar PM ou alguem que assassinou algum bandido?
    A mídia está fomentando o espírito da siciedade a participar da luta contra a violência, mas infelizmente, se isto é feito de modo meramente comercial e tendencioso, o resultado será uma sociedade cada vez mais estúpida, agressiva e radical, e qualquer semelhança entre a sociedade brasileira e a sociedade novaiorquina da década de 20, NÃO será nenhuma coincidência, pois sem bom senso algum, o que vigora é a tolerância zero.

  29. Comentou em 28/03/2010 Thiago Beleza Beleza

    Carlos Castilho… Entendo perfeitamente que vc não tenha a intenção de estigmatizar a classe C… mas o fato é que isso ocorreu… A Ana foi fabulosa em comentar, que este setor não foi o único manipulado…

    Fato é que a maior parte das pessoas pobres não tem acesso a informação (ou não a buscam)… estou dentro e sei bem como é… Defendo muito q as pessoas sejam críticas e intelectualmente autônomas…

    O ponto é que isso não está ligado diretamente a poder econômico. Não é a faixa salarial que define a vulnerabilidade de uma pessoa. Também sei que não foi isso que vc quer dizer, mas ofi exatamente o qeu vc disse ao taxar as pessoas de não entenderem o que se passa…

    insisto, isso não tem relação com classe social… Um diretor de uma multinacional..

    Avaliar dados estatísticos por si só, sem uma análise específica, gera esse tipo de problema, e isso é um fato.. A análise deveria ser mais ponderada nesse sentido…

    De qqr forma, fiquei feliz pela atenção aos comentários e pela resposta esclarecedora…

  30. Comentou em 28/03/2010 Júnio Vitor de Paula

    Não concordo com o texto do autor. No Brasil tem muito isso… de muita gente querer entrar em brigas de emissoras! Uma é melhor que a outra, não sei o que… etc! Esse autor, no mímimo, deve ser da Record. E no final. assiste TV quem quer… escolha a TV e o canal que bem entender! É isso ai…

  31. Comentou em 28/03/2010 Ronald Stresser Jr

    Nota-se que os telejornais da TV aberta apelam cada vez mais ao rodrigueano noticiário policial… isto certamente é reflexo da TV por assinatura que concentra, em sua maioria, assinantes das classes A e B… para aclasse C fica a ´nova´ linguagem da televisão brasileira. Mostram só o que é de interesse do público quando deveriam mostrar o que é de interesse público. Em compensação o rádio vem melhorando a cada dia sua linguagem e programação de um modo geral, excluíndo aí as rádios de movimentos religiosos, a melhora tem sido perceptível. Noticiário policial serve só pra dar show, propagar a miséria humana e deixar as pessoas com medo. No caso dos urubus também alimenta… pra quem gosta de carne podre, bom apetite!

  32. Comentou em 28/03/2010 Simone Bortoliero bortoliero

    Caro colega
    Concordo com o fato de que a mídia escolhe os crimes que vai cobrir, justamente porque no território nacional milhares de crianças estão desprotegidas e sofrem violência sexual, agressões, são assassinadas por polícias, por vizinhos, parentes e amigos.
    Aqui na Bahia temos casos tristes envolvendo jovens pobres e negros sendo assassinados nos bairros onde o poder do tráfico impera. A gente não ve nenhuma cobertura de mídia destes casos, como a que foi realizada no caso Nardoni. Mas o que mais me chamou a atenção foi a promotoria usar a ciência como prova para concluir sua acusação. A cobertura é tão nefasta que não discute que modelos científicos, calculos matemáticos, trajetórias de corpos podem estar errados. Muito interessante, relembrar o caso Badan Palhares na definição de um método científico para medir o corpo de PC Farias na mesa cadavérica do Instituto Médico Legal.
    Desta forma ficou a nítida impressão de que realmente as provas são verdadeiras, não quero aqui discutir se o casal é culpado ou não, mas sim que a mídia é sim responsável pela condenação do casal e pela comoção que causou seja na classe C,D ou E, A ou B.

  33. Comentou em 28/03/2010 Vinícius de Souza

    Esse texto é ridículo e só consegue provar a baixa capacidade intelectual do autor. Eu sequer posso acreditar que, com a base teórica de que dispõem as ciências humanas atualmente, leiamos um baboseira dessas: ‘É muito importante estudar este fenômeno porque ele pode estar associado a determinados comportamentos políticos deste segmento social, que tem a tendência a posições radicais, para compensar sua dificuldade em entender situações complexas.’ Carlos Castilho, o senhor está terrivelmente enganado!

  34. Comentou em 28/03/2010 José Paulo Badaró

    (1)“Observando pela televisão, a maioria das pessoas que se aglomerou em frente ao Fórum de Santana, em São Paulo, para acompanhar o julgamento era formada por pessoas da classe C… “ Eu não me atreveria a fazer uma análise dessas apenas com base nas imagens da televisão, embora a zona norte de SP não seja lá, realmente, nenhum reduto da elite paulistana, mas tenho certeza de que o pouco ou muito da casta privilegiada estava lá representada, muito bem instalada dentro da sala de audiência. A afirmação de que a classe C não é burra, mas que não dispõe de boas fontes de informação, é a própria emenda que ficou pior do que o soneto. Há muito anos, num caso rumoroso que envolvia o bom vivant Doca Street e a “pantera de Minas”, a socialite Ângela Dinis, as classe A e B – que desde então eram “bem” informadas através da Veja, Estadão, Folha ou Globo – guardadas as devidas proporções, e já que o crime aconteceu na pequena e sofisticada Búzios, causaram estardalhaço ainda maior, ou pelo menos tão performático quanto, eis que o advogado do réu era ninguém mais, ninguém menos, do que o célebre Dr. Evandro Lins e Silva, que fez desse caso o que ele mesmo chamou de o seu “canto do cisne”. A panacéia foi tão grande, o teatro tão evidente que o réu confesso, absolvido nesse julgamento (posteriormente anulado), num segundo júri foi condenado e amargou alguns anos de prisão.

  35. Comentou em 28/03/2010 José Paulo Badaró

    (2) Se o caso dos Nardonis estabeleceu algum precedente perigoso, graças a mídia, a classe C ou os dois, o caso Ângela Dinis / Doca Street foi tão ou mais perigoso, na exata medida em que a opinião pública de então absolveu um réu confesso, graças ao enorme prestígio de seu advogado, ao mesmo tempo em que consagrou uma tese ilegal, imoral, covarde e machista, qual seja, a da chamada “legítima defesa da honra”, pela qual alguns maridos endinheirados (companheiros, amantes), adquiriam o “legítimo direito” de tirar a vida de suas esposas, companheiras, amantes (!). No caso dos Nardonis a opinião pública – da qual a classe C é apenas uma parte – inequivocamente pesou na condenação dos réus, condenação essa no mínimo duvidosa, já que desprovida de provas cabais e insofismáveis da autoria dos crimes a eles imputados, elemento absolutamente indispensável em se tratando de matéria penal, pelo que acredito que será revisto mais adiante, quando os ânimos se acalmarem. Caso contrário afirmará a possibilidade de se condenar alguém com base em deduções ou na “linha do tempo” do promotor Cembranelli, que em síntese que dizer mais ou menos o seguinte: de acordo com cronômetro os criminosos só podem ser vocês!

  36. Comentou em 28/03/2010 Ana Paula V V

    Concordo que apontar a classe C como ‘burra’ não faz sentido algum
    e penso que não foi a intenção do artigo. Mas a questão é que no meio
    da disputa travada pelas emissoras de tv aberta, quem mais foi
    prejudicado com informações altamente tendenciosas, foi justamente
    a classe que tem a Tv aberta como principal fonte de informação. Não
    que outras classes, que tem maior acesso a internet e canais a cabo,
    não tenham passado pelo mesmo processo. Já que no rádio, internet,
    jornal impresso, só se falava no caso Isabella. Mas a questão é que
    na tv aberta houve uma disputa que muitas vezes ultrapassou o ‘furo
    jornalístico’, entrou no sensacionalismo. Acho que limitar a
    inteligência das classes é um erro absurdo mas a classe C (como já
    citado) é a que mais utiliza a tv aberta como fonte de informação, ou
    seja, no meio dessa briga, não há como negar que foram manipulados.
    Agora vale ressaltar, a classe C não foi a única manipulada. O
    importante é avaliar até que ponto a informação (e/ou desinformação)
    está sendo usada para interesses comerciais, audiência, etc., pq isso
    influi diretamente em manifestações como a que ocorreu no Fórum de
    Santana.

