Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O impreciso perfil do eleitor brasileiro

Por Luiz Weis em 12/07/2006 | comentários

Vejam como são as coisas na imprensa.

Lendo o Estado de hoje, fica-se sabendo que 73,3 milhões de eleitores, ou perto de 3 em cada 5, não têm nem quatro anos de escola.

Desses, 8,2 milhões são analfabetos e 21,3 milhões são analfabetos funcionais – só sabem ler e escrever.

Abra-se a Folha e não se encontrará uma única palavra sobre o perfil escolar do eleitor brasileiro. Mas se encontrará as palavras e os números necessários sobre a distribuição do eleitorado por sexo e faixa de idade.

As mulheres são 51,5% do total, os homens 48,3%. Os eleitores livres para votar ou não – entre 16 e 18 anos e com mais de 79 – somam 3,6 milhões (1,6 milhão de jovens).

Aí o leitor se perguntará: será que a Folha comeu mosca, não dando nada sobre o fator talvez mais importante do que sexo e idade na decisão do voto – o grau de escolarização do votante?

Não. Comeu mosca foi o Estadão, ao não relativizar os números desse quesito. Informa o Valor, em matéria de Juliano Basile:

”Esses dados [sobre nível de instrução] estão defasados. O tribunal [eleitoral] não tem condições de atualizar essas informações. Por exemplo, se o eleitor tirou o seu título em 1989, com 16 anos e registrou, na ocasião, que não possuía segundo grau completo, mesmo que ele tenha se formado depois disso é essa primeira informação que conta para efeito das contas do TSE.”

Em outras palavras: só se pode afirmar ao certo, nesse departamento, o percentual de eleitores que informaram ter curso universitário completo. Pelo óbvio motivo de que para trás eles não podem ir. Ao passo que uma parcela de analfabetos, semi-analfabetos e colegiais podem ter subido na escala da escolarização desde que tiraram o título.

É claro que o padrão geral não se altera: os eleitores que estudam em faculdades ou já se diplomaram são um contingente ínfimo do eleitorado: nem 6%. E a grande maioria, sejam os 58% anunciados pelo Estado ou menos do que isso, estão na base da pirâmide educacional.

Mas jornais têm obrigação de esclarecer o leitor de que certos números não devem ser tomados ao pé da letra. Ocorre que isso só se faz indo além dos burocráticos press-releases da fonte dos dados.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 12/07/2006 Jorge Washington Astigarraga

    Não foi só isso que a imprensa omitiu.Nos principais meios de comunicação,a notícia sobre a subida do candidato do PSDB à presidência,de 20 para 28%,apareceu como fato novo,sem se dizer que estes índices foram divulgados logo após a desistência dos candidatos do PMDB e do PSB a quase 40 dias.O índice permanece o mesmo,nada mudou.Inclusive a participação da mídia,que já optou por um dos lados da disputa.Fazer de notícias velhas,fato novo,é sem dúvida um ótimo exemplo de mau jornalismo.E ainda se diz, que não há perseguição ao candidato à reeleição. Se não se fala sobre isto,por que se esclareceriam certos números,como frizou o sr. Weis?

  2. Comentou em 12/07/2006 ANTONIO TORTURA

    OLÁ..
    PODE PARECER NADA DEMOCRÁTICO OU SEM INTERESSE POLITICO O QUE VOU DIZER,MAS EU ESTOU TÃO ´´ANIMADO´´COM ESSAS ELEIÇÕES QUE SE ELAS FOSSEM FACULTATIVAS-ESPERO UM DIA QUE SEJAM-EU NEM TINHA O TRABALHO DE IR VOTAR,DADO AOS FATOS QUE ESTÃO ACONTECENDO NESTE PAÍS……
    ANTONIO.

  3. Comentou em 12/07/2006 Eduardo Guimarães

    Caro Weis, não seja inocente. A idéia do Estadão é desqualificar o eleitor brasileiro por sua escolaridade baixa. Só que quando votou em FHC, aí não se falava dessas coisas. E o que diabo tem que ver a escolaridade do cidadão na questão do voto? Quer dizer então que o melhor para o Brasil é reintroduzir o voto censitário? Daqui a pouco vão exigir também a declaração de imposto de renda para que o leitor seja habilitado a votar. Só que essa gente está dando um tiro no pé. Está ofendendo o eleitorado. Domingo, no fantástico, a ‘Bia Falcão’ deu uma entrevista descendo a lenha nos brasileiros por sua preferência por Lula, obviamente que por meio de insinuações. Depois a mídia não entende porque Lula não cai nas pesquisas.

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