Quarta-feira, 18 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

O novo papel das audiências

Por Carlos Castilho em 01/11/2006 | comentários


Mais de 55 leitores postaram comentários sobre o texto anterior mostrando que há interesse e ambiente para avançar na discussão sobre o novo papel das audiências no processo da comunicação em ambiente web.


Este debate é essencial pois dele depende o futuro não só da nossa imprensa como principalmente da relação que os leitores estabelecerão com ela, em todos os níveis. E uma coisa começa a ficar clara: não se pode mais discutir imprensa sem levar em conta o público real.


Uso a expressão real porque a maioria dos jornalistas trabalha com uma visão demasiado esquemática baseada em pesquisas e estatísticas que geram uma percepção quase esterelizada da opinião pública.


Quando o público real tem a oportunidade de participar do debate ele surpreende e assusta os jornalistas porque introduz idéias, comportamentos, paixões e informações que não se encaixam na imagem que os profissionais da imprensa tem de seus leitores, ouvintes ou expectadores.


A grande maioria dos comentaristas reagiu ao uso da expressão patrulheiro porque viu nela uma conotação pejorativa ou de menosprezo. Isto mostra o cuidado com que os responsáveis por espaços como o Código Aberto precisam ter com a administração das palavras e o com o risco permanente e inevitável de ser mal interpretado.


Teria sido melhor usar outro adjetivo como vigilante, por exemplo, para evitar um mal entendido capaz de desviar o eixo da troca de idéias para fora da questão central do post que é o desconforto de muitos jornalistas no relacionamento com o público real.


Mas o problema não se limita ao uso de uma palavra e nem às recriminações mútuas entre profissionais e seus leitores. A intensidade com que parcelas do público passam a interessar-se pelo debate sobre tudo o que tem a ver com comunicação e imprensa indica que as categorias de produtor e consumidor de informação começaram a confundir.


Isto torna os jornalistas e o público parceiros do processo de construção de uma nova ecologia informativa tornada irreversível pela internet.


A transição de um ambiente de confronto para o de uma colaboração mútua vai ser complicado por conta de preconceitos e visões equivocadas herdadas do passado. A complexidade aumenta pela inexistência de regras porque tudo ainda é muito novo. A única e perturbadora certeza é a de que trata-se de um processo que não tem mais volta.

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/11/2006 Cice Borba

    Acho q os jornalisas tem grande responsabilidade na formação intelectual das pessoas.

  2. Comentou em 06/11/2006 ubirajara sousa

    ‘Como é que esse pessoal (e a mídia) ousa criticar ‘são’ Lula e seus apóstolos? Aceitar a crítica é aceitar que foram enganados, algo impensável para portadores de indigência mental’ Com essa e outras frases o senhor (jornalista?) Cloves Rossi define a nós, leitores (todos petistas, sem distinção, apenas porque oferecemos a crítica) que não aceitamos as suas (da mídia) verdades. Por coincidência, lá, no meu comentário, também falei do processo (utilizei o termo revolução) de reformulação do relacionamento mídia/leitor, já inciado e sem retrocesso possível. Quem não se atualizar, sucumbirá, no mais simples estilo dinossauro. Parabéns pelo seu texto.

  3. Comentou em 05/11/2006 Ana Bednarski

    Não sou petista, não recebo o bolsa família, não sou Nordetisna ( que inveja!), creio que há corrupção no governo, mas tenho a certeza de que nos últimos quatro anos apesar da imprensa demos um salto enquanto nação e cidadãos.

    E eu espero do jornalista é um compromisso com a liberdade saindo em busca da verdade de uma maneira mais isenta.

    PS.: A vejinha mais do que qualquer outro deve ir para o lixo, a Capricho é melhor, pois pelo menos é divertida, tem receitas, horoscopos e dicas mais úteis.

  4. Comentou em 05/11/2006 Ana Bednarski

    São duas perguntas:
    1- Que Brasil queremos?
    2- Quem somos nós?
    Caro Carlos tenho a mais absoluta certeza que poucos jornalistas saberiam responder esta pergunta.

    Acho que partindo para a discriminação e a generalização simplesmente acordaram um gigante adormecido.

    Se voce como jornalista fica sentado em sua mesa em frente ao seu computador recebendo informações on line e escrevendo sua opinião à respeito, então quem está na Net ‘ de pijama’ está fazendo o mesmo Nes pas?

    Agora quantos jornalistas estão ‘em campo’, não nas portarias dos palácios, ministérios, PF, atrás de qualquer fonte de informação onde não se tenha que gastar a sola do sapato, mas nas ruas, investigando, aprofundando e principalmente conhecendo o Brasil e os brasileiros.

    Eu de minha parte decreto o fim de jornalistas como Castanhede, Leitão, mainardis ‘naftalina’ (minúsculo mesmo)e afins, me diga sinceramente em quê essas pessoas contribuiram na formação de uma imprensa séria e honesta, no quê seus artigos contribuiram com nossa história.

    Basta de abobrinhas, é hora de se trabalhar sério, que a imprensa se salve, pois se tem algo que a imprensa tem de sobra é liberdade, porém usada com irresponsabilidade.

  5. Comentou em 05/11/2006 Ivan Moraes

    ‘A grande maioria dos comentaristas reagiu ao uso da expressão patrulheiro porque viu nela uma conotação pejorativa ou de menosprezo.’ (Vigilante’ eh uma palavra associada aa violencia nos EUA e como eu tendo a pensar com vocabulario internacional, a palavra ‘patrulheiro’ tem zero conotacoes pra mim (eu traduzo como ‘thought police’). Mas tambem nao pode ser entendida em outro extremo de significativo. Perdao por nao lembrar quem, mas outro dia um dos comentaristas aqui se declarou como um ‘patrulheiro’ contra o antisemitismo ou coisa que o valha (nao tenho a referencia imediatamente). Nos vamos comecar a pensar que (Weis? Malin?) esta na virada da esquina com uma panela na mao esperando algum insulto aos judeus pra atacar? Ou seria mais razoavel dizer que essa eh uma especialidade logica e cultural dele e que ele esta mais preparado intelectualmente pra ela? Pra alivio de, uh, todos eu, quem leu aparentemente nao se ‘ofendeu’, mas nao da pra saber se foi por entender o que ele tava falando, ou se aquele foi um shocado silencio que se seguiu. QUanto a ‘inexistência de regras porque tudo ainda é muito novo’, tudo eh novo e o meio tende ao chaos naturalmente, mas principalmente a voz do leitor eh nova: leitor nao eh mais abstracao. Viva o leitor! (Tudo vai passar… ate o chaos.)

  6. Comentou em 04/11/2006 Paulo Eduardo Araujo Antonechen

    Bom artigo, Carlos Castilho!!
    Primeiro por reconhecer a necessidade de uma ‘administração das palavras’ para que o debate não siga para outro rumo, contrário do que era proposto. Nesse sentido você poderia sugerir ao Dines um tom mais respeitoso e menos apaixonado nas suas (as dele) avaliações sobre essa ‘manada’ ou ‘boiada’ (termo que ele usa para nos descrever)! Termos esse que desqualificam a nós leitores, por muitas razões – primeiro: pelo motivo de nos (des)qualificar como sendo desprovidos de discernimento e que esse ‘ódio’ a mídia (que eu chamaria de descontentamento – com a meia verdade midiática) é resultando da indicação por alguém, um lider (um Hitler qualquer no nosso Brasil), etc… de um inimigo – a pobre Mídia!
    Ora, isso é de uma leviandade sem limite, e já que seus artigos, caro Castilho, tem indicado o diagnóstico do novo leitor/participante do processo discursivo, apontando uma realidade diversa ao costume, e alertando que do lado de cá, da Internet, do Jornal, da TVs, tem pessoas, existe voz, e na maioria dos casos discordantes da cobertura jornalistica atual (espero que mude, seja menos parcial), gostaria de sugerir que você imprima esses seus artigos e faça o favor de entrega-los ao Sr. Dines, para que ele mude o tom de seus artigos e se possível volte a ser o ‘velho’ Dines, ponderado, equilibrado, mas que de uns tempos tem revelado uma outra face.

  7. Comentou em 04/11/2006 Paulo Eduardo Araujo Antoneche

    Bom artigo, Carlos Castilho!!
    Primeiro por reconhecer a necessidade de uma ‘administração das palavras’ para que o debate não siga para outro rumo, contrário do que era proposto. Nesse sentido você poderia sugerir ao Dines um tom mais respeitoso e menos apaixonado nas suas (as dele) avaliações sobre essa ‘manada’ ou ‘boiada’ (termo que ele usa para nos descrever)! Termos esse que desqualificam a nós leitores, por muitas razões – primeiro: pelo motivo de nos (des)qualificar como sendo desprovidos de discernimento e que esse ‘ódio’ a mídia (que eu chamaria de descontentamento – com a meia verdade midiática) é resultando da indicação por alguém, um lider (um Hitler qualquer no nosso Brasil), etc… de um inimigo – a pobre Mídia!
    Ora, isso é de uma leviandade sem limite, e já que seus artigos, caro Castilho, tem indicado o diagnóstico do novo leitor/participante do processo discursivo, apontando uma realidade diversa ao costume, e alertando que do lado de cá, da Internet, do Jornal, da TVs, tem pessoas, existe voz, e na maioria dos casos discordantes da cobertura jornalistica atual (espero que mude, seja menos parcial), gostaria de sugerir que você imprima esses seus artigos e faça o favor de entrega-los ao Sr. Dines, para que ele mude o tom de seus artigos e se possível volte a ser o ‘velho’ Dines, ponderado, equilibrado, mas que de uns tempos tem revelado uma outra face.

  8. Comentou em 04/11/2006 Augusto Mourão

    Caro Castilho,
    O seu artigo anterior já foi objeto de comentários elogiosos. Este também merece elogios, principalmente por que você deixa claro, ao citar os 55 comentários recebidos, que você lê o que as pessoas comentam.
    Seria o caso de você aconselhar o Dines a fazer o mesmo.
    Parabés.
    Augusto Mouão

  9. Comentou em 04/11/2006 Ricardo Rabelo

    Caro Carlos,

    que bom ver uma voz de coerência no site do OI. Vc cita em seu comentário a presença de 55 posts e traz isso para o ambiente da importância do debate com a audiência. Os posts do Sr. Dines ja estão com 500 comentários independentes, criticando a posição dele e agora ele fala de hitlerismo. É uma tristeza ver tamanha decadência dentro do OI. Ainda bem que sua postura reflete um pouco mais de parcimonia, em considerar a posição da audiência. A internet permite uma via de mão dupla e isso parece assustar aqueles acostumados em sempre ter o poder nas mãos.

  10. Comentou em 04/11/2006 Magna Moreira

    Parabéns. Enfim, um texto lúcido sobre as mudanças de relação entre jornalistas e leitor. Considero de fundamental importância que os jornalistas nos vejam a nós leitores como alguém que pensa, que sente e que reage. Nesse aspecto, você já faz diferença, porque há tempos vem alertando sobre essa dinâmica mídia/ouvinte/leitor/telespectador na net. Até porque aqui rádio, tv e jornal se misturam. Agora, você precisa ter uma conversa muito séria com o Dines, viu. Ele precisa voltar a ser o jornalista lúcido, crítico sóbrio que ele era. Na minha opinião ele surtou. Ajude-o. Um abraço.

  11. Comentou em 04/11/2006 Carla Caroline de Oliveira Silva

    Castilho adorei seu texto a sua visão sobre a nova fase de relação entre o público e seus jornalistas era o que su discutia a pouco com um amigo pelo msn. A internet vai ter um papel primordial nessa nova fase. E tá na hora da grande mídia parar de pensar que nós leitores somos uma página em branco onde opiniões podem ser impressas sem um mínimo de resistência. como diria sofocles através de antigona – ‘ o povo fala…aos susurros na semi-escuridão, mas fala’

  12. Comentou em 04/11/2006 Marcelo Seráfico

    Castilho, acho que foste ao ponto! Na hora em que os jornalistas se libertarem das visões esquemáticas decorrentes da construção de um perfil mercadológico do leitor, poderão alimentar-se da polêmica, do conflito e das muitas visões que ajudam a compôr a realidade.
    Acho, também, que não há motivo para temer o confronto. Ele precisa, apenas, se dar em termos respeitosos como uma expressão de convicções diferentes sobre dadas questões, sem abstrair dos fatos. Parabéns, contudo, pelo evidente esforço de compreensão e diálogo, algo que tem estado ausente, por exemplo, da postura do Dines, que já foi uma referência para muitos de nós leitores.

