Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

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O protagonismo eleitoral da imprensa e o futuro da indústria jornalística no Brasil

Por Carlos Castilho em 01/10/2010 | comentários


A imprensa sempre foi um protagonista relevante em eleições no Brasil, mas, até agora, a sua participação era menos importante do que o posicionamento dos candidatos. As polêmicas sobre o papel da midia se limitavam à sua estratégia editorial. Os candidatos faziam as denúncias e os jornais, revistas, TV e rádios repercutiam.


Em 2010 surgiu um novo enfoque na questão do protagonismo eleitoral da imprensa, pois ela passou a ser percebida como um partido de oposição. Esta percepção é uma consequência do fato de as denúncias terem sido feitas primariamente por orgãos da imprensa, cabendo a repercussão posterior aos candidatos.


Esta inversão de papéis é uma das causas do surgimento da idéia de que a publicação de escândalos de corrupção e de abuso do poder durante a campanha eleitoral de 2010 teria sido o resultado de uma operação coordenada, que equivaleria a uma ação típica de um partido político.


É importante ressaltar que tudo isto ocorre no terreno da percepção, ou seja, a forma como as pessoas percebem fatos, processos ou dados por meio dos seus sentidos. Numa campanha eleitoral, as percepções são alimentadas basicamente pelos veículos de comunicação e pelos formadores de opinião.


Mesmo sendo imateriais, elas (as percepções) são usadas hoje como base para estudos sobre comportamento humano no mesmo pé de igualdade que os fatos concretos. Em politica é corrente o jargão de que as versões (as percepções) podem ser até mais importantes do que os fatos.


Esta ‘viajada’ teórica visa mostrar como o protagonismo eleitoral da imprensa transformou-se num ‘fato’, mesmo sendo fruto de uma percepção. E é isto que gera uma situação nova com desdobramentos imprevisíveis.


Se a imprensa não adotar comportamentos que desmanchem as percepções desenvolvidas durante a campanha eleitoral, a credibilidade e independência de alguns jornais, revistas e emissoras de rádio ficará abalada. Sem credibilidade, o negócio da imprensa perde o seu principal ativo.


A sociedade brasileira não pode abrir mão da imprensa porque ela faz parte do conjunto de meios que levam e trazem informação, para e do público. A internet ocupou um bom espaço daquilo que era uma espécie de monopólio da imprensa escrita e audiovisual, mas não é hegemônica e nem onipresente.


Assim, o que provavelmente começaremos a assistir, passadas as eleições e dependendo dos acontecimentos imediatamente posteriores, é um questionamento do papel das empresas jornalisticas no Brasil, num processo que não tem nada a ver com liberdade de expressão.


Muito pelo contrário, dependendo do tipo de questionamento e da reação dos principais grupos midiáticos do país, o processo pode gerar uma inédita revisão das relações entre empresas e consumidores de informação.


Ninguém quer a ditadura de uma única percepção da realidade — portanto, se as empresas jornalísticas desejarem continuar cumprindo o seu papel de provedoras de informação terão que colocar a diversidade informativa como um dos seus objetivos centrais. Isto pode ajudar a anular a percepção de que a imprensa transformou-se num partido político.


A diversidade informativa levará também as empresas a rever o seu relacionamento com o público, porque ele hoje não é mais um consumidor passivo de noticias, mas um protagonista proativo no processamento de informações — não apenas no papel de cobrador de serviços qualificados, mas também como de fornecedor de matéria prima informativa, como é o caso de alguns weblogs.

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/10/2010 Wendel Anastacio

    Castilho como sempre, na mosca! Sem comentários, apenas admiração por poder beber desta fonte! Cristiana, tb pergunto: o que foi isto? Vc sempre foi uma pessoa equilibrada/sensata, não dê munição ao inimigo! Tudo que vc relata, foi de fato o que haviam programado com a ajuda desta mídia marrom! Se tivesse visitado o Site do PHA, vc veria o que é na realidade a Marina, o que ela representa, e quem está por trás de sua candidatura! Seu vice na chapa, não é nada mais nada menos que o Presidente da Natura, uma das mais conceituadas indústria de biopirataria da flora da Amazônia! Como muito bem a rotularam, não pasa de uma Eco-capitalista, a serviço das Ongs que hoje infestam o norte do País, simulando ‘defenderem’ nossas florestas e os indígenas, coitados, que são instrumentalizados por conta dos saques de nossos produtos e riquezas naquela região!
    Se pesquisar sobre as origens destas Ongs que lá operam, verá que por trás estão, estes chamados ‘verdes’ que de verdes nada teem, a não ser o interesse das principais casas nonarquicas da Europa e a vontade de saquearem, sob o manto de ‘preservação’!
    Se puder, faça tb uma pesquisa sobre a atuação política dos verdes na Alemanha, e veja a quem estão aliados e que interesses defendem! Terá grandes surpresas! Abraços.

  2. Comentou em 05/10/2010 Carlos Castilho

    Cristiana, claro que deu para notar que escreveste por impulso e com raiva. Ai todos nós corremos o risco de errar na dose. Parabésn pela tua auto-critica. Abraço Castilho

  3. Comentou em 04/10/2010 Cristiana Castro

    João, vc tá certíssimo. Postar com raiva, dá nisso aí que eu escrevi. Foi mal, Castilho.

  4. Comentou em 04/10/2010 João Eugênio Diaz

    Castilho, preciso e direto no alvo, como sempre. Há outras percepções que não estão sendo levadas em conta. Como, por exemplo, a difundida pela extrema direita na web, que calou fundo em muita gente que não tem a informação do passado sob a ditadura e, hoje, acha que quem reagiu ao terrorismo do regime é o ‘terrorista’.
    Cristiana, o que é isso? suas participações sempre me encheram de admiração pela argumentação e pelo estilo. Mas hoje não, o argumento é equivocado e a o estilo autosuficiente e sectário, além de politicamente perigoso. ?Se seguir por aí, vai ser um tiro no pé…

  5. Comentou em 04/10/2010 Cristiana Castro

    Castilho, lá vamos para o segundo turno e, vamos pq não tivemos a capacidade de tirar do nosso caminho quem sempre andou junto com a gente. Parece fácil, tudo é política, mas não é assim, não. É muito complicado admitir que um dos seus,se juntou ao que há de mais de imundo,com o objetivo, único, de prejudicar ex- companheiros e foi isso que a Marina fez. Ela se valeu, por vaidade, do que sempre soube, queria nos detonar. saiu numa boa, sua vitória foi o 3º lugar, ou seja, a ida de Serra pro segundo turno; ela sempre soube que não era competitiva, saiu do governo para prejudicar a gente. Muito bem,Marina sabe que está morta,politicamente, ganhou 19% de aprovação e 81% de rejeição, tal qual HH. Sua opção nunca foi o Brasil, sempre foi ela mesma e por issofoi tão facilmente,localizada. Marina era uma companheira e vai sair do nosso caminho, a Imprensa que a incensa hoje,vai largá-la como fez com HH, ninguém confia em traíras, nem o PIG. de qq forma, o de resto respeito que tínhamos por Mrina, nunca tivemos pelo PIG e, se Marina vai sair do nosso caminho o PIG vai desaparecer pq a ele, não devemos nem a consideração relativa a 30 anos de convivência. Antecipo que Dilma não precisa dos votos de Marina, vamos buscar os 5% que sumiram, brancos, nulos,indecisos e nanicos Os eