Quarta-feira, 25 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº984
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

O Conar fez história

Por Luiz Weis em 18/04/2008 | comentários

No dia 25 de março me referi neste Verbo Solto a um artigo do jornalista Ricardo Kotscho, publicado naquele dia no Globo, sobre os 30 anos do Código Brasileiro de Auto-Regulamentação Públicitária, que deu origem ao Conar, o conselho criado para fazer valer as suas normas, sob a premissa de que “tem coisa que pode, tem coisa que não pode”, nas palavras de Kotscho [ver aqui].


Não pode uma empresa pôr no mercado um diesel com até 2 mil partículas por milhão (ppm) do cancerígeno enxofre – 200 vezes mais do que o permitido, por exemplo, no Japão – e pôr na mídia campanhas publicitárias que fazem praça dos seus supostos compromissos com a qualidade do ambiente, o desenvolvimento sustentável e a responsabilidade social.


Essa empresa é a Petrobras.


Hoje, os jornais trazem a boa notícia de que o Conar, provocado pelos governos do Estado e da cidade de São Paulo, e por uma penca de organizações da sociedade civil, mandou suspender o que considerou, com carradas de razão, “propaganda enganosa”.


O Conar fez história. Finalmente, uma empresa é punida por dizer uma coisa e fazer o contrário, como, entre tantas outras, os bancos que cobram taxas escorchantes e gastam os tubos (dos seus clientes) com anúncios de páginas inteiras que falam maravilhas do seu alegado senso de responsabilidade social.


Como diz o ex-assessor do presidente Lula, Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, citado pela Folha, “a decisão indica que para se mostrar socialmente responsável a empresa precisa agir da mesma forma em relação a todos os seus públicos” – e a toda a sociedade, também poderia ter dito.


Ou, nos termos mais contundentes do ativista Marcelo Furtado, do Greenpeace, “o Conar repudiou a maquiagem verde. Isso dá um sinal para aquelas [empresas] que querem arriscar enganar o público, de que não há mais espaço para picaretagem”.


Mas há espaço – e essa é a segunda boa notícia do dia – na imprensa para noticiar com o devido destaque a resolução do Conar. O Globo e a Folha chamaram o assunto na primeira página.


Podia não haver tanto espaço. Em outros tempos, decerto não haveria. O que a Petrobras gasta com publicidade, também na mídia impressa, não está escrito.


Os contratos publicitários gerais da empresa, informa o Estado de S.Paulo, somam R$ 250 milhões por ano.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/04/2008 Ivan Moraes

    ‘contratos publicitários gerais da empresa, informa o Estado de S.Paulo, somam R$ 250 milhões’: eh o preco da nao-sabotagem paulista no Brasil. Pergunte pra Vale.

  2. Comentou em 18/04/2008 Ivson Alves

    Muito bem fez o Conar em punir a Petrobras por pregar uma coisa e fazer outra. Agora, espero para ver o órgão punir o Banco Real por seu marketing verde que vende uma responsabilidade social que os juros que cobra desmentem. Aliás, o Greenpeace também não considera isso ‘maquiagem verde’? E a Vale? A ONG multinacional não vai protestar contra as termoelétricas a carvão que a mineradora está a construir no Pará? A Vale também faz campanha de responsabilidade social e respeito ao meio ambiente. Não haverá protestos e punições? Ou será que todo esse rigor só ocorre com empresas estatais?
    Depois que punir essas empresas privadas, Weiss,o Conar fará história. Por enquanto, fez apenas um tipo de demagogia muito cara a O Globo e à Folha.

  3. Comentou em 18/04/2008 Ivson Alves de Sá

    Muito correto o Conar em determinar a retirada da campanha da Petrobras. Agora, espero para ver quando agirá com o mesmo rigor contra o Banco Real que utiliza seu marketing verde, ainda denunciado pelo Greenpeace. Aliás, onde está a campanha do Greepeance contra as térmicas que a Vale está a construir no Pará?
    Quando o Conar punir essas duas empresas privadas – e mais um monte de outras que fazem o mesmo que a estatal Petrobras – aí estará fazendo história, Weiss. Antes, não.

  4. Comentou em 18/04/2008 Pedro Aladar Tonelli

    Seria o sitio abaixo confiável?
    http://www.management-rating.com/index.php?lng=en&cmd=210
    Se for, eu não vejo porque uma empresa que é citada ali não usar isso na propaganda. Alias, eu acho que não citar seria desinformar.
    Provavelmente a Petrobras deve ser pressionada a melhorar a qualidade de seus
    produtos, mas não acho que esta discussao no conar tenha sido de grande
    utilidade.
    Alem de propaganda a Petrobras investe bastante em pesquisa .
    Inclusive em pesquisas ambientais. Eu acho que o conar deveria se procupar mais com props que incetivam mau comportamento social do que
    com propagandas que procurem iluminar só o lado bom de uma empresa.

  5. Comentou em 18/04/2008 Carlos N Mendes

    Caro Luiz, só uma observação : o enxofre está sendo banido dos combustíveis fósseis não por ser cancerígeno, mas porque seus derivados pós-queima (dióxido e trióxido de enxofre), em contato com a umidade do ar, formam os ácidos como o sulfúrico, de longe o maior responsável pela chuva ácida. E é muito pouco falado, mas a queima do álcool combustível gera fenóis potencialmente prejudiciais à saúde humana.

  6. Comentou em 18/04/2008 Paulo Bandarra

    ‘R$ 250 milhões’ do lucro nos vendendo o nosso próprio petróleo! Mas e o resto das propaganadas enganosas levando a obesidade, diabetes, cirrose, cárie dentária, etc…. E a propaganda para a venda de detergentes e antisépticos selecionando super bactérias no ambiente doméstico? O estímulo a auto-medicação?

  7. Comentou em 18/04/2008 Jose de Almeida Bispo

    Queira perdoar o maniqueísmo (a que fui lançado pela mídia brazurca) mas, decisão do governo (serrista) de São Paulo contra uma empresa poluidora (lulista) do Brasil e repercutida na velha e viciada mídia grande… sinceramente, é como o momento em que se questiona a delação, mesmo que real é útil, de uma bandido: não dá pra acreditar em Branca de Neve. Também sobre esse pessoal do Greenpeace… sei não. Onde estavam eles e a mídia grande quando plataformas estavam indo pro fundo do mar; dutos se rompiam liberando óleo etc. etc? Será que não é a verba publicitária que ‘está pouca’? Deixei de acreditar em santos há muito tempo.

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