Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1008
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O falso alarme da anistia

Por Luiz Weis em 12/02/2008 | comentários

Do Globo de hoje:

Marina Silva e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, divulgaram nota ontem em que afirmam que o governo não trabalha com qualquer proposta de anistia para desmatadores ilegais ou de redução das reservas legais, seja na Amazônia ou em qualquer outra região do país. O desmentido foi feito após notícias de que o governo estaria cogitando essas hipóteses.


As notícias desmentidas apareceram no Estado de domingo, em manchete de primeira página. Hoje, o jornal apresenta o desmentido como uma volta atrás do Planalto:


“Anistia racha ministério e governo recua”, “Divulgação do plano desagrada a Marina Silva que força abandono da idéia” “Diante da repercussão negativa, o governo recuou do plano…”.


É a narrativa clássica: um órgão de mídia divulga um projeto controvertido que o governo ainda não estava pronto a tornar público, por falta de consenso interno – e a coisa vai para o espaço.


O jornal fica numa boa duas vezes: por ter noticiado em primeira mão uma iniciativa que seria malvista pela maioria, e por ter, com essa alerta, obrigado o governo a dar o dito pelo dito.


Mas nada garante que essa versão contenha toda a verdade do episódio. O jornal, por exemplo, pode ter tomado a nuvem por Juno, como se dizia antigamente, vendendo como decisão de governo algo que não só não estava decidido, como ainda vinha da periferia do sistema de decisões.


Ou pode ser que o jornal, sabendo ou não, tenha sido usado: se, dentro do governo, por gente interessada em sufocar no berço um plano com o qual não está de acordo – e que talvez pudesse crescer no silêncio dos gabinetes; se, fora do governo, por lobistas daqueles que se beneficiariam com a sua adoção – a velha jogada do balão de ensaio.


O caso da anistia aos desmatadores se junta à infinidade de matérias nas quais o mais importante a conhecer não são as propriamente as histórias que elas contam, mas o que pode haver por trás delas – a sua inside story, como dizem os colegas gringos.


Sem isso, o leitor corre o risco de ficar com torcicolo, de tanto virar a cabeça ora para um lado, ora para o outro – praticamente a troco de nada.

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