  37. Comentou em 28/03/2010 alice franca leite

    Quando ouvi falar no colégio(anos1950…) que a Índia tinha ‘castas’ e ‘párias’ e que na ‘democracia’ grega tinha escravos,eu fiquei muito revoltada achando que ”NÓS’ não tínhamos nada disso aqui
    !Na época éramos MONITORADOS pelo cinema americano e revistas do Readers Digest,pelo ´american way of live´,etc;eu,menina ficava até complexada por não ser RUIVA como a Maurem O´ Hara! Complexo de vira-lata e paraiboca … que fazer? Meus pais diziam que éramos gente de $$$boa$$$ familia mas que infelizmente estávamos agora ‘remediados’,que remédio triste!
    Agora vem a desqualificação da ‘CLASSE/CASTA’ C!!! É dóse! Não tem-se mais escravos: tem-se o salário mínimo,o bolsa isso- e- aquilo e ‘cotas’ até para meu netosurfista que pouco está se lixando para conjugar o verbo ‘fazer faculdade’,onde só irá se for PRESO E ALGEMADO!!!
    Há grandes mudanças a comemorar: é a tal’turba ululante'(cf.Nelson Rodrigues) dando um show de COBRAR DIREITOS/JUSTIÇA: enfim a ‘classe C’ OPINA,INFLUI,DEFENDE A CIDADANIA… e quanto à MÍDIA…esta julga fazer o de sempre: manipular e manipular…
    Mas desta vez foi o justo clamor da classe C que não deixou a peteca cair:uma nova(?) ‘clesse C’composta de todo mundo: advogados, estudantes e gente do Direito junto à justa ira( nem tanto de Deus) mas ira do povo em todas as classes!
    Afinal filhinhos de papai também vão pra cadeia,alvíssaras El-Rei!!!

  38. Comentou em 28/03/2010 Jair Viana

    Cara Sheila Gomes,

    Você tem razão em parte. Porém, o fato de Isabella serde classe média altaa, também pesou na decisão dos veículos sobre o grau cobertura a serdado ao caso. Na semana passada, por exemplo, uma criança de 11 meses, em Mairiporã, depois de esganada pela mãe, sem dó, foi atairada contra a parede pelo padrasto. Ou seja, por ser pobre e por conta do espetáculo em torno do julgamento dos Nardoni, o caso já caiu no esquecimento. Outro caso aconteceu há cerca de quatro anos, em Tanabi, interior de SãoPaulo.
    Neste caso, o ex-namorado de uma mulher, revoltado com o fim do romance, não pensou duas vezes e agiu.Ele pegou o filho da ex-namorada e, segurando pelas perninhas do menino, arremessou a cabecinha dele por mais de dez vezes contra o muro da casada avó da criança, que morreu. A mídia deu uma cobertura pífia para o caso. A criança era de paobre.

  39. Comentou em 28/03/2010 Jair Viana

    A mídia foi a grande ‘prova’ para a condenação dos Nardoni. A imprensa teve papel decisivo, diga-se, lamentavelmente, teve mesmo.Os jurados não julgaram pelas provas. A comoção social e o espaço desproporcional oferecido ao Mministério Público pelos veículos, definitivamente pesaram no resultado.Estamos diante de um questionamento sério: o Tribunal Popular do Júri oferece segurança de aplicação da justiça verdadeiramente justa?
    Não seria o caso de discutir mudanças no sistema? Uma câmara coposta por juízes não teriam isençãoemocional para julgar?

  40. Comentou em 28/03/2010 José Barbosa

    Não entendo o motivo do julgamento sumário do autor do texto. Proponho a seguinte experiência : Copiem o artigo , colem num editor de textos e substituam ‘classe C’ no texto inteiro pelo o que desejarem. Dá até para suprimir,mas aproveitem e tentem absorver algo pois vale a pena.

  41. Comentou em 28/03/2010 Sheila Gomes Soares

    Discordo do enfoque. O caso Nardoni foi clamor público. Certo que há violências contra crianças por aí em escala quase epidêmica, mas este teve pormenores que ninguém pode negar sejam raros: um pai biológico simula um acidente com a própria filha para encobrir o da crime companheira. Isso de Classe C é de uma bobagem sem tamanho.

  42. Comentou em 28/03/2010 Paulo Pastor Monteiro de Carvalho

    Excelente observação, difícil imaginar como essa situação poderia ser mudada, apesar de ser necessário fazer, urgentemente, algo em prol disso.

    A preocupação com o ‘valor ibope’ e não com o interesse público é uma questão fundamental nessa relação midía-público. Por ser uma concessão do estado e ter, segundo a constituição, obrigações com a sociedade, as televisões deveriam se orientar de acordo com outro lógica.

  43. Comentou em 28/03/2010 Carlos Castilho

    Oi Jeni e Thiago, Acho que cometi algum erro na produção do texto, para que vocês tenham entendido que rotulei a classe C de burra. Mas seja lá como for, vou tratar de esclarecer a questão. A classe C não é nem mais e nem menos inteligente que as demais classes sociais, arbitrariamente catalogadas segundo o alfabeto, por especialistas em pesquisas de opinião pública. O que acontece é que a classe C tem menos acesso à informação, o que não é culpa dela e nem define seus limites mentais. É culpa sim de quem reduz todos os fatos e processos a sua expressão mais elementar evitando analisar situações, onde o bem ou o mal não são evidentes, à primeira vista. Hoje vivemos situações sociais cada vez mais complexas e é uma obrigação do cidadão preparar-se para tomar decisões igualmente complicadas. Pessoas que não atentam para a complexidade da realidade são mais facilmente manipuláveis, como mostram inúmeros exemplos históricos. Insisto, a classe C não é menos inteligente. Ela precisa cobrar mais informações da mídia para não ser conduzida pelas classes A e B. Espero ter podido ajudar para compreender melhor a questão. Um abraço e voltem sempre, Castilho

  44. Comentou em 28/03/2010 Alana Freitas

    Não concordo com essa repetitiva exposição do público’ C ‘, preconceito.Já sobre a mídia (em especial a rede Record) são Urubos em busca de carne podre.Exploram esse caso ‘Nardone’ em uma busca interminavel de audiência, transformando um história desastravel, em uma ‘ Novelinha’ .

  45. Comentou em 28/03/2010 Jeni Melo Romão Romão

    Realmente é muito preconceituosa essa classificação de classes, A, B, C. Devemos admitir que todo esse ‘circo’ levou ao público, aqui chamado de ‘burro’ nas entrelinhas, (concordo com o Thiago) uma verdadeira aula magna de Direito. O que foi possível ao público de todos os níveis, foi debater idéias, cada um permanecendo em suas posições, sem que isso chegue à condenação de pessoas. Este papel foi definido por um Juiz e um brilhante promotor que apresentou provas materiais.
    A que classe pertence o “júri popular”? Estariam aqui subjulgando o “júri”???? Ou ele representa apenas a classe dos intelectuais? Pelo que posso entender o “júri” representa o povo.
    O papel da mídia foi relevante. Um meio de esclarecimento e educação. O que o Estado afirma trabalhar e não trabalha.
    “A tendência da classe C para posições extremas é muito perigosa em termos políticos porque pode ser facilmente manipulada pela mídia, pelos argumentos citados acima e que são apenas uma tímida tentativa de entender o que está se passando, além das câmeras e microfones.”
    A imprensa teve sim um papel pedagógico em relação ao Estado, pois, na medida em que pede ao Estado o respeito pela sua liberdade de expressão, ela obriga também o Estado a levar em conta as outras liberdades que não estão separadas da liberdade ética fundamental do homem, que é a sua liberdade de consciência.

