O falso alarme da anistia | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº999
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O falso alarme da anistia

Por Luiz Weis em 12/02/2008 | comentários

Do Globo de hoje:

Marina Silva e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, divulgaram nota ontem em que afirmam que o governo não trabalha com qualquer proposta de anistia para desmatadores ilegais ou de redução das reservas legais, seja na Amazônia ou em qualquer outra região do país. O desmentido foi feito após notícias de que o governo estaria cogitando essas hipóteses.


As notícias desmentidas apareceram no Estado de domingo, em manchete de primeira página. Hoje, o jornal apresenta o desmentido como uma volta atrás do Planalto:


“Anistia racha ministério e governo recua”, “Divulgação do plano desagrada a Marina Silva que força abandono da idéia” “Diante da repercussão negativa, o governo recuou do plano…”.


É a narrativa clássica: um órgão de mídia divulga um projeto controvertido que o governo ainda não estava pronto a tornar público, por falta de consenso interno – e a coisa vai para o espaço.


O jornal fica numa boa duas vezes: por ter noticiado em primeira mão uma iniciativa que seria malvista pela maioria, e por ter, com essa alerta, obrigado o governo a dar o dito pelo dito.


Mas nada garante que essa versão contenha toda a verdade do episódio. O jornal, por exemplo, pode ter tomado a nuvem por Juno, como se dizia antigamente, vendendo como decisão de governo algo que não só não estava decidido, como ainda vinha da periferia do sistema de decisões.


Ou pode ser que o jornal, sabendo ou não, tenha sido usado: se, dentro do governo, por gente interessada em sufocar no berço um plano com o qual não está de acordo – e que talvez pudesse crescer no silêncio dos gabinetes; se, fora do governo, por lobistas daqueles que se beneficiariam com a sua adoção – a velha jogada do balão de ensaio.


O caso da anistia aos desmatadores se junta à infinidade de matérias nas quais o mais importante a conhecer não são as propriamente as histórias que elas contam, mas o que pode haver por trás delas – a sua inside story, como dizem os colegas gringos.


Sem isso, o leitor corre o risco de ficar com torcicolo, de tanto virar a cabeça ora para um lado, ora para o outro – praticamente a troco de nada.

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/02/2008 Patrícia Valiño

    Essa coisa toda não te dá vontade de chegar pros europeus ou americanos e falar: ‘tomem a Amazônia, ela é de vocês para preservarem, fazer algo útil com ela e enqriquecerem (ainda mais!) como porcos!’? É que me dá pena de pensar em tudo aquilo virando fumaça nas mãos de uns idiotas que acham que é mais lucrativo detonar tudo pra criar vaca e vender madeira.

  2. Comentou em 16/02/2008 paulo de almeida

    Quanta babosa! Sempre houve anistia p desmatadores ilegais no Brasil, que por lei proibe desmatar qualquer mata ciliar, ou seja, a vegetacao nativa na beira de rios e córregos. E onde foi que vcs viram esta lei, que existe há muitas décadas, ser cumprida?… Isto tudo é farofa p gringo ler… A natureza está sendo estrupada, indiferente do que dizem as leis, que aliás, como cantava o ministro Gil – onde se ler lei, leia-se lálálá.

  3. Comentou em 13/02/2008 Célio Mendes

    Qual a razão de a imprensa dar uma não noticia? para mim é mais uma estrela em uma constelação de iniciativas com vistas a manter o governo federal permanentemente na defensiva, sua finalidade em curto prazo são as eleições municipais que se avizinham e em um contexto mais longo reverter as atuais expectativas de que o governo atual emplaque o seu sucessor, em uma paródia aos direitos que os policiais americanos falam para o cidadão quando o prendem, tudo o que a midia puder seja respaldado em fatos ou não podera e sera usado contra o governo federal.

  4. Comentou em 13/02/2008 Ruy Acquaviva

    É a imprensa em desespero tentando fabricar uma crise. É deprimente ver a imprensa deixar de cumprir seu papel de informar e transformar-se em instrumento de propaganda política da oposição. Se fosse uma notícia sobre anistia a desmatadores pelo governo do estado de São PAulo, certamente não seria veiculada no referido jornal. Dá nojo ver essa atitude.

  5. Comentou em 12/02/2008 Carlos N Mendes

    Muito improvável uma decisão dessas. Um verdadeiro seppuku político. Lula é [ ] em relação à preservação ambiental, mas isso seria impraticável.

  6. Comentou em 12/02/2008 Marco Vitis

    O Estadão aproveitou uma hipótese e deu a notícia como fato consumado. Portanto, desinformou o leitor e o cidadão. Quando a decisão foi efetivamentge tomada, o Estadão deu nova versão. Nas duas situações, o Estadão conseguiu o que queria: dar duas notícias negativas para a imagem do governo. A imparcialidade e a correção foram, mais uma vez, para o espaço…

  7. Comentou em 12/02/2008 Ivan Bispo

    Um poeta angolano disse: ‘não bastam que sejam puras e justas as nossas causas, mas que a pureza e a justiça existam dentro de nós.’ Será que dentro do jornal e da matéria existe pureza e justiça?

  8. Comentou em 12/02/2008 Plínio Melo

    Com apoio ou não do Ministério do Meio Ambiente e Ministério da Agricultura, existe a possibilidade da anistia aos desmatadores na Amazônia através do projeto de Lei nº 6424, de 2005 (aprovado no Senado e em tramitação nas comissões da Câmara dos Deputados). Diz o relator, deputado Homero Pereira (PR-MT), no art. 44: “Os detentores de imóveis rurais, nos Estados que compõem a Amazônia Legal, a qualquer título, que se cadastrarem nos termo desta lei, usufruirão dos seguintes benefícios: I – cancelamento de multas relativas a eventuais autuações relacionadas à inobservância de cumprimento do código florestal, até a publicação desta Lei”.

    Há grande possibilidade do PL ser aprovado no Congresso com apoio da bancada ruralista. Resta apenas saber se o Presidente Lula vetaria este artigo!

  9. Comentou em 12/02/2008 Mark-RJ Mark

    Para aqueles que torcem para o ‘quanto pior melhor’ certamente! Mas, para quem quer que seus filhos tenham um mundo melhor, é filtrar quem é sério e quem apenas quer lucros e são pouquíssimos os que se importam realmente.

  10. Comentou em 12/02/2008 erubson albuquerque

    E se a imprensa não denunciasse ou veiculasse a informação…a tal falada anistia ocorreria na surdina? Só para pensar…

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