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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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O jornalismo enfrenta seu público

Por Carlos Castilho em 07/07/2006 | comentários


O diretor da Escola de Jornalismo da Universidade de Nova York, Jay Rosen, provocou há dias um pequeno terremoto nas redações norte-americanas ao publicar em seu blog Press Think o que muitos classificaram de ‘manifesto dos novos leitores‘ .


O texto começa assim: ‘Nós indivíduos, antigamente conhecidos como audiência, gostaríamos de informar à imprensa de nossa existência e da mudança de poder que está sendo alimentada pelas novas tecnologias, das quais vocês já ouviram falar’…


A altissonante proclamação do diretor de uma das mais prestigiadas escolas de jornalismo dos Estados Unidos aconteceu ao longo de uma semana em que o debate sobre o futuro da imprensa norte-americana foi o prato forte de todas as rodas jornalísticas no país.


Depois de Jay Rosen foi a vez do polêmico multimilionário Warren Buffet alfinetar os donos de jornais dos Estados Unidos ao anunciar num encontro com acionistas de suas empresas que a ‘imprensa é um negócio em permanente declínio‘ .


‘Eu tenho acompanhado os jornais diariamente durante os últimos 50 anos. O que estou testemunhando é a decadência de um grande negócio devido principalmente à resistência dos seus donos de ver as mudanças que estavam acontecendo à sua frente’.


Warren Buffet, embora não tenha chegado tão longe quanto Jay Rosen, também afirmou que o público é agora o grande protagonista da comunicação jornalística depois do surgimento de mecanismos como os weblogs, que se multiplicam ao impressionante ritmo de um por segundo em todo o mundo e já somam mais de 40 milhões.


Vin Crosbie, um respeitado consultor de empresas jornalísticas norte-americanas, somou-se ao côro dos que insistiram nas necessidade dos profissionais da comunicação passarem a ver seus leitores, ouvintes e telespectadores de outra maneira. Crosbie fez as contas e chegou à conclusão de que um jornal com 50 mil leitores diários terá que incorporar de um milhão a 50 milhões de novos leitores para manter a rentabilidade de edições impressas, diante da migração da publicidade e de publico para a internet’.


Um número como este é claramente inviável e a conclusão é a de que o modelo atual de negócios da imprensa poderá esgotar-se bem antes de outubro do ano 2044, prazo fixado pelo professor Philip Meyer, autor do livro The Vanishing Newspaper (A Agonia do Jornal).


Para Crosbie, Jay Rosen e Philip Meyer o problema dos jornais não está na questão financeira e administrativa mas, principalmente, na mudança de atitudes do público. Ao ter acesso a novos canais de comunicação, os leitores tiraram da imprensa convencional o monopólio da produção e distribuição da notícia.


O manifesto de Rosen, que foi tema de 9 em cada 10 blogs especializados em imprensa nos Estados Unidos na semana passada, anuncia: ‘Vocês (imprensa) não possuem nossas pupilas. Vocês não são donos da imprensa, que está agora dividida entre profissionais e amadores. Vocês não controlam a produção nas novas plataformas trecnológicas, que não são de mão única. Há uma nova balança de poder entre vocês e nós. As pessoas antigamente conhecidas como audiência, são simplesmente pessoas mais reais, menos ficcionais, mais capazes e menos previsíveis. Vocês deveriam saudar este fenômeno. Mas mesmo que vocês não o façam, gostaríamos de que vocês soubessem que estamos aqui’.

Todos os comentários

  1. Comentou em 20/07/2006 lais cerullo

    realmente, hoje o leitor pode dividir sua opinião mais facilmente, pois as colunas ´opinião do leitor´ são sempre pequenas e nunca publicadas na íntegra.
    com a internet, os blogs estão possibilitando essa troca, muito rica.
    a venda de jornais está em declínio, mas temos que lembrar que muitas pessoas ainda estão excluidas da rede.

  2. Comentou em 18/07/2006 Aécio Gusmão Cavalcanti Cavalcanti

    Os Jornais da TV mataram os vespertinos.
    A internete, as emissoras de rádio e TV voltadas exclusivamente para notícias e o celular conectado, matarão os jornais caso não se modifiquem de noticiosos para explicativos, analistas, comentaristas e colunismo de notas.
    Mesmo assim a venda em bancas definhará e quem não privilegiar os assinantes para manter elavada tiragem constante com receita certa para cobertura de custos e justificar-se como veículo de publicidade e de boa penetração em um determinado seguimento, logo perecerá.

  3. Comentou em 10/07/2006 ubirajara sousa

    Finalmente, o quinto poder. Chegou a hora de dizermos aos senhores veiculadores da notícia se ela nos impressiona bem, ou mal. Afinal, como leitores, compradores de jornais, revistas e outros veículos, somos os mantenedores dos senhores diretores, redatores, fotógrafos, auxiliares de serviços gerais etc etc. Pelos ‘blogs’ da vida podemos manifestar a nossa opinião sobre os assuntos veiculados. Não precisamos mais implorar, mendigar um espaço nas colunas ‘opinião do leitor’ para vermos (quando víamos) mutiladas as nossas manifestações. Viva a internet. Que proliferem e prosperem os ‘blogs’

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