Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

O jornalismo diante do ‘síndrome da salsicha’

Por Carlos Castilho em 12/05/2006 | comentários


Sete em cada dez jornalistas norte-americanos foram acusados de publicar matérias tendenciosas nos últimos 12 meses. Este alto indice de desconfiança foi constatado numa pesquisa feita pela Medill School of Journalism, da Universidade Northwestern, considerada uma das melhores escolas de jornalismo dos Estados Unidos.


A pesquisa pretende ser uma radiografia ética das redações norte-americanas num momento em que a imprensa começa a ser cada vez mais escrutinada, tanto pelas universidades com principalmente pelo público consumidor de informações.


Outra informação revelada pela pesquisa é a de que metade dos 527 profissionais entrevistados admitiu ter testemunhado condutas anti-éticas nas redações onde trabalham, ao longo dos cinco últimos anos.


Os jornalistas consultados afirmam que a principal causa (70%) dos questionamentos éticos está nas informações distorcidas fornecida por fontes cuja credibilidade e fidedignidade não foram suficientemente checadas. Nada menos de 39% dos entrevistados disseram que as fontes distorceram a informação propositadamente e 31% admitiram que o material fornecido pelas fontes era confuso e induziu a erro na preparação da reportagem.


Este é uma das primeiras vezes que uma universidade resolve ir tão fundo na investigação das questões éticas e comportamentais dentro de redações jornalísticas. O resultado, como era de esperar, não é dos mais otimistas e confirma sérios problemas que normalmente passam desapercebidos ou são ‘jogados para baixo do tapete’.


Há uma forte pressão da opinião pública a favor de uma maior transparência nos procedimentos e normas internas dentro das redações, porque os leitores começam a ser influenciados pelo chamado ‘síndrome da salsicha‘. As dúvidas sobre os ingredientes que entram na fabricação da salsicha passam a ser compartilhadas por um número crescente de consumidores de informação que agora querem saber como as notícias são criadas.


Muitos profissionais ainda se deixam contaminar por uma reação alérgica à transparência sem levar em conta que o fim do segredo pode ser muito útil à atividade jornalistíca, porque vai obrigar também as fontes de informação, especialmene políticos e empresários, a serem igualmente transparentes. É um típico caso onde todos ganham.


Aos leitores – A íntegra da pesquisa ainda não foi disponibilizada na internet. Ela deve ser colocada proximamente no site da organização que a patrocinou, o Premio Mongerson Para Jornalismo Investigativo sobre Imprensa. Um resumo dos resultados está no site da revista Editor & Publisher .


O Premio Mongerson  foi criado em 1968 por um engenheiro norte-americano interessado em promover pesquisas sobre a imprensa. Desde 2003, o prêmio é administrado pela Medill School of Journalism, que distribui anualmente US$ 11.000 (em três categorias) para trabalhos que investiguem condutas anti-éticas ou enfoques distorcidos no noticiário de jornais norte-americanos. A iniciativa bem que poderia ser replicada aqui no Brasil. 


Todos os comentários

  1. Comentou em 02/06/2006 Maurício Pessoa

    Belo artigo, mas a verdade é que todos deveriam saber como são feitos a salsicha, o jornalismo e a justiça.

  2. Comentou em 29/05/2006 Ivan Moraes

    >>de volta ao tema: a pressão vem sempre dos patrões da mídia e associados. a veja dos mainardis e a globo dos bonners é a regra<< Falando em tantas peruas de baton marron, Brasilia recua quando chantageada por um banqueiro, e a media tambem.

  3. Comentou em 15/05/2006 Rafael Chat

    francisco latorre, não sou direitinha não, eu era eleitor de carteirnha do Lula, Olívio Dutra e outros. Tenho fotos e autógrafo de todos. Paguei mico a vida toda defendendo-os. Aí quando foram pro governo me caíram as fichas – eles eram péssimos. Agora, com relação ao que falei antes pro Amarildo, de quem tomaste as dores, é pra pegar no pé mesmo, pra provocar. Sem provocação não tem debate. Ao invés de me ofender, porque não tenta defender as posições dele?

  4. Comentou em 15/05/2006 Carlos Alberto Gesteira

    É, extremamente necessário, a criação de um prêmio, tipo o MONGERSON, no Brasil. Sugerimos que as Universidades Federais de Jornalismo comandem essas pesquisas.

  5. Comentou em 15/05/2006 francisco latorre

    castilho, caro jornalista.
    de volta ao tema:
    a pressão vem sempre dos patrões da mídia e associados.
    a veja dos mainardis e a globo dos bonners é a regra.
    o OI e carta capital são excessões.

  6. Comentou em 14/05/2006 francisco latorre

    o seu dotô rafael:
    porque ofender o amarildo?
    vá para cuba?
    vá você pra américa de bush
    ou viaje no tempo, volte pra ditadura.
    nem todos crêem que ser empresário-patrão é o paraíso.
    lástima. típico direitinha, raivoso, reacionário, egoista.
    faminto insáciavel, deseja consumo e poder.
    Reich explica.

  7. Comentou em 14/05/2006 Wagner Maia

    Seria interessante relacionar os dados de credibilidade ao periodismo do material publicado. Talvez, periódicos mensais, semestrais preservem maior confiança junto ao seu público-leitor. Apesar dos semanais tentarem cumprir o papel de ‘análise’, tendo como base os diários, parece-me evidente interferências de pré-julgamentos no trabalho dos jornalistas, que preferem seguir a linha do ‘senso comum’ das redações. O que possa crer numa desafinação das empresas de comunicação com um projeto de nação, ou descrença no potencial humano de mobilização. Até porque, ler um texto com responsabilidade é bom e os leitores gostam.

  8. Comentou em 14/05/2006 Rafael Chat

    Ô Amarildo, só é inteligente quem é de esquerda? E só é bom quem é pobre? Porque? Desde quando? E de onde saiu este assunto? O que tem a ver com o tema? Porque tu não assume que é recalque e tenta tu mesmo ser um empresário ético e bem sucedido? É o que tu queres. Cresce e assume isso. Seria bem mais produtivo e menos sofrido. Ou então pare de encher os outros e vá morar em Cuba, onde todos, exceto a turma do governo, são igualmente miseráveis.

  9. Comentou em 14/05/2006 CARLOS Santos

    Caros senhores, há bem pouco tempo a minha classe (militares),não podia se manifestar publicamente sobre o que pensava e pra falar a verdade nem sei se hoje temos esse direito.Vou deixar o que eu chamo de conselho;A sociedade, a imprenssa, os politicos todos nós estamos perdendo a oportunidade de transformar nosso País num lugar melhor, melhor não só um grupo de poucos, mas para todos.

    Humildemente, Carlos (Um brasileiro).

  10. Comentou em 13/05/2006 amarildo silva

    Caro L Paulo Azevedo, certamente as pessoas acadêmicas que tendem ao esquerdismo, é poque são inteligentes e honestos porque eles sabem que não existe milagres da multiplicação,na sociedade sempre vai aver uns mais ricos em relação ao outro. uns gostam de viver mais a vontade gastando tudo que pode outros mais seguros mas o pobre tem que ter dignidade pelo menos o direito de poder criar 1 filho sequer com todas a condições básicas como saúde,estudos e laser. Más até isso é negado principalmente pelos empresários que junto com o governo ninguem sabe quanto realmente eles ganham pois se quisessem serem justos apresentariam uma planilha de custos que pudesse ser comprovada, para sabermos quem é quem de verade. Eles acham que um sálario mínimo é o fim do mundo para pagar uma pessoa, sempre que conseguem algum beneficio do governo embolsam e nunca repassam como foi no combustivel se não me engano 11% nem um centavo sequer esses mortos de fome nós deram. como viver em paz com dois lados protegendo uns aos outros e nós pagando aconta? no brasil principalmente as pessoas querem ficar ricos da noite para o dia.
    É isso ai meu caro, até

  11. Comentou em 13/05/2006 amarildo silva

    Eu sempre faço a seguinte pergunta, como as pessoas podem ter a certeza que está fazendo o julgamento certo sobre uma questão? Acredito que é através de informação, e se a informação não for confiavel? Certamente cometeremos equívoco, será que os meios de informação estão preocupados com isso? existe algum departamento para orientar as pessoas desse meio?. Eu prefiro ler hitórias procurar entender a evulução e tirar minhas propias conclusões. As tentações do dinheiro nós fazem cada vez mais hipócritas

  12. Comentou em 13/05/2006 L. Paulo Azevedo

    Bom, se enfocarmos essa mesma questão sob a perspectiva da realidade brasileira, vamos cair na constatação de que a imprensa sofre fortes pressões e influência de militantes de partidos que se auto-classificam como ‘de esquerda’.
    Voltando à abordagem da questão sob a perspectiva norte-americana, chamou-me a atenção o fato de que a suposta ‘auditoria’ da imprensa seria feita por pessoas ligadas ao ambiente acadêmico, necessariamente tendenciosos em favor do ‘esquerdismo’, como nos mostra Roger Kimball. Em suma, tá tudo dominado! O pensamento de esquerda é mundialmente hegemônico nos meios jornalísticos.
    Stédile está com a faca e o queijo na mão para proclamar-se Rei!

  13. Comentou em 13/05/2006 Luiz Weis

    Caro Castilho. Não ficou claro para mim como os acusadores, que presumo sejam os 527 entrevistados, chegaram à tal proporção de 7 em 10 jornalistas [autores de matérias tendenciosas]. Abraço

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem