Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O magnífico desconhecido

Por Luiz Weis em 15/02/2008 | comentários

Páginas e páginas sobre o varejo dos cartões corporativos – o ministro da Previdência, Luiz Marinho, vai devolver R$ 60 que não deveria ter gasto, imaginem! – e nenhuma palavra nos jornalões sobre quem é afinal esse reitor da Universidade de Brasília, que atende pelo britanicíssimo nome de Timothy Mulholland.

O que o magnífico aprontou já se sabe. Ele gastou, como se divulgou e lembra hoje na Folha a colunista Eliane Cantanhêde, R$ 2.738 com três lixeiras; R$ 7.264 com plantas; R$ 36.603 com TV e som; R$ 21.600 com quadros – e por aí, no apartamento de cobertura que ocupava.

O que não se sabe, mas a imprensa já deveria ter informado, é quem é esse reitor, de onde vem, como chegou lá – e, principalmente, o que tem na cabeça e por que lhe falta a repugnância moral ao desbunde com o dinheiro público, que se tem o direito de exigir de um intelectual do seu – presumível – gabarito.

Cadê o perfil do homem? Ou será que já passou e só este blogueiro não viu?

O cardeal e a pedofilia

O mais recente sócio da concorrida confraria dos arremessadores de ataques injustificados à imprensa parece ser sua eminência reverendíssima Dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero – um dos principais órgãos da Cúria Romana, esclarece o Estado de hoje.

O bom pastor disse que os desvios e abusos na conduta moral dos clérigos, como a pedofilia, são “muito destacados e superdimensionados pela mídia”, porque, “provavelmente”, não chegam a 1% os envolvidos.

Informa José Maria Mayrink, talvez o jornalista brasileiro que mais conhece os assuntos da Santa Madre, que há no mundo 406 mil padres, dos quais 18 mil no Brasil.

Um por cento de 18 mil são 180. Arredondando para baixo, por causa do “não chegam a”, fica por 100, 120.

Então a imprensa superdimensiona atos eventualmente cometidos entre nós por uma centena de homens de fé. Ou melhor, o ato desviante e abusivo “mais grave, sem dúvida”, segundo o cardeal, “principalmente por causa das vítimas, que são crianças cujas vidas ficarão traumatizadas e feridas, quase sempre de modo irreparável”.

Ora, não se pode querer guardar a hóstia e comê-la. Se a pedofilia é o que ele disse – e não passa pela cabeça de ninguém decente que não seja rigorosamente isso – criticar a mídia por “superdimensionar” a sua ocorrência na Igreja é tão impróprio como pôr Pilatos no Credo.

Se fosse coerente com os seus elevados princípios morais, Dom Hummes deveria dizer que, sejam quantos forem os pedófilos de batina, faz muito bem a imprensa em expor os seus crimes.

Porque um em mil já seria demais.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/02/2008 Luiz Paulo Santana

    Achei que você ia nos dar o perfil do homem, Luiz, que curiosidade! Outro dia pensei nisso: deve ser uma sumidade, algo que compense e recompense o fato dos professores da instituição terem-no mantido no cargo. Estou na espectativa. Deve ser uma sumidade!!!

  2. Comentou em 18/02/2008 Kleber Carvalho

    José de Almeida, temos aqui bem embaixo do nariz de vocês bahianos um des(governador) do mesmo quilate (?) de seu genérico que governa São Paulo, a mídia daqui está caladinha já se vão 6 anos.

  3. Comentou em 18/02/2008 Max Suel

    É …. 470.000,00 daria para cobrir o pequeno (em extensão) Estado do Sergipe de tapioca. É … para alguns 470.000,00 é quantia desprezível …. talvez uma ‘quantia tapioca’ . No mundo em que vivemos 470.000,00 é muito dinheiro. Eu, em mais de 34 anos de trabalho não consegui poupar nem 1/3 (um terço) deste valor; … já um ‘magnífico tapioca’ (segundo um leitor contra-tapioca) gasta tranquilamente tal quantia, e nós, ‘leitores tapiocas’ (sempre segundo o leitor contra-tapioca) não devemos estranhar, devemos achar que é só uma ‘notícia tapioca’. é coisa banal, coisa de quem não tem o que noticiar ….. (a escravidão ideológica não é nada ‘tapioca’). Ass. Max (que de quando em vez gosta de comer uma tapioca em SP, paga com recursos próprios)

  4. Comentou em 18/02/2008 Jose de Almeida Bispo

    E o Noticiário Tapioca continua. Artigos Tapiocas, Comentários Tapiocas de vez em quando e, claro, em São Paulo nada de mal acontece. E o governador não governa porque de fato ele é presidente da República, por enquanto alijado do cargo por um impostor.

  5. Comentou em 17/02/2008 Patrick Lucas

    Gostaria de saber porque a imprensa não publica nada sobre as reformas nos apartamentos
    funcionais dos ministros do STF, que são muito mais vultosas do que essa da reitoria da UnB.

  6. Comentou em 16/02/2008 Max Suel

    O ‘magnífico’ reitor gastou 470.000, 00 (quatrocentos e setenta mil reais) , dinheiro público, para reformar seu apto de cobertura (não dele, mas de seu uso). É um acinte. É um absurdo. Pouco importa os seus títulos acadêmicos (que qualquer criança pode acessar no google), ainda que fosse um ‘prêmio Nobel’, estes gastos sem dúvida abusivos são uma bofetada na gente brasileira. O que eu gostaria de saber é como é o perfil psicológico deste reitor: ele fica vexado? ele fica vermelho quando pego em falso?

  7. Comentou em 16/02/2008 Martin Montenegro

    Não, Luiz, não ‘faz muito bem a imprensa em expor os seus crimes’. Não da forma como frequentemente o faz. Não se trata de deixar passar em branco, mas com grande assiduidade a imprensa dispensa um tratamento a seus objetos de atenção de forma inconsequente – aos revezes que oriundam dessa superexposição. Pedofilia é um crime hediondo, não há dúvida, mas quem deve pagar por isso é o sujeito que a pratica, e não a instituição a que ele se filia, a comunidade em que ele é acolhido, os valores que ele alega preservar. A imprensa age, muitas vezes, como uma bomba atômica, que não elimina apenas o exército inimigo, mas toda a população civil num raio de centenas de quilômetros. E estes, o que tem a ver com os atos de um único indivíduo? E que conta é essa que ‘arredondando pra baixo fica por 100′, 120’? De onde tirou esses números? Assim você fica parecendo mais um ‘arremessador de ataques injustificados’. A Igreja (que é também feita pela comunidade que a sustenta) se empenha, como fez em toda sua história, em controlar e corrigir os seus. Deixe-a fazer seu trabalho.

    Quanto ao Sr. Mulholland – este que tem nome de filme maluco do David Lynch – concordo: nenhum jornalista se dispôs à missão de trazer à luz sua origem, finalidade, currículo.

    Você não saberia, assim, muito por acaso, nos dizer quem é o homem?

  8. Comentou em 16/02/2008 Odracir Silva

    Acho q o uso ‘irregular’ do cartao corporativo ee lamentavel. Porem, o pior ee qdo o uso irregular se daa por pessoas q foram apontadas para o cargo atraves de nomeacoes politicas. Se o funcionario for de carreira, demite-se e pronto. Agora, se for atrelado ao partido ou ao governo, dai ee obrigacao da midia em publica-lo. Sobre o reitor, a grande questao ee, a UnB teve algum beneficio em empregar este senhor? beneficio no sentido de reputacao cientifica internacional. Haa varias universidades americanas q pagam bem para professores q tenham boa reputacao cientifica. Pois atrai a atencao da comunidade cientifica para a instituicao. E para atrair estes profissionais, tem q se pagar um preco. Como ee q um gringo vai querer se mudar dos EUA para DF? Tem q haver regalias…

  9. Comentou em 16/02/2008 Cid Elias

    Weis, a culpa é do Lula! Sei que já sabes, mesmo assim vejamos o porquê do teu jornal e seus afins não querer publicar o perfil dele:
    ‘Biografia – Timothy Mulholland é doutor em Psicologia pela Universidade de Pittsburgh. Iniciou sua carreira na UnB em 1976, onde participou da implantação do Mestrado em Psicologia, e, com muitos trabalhos científicos publicados, participou intensamente da atividade científica em sua área no país. Foi subchefe (1979) e Chefe (1981) do Departamento de Psicologia e diretor do Instituto de Psicologia a partir de 1990. Foi diretor da Editora UnB entre 1985 e 1989, e chefe de gabinete do reitor João Claudio Todorov. De 1997 a 2005 exerceu o cargo de vice-reitor na gestão do professor Lauro Morhy. ‘
    O ‘perfil’ do Reitor não é exatamente o que a imprensa gostaria que fosse, não achas?

  10. Comentou em 15/02/2008 Ivan Moraes

    Mil e quinhentos dolares com 3 lixeiras? Nossa, iguais as minhas!

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