Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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O “trator” Google atropela a internet

Por Carlos Castilho em 31/10/2011 | comentários

Os dados são oficiais, fornecidos pela SEC1 dos Estados Unidos: a companhia Googlecomprou 57 empresas de software e hardware de janeiro a setembro de 2011 e pode até janeiro incorporar mais 10 a 15 outras , acumulando um total de aquisições no valor de quase US$ 2 bilhões. Isso sem falar na megaoperação de compra do setor de telefones celulares da empresa Motorola, numa transação avaliada em US$ 12,5 bilhões.

 

Não há notícias na história corporativa norte-americana de um tal furor aquisitivo por parte de uma empresa privada, num fenômeno que se torna ainda mais impactante pelo fato de envolver empresas que lidam essencialmente com produção, transferência e publicação de informações. A empresa Google tem hoje o maior acervo mundial de informações e não existem mais parâmetros para quantificar o volume de dados em poder da corporação fundada em 1998, por dois alunos do doutorado da Universidade Stanford, nos Estados Unidos.

 

A Google já deixou de ser uma produtora de softwares para se tornar uma recicladora de programas e equipamentos comprados de empreendedores autônomos, empresas iniciantes e até mesmo grandes corporações como a Motorola. Entre as principais aquisições feitas desta janeiro estão uma empresa produtora de softwares para administração de passagens aéreas, uma empresa para publicação de reviews de restaurantes e outra de compras coletivas.

 

Essas são apenas as compras consideradas grandes, porque, na verdade, o conglomerado que se tornou sinônimo mundial de buscas na web funciona como um verdadeiro “aspirador” de pequenas empresas. A estratégia é simples: em vez de arcar com os custos de produção, a Google compra pequenos e médios empreendimentos voltados para a produção de programas de computador e equipamentos de informática em todo o mundo.

 

A estratégia trator é a principal ferramenta desenvolvida pela Google para disputar com a Apple o título de maior empresa do ramo digital no mundo, com um valor estimado em bolsa de US$ 112 bilhões. A compra da Motorola Mobile, que fabrica os celulares Motorola, dará à Google condições de dominar o mercado mundial dos telefones inteligentes (smartphones), o desenvolimento de programas e a fabricação de aparelhos de telefonia.

 

A mais recente ofensiva da empresa criada pelos estudantes Larry Page e Sergei Brin tem como alvo o estratégico mercado da televisão. O site YouTube, controlado pela Google, prepara-se para lançar 100 canais de vídeo por meio dos quais os usuários da internet poderão criar uma programação personalizada, que vai bater de frente tanto com as emissoras de sinal aberto como as transmitidas por cabo.

 

É a mais séria ameaça já enfentada pelos grandes conglomerados do ramo audiovisual no mundo inteiro, porque o projeto da Google prevê um sistema de codivisão de lucros com os produtores de programas de vídeo, com os artistas e até com movimentos sociais. A cantora Madonna, por exemplo, tem uma produtora de shows chamada DanceOn e será um dos 100 parceiros da Google TV.

 

O crescimento da Google é um fator preocupante para os agora sete bilhões de seres humanos porque ele está sendo feito a partir da acumulação de informações sobre nós, os usuários da internet. Além de saber o que nós procuramos na web, a empresa conhece os nossos amigos por meio do correio eletrônico, tendo inclusive a possibilidade de acesso aos conteúdos das mensagens; sabe quais as nossas preferências noticiosas graças ao Google News, jornal automático personalizado; fotografou nossa casa no programa Google Earth; conhece nossos roteiros por meio do Google Maps; nossas compras digitais por meio do Google Offers e nossas transações financeiras pelo Google Wallets. Enfim, um verdadeiro Big Brother.

 

A existência de tanta informação num só endereço passou a ser uma grande incógnita não apenas para os usuários, mas também para as empresas concorrentes, porque Google está impondo um novo modelo de negócios baseado na filosofia da nuvem de informações. Em vez de ativos imobilizados, a empresa que inicialmente investiu em ativos intangiveis residentes2  agora põe as suas fichas nos aplicativos que o internauta usa sem ter a propriedade. O pagamento é indireto e se materializa no fornecimento de dados pessoais.

1 Securities and Exchange Commission – Orgão estatal norte-ameriocano encarregado do controle das bolsas de valores dos Estados Unidos.

2 Softwares instalados no computador

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