  13. Comentou em 03/11/2006 Alfredo Lopes

    Excelente comentário. Que delícia. Eu acredito que é isto que o povo está buscando e deve buscar ainda mais. Pela democratização da mídia.

  14. Comentou em 03/11/2006 Lúcia Copetti Dalmaso

    Que satisfação ler este texto. As regras dessa interatividade vamos construindo momento a momento, na circunstância, na medida em que verificamos aquilo que melhor expressa o conjunto de modos e perspectivas distintas que todos temos, sem reducionismos, ou tentativas de totalizações, perspectivas fechadas. Beleza! Vamos construindo os melhores cenários dessa complexidade que estamos vivendo. Saudações!

  15. Comentou em 03/11/2006 Marco Costa Costa

    Senhor Carlos Castilho, muito bom o seu artigo. Porém, o mais importante não é discutir a livre expressão de pensamento e a democracia na imprensa. O mais importante, é debater a forma mais adequada do povo participar destes temas, ou seja, livre expressão de pensamento e democracia para o homem comum, a fim de que possamos ter melhores condições de vida. Notícia não põe alimento na mesa do trabalhador.

  16. Comentou em 03/11/2006 Daniel Campos

    Eis que me deparo com um texto racional, finalmente! Muito bom Carlos Castilho, o jornalista precisa mesmo começar à ouvir os seus leitores, porquê eles não são mais uma massa passiva. O leitor é uma pessoa muito ativa como mostram todas as mídias que permitem que possamos se expressar em relação ao que lemos na mídia

  17. Comentou em 03/11/2006 Luis Santos

    Castilho, sua atitude é louvável em considerar abertamente a opinião de seus leitores e interagir com eles, como fez nesse seu texto. É louvável também por reavaliar o texto passado, no que se refere à expessão ‘patrulheiro’, que sempre foi utilizada de forma negativa. É assim que se faz jornalismo, sendo cúmplices: imprensa e leitor, no processo da comunicação … PARABÉNS !!!

  18. Comentou em 03/11/2006 Marco Tognollo

    Parabéns pelo texto. Objetivo e sincero, sem atacar ninguém. è bom visitar o OI e verificar que ainda vale a pena dar uma lida nos textos – em alguns, é verdade.

  19. Comentou em 03/11/2006 Vitor Ley

    Carlos Castilho, acho que o senhor deveria procurar seu colega Dines para conversar sobre este assunto.

  20. Comentou em 03/11/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Que lição de humanidade, humildade intelectual e filosofia da comunicação! Você não considera os leitores uma ficção. Os jornalistas sempre escrevem para um público que presumem INGNORANTE, DESINFORMADO E INCAPAZ DE DESEMVOLVER QUALQUER PERCEPÇÃO DO MUNDO SEM A SUA AJUDA. Quando são obrigados a se confrontar com a realidade, ou seja, com o público de carne e osso QUE PENSA, DISCORDA E PERCEBE A REALIDADE DE MANEIRA DIFERENTE muitos jornalistas ficam atordoados. Alguns fogem do debate sob o pretexto de que os leitores são tendenciosos e não estão qualificados para debater. Esta posição, que mascara o tendenciosismo dos próprios jornalistas, é elitista, aristocrática (e, portanto, fadada ao lixo da história virtual). A maioria fica tentada a fingir que está tudo bem, conferem a palavra ao leitor mas escutam apenas as próprias palavras e as de seus colegas. Esta curiosa posição, em tudo similar a atitude do avestruz diante do perigo, tende a tornar o jornalista burocrático, tedioso e irrelevante (fadado a se tornar menos interessante do que seus comentaristas virtuais). A posição adotada por você, de debater com seus leitores abertamente, é corajosa, realista e sobretudo perfeitamente adequada às novas necessidades criadas pela inovação tecnológica. Você é um MOISÉS rebelde, tenta levar seu povo através do mar mas poucos querem seguí-lo. Serão afogados, FELIZMENTE!

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