Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O enigma da fonte que secou

Por Luiz Weis em 25/09/2007 | comentários

O assunto não é propriamente de tirar o fôlego do leitor. Mesmo assim, merecia da mídia mais do que ela lhe deu até agora – dois ou três artigos pesarosos nas páginas de opinião e uma reportagem, por sinal de bom tamanho, no Globo de domingo.


Em poucas palavras: em 1997 começou a funcionar na Universidade de Oxford, Inglaterra, um Centro de Estudos Brasileiros. Por ele passaram, como pesquisadores, professores e conferencistas, acadêmicos de respeito. Todos selecionados conforme os rigorosos critérios da instituição dirigida, desde o começo, pelo brasilianista britânico Leslie Bethel.


A um título ou outro, estiveram no Centro – além dos presidentes Fernando Henrique e Luiz Inácio Lula da Silva – intelectuais públicos de todas as cores, que enveredaram (ou não) pela política, a exemplo de Tarso Genro, Luiz Carlos Bresser Pereira, Eduardo Suplicy, Sérgio Paulo Rouanet e tantos outros.


A notícia é que – sem motivo declarado – o Itamaraty e a Petrobrás, que cacifavam a instituição com a bagatela de US$ 130 mil anuais, fecharam a torneirinha. Sem dinheiro, o Centro deverá submergir no departamento latino-americano de Oxford.


Lembra o Globo que ‘em março do ano passado, em visita ao Reino Unido, o presidente Lula assinou convênio com o então primeiro-ministro Tony Blair, em que assumia o compromisso de dar ´apoio contínuo` ao núcleo’.


Bethel veio ao Brasil passar o pires. Saiu sem grana e, aparentemente, sem ser informado por que.


‘Nunca recebi uma explicação oficial para o fim da ajuda’, disse Bethel ao Globo. ‘O apoio foi simplesmente interrompido.’


A palavra-chave da declaração é ‘oficial’ – e, se algum jornal ou revista investigar o caso, poderá descobrir a explicação não-oficial.


Ela talvez seja a que me contaram e me abstenho de reproduzir, dando nomes aos bois, porque não tenho provas.


O máximo que me permito relatar, na esperança de que algum repórter siga a trilha e chegue aos finalmentes, é que por trás da fonte que secou – em prejuízo da presença brasileira assegurada numa universidade do gabarito de Oxford – estaria, apenas e tudo isso, a história da recusa a um insistente pedido pessoal.


***


Os comentários serão selecionados para publicação. Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas, que contenham termos de baixo calão, incitem à violência e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/09/2007 Beatriz Jordão

    Li os comentários. Acho que não entendi direito a questão colocada pelo Weis…ou não entendi direito os comentários. Weis, se eu entendi direito, você fala na bagatela de 130.000 dólares. É bagatela mesmo, quando se compara aos valores de auxílios a pesquisa concedidos a pesquisadores do estado de São Paulo, fora gastos como subsídios/insenções outros, inclusive a universidades particulares. O Centro de Estudos Brasileiros em Oxford, centrado no College de St. Antony´s, é um entre vários outros (estudos africanos, latino-americanos, do México, do Japão, da China, da Rússia e do Leste Europeu). Seria interessante saber se a verba brasileira custeia o projeto ou só parte dele (mais provável). Vale ainda a sugestão, vinda de outros comentários, que alguma empresa poderia abraçar essa idéia, tal como a Nissan (no caso do Japão).
    Em resumo: o custo não justifica a fonte secar, permanece a sugestão de subsídios não governamentais…de resto, a curiosidade: qual é a estória da recusa ao insistente ‘pedidor’?

  2. Comentou em 28/09/2007 Aurélio D´além

    ô Orair, acho que vc não entendeu bem a coisa…
    Alguém do governo pediu um favor – na Inglaterra! – e que naturalmente foi negado (um emprego? 10% de comissão?Ser ‘convidado’ a proferir palestra?- who knows…). Aí, em represália, a fonte secou. Alguém da súscia presidencial queria uma boquinha e não conseguiu (HAHAHA, delícia!). Pena que o prejuízo foi nosso. Sempre nosso.

  3. Comentou em 28/09/2007 douglas puodzius

    nenhuma linha, neste blog, a respeito da entrada da record news ontem. Um canal aberto exclusivo de noticias. Isto que é observar a imprensa. Nota 10.

  4. Comentou em 27/09/2007 JOSE ORAIR Silva

    Quando faltam as tetas sobram as lágrimas. Choram muito os que mamam pouco ou nada… Mas e a iniciativa privada, será que ela não poderia suprir a carência dessa teta internacional, atendendo a esse insistente pedido pessoal e fazendo por merecer, quem sabe, algum elogio no jornal?

  5. Comentou em 26/09/2007 Ivan Moraes

    Leslie Bethel da Oxford, Inglaterra? Ta facinho entrar em contato com ele. Me pergunta se eu vou tentar, Weis. Pergunta la, vai…

  6. Comentou em 26/09/2007 Sandra Sabella

    A bagatela é essa mesmo?! 130 mil dólares?!! Anuais?!! 11 mil dólares por mês?!! NInguém da Zelite se prontifica a bancar essa quantia ridícula com direito a busto de bronze?!!!

  7. Comentou em 25/09/2007 Ivan Moraes

    Essa cambada foi pedir favor em troca de dinheiro publico.. na Inglaterra?!?!?! Mas eh logico e evidente que eh verdade, Weis. Pode contar que eh verdade. O emprego era pra esposa ou pra filha?

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