Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

O Google News e a desvalorização da notícia

Por Carlos Castilho em 09/05/2006 | comentários


A observação durante uma semana do noticiário do Google News  em português mostra que o sistema automático de garimpagem, processamento e publicação de notícias, apesar de algumas gafes, não perde em atualidade e diversidade para os noticiários produzidos por jornalistas como o Último Segundo  e o Yahoo News em português.


A seleção de notícias apresenta pequenas variações de um serviço para outro, e as diferenças aparecem quando não há um fato predominante. Foi o caso do dia 5 de maio quando a edição Google News das 14 horas deu manchete principal para o caso de um brasileiro condenado a 25 anos de prisão em Portugal, enquanto o Yahoo News privilegiou a captura de um ladrão em São Paulo que deixou o seu curriculo no local do roubo. O Último Segundo destacou, ainda no mesmo horário, o problema do gás boliviano.


O Google selecionou o brasileiro condenado porque os jornais portugueses também estão na lista de publicações monitoradas pelos crawlers (micro- robôs) e como a notícia foi muito publicada lá, ela acabou ganhando aqui mais espaço que as brasileiras.


Já o Yahoo e o Último Segundo, que apostam nos seres humanos, se orientaram pelo faro jornalístico, um pelo lado bizarro e outro pela agenda da imprensa.


As diferenças entre a pauta eletrônica (Google News) e a humana (Yahoo e Último Segundo) acabaram não sendo muito grandes porque no fundo todos trabalham com a mesma matéria prima, o noticiário produzido por algumas grandes empresas jornalísticas como a Folha de São Paulo, O Globo e Estado de São Paulo, que dominam o mercado de notícias no eixo Rio, São Paulo e Brasilia.


O Google News varre cerca de 200 publicações brasileiras, algumas delas pouco conhecidas como o site Buxixo, especializado em noticias do show biz. Em teoria o noticiário automatico deveria estar menos sujeito às distorções e preconceitos, mas na prática ele acaba sendo contaminado também.


A oniprença de boletins informativos e noticiário em tempo real pela Web, rádio e até em anúncios publicitários está massificando a informação primária ou factual. O preço da noticia no mercado da imprensa caiu muito depois que a internet facilitou a cópia de material produzido por grandes jornais. Esta é uma das razões que explicam a decadência das agências de notícias.


Em compensação, a notícia contextualizada está valendo cada vez mais, fato que indica uma tendência que pode ser a salvação de muitos jornais.


O noticiário do Google News, Último Segundo e Yahoo, bem como o material produzido pelas agências Folha, Globo e Estado tende a se transformar num serviço gratuito que funciona como chamariz para produtos mais caros.


Por isto soa meio antiquada a queixa da Associação Mundial de Jornais (WAN) de que o Google News e outros noticiários automáticos como o Topix e o NewsBot são parasitários, porque usam notícias de jornais sem pagar. O que os jornais deveriam se preocupar é em priorizar a contextualização da informação.

Todos os comentários

  1. Comentou em 14/05/2006 Sergio Denicoli

    Muitíssimo interessantes as observações Castilho. Resta sabermos quais serão as implicações dessas novas formas de divulgação de notícias sobre o fazer jornalismo, mas isso só o tempo dirá. É satisfatório encontrar análises como esta na Internet.

  2. Comentou em 10/05/2006 Alexandru Solomon

    Perplexos, no mínimo…
    A sucessão de eventos estarrecedores no Brasil pode ser creditada às elites reacionárias, seja lá qual for a definição que se dê a essas tais elites? Um certo cansaço se estabelece. Será possível que esse é o decantado jeito petista de governar, ou então, pior ainda, será que governar é isso, sem discriminação de partido? Não é possível engolir, fingindo que nada aconteceu, o festival de eufemismos que vão dos famosos ´recursos não contabilizados´ por certos integrantes à tristemente famosa ‘imprecisão terminológica’ de ministros depostos. Já que ficou esclarecido um ato totalitário, em compensação não ficou claro quem esteve por trás dessa turpitude, ou isso é irrelevante?
    Bem dizia Zarathustra: ‘Onde não se pode mais amar, passa-se ao largo.’ Esses dizeres poderiam ser adaptados: ‘Quando não se pode mais confiar, é preciso aprender a votar’.
    Mas será que saberemos votar? Se aqueles que renunciaram retornarem, será o caso de arquivar nossas esperanças?
    Na famosa entrevista de Paris, nosso Presidente fez questão de salientar que caixa dois é algo que sempre houve por essas bandas. Então, se houve um procedimento errado, ele foi consagrado pelo uso, a ponto de o partido que se dizia guardião da ética o tenha adotado e desenvolvido?

  3. Comentou em 10/05/2006 Wagner Gonzalez

    É preciso lembrar que o Google News permite a personalização da notícia. Tenho o meu configurado de forma a apresentar notícias que possuam assuntos de meu interesse. Desta forma, é possível evitar a massificação, maximizando e objetivando o noticiário.
    Obrigado

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem