Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1010
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O jornalismo diante do ‘síndrome da salsicha’

Por Carlos Castilho em 12/05/2006 | comentários


Sete em cada dez jornalistas norte-americanos foram acusados de publicar matérias tendenciosas nos últimos 12 meses. Este alto indice de desconfiança foi constatado numa pesquisa feita pela Medill School of Journalism, da Universidade Northwestern, considerada uma das melhores escolas de jornalismo dos Estados Unidos.


A pesquisa pretende ser uma radiografia ética das redações norte-americanas num momento em que a imprensa começa a ser cada vez mais escrutinada, tanto pelas universidades com principalmente pelo público consumidor de informações.


Outra informação revelada pela pesquisa é a de que metade dos 527 profissionais entrevistados admitiu ter testemunhado condutas anti-éticas nas redações onde trabalham, ao longo dos cinco últimos anos.


Os jornalistas consultados afirmam que a principal causa (70%) dos questionamentos éticos está nas informações distorcidas fornecida por fontes cuja credibilidade e fidedignidade não foram suficientemente checadas. Nada menos de 39% dos entrevistados disseram que as fontes distorceram a informação propositadamente e 31% admitiram que o material fornecido pelas fontes era confuso e induziu a erro na preparação da reportagem.


Este é uma das primeiras vezes que uma universidade resolve ir tão fundo na investigação das questões éticas e comportamentais dentro de redações jornalísticas. O resultado, como era de esperar, não é dos mais otimistas e confirma sérios problemas que normalmente passam desapercebidos ou são ‘jogados para baixo do tapete’.


Há uma forte pressão da opinião pública a favor de uma maior transparência nos procedimentos e normas internas dentro das redações, porque os leitores começam a ser influenciados pelo chamado ‘síndrome da salsicha‘. As dúvidas sobre os ingredientes que entram na fabricação da salsicha passam a ser compartilhadas por um número crescente de consumidores de informação que agora querem saber como as notícias são criadas.


Muitos profissionais ainda se deixam contaminar por uma reação alérgica à transparência sem levar em conta que o fim do segredo pode ser muito útil à atividade jornalistíca, porque vai obrigar também as fontes de informação, especialmene políticos e empresários, a serem igualmente transparentes. É um típico caso onde todos ganham.


Aos leitores – A íntegra da pesquisa ainda não foi disponibilizada na internet. Ela deve ser colocada proximamente no site da organização que a patrocinou, o Premio Mongerson Para Jornalismo Investigativo sobre Imprensa. Um resumo dos resultados está no site da revista Editor & Publisher .


O Premio Mongerson  foi criado em 1968 por um engenheiro norte-americano interessado em promover pesquisas sobre a imprensa. Desde 2003, o prêmio é administrado pela Medill School of Journalism, que distribui anualmente US$ 11.000 (em três categorias) para trabalhos que investiguem condutas anti-éticas ou enfoques distorcidos no noticiário de jornais norte-americanos. A iniciativa bem que poderia ser replicada aqui no Brasil. 


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