Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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O contexto do palavrão

Por Luiz Weis em 06/02/2006 | comentários

A Folha publicou ontem matéria de seu correspondente em Londres, Fábio Victor, a que deu o título de página inteira “Assessor de Lula critica o PT e o governo’.


O assessor é o professor Marco Aurélio Garcia, conselheiro do presidente para assuntos internacionais.


Segundo a matéria, confirmada por outra, no Estado de hoje, Garcia disse cobras e lagartos do PT e deu pelo menos um par de estocadas no chefe.


As suas declarações fazem parte de um depoimento para o estudo [que a Folha chama dossiê] “No olho do furacão – militantes de esquerda discutem a crise brasileira”, patrocinado por um instituto holandês de pesquisa.


Garcia foi entrevistado pelas pesquisadoras inglesas Hillary Wainwright e Sue Branford. O seu trabalho foi publicado em janeiro. Está no site www.tni.org


Segundo a Folha, o professor teria dito em dado momento que o PT tem “uma liderança de m…” [por extenso, no original].


Hoje o jornal publica uma carta do assessor e outra da dupla de autoras.


Garcia diz que a matéria cita “supostas e desconexas declarações” suas, mas só vai se pronunciar sobre o conjunto depois de ler o dossiê.


Mas assegura com todas as letras: “Os conceitos grosseiros que me são atribuídos sobre a direção petista são fantasiosos.”

Já Hillary e Sue escrevem: “Fábio Victor afirmou que Garcia nos disse, depois de falar das enormes reservas sociais e políticas do PT, é que ele se lembra sempre de uma frase que viu numa manifestação, pouco antes da derruba do governo Allende [no Chile, em 1973]: `Es un gobierno de m…, pero es nuestro gobierno!`. Ele acrescentou: `A mesma coisa que eu posso dizer do partido: é uma direção de m…, mas é nosso partido`.”


É como a referência aparece também na matéria de hoje do Estado, “Assessor do presidente critica líderes do PT”.


A Folha reconhece que, “por falha da Redação” [portanto, não do repórter] a frase sobre a “liderança de m…” foi publicada fora de seu contexto.


Do quiproquó fica claro que não são “fantasiosos”, como escreveu Garcia, “os conceitos grosseiros” a que se refere. Garcia efetivamente acha o que está no estudo – ou achava, quando foi entrevistado em agosto – mas nem por isso deixou de ser solidário com o seu partido.


Na sua carta, ele se diz também solidário com o governo, “caso contrário dele teria me afastado”.


Nem por isso ele deixou de comentar no depoimento que o governo gastou com reforma agrária “quatro vezes mais do que se havia gastado” no governo anterior “porque havia pressão do MST e outros movimentos”.


E comentou ainda, como se lê no Estado, que “Lula fez tanto esforço para ganhar o apoio destes grupos [o empresariado] que quando chegou ao governo teve medo de fazer o que poderia’.


A ver o “pronunciamento” prometido por Garcia para quando tiver lido o estudo.


***

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