Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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O pior Natal da história da imprensa norte-americana

Por Carlos Castilho em 09/12/2008 | comentários

Raríssimas redações terão algo para comemorar neste fim de ano nos Estados Unidos. Na maioria dos jornais e revistas norte-americanos o ambiente está pesado. O clima de pessimismo generalizado aumentou de intensidade com o pedido de concordata do jornal Chicago Tribune, com a colocação a venda do jornal Miami Herald e a confirmação de que outro titulo tradicional, o Rocky Mountain News, simplesmente não acha quem o queira comprar.


 


É muita noticia ruim em tão pouco tempo e a expressão efeito-dominó começa a ser mencionada com inquietante freqüência nos blogs e publicações especializadas em noticias sobre a imprensa. O próprio The New York Times não conseguiu escapar da boataria depois que o mais respeitado jornal dos Estados Unidos hipotecou parte de sua recém-inaugurada sede como garantia de um empréstimo de 225 milhões de dólares.


 


Além do Chicago Tribune, o grupo Tribune, controla mais jornais de grande porte, como Los Angeles Times, Baltimore Sun, Sun Sentinel e Hartford Currant. O conglomerado de oito jornais e 23 emissoras de TV acumulou dívidas de 3,5 bilhões de dólares com bancos e 8 bilhões de dólares com investidores privados. Segundo especialistas como Phillip Stone, do instituto Follow the Media, dificilmente a concordata salvará grupo Tribune porque há jornais demais à venda no mercado americano.


 


O escritor e consultor de comunicação, Paulo Gillin, criou o blog Newspaper Death Watch para acompanhar a agonia de grupos jornalísticos norte-americanos. O obituário do blog relaciona nove títulos de importância nacional e regional desaparecidos desde 2006. Já o “corredor da morte” inclui mais de 15 publicações que lutam para sobreviver a uma dupla ameaça: queda de 18,2% nas receitas publicitárias e redução média de 10 a 15% na circulação.


 


A colocação a venda do Miami Herald marca mais uma derrota do grupo McClatchy, que no ano passado comprou a maior parte dos jornais da cadeia Knight Ridder para logo em seguida revender 12 títulos com um prejuízo de quase 50 milhões de dólares. O grupo manteve, no entanto, o controle do Herald por considerá-lo lucrativo, mas agora é obrigado a reconhecer o seu fracasso quase total.


 


O grande número de jornais à venda jogou os preços para baixo. Além disso, as ações de grupos jornalísticos enfrentam a pior desvalorização de toda a história da imprensa norte-americana. Agora se explica por que a revista TV Guide, que chegou a ter uma circulação de 100 milhões de exemplares semanais, foi vendida por um dólar. O comprador arcou com uma divida de 100 milhões de dólares.  


 


O efeito-dominó deve mudar radicalmente a cara da imprensa nos Estados Unidos a partir de 2009, prevê Steve Outing, comentarista da Editor & Publisher, uma respeitada revista especializada na cobertura da imprensa. Ele aposta no desaparecimento de publicações tradicionais, algumas com mais de um século de existência, e o surgimento de iniciativas novas focadas basicamente no noticiário local.


 


Outing faz 10 sugestões aos atuais executivos de jornais norte-americanos visando reduzir o impacto da crise e evitar o “corredor da morte” na imprensa. A última e mais sintomática recomendação é: “Avalie seriamente a possibilidade de aposentadoria antecipada”.

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