Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
Menu

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O fetiche do nosso tempo

Por Mauro Malin em 02/01/2006 | comentários

Material de boa qualidade compõe o caderno Aliás do Estadão de domingo (1/1/2006). Num texto de Jurandir Freire Costa (“O gesso e o mármore”) há uma referência à mídia que merece citação:


“Sem Deus nem Política, os indivíduos viram-se, então, entregues à fantasmagórica visão de mundo criada pela cultura do espetáculo. É na realidade apresentada pela mídia que os sujeitos encontram o meio simbólico de unificar e dar sentido ao que fazem, pensam e sentem. O fetiche dos nossos tempos não é a ´neurose coletiva religiosa´, como queria Freud, ou a ´religião da mercadoria´, como queria Marx; é a aparência do mundo remetida interminavelmente a uma outra aparência, igualmente imaginada pelos fabricantes de informação.


Ocorre que a informação midiática, além de subordinar-se freqüentemente ao tacão da economia, criou um estilo de comunicação cuja pior seqüela é a corrosão da confiança do sujeito em sua autonomia como agente da história. Na linguagem do espetáculo, as misérias humanas são, em geral, associadas e assimiladas a desastres naturais, de modo que nada parece depender de nossa capacidade de resolução. Quem diz o que devemos ver, ler ou ouvir parece partir da premissa de que somos todos incuravelmente crédulos, infantis ou estúpidos para entender as causas e buscar remédios para nossos males. Conclusão: na fantasmagoria da mídia, a igualdade, a liberdade e a fraternidade jamais são o fruto do trabalho e do engenho humanos. São ´produtos` que, cedo ou tarde, sairão dos fornos dos laboratórios, das empresas de tecnologia de ponta, dos escritórios de reengenharia administrativa e das agências de publicidade. Até lá, cabe-nos esperar sentados e imitar Homer Simpson: comer pipocas e roer nervosamente as unhas, durante a final da terceira divisão de futebol entre a Groenlândia e o Usbequistão”.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/01/2006 Luiz Seixas

    Peço desculpas por usar este espaço para mandar um recado ao OI, em especial a A.Dines, cujas matérias não admitem comentários. a Globo botou um megafone para avaliar a entrevista de Lula no Fantástico, comentada por Dines. Pois bem, censurou-me ontem e hoje censurou Santayana: ‘No espaço para comentários colocado ontem à disposição, minhas críticas ao entrevistador, sem palavrões, sem ofensas, levaram Globoonline a censurar minha opinião. Hoje descobri que um ilustre colega, Mauro Santayana, pensa exatamente o que eu havia escrito. Espero que não cheguem a censurá-lo também. A seguir, texto de Santayana publicado em Carta Maior:
    ‘A entrevista exclusiva, concedida pelo presidente à principal rede de televisão, poderia ter sido utilizada para dizer das suas idéias e das idéias de seu partido, mas Lula não teve qualquer oportunidade de ir além de sua defesa e da defesa do PT. O entrevistador não foi, na realidade, um entrevistador: mais parecia um delegado da Polícia Federal ao interrogar qualquer suspeito de corrupção. O privilégio concedido à emissora e ao jornalista – que é um profissional experiente e sabia muito bem de sua responsabilidade – foi outro dos lamentáveis erros de comunicação do governo.’

    Caso mantenham a crítica de Mauro Santayana, gostaria que publicassem também o que escrevi anteriormente. Sem maiores ilusões, qulquer que seja a atitude da Globo, L.S.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem