Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O circo do vale-tudo

Por Mauro Malin em 25/01/2007 | comentários

No Jornal Nacional (24/1), o governador de São Paulo, José Serra, diz que não vai revelar o valor da indenização recebida pela família da advogada Valéria Alves Marmit, vítima da obra desabada do Metrô paulista: ‘A família pediu que isso não seja divulgado’. O JN segue o mesmo critério. O Estadão de hoje (25/1) põe a cifra na primeira página. Dane-se a família.


No mesmo JN, no site de notícias da Globo e no Estadão, as turistas holandesas que fizeram patetadas com PMs em Paraty aparecem em fotos onde seus rostos estão borrados. [Esclarecimento dado pelo diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, em 26/1: nenhum noticiário da Globo borrou o rosto das turistas; devo ter visto em outra emissora.]. Na Folha, são publicadas sem retoques as mesmas fotos que haviam aparecido na internet e foram retiradas. Quem entende os critérios dos editores?


No JN, o repórter que noticia a confirmação de que um contínuo morreu no buraco do Metrô dá a notícia com um semi-sorriso nos lábios. Qual é a graça? Na TV Cultura, a apresentadora de uma versão brasileira de documentário da BBC sobre o campo de extermínio de Auschwitz também não consegue domar o sorriso. Ou será que sua expressão fisionômica é sempre essa? Sendo ou não, qual é graça?


O Globo põe na primeira página, ao alto, foto em toda a largura de magrelos mal-vestidos presos na Vila do Cruzeiro numa operação policial que deixou a população em pânico (pânico devidamente mostrado no JN). O título traduz a mentalidade torta de filme de mocinho e bandido: ‘Cerco aos bandidos que incendiaram ônibus’. Aiôôô, Silver! Será que não percebem que isso nunca vai dar certo? E onde foram parar os direitos dos cidadãos? São ‘bandidos’ ou são ‘suspeitos’?


A ciranda se alimenta: bandido-polícia-imprensa-polícia-bandido. Ou qualquer outra ordem que o leitor prefira, desde que não se retire o traço de união entre essas forças que trabalham tão intimamente próximas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/01/2007 Nelson Costini

    A grande gama de notícias que nos cerca, não nos informa de nada. São várias as Revistas Eletrônicas semanais ou diárias que vemos. Mas os meios de comunicação querem fazer papéis de protetores da sociedade, mostrando a face de suas próprias verdades e interesses. O povo, que serquer sabe a diferença entre presidencialismo e parlamentarismo, engola tudo.

  2. Comentou em 26/01/2007 Kleber Carvalho

    Mauro parece que tem um escândalo rondando o ex-governador de São Paulo, é sobre a prorrogação dos contratos de concessão das rodovias paulistas por 8 anos, dizem as más línguas que há algo de podre no reino da Dinamarca, vamos aguardar e analisar de maneira crítica como a mídia corporativa vai se comportar, tanto nos editoriais(se tiver) quanto na essência da divulgação dos fatos, será que teremos mais um circo? Se tiver com certeza teremos uma boa quantidade de palhaços.

  3. Comentou em 26/01/2007 Raimundo Araujo

    O que é, hoje, assistir jornais de tv ou lê-los impresso ou na net ?
    Está uma manipulação tão grosseira, que não vale mais a pena você ler as informações contidas nesse veículo… está difícil fugir de uma linha não sensasionalista de fatos sérios. O que é uma pena. Estamos deixando de fazer a história de nosso tempo.

  4. Comentou em 25/01/2007 Rafael Velasquez

    Ler jornal, assitir programas jornalistisco, até mesmo jornais on line virou uma ‘Zorra Total’.

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