Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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O jornalismo stand alone

Por Carlos Castilho em 02/05/2005 | comentários

Este é o termo cunhado pela jornalista norte-americana Chris Nolan para definir o perfil de um novo profissional surgido integralmente dentro da realidade cibernética. É mais uma da série de adjetivos que vem sendo pendurados no substantivo jornalista depois que a Internet e os blogs colocaram a profissão de pernas para o ar.


O conceito de jornalismo stand alone (expressão inglesa que significa sustentar-se sozinho ou auto suficiência) enfatiza a possibilidade dos profissionais vestirem simultaneamente as camisetas de repórteres ou comentaristas, empresários e marqueteiros de si mesmos. Em suma, virar pessoa jurídica.


Esta idéia não é nova e descreve com exatidão o que já fazem milhares de profissionais que trabalham autonomamente no jornalismo. A sacada de Chris Nolan foi vincular o velho free lancer às novas oportunidades de trabalho para os jornalistas na Internet, um mercado que, pelo menos nos Estados Unidos, começa a ser bastante atraente para quem preza a qualidade e a ética.


O jornalismo stand alone não é sinônimo de blog mas o utiliza como uma ferramenta obrigatória. Foi o que fizeram alguns ícones da blogosfera norte-americana como o liberal John Marsall, autor do Talking Points Memo ou o professor de direito Glenn Reynolds, do conservador Instapundit. Ambos não vieram do jornalismo, mas acabaram virando paradigmas da auto suficiência graças à qualidade das informações e opiniões que emitem em seus sites.


Esta nova modalidade de exercício do jornalismo adota os mesmos padrões dos redatores e comentaristas da imprensa convencional, mas usa um estilo de texto muito mais informal. É quase uma conversa com o leitor. Não há medo de emitir opiniões, o que aliás é o prato forte tanto do Instapundit como do Talking Points Memo. Os autores citam colegas e desafetos rotineiramente. Adoram uma polêmica e acima de tudo prestam uma enorme atenção aos comentários de seus leitores.


A grande maioria não depende financeiramente apenas do trabalho que fazem na Web, pois tem outras atividades. Foi graças a elas que financiaram até cinco anos de trabalho na Web sem ganhar um tostão. Hoje, Reynolds já fatura no Instapundit mais do que na Universidade do Tennessee, onde dá aulas, mas ele admite que não dá para largar tudo e ficar só na Web.


Aqui no Brasil, o jornalismo stand alone ainda é um sonho, mas a crise da imprensa pode torna-lo uma alternativa futura para muitos profissionais desempregados.

Todos os comentários

  1. Comentou em 04/05/2005 nando pereira

    Se é viável financeiramente são outros 500, mas há blogs interessantíssimos de jornalistas brasileiros na web, como o do Noblat e do Pedro Alexandre Sanches. O que eles escrevem nos blogs é impossível de imaginar – pelo tom e pela extensão – num jornal ou em qualquer outro meio. A descorporativização é salutar, e mesmo não tendo renda financeira, o resultado da ‘discussão pública’ parece render jornalística e pessoalmente. Estamos evoluindo.

  2. Comentou em 03/05/2005 Daniel Felippe

    Castilho, interessante esse conceito stand-alone no jornalismo on-line. Num mundo cada vez mais conectado, a individualização da informação, a força da opinião ‘pessoal’. A questão financeira é crucial: ao mesmo tempo que limita, liberta. Limita a profissionalização, liberta o jornalismo dos jornalistas…durma-se com isso. Não é de hoje que qq um ‘bate uma laje’ à revelia dos engenheiros, que pessoas se auto-medicam à revelia dos médicos. Certo ou errado, sempre haverão os pessimistas de plantão, os puristas que defenderão sua classe, mas vejo nessa ‘crise’ perspectivas muito interessantes para novos profissionais da comunicação. Teu blog reflete escancaradamente os desdobramentos da era da informação. Quem viver verá.

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