Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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O Conar fez história

Por Luiz Weis em 18/04/2008 | comentários

No dia 25 de março me referi neste Verbo Solto a um artigo do jornalista Ricardo Kotscho, publicado naquele dia no Globo, sobre os 30 anos do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Públicitária, que deu origem ao Conar, o conselho criado para fazer valer as suas normas, sob a premissa de que “tem coisa que pode, tem coisa que não pode”, nas palavras de Kotscho [ver aqui].


Não pode uma empresa pôr no mercado um diesel com até 2 mil partículas por milhão (ppm) do cancerígeno enxofre – 200 vezes mais do que o permitido, por exemplo, no Japão – e pôr na mídia campanhas publicitárias que fazem praça dos seus supostos compromissos com a qualidade do ambiente, o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social.


Essa empresa é a Petrobras.


Hoje, os jornais trazem a boa notícia de que o Conar, provocado pelos governos do Estado e da cidade de São Paulo, e por uma penca de organizações da sociedade civil, mandou suspender o que considerou, com carradas de razão, “propaganda enganosa”.


O Conar fez história. Finalmente, uma empresa é punida por dizer uma coisa e fazer o contrário, como, entre tantas outras, os bancos que cobram taxas escorchantes e gastam os tubos (dos seus clientes) com anúncios de páginas inteiras que falam maravilhas do seu alegado senso de responsabilidade social.


Como diz o ex-assessor do presidente Lula, Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, citado pela Folha, “a decisão indica que para se mostrar socialmente responsável a empresa precisa agir da mesma forma em relação a todos os seus públicos” – e a toda a sociedade, também poderia ter dito.


Ou, nos termos mais contundentes do ativista Marcelo Furtado, do Greenpeace, “o Conar repudiou a maquiagem verde. Isso dá um sinal para aquelas [empresas] que querem arriscar enganar o público, de que não há mais espaço para picaretagem”.


Mas há espaço – e essa é a segunda boa notícia do dia – na imprensa para noticiar com o devido destaque a resolução do Conar. O Globo e a Folha chamaram o assunto na primeira página.


Podia não haver tanto espaço. Em outros tempos, decerto não haveria. O que a Petrobras gasta com publicidade, também na mídia impressa, não está escrito.


Os contratos publicitários gerais da empresa, informa o Estado de S.Paulo, somam R$ 250 milhões por ano.

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