Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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O golaço de Belluzzo

Por Luiz Weis em 15/12/2007 | comentários

Está em todos os jornais que contam – melhor, porém, no Globo – o registro do golaço marcado pelo economista, palmeirense fanático e presidente do Conselho Curador da TV Brasil, Luiz Gonzaga Belluzzo, logo no seu jogo de estréia.


A estréia foi a primeira reunião do organismo. Belluzzo havia sido convidado inicialmente para dirigir a emissora. Preferiu o Conselho. Como se previa, elegeram-no para conduzi-lo.


Ontem, matou no peito a questão central da nova TV – o seu grau de independência em relação aos poderosos de turno – e fulminou, sem defesa:


“Ser parcial a favor do governo é grave”.


Vejam como foi, lance a lance, o desempenho do palestrino, na narração do Globo:


Uma corregedoria fiscalizará passo a passo a movimentação da diretoria executiva e a programação da TV Brasil. Escolhido ontem presidente do Conselho Curador da emissora, formado por 20 membros das mais diferentes áreas, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo disse que planeja rigor no controle da nova TV – que, em sua análise, tem que estar livre de ingerências governamentais. A corregedoria, disse Belluzzo, terá poder até de demitir diretores.

– Nós não podemos fazer censura prévia, mas devemos sim controlar, sancionar o comportamento incorreto quando houver parcialidade ou mau uso da fonte. Isso não vai ser decidido autocraticamente, mas vai ser feito pelo conselho, porque essa é uma condição básica para que a TV pública mantenha a sua independência – afirmou o economista, lembrando que TV pública não é TV estatal.


A corregedoria, segundo Luiz Belluzzo, examinará os casos mais graves que chegarem à ouvidoria da TV. Para ele, é grave para uma emissora pública ser parcial: – Ser parcial a favor do governo é grave. Se eu tivesse que viajar para o Rio de Janeiro e para Brasília para presidir o conselho e aceitar que a empresa fosse para as mãos do governo era melhor eu ficar em casa, vendo o jogo do meu time, que é bem mais agradável – afirmou o economista, que ameaça deixar o cargo, caso perceba intromissões governamentais na emissora:


– Eu, por exemplo, não preciso para nada do presidente da República. Se ele meter o bedelho na televisão, eu vou discutir essa questão no conselho. Ele não vai fazer isso. Ele sabe com quem está lidando. Se eu constatar ingerências, renuncio rapidamente.

Os 14 representantes da sociedade civil no conselho foram escolhidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Metade dos conselheiros terá dois anos de mandato e outra metade, quatro.

Segundo Belluzzo, na próxima reunião, marcada para o dia 15 de janeiro, o grupo discutirá a criação de critérios para a substituição dos conselheiros.

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Franklin Martins, também presente ao encontro, na sede da TV Brasil, no Centro do Rio, afirmou que a medida provisória que cria a TV Pública já dá o poder de fiscalizar e demitir ao Conselho Curador.

Luiz Belluzzo afirmou que, para a independência ideológica, é necessário que a TV pública tenha também alguma autonomia financeira. Ele defendeu que os recursos do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) sejam repassados automaticamente para a TV.

Belluzzo afirmou ainda que a publicidade não será permitida na emissora e que os patrocínios serão controlados.

– Temos que ser rigorosos na definição do que é patrocínio e do que é publicidade. Se o povo já está pagando com imposto, por que vamos disputar com as privadas a publicidade? – indagou Belluzzo.

Eclético, o conselho reúne nomes com o do cantor de rap MV Bill, do produtor de TV José Bonifácio de Oliveira Sobrinho e do ex-ministro Delfim Netto, que não participou do encontro de ontem.”


Belluzzo furou apenas uma vez. Quando disse que acha ‘bem mais agradável’ ficar em casa vendo os jogos do seu time do que viajar por conta do novo cargo.


O Verdão terminou o campeonato brasileiro em sétimo lugar, tendo vencido só 16 das 38 partidas da competição.

Todos os comentários

  1. Comentou em 16/12/2007 paulo valladares

    Sr. Weis

    1- Belluzzo antecipou sua postura, coerente com a sua biografia, em ótima entrevista à FSP, dois meses atrás. Reconforta saber que existem pessoas que arregaçam mangas para fazer o Brasil melhor.
    2- A propósito de Brasil , tenho tentado,em vão, achar qualquer nova referência – em qualquer lugar, de qualquer fonte – sobre um dos assuntos comentados em seu post de 28 de novembro último.
    Na expecativa, o meu abraço.

    Paulo

  2. Comentou em 16/12/2007 Carlos N Mendes

    Mas é justamente isso que se espera de QUALQUER TV pública. Governos vem e vão. O melhor tipo de governo é a anarquia – não há a necessidade de chefe, todo mundo sabe o que fazer. Como estamos a milênios da implantação de algo parecido, resta esperar que o Governo implante algum mecanismo administrativo que bloqueie qualquer caráter político na TV pública. Nesse tipo de mídia, deve ser sempre educação em primeiro lugar e informação DESCONTAMINADA e ISENTA em segundo. Mas desconfio que é esperar demais da natureza humana.

  3. Comentou em 16/12/2007 Ivo Aldo Auerbach

    José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (ex-Rede Globo) e ex-ministro Delfim Netto. Com esse “eclético conselho”, a TV Pública deixa de cumprir a função para qual foi destinada, para tornar-se mais uma vez, ferramenta de manipulação da opinião pública! Não entendo por que o Beluzzo convocou esse pessoal!

  4. Comentou em 15/12/2007 Ivo Aldo Auerbach

    José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (ex-Rede Globo) e ex-ministro Delfim Netto. Com esse “eclético conselho”, a TV Pública deixa de cumprir a função para qual foi destinada, para tornar-se mais uma vez, ferramenta de manipulação da opinião pública! Não entendo por que o Beluzzo convocou esse pessoal!

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