Sexta-feira, 24 de Março de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº937

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O esquecimento global

Por Bruno Blecher em 14/03/2007 | comentários

Menos de dois meses depois de a imprensa anunciar o fim do mundo, divulgando com estardalhaço o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas) sobre o aquecimento global, o desastre ambiental caiu no esquecimento. Prova disso é que a Folha de hoje traz uma reportagem extremamente preocupante sobre crescimento da frotas de veículos, sem dedicar uma única linha ao seu impacto ambiental.



Diz a Folha que a frota de veículos no Estado de São Paulo cresceu num ritmo quatro vezes superior ao da população entre 2002 e 2006, segundo levantamento da Fundação Seade (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados).
Neste período, São Paulo ganhou mais 3,2 milhões de veículos, um aumento de 26%, e atingiu, no total, a marca de 15 milhões de carros, motocicletas, caminhões e ônibus. O número de habitantes no Estado, por sua vez, cresceu somente 6,2 % no mesmo período -de 38,1 milhões para 40,4 milhões. O crescimento da frota paulista foi ainda maior com as motocicletas, que saltaram 67%, de 1,4 milhão para 2,4 milhões. Haja espelho retrovisor!


Quais são as consequências?


Segundo o pessoal da Folha, apenas mais trânsito. ‘Os números preocupam especialistas em transporte. Para eles, os sistemas viários municipais não têm conseguido absorver os aumentos consecutivos da frota. Resultado: mais riscos de engarrafamentos, mais acidentes e mais mortes.O urbanista Marcos Pimentel Bicalho, superintendente da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos), diz que as cidades estão se tornando reféns de veículos individuais, como autos e motos’. Nenhuma referência à poluição.


Um estudo coordenado pelo professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, mostra que a cada ano a poluição mata cerca de 3.500 pessoas na cidade de São Paulo. O ar poluído prejudica principalmente as gestantes, os bebês e os marronzinhos.
Por conta do álcool e dos catalisadores, é bem verdade, houve uma melhoria na qualidade do ar de cinco anos para cá, como me disse em junho de 2006 José Goldemberg, à época secretário do Meio Ambiente de São Paulo. Mas os autómoveis continuam sendo a principal fonte de poluição de ar na Grande São Paulo, principalmente no inverno, quando ocorrem as inversões térmicas.


Viva o etanol!


Enquanto Chávez espalha a pólvora da revolução pelo Continente, o guardião do capitalismo, o The Wall Street Journal, ataca de álcool. Na edição desta quarta-feira, o jornal propõe um movimento pela libertação do etanol. Para o jornal, o etanol brasileiro não deveria enfrentar restrições para entrar nos EUA.

Todos os comentários

  1. Comentou em 17/03/2007 jorge cordeiro

    Gilson, mais de 2 mil cientistas já deram a explicação, e o resultado foi o relatório do IPCC divulgado em fevereiro. Confere lá: http://www.ipcc.ch/

  2. Comentou em 16/03/2007 Marco Costa Costa

    Não é só a poluição ambiental que vem matando as pessoas. A poluição do ar, sonora, visual, corrupção, incompetência, industrial, jornalística e aquelas imperceptíveis vem matando de doenças e de raiva muitas pessoas.

  3. Comentou em 16/03/2007 Gilson Raslan

    Na era glacial não havia automóveis, indústrias ou quaisquer outros meios ditos poluentes, mesmo assim o gelo se derreteu, dando uma nova feição à terra. Esse dito efeito estufa não seria apenas mais um fenômeno natural? Estou aguardando uma explicação dos especialistas.

  4. Comentou em 16/03/2007 Tiago Dantas DAntas

    ‘O ar poluído prejudica principalmente as gestantes, os bebês e os marronzinhos’.
    O QUE É MARRONZINHO?

  5. Comentou em 16/03/2007 Pablo Valério Polônia

    ‘Enquanto Chávez espalha a pólvora da revolução pelo Continente, o guardião do capitalismo, o The Wall Street Journal, ataca de álcool’

    Claro, são os comunas Cubanos que compram o petróleo de Chavez, com sua gigantesca frota de automóveis e industrias.

    Além do mais monocultura de cana de açucar é uma ótima meneira de melhorar o meio ambiente.

  6. Comentou em 16/03/2007 MARYLAINE DAMASCENO

    Realmente é decepcionante, a qualidade das notícias na imprensa braileira, mas não podemos culpa-la somente, é perceptível que boa parte da população não incentiva o cultivo de informações necessárias e pertinentes, ondas de notícias importantes vêm e vão muito rápido, e nós brasileiros nos acomodamos com tanta babaquice exposta na mídia que nem percebemos o tamanho do caos urbano em que estamos inceridos…

  7. Comentou em 16/03/2007 Juliana Boechat

    Assim como aconteceu com a violência logo depois do crime contra o menino João Hélio. Cheguei a pensar que dessa vez a imprensa fosse incentivar, fosse segurar o assunto e fosse ajudar a, de fato, mudar alguma coisa. Decepcionante ver que depois outros assuntos foram tidos como mais importantes e a violência continuou secundária e ´aceitável´. O problema ambiental foi mais uma moda da imprensa que veio e foi com um piscar de olhos. Porque esses assuntos, tão importantes para o público que o jornal se dirige, consegue ser tratado com tamanha fragilidade, que nao fica mais de um mês em pauta?

  8. Comentou em 15/03/2007 Juliana Mendes Santana

    O ser humano raramente se preocupa com o que realmente é interesse da humanidade. Pensamos que não cabe a nós, individualmente tentar mudar a realidade em relação ao aquecimento global, temos uma mente muito pobre, achamos que nunca estamos contribuindo para a poluição e destruição do planeta. Se uma pessoa não tem carro, não joga lixo nos rios, usa lampadas fluorescentes, já acham que estão fazendo o melhor. Não é assim, temos de nos conscientizar e conscientizar os demais. Pois só unidos poderemos mudar a realidade, pelo menos das futuras gerações.

  9. Comentou em 15/03/2007 jorge cordeiro

    Mesmo que o reporter seja totalmente ignorante no assunto, uma consulta rápida ao oráculo moderno (Google) lhe traria boas dicas de como tratar o assunto. Por exemplo, poderia assistir ao documentário Sociedade do Automóvel, que tem 39 minutos e está no Google Vídeo (http://video.google.com/videoplay?docid=1608289607442109392&hl=en). É um painel interessante de como nos deixamos escravizar pelo carro sem nenhum questionamento ou resistência. Vivemos em tempos de jornalismo pout-pourri, onde nada se liga a nada, tudo sai picado e bola pra frente que atrás vêm estagiários… (www.escriba.org)

  10. Comentou em 15/03/2007 Thiago Velde Farias Farias

    A Escola precisa ser uma parceira mais contundente na perspectiva das ações para minorar as nossas vis atitudes. Evidenciar para os alunos na prática o que ocorrerá. Sem maquiagens, sem rodeios.

  11. Comentou em 15/03/2007 Ivan Bispo

    Lamentavelmente nossa imprensa não tem o tema na pauta e profissionais capacitados, com raras exceções. O comportamento do ser humano, se não for alterado, nos levará a uma catastrofe maior. A imprensa se quiser poderá colaborar e muito para que nasça um comportamento ajustado aos novos tempos.

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