Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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O fenômeno HuffPo: o jornal da era digital?

Por Carlos Castilho em 22/07/2009 | comentários

Em menos de cinco anos, um blog criado por uma socialite e política frustrada, transformou-se no mais bem sucedido caso de site jornalístico na internet e agora já é apontado como possível modelo para uma nova geração de publicações híbridas, online e offline.


 Arianna Huffington


O The Huffington Post surgiu em maio 2005 quando a greco-americana Arianna Huffington(59 anos), com o apoio do empresário Kenneth Lerer, criou um blog para publicar notícias e fofocas sobre a elite política em Washington, depois de perder as eleições para governo do estado da Califórnia.


 


Hoje, o HuffPo, apelido dado pelos seus usuários e colaboradores, é o site mais linkado[1] na internet, tem em média 22 milhões de visitantes únicos[2] mensais, segundo estimativa do serviço Google Analytics. Em 2008, o site recebeu 15 milhões de dólares de investidores e anunciou planos de criar uma equipe de 20 repórteres investigativos de alto nível e abrir edições locais nas principais cidades norte-americanas.


 


O segredo do sucesso do HuffPo está na combinação de um esquerdismo político moderado Cabeçalho do HuffPona sua linha editorial  e um abertura ampla para colaboradores de todos os tipos, desde personalidades do cinema e jornalistas, até políticos de todas as tendências e ativistas ambientais. O jornal online apoiou abertamente a campanha eleitoral de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.


 


Esta posicionamento liberal deu pretexto ao blog conservador Drudge Report para uma sistemática e agressiva campanha contra Arianna, desde o início do projeto Post. Ela própria admite que sem o radicalismo do Drudge, dificilmente teria conseguido as simpatias da esquerda e dos conservadores moderados nos Estados Unidos.


 


No fundamental, o HuffPo é uma confederação de blogs aglomerados em torno de uma área editorial produzida por 45 jornalistas que trabalham 24 horas sete dias da semana em quatro turnos de seis horas. Este staff produz a primeira página do site e administra os problemas criados por blogs de colaboradores.


 


Esta estrutura flexível, quase anárquica, faz com que o site seja uma espécie de antípoda da estrutura hierarquizada e rígida da imprensa convencional. São mais de três mil colaboradores que abrigam os seus blogs sob o guarda chuva do HuffPo numa inédita cacofonia informativa.


 


No site você pode encontrar textos postados pelo ator Robert Redford, pelo documentarista Michael Moore, pelo escritor Normal Mailer e até pela estilista Donatella Versacce. Mas eles são minoria entre os 80 novos textos postados diariamente no site, na sua grande maioria por gente pouco conhecida.


 


Tal diversidade de perspectivas gera quase um milhão de comentários mensais publicados em blogs do HuffPo. A polêmica e a controvérsia são uma constante no site, quase uma marca registrada. Numa estrutura descentralizada são inevitáveis as grandes “barrigas”  e erros informativos.


 


Mas o HuffPo também se tornou famoso pela rapidez e eficiência em corrigir seus escorregões, tanto que hoje até a imprensa convencional deixou de usar os erros como arma para tentar minar a credibilidade do site. 


 


A soma de todas estas características pode apontar uma possível nova estratégia editorial para as publicações pós internet, onde os conceitos de isenção, personalização e objetividade não terão o mesmo peso que tem na cultura da mídia tradicional.


 


O processo quase industrial de produção de notícias nos jornais contemporâneos mostra-se menos atraente para o público do que a caótica diversidade e informalidade dos weblogs agrupados ou não em sites como o HuffPo.


 


Mas o projeto de Arianna Huffington só conseguirá transformar-se num paradigma da nova mídia digital quando se tornar auto-suficiente financeiramente. Por enquanto o site vive uma situação econômica saudável por conta dos financiamentos e empréstimos recebidos.


 

A publicidade direta cobre apenas os gastos operacionais que são muito baixos se comparados ao de um jornal tradicional, mas não dá para pagar todos os colaboradores.  Este é o grande calcanhar de Aquiles do projeto, segundo o crítico de mídia Howard Kurtz, do The Washington Post.




[1] Linkado – neologismo criado pelos usuários da internet para indicar que uma página é citada como referência por outras páginas, por meio de hiperlinks.



[2] Visitante Único – padrão criado para indicar o número de pessoas que visitam uma página web durante um mês. Cada visitante é contado apenas uma vez, mesmo que visite várias vezes a mesma página.

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