Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O outro lado do ‘outro lado’

Por Luiz Weis em 05/02/2006 | comentários

No seu habitual artigo de começo de mês, publicado este domingo no Estado e no Globo, o ex-presidente Fernando Henrique afirma:

“Parte da mídia, talvez de boa fé, reproduz acriticamente as bazófias governamentais e não dá voz ao ´outro lado`”.

Mesmo em um artigo “de combate”, como esse, por oposição ao que poderia ter sido um artigo “de análise”, a distância entre as palavras e os fatos há de ter limites.

É falso que a mídia reproduza “acriticamente” as manifestações de Lula e do seu governo. Os grandes jornais, por exemplo, publicam frequentes editoriais de crítica aos pronunciamentos do presidente e à propaganda oficial.

Para não falar no que sai na revista semanal de maior circulação no país.

Quanto a não dar voz ao outro lado, basta a matéria de capa da revista Istoé desde ontem nas bancas para evidenciar o absurdo da queixa fernandina. Lá está ele, atacando, como diz a chamada, ao lado da citação: “A ética do PT é roubar”.

Na realidade, é o outro lado que tem motivos legítimos para se queixar de não ter acesso em pé de igualdade com o lado que se lhe opõe.

A Folha e o Globo, nessa ordem, até que dão voz aos governistas (e aos seus críticos de esquerda). No jornal paulista, um dos articulistas frequentes, para citar só um nome, é Emir Sader. No jornal carioca, por exemplo, tem Veríssimo todo domingo no caderno nobre.

Mas o Estado, justamente onde Fernando Henrique escreve, é um deserto de homens e idéias “do outro lado” nas páginas de opinião.

No mesmo Espaço Aberto (a página 2 do Estado) onde aparece hoje a verrina do ex-presidente, o solitário lugar deixado vago pelo ex-presidente petista José Genoíno, quando caiu no processo do chamado “mensalão”, não foi ocupado nem por seus sucessores (Tarso Genro e depois Berzoini), nem por qualquer outro representante do seu lado.

E Veríssimo faz tempo que foi mudado para o caderno cultural.

Em matéria de economia, então, pode-se dizer que os artigos assinados tendem a se dividir em dois grupos: o dos que concordam com os editoriais do jornal sobre o assunto, e o dos que concordam plenamente com eles.

Isso não depõe contra os articulistas. Eles escrevem o que pensam. Mas nenhum órgão da mídia chamada mainstream, ou convencional, deveria publicar apenas artigos que pudessem ser vistos como a continuação dos seus editoriais por outros meios.

P.S.Os leitores que me acusam de cumplicidade com o que entendem ser a política de dois pesos e duas medidas da mídia – assim, indistintamente –, quando trata das denúncias de corrupção lançadas ao governo e quando trata daquelas lançadas aos denunciantes, parecem esquecer um “pequeno detalhe”:

Se as acusações ao PT e ao governo veiculadas pela imprensa fossem pura fabricação, nem a cúpula do partido teria dançado, nem Tarso Genro teria defenido a “refundação” da legenda, nem, muito menos, o presidente Lula teria dito que foi traído e pedido desculpas aos brasileiros.

Menas, gente, menas.

***

Serão desconsideradas as mensagens ofensivas, anônimas e aquelas cujos autores não possam ser contatados por terem fornecido e-mails falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 06/02/2006 Jorge Washington Astigarraga

    A qual lado o ex presidente se refere?Ao lado que sempre disse amém a tudo que se relacionava ao seu governo,ou ao lado que sempre lhe apoiou,fingindo não ver o que acontecia?Para mim, os dois lados não tem nenhuma diferença.É sómente choro de quem podia ter feito mais e,não fêz.