  46. Comentou em 28/03/2010 Samuel Lima

    Mestre Castilho, sem dúvida há uma profunda identidade entre a chamada classe C, a nova ‘média’, e o espetáculo no pior estilo ‘panis et circensis’. No entanto, chamou minha atenção a atitude de vários critãos, da tribo jornalística, velhos e novos. Gente como Percival de Souza (tv Record) dizendo que as pessoas que davam porrada nos furgões da PM, que conduzia os Nardoni após a condenação, era a ‘expressão da alma brasileira’ é algo de uma estupidez na fronteira da burrice. Como o jornalista não é uma coisa, nem outra, resta acreditar que ele aderiu à lógica comercial e dantesca do espetáculo midiático, cujo resultado final do julgamento não tinha a menor importância. Fogos de artifícios, comemoração tipo final de campeonato de futebol, celebridades fugazes dando entrevistas aos diversos canais de tv, enfim, uma sandice sem tamanho. Fiquei pensando: e se os jurados houvessem decidido pela absolvição? Quem iria conter a ‘turba’ na frente do Fórum de Santana? É realmente difícil precisar, em termos quantitativos, o peso da cobertura midiática no resultado da juri popular, mas é inegável que o pai e madastra de Isabella Nardoni já entraram condenados. O tempo total de pena foi mero detalhe. Enquanto isso, em Joinville/SC, o Tribunal de Justiça do estado anulava um julgamento que condenara a 20 anos um pedreiro por nulidades e falta de provas…

  47. Comentou em 27/03/2010 adenilde petrina petrina

    A classe C não é burra. Está é cansada e indignada por sofrer tanto descaso, por ter uma educação de má qualidade, um sistema de saúde funesto e ser mal informada por uma mídia manipuladora, de má fé, que lhe sonega informaçoes, mídia essa que está nas mãos de meia duzia de barões que deseja que o povo seja excluído de qualquer processo social e político rumo a uma sociedade mais fraterna. Esses barãoes da mídia posam de democraticos, mas são mentirosos e não dão ao povo o direito de se informar pelas rádios comunitárias que sãosérias.

  48. Comentou em 27/03/2010 Thiago Beleza Beleza

    Olha….imaginar-se membro de um grupo social que, supostamente é mais esclarecido, por, supostamente buscar suas informações em outras mídias, segundo vc, não contaminadas.. não passa de arrogância… a arrogância por sua vez, é o caminho mais curto para a burrice…

    Qual a diferença entre a opnião do Jornal Nacional e o do Globo News?

    Continuo afirmando, isso não tem a ver com classe…Dizer que representantes das classes A e B não estão suscetíveis a manipulação…

    Antes de mais nada, o autor do texto, coloca os meios de comunicação apenas como catalizador de uma opnião radicalizada deste segmento social…

    Discriminação clássica… não espero que a maioria das pessoas entende…

    A começar pelo fato de se acharem superiores pelo simples fato de terem mais ou menos instrução.. mais ou menos poder aquisitivo…

  49. Comentou em 27/03/2010 Rato Metalheart

    Sem dúvida, o julgamento foi um circo.
    O casal já estava condenado antes mesmo que o julgamento tivesse
    início.

  50. Comentou em 27/03/2010 Luiz Felipe da Cunha e Silva

    Artiguinho fraco este. Considerando o que foi este fenômeno de linchamento mediático,
    esperava alguma análise mais consistente…

  51. Comentou em 27/03/2010 Marcos chaves

    Sobre o júri: não houve isenção. A mídia com o seu poder de influência (nefasto, logicamente) interferiu no encaminhamento do processo e estas circunstâncias devem ser analisadas pelos legisladores e tribunais próprios, pois as partes envolvidas no processos, mesmo que inconcientemente, são levadas a ratificar o posicionamento que a mídia a eles impôs. Sobre a mídia: esta descobriu um nicho para quem vender suas futilidades. Àqueles que gostam de um BBB e não podem ligar no dia do ‘paredão’, nada melhor do que lhes oferecer um prato de ‘informação’ travestido de reportagem investigativa e e informativa, em seu contexto mais abrangente. As classes mais abastadas sabem onde se informar e até a que ponto se deixar manipular por coberturas jornalísticas tendenciosas e pueril. Não quero dizer que são melhores em termos de classe, mas são menos suscetíveis em termos comerciais e na formação de opinião. Sobre o julgamento: me senti como nos tempos dos imperadores romanos, pois toda a trama já era conhecida e o roteiro não seria outro, senão que os leões devorassem a ‘presa’, neste contexto, os acudados do crime. Toda a arena, manipulada pelos meios de que dispomos, cumpriu o seu papel descrito para o evento. Até o distinto público, comovido por tão nobre sentimento de justiça, cumpriu o papel de figurantes não decepcionaram o Diretor ou ao imperador – O PODER INFLUENCIADOR DA MÍDIA.

  52. Comentou em 27/03/2010 Ibsen Marques

    Thiago, aparentemente você não entendeu corretamente o conteúdo do artigo. O que o Castilho está dizendo é que a fonte de informação da Classe C é prioritariamente a TV aberta, já as classes A e B se utilizam da TV a cabo e jornais escritos (uma minoria). Sendo a TV aberta a principal fonte de informação o que ela recebe é uma informação tendenciosa e sensacionalista, de acordo com os interesses comerciais das emissoras. Portanto, em última análise, a culpa pela desinformação não é da classe C, mas da imprensa que não consegue ser informativa. De outro lado, o sensacionalismo e o linxamento promovido pela imprensa ao casal à época dos fatos provocou o condenamento imediato do casal, antes mesmo da polícia concluir o inquérito e confirmar a culpabilidade do casal. Para mim, o casal entrou no Juri condenado, a questão foi tão somente definir a pena. Um fato que me causou indignação: foi a incapacidade das pessoas para separar os acusados, agora criminosos, dos parentes. Partiram para cima do carro dos parentes e pixaram as casas dos pais. Os filhos do casal terão suas vidas afetadas por toda ela, não só pelo crime que os pais cometeram, mas pela extensão condenatória que nossa sociedade hipócrita prática. O que vimos as pessoas fazendo fora do Forum, demonstrou o radicalismo e a violência que estamos praticando ao exigir ‘justiça’ . Justiça ou vingança?

  53. Comentou em 27/03/2010 Thiago Beleza Beleza

    Generalização…. Responsabilizar uma calsse social pelo papel da mídia, é dirimir qualquer responsabilidade dos demais setores da sociedade…

    A classe C é a burra, que não entende as coisas, a classe C é a burra, manipulada pela TV…

    Disurso comum…. Mesmo assim, não deixa de ser idícullo…

    Qualquer texto com esse teor (discriminatório e preconceituoso) sobre mulheres, gays, judeus e o escambau, é malhado pela intelectualidade bem intencionada da cidade de SP…nesse caso jnão, ele e mostrado como uma luz de coerência no emio da escuridão da ignorância da pobraiada…

    Definir a classe social das pessoas, olhando pela TV foi o cúmulo do absurdo e de conclusões baseadas no que se ve na TV… enfim, quem é manipulado?

    Um pouco arrogante imaginar que a esclarecida classe média (aquela mesma que vota no sera, que participa do cansei ou faz protesto contra a proibição do bronzeamento artificial) não se deixa manipular….

    MAs quem se importa? Afinal, essas pessoas não vão ler ese texto.. não vão poder defender-se…

  54. Comentou em 27/03/2010 Thiago Beleza Beleza

    Generalização…. Responsabilizar uma calsse social pelo papel da mídia, é dirimir qualquer responsabilidade dos demais setores da sociedade…

    A classe C é a burra, que não entende as coisas, a classe C é a burra, manipulada pela TV…

    Disurso comum…. Mesmo assim, não deixa de ser idícullo…

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