Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O destaque fala por si

Por Luiz Weis em 09/11/2006 | comentários

Impressionante nos jornais de hoje o banho de qualidade dado pela Folha no tratamento de duas notícias sem a mais remota relação entre si, a não ser a importância global da primeira e a importância potencial da segunda.

A primeira, naturalmente, trata dos históricos resultados eleitorais nos Estados Unidos.As seis páginas que a Folha dedicou ao assunto ganham de goleada do que a concorrência fez no mesmo campo. A começar pela composição da primeira página do seu caderno internacional, com um ‘NÃO!’ de 5,5 cm de altura, ao lado de um Bush cabisbaixo.

Melhor ainda, para o leitor brasileiro, foi a cobertura do jornal dos Frias, ocupando além da metade de página ímpar (que atrai mais a atenção), do segundo acontecimento – o início do julgamento do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado da prática de torturas quando comandava o infame DOI-Codi do então II Exército, em São Paulo.

É a primeira vez que um funcionário público, no caso um agente da ditadura militar, e não o Estado, abstratamente, responde a processo por atos de violência contra presos políticos.

O processo, movido por uma família, é de natureza civil. Pede que a Justiça reconheça que os autores da ação sofreram o que sofreram nas mãos do notório coronel Ustra. Não pede – nem poderia pedir, por causa da Lei de Anistia, de 1979 – que o réu os indenize ou vá para a cadeia.

O ideal seria que a lei fosse revogada, como na Argentina, e os torturadores, julgados e condenados. À falta disso, ações como essa servem como reparação moral às vítimas e identificação e execração dos seus algozes.

Se o processo contra Ustra for adiante, como é de desejar, outros tantos poderão ser abertos, permitindo às novas gerações um vislumbre do que foram os porões da repressão do regime instaurado pelo golpe de 1964.

O próprio destaque dado pela Folha ao caso é uma forma de apoiar a iniciativa reparadora de direitos humanos violados. É a tal situação em que, sem precisar dizê-lo, um órgão de imprensa se engaja na defesa da busca da verdade – a sua permanente razão de ser.

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Todos os comentários

  1. Comentou em 10/11/2006 taciana oliveira

    Prof.Luiz: Que bom tê-lo de volta!Que bom seria, também, que a Folha tivesse a mesma estatura quando o ‘calo’fosse a nossa realidade atual.

  2. Comentou em 10/11/2006 Ivan Moraes

    ‘começar pela composição da primeira página do seu caderno internacional, com um ‘NÃO!’ de 5,5 cm de altura, ao lado de um Bush cabisbaixo.’ Captou exatamente como o povo aqui se sente a respeito de Alckmin, digo, Bush. A guerra do Iraq esta visivelmente se tornando cada vez mais feia para americanos. Uma guerra ‘preventiva’ que nao ‘prevenia’ anos de conflito e centenas de milharesde mortos em uma das regioes mais conflitousas do planeta eh inexplicavel. E a esse ponto sair de la esta parecendo pior ainda para ambos os lados, porque o pais nao tem infraestrutura nem de fato nem social nem governamental.

  3. Comentou em 09/11/2006 NEWTON JUNIOR

    Devemos lembrar que mesmo se a lei fosse revogada não teria efeito pratico, uma vez que, no Direito Penal a Lei não retroage para prejudicar, mas ainda assim se isso fosse possível, os que cometeram assaltos, justiçamentos e etc tambem seriam atingidos. Não esquecemos também do prazo prescricional máximo de 20 anos…Outra coisa, todo mundo esquece que a tortura existia antes da ditadura e em toda a historia do Brasil. Devemos condenar a ditadura militar, mas não esquecer que a Ditadura Vargas durou menos, mas torturou e matou muito mais. Falta também uma discurssão se esses agentes financiados pela antiga URSS queriam uma democracia ou na realidade uma ditadura de esquerda. O problema é que nessa guerra não havia anjo… Havia… os que não eram de um lado ou do outro e foram pegos pelo fogo cruzado. Minha opinão é que devemos cuidar do presente, onde os pobres ainda são como sempre foram torturados nas delegacias, tanto em governos estaduais ditos de esquerda, como de direita.

  4. Comentou em 09/11/2006 Moêma Coelho

    O Jornal Nacional de ontem (08/11) foi um primor de desinformação ao apresentar tal notícia. Informaram que cinco membros de uma família de militantes do PC do B foram presos e estavam processando o coronel. Em nenhum momento informaram que nesses cinco membros, incluíam duas crianças de cinco e quatro anos.
    No Jornal da Band, tal informação foi destacada.
    Para a Globo, crianças serem presas e verem os pais torturados não é relevante. É o William Homer Simpson Bonner atacando de novo!

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