  2. Comentou em 06/02/2006 almiro archimedes freesz...

    quando se está fora do governo críticas aos governantes feitas, principalmente pela imprensa, são sempre bem vindas.quando se assume a administração do país, como fez o PT com apenas ‘programa de poder’,a imprensa passa a ser invencionista com relação as críticas pelos erros e desacertos do novo governo. o PT, ou melhor sua cúpula, sem preconceito, paulista, usa e abusa deste tipo de defesa na tentativa de confundir a população. dizem que o poder é efemero, porém o PT mostrou que é muito mais. é também ganâncioso, desleal e ditatorial, mesmo que eleito de forma democrática. qual a culpa da imprensa neste embroglio petista gerado pela falta de maturidade destes senhores com relação a administração da coisa pública. estão errando a cada dia mais e persistindo no erro por não entenderem que são humanos e que poderiam errar como seus adversários. se realmente as denúncias divulgadas pela imprensa, que não foram e não são de sua autoria, fossem falsas que o PT abrisse processo contra os culpados. na realidade elas, as denúncias, saem de dentro do poder central de brasília -palácio do planalto- e pipocam no congresso nacional que as passam para os jornalistas que cobrem câmara e senado, para depois tomarem as edições dos jornais. se alguém tem culpa este culpado é o próprio PT. isto está cheirando ser mais uma mordaça que se quer colocar na imprensa brasileira.

  3. Comentou em 06/02/2006 fco assis costa

    FHC: elevou a divida interna de R$ 52 bi para R$ 670 Bi e elevou a divida externa de U$ 140 Bi para U$ 240 Bi, sem contar que ven(deu) U$ 97 Bi de empresas do Brasil. Recebeu o pais de Itamar numa situacao menos caotica do que entregou a Lula e nao melhorou os indices sociais, por isso, nao tem moral para falar do PT.

  4. Comentou em 06/02/2006 Haroldo M. Cunha

    Depois do que o Eduardo Guimarães escreveu, naõ tenho o que escrever e tô cansado para pensar em alguma coisa, por isso, se o senhor me permite, assino em seu texto também.

  5. Comentou em 06/02/2006 Sortelano Araujo Diniz

    O Verdadeiro Lado.
    Caro Weis,
    Tu tentastes jogar aos ombros do desacreditado FHC (vide pesquisas de opinião) todas as injustiças e imparcialidades que a mídia, nitidamente, pratica em relação a toda força política nacional e a dupla PSDB/PFL. Para estes últimos a mídia se calou nos oito anos da dinastia FHC, o Estado Novo às avessas: fins dos mínimos direitos trabalhistas e entrega do patrimônio nacional aos interesses externos. As semelhanças entre ambas as eras ditatoriais foi o completo manuseio da mídia e a total desqualificação da ‘oposição’ enquanto útil no jogo democrático: o desrespeito e a repulsa sistêmica de FHC e, infelizmente, por grande parte da mídia pelo PT (principal partido de oposição) ficou cristalina. Em particular,Weis, você mostrou estar neste centro preconceituoso, quando alude a um cacuete linguístico, para o deboche, ou para ‘desqualificar’ o argumento político daquele(s) que te faz(em) oposição.

  6. Comentou em 05/02/2006 Luis Marcelo Duarte

    O PSDB e seu guru mostram uma vontade de engrandecer o caixa 2 que eles também tinham e esquecem de mostrar os números de seus 8 anos de governo…de 8ªeconomia mundial para 15ªposição uma demonstração de incompetência ou má-fé! MUDE PSDB! Defenda ações de resultado positivo para o país talvez assim um dia esqueçamos o que foram os 8 anos de governo FHC!

  7. Comentou em 05/02/2006 Helenice Araújo Costa

    Independente de se o senhor tem razão ou não quanto à sua crítica, penso que essa ironia final não condiz com o a seriedade e o equilíbrio de seu texto principal.
    MENOS, senhor, MENOS preconceito lingüístico, porque este só denuncia os demais.

  8. Comentou em 05/02/2006 José Carlos dos Santos

    Vejam a chamada do OI de hoje, sem negar a importância do assunto que em minha opinião reflete o racismo crescente na Europa, basta ver as manifestações ocorridas nos estádios de futebol. Porquê o Dines, que vem pedindo investigação e punição para a corrupção do PT e aliados, não faz a mesma defesa de investigação e punição para dupla PSDB/PFL?
    Essas tentativas vãs de desqualificar a Lista de Furnas, ao invés de debater a ética de quem acusa raivosamente e faz da CPI palco eleitoral e têm muito o que explicar ao público.

  9. Comentou em 05/02/2006 Christian Cruz

    Repercussão demais dada aos escritos de alguém que, se viver até os 80 anos, vai repetir: ‘esqueçam tudo o que eu escrevi’.

  10. Comentou em 05/02/2006 Miguel do Rosário

    prezado Weis, voce caiu na armadilha da generalizacao. Ninguém jamais disse que todas as acusações ao PT eram falsas. O PT pediu desculpas formalmente à nação pelo Caixa 2. O que se acusa é a montanha de acusações paralelas, periféricas, os milhares de editoriais raivosos, a seleção de cartas negativas, as ilações estapafúrdias, os dólares de Cuba, as insinuações maliciosas. A imprensa ataca virulentamente o Supremo Tribunal quando ele não favorece a oposição, esquecendo de tantas vezes que o favoreceu. Desrespeito à democracia. Sem contar que num ambiente polarizado, de luta política, o ataque a um partido beneficia outro, de maneira que a imprensa tem se mostrado bem tendenciosa e ansiosa por trazer os tucanos ao poder, quiçá no intuito de impedir investigações sobre as privatizações ou se locupletar com dinheiro do BNDES…

  11. Comentou em 05/02/2006 The DarkMaster

    Hã… Para ser franco, FHC ainda crê ter algum a moral entre nós brasileiros? Isso me deixa surpreso. Ou ele é ingênuo ou é cara de pau, com clara possibilidade de ser a segunda opção. Ah, e estou curioso para começar o jogo político das eleições, e já cuidei de reservar a minha capa de chuva reforçada. Porquê virá uma tempestade de acusações, sangue e vísceras entre os partidos que eu tenho até medo de pensar

  12. Comentou em 05/02/2006 Eduardo Guimarães

    Luiz,
    Devido a esse artigo muito correto sobre o deserto de contraditório que é o Estadão, vou debater sua afirmação final deste último texto com maior paciência.
    Quem é que disse, Luiz, que a mídia inventou o escândalo do mensalão? Só um maluco de pedra diria tal coisa. Todos sabem que o PT, para chegar ao poder, aderiu a métodos da direita. Ponto.
    O que se questiona, porém, é que a mídia exponencia as denúncias contra o PT e condena Lula peremptoriamente; diz que o caixa 2 petista é a maior corrupção da história apesar de que sequer chega perto do populismo cambial tucano, que quebrou o Brasil em 1999 e o endividou com a bagatela de 40 bilhões de dólares para FHC reeleger-se.
    Seu colega Alceu Nader, no blog do OI Contrapauta, deu um excelente exemplo, inclusive, de como a mídia protege o PSDB minimizando-lhe os escândalos. Aliás, quando os tucanos eram governo você se lembra dos editoriais do Estadão contrários às CPIs da compra de votos, das privatizações, da corrupção etc? E hoje? Ah, hoje o jornal quer CPI para tudo.
    Luiz, você escreve no Estadão. Mas, tenha certeza, um jornalista que pretende ganhar a vida sendo competente e não deitando-se no chão para seu patrão de plantão e seus amigos políticos pisarem não pode ter a cara-de-pau de dizer que a grande mídia inteira não é tucana.
    Respeite-se, Luiz. Você merece.

  13. Comentou em 05/02/2006 José Carlos dos Santos

    FHC, destila seu veneno em uma mídia, que essa semana deixou claro de que lado está, e não é do lado do leitor, ataca um governo que até aqui no mínimo foi bem melhor que seus 8 anos, e ele pode alegar o que quiser a esse respeito mas os números não lhe são favoráveis, a começar pela mudança de rumos na Petrobras que passou a comprar mais dentro do país reativando estaleiros e empregando profissionais a anos no desvio do subemprego, aliás programa tão bem sucedido que Garotinho tenta assumir a paternidade.
    FHC, o professor aliás será que dá aulas no Brasil, ou sua preferência pelas coisas estrangeiras se repete nisso também, aliás qual a literatura usada por ele em suas aulas já que pediu para esquecermos tudo que ele escreveu, eu particularmente tenho um pedido a fazer ao ex-presidente, esqueça de escrever para nós, ou melhor esqueça de nós, volte para a Sorbonne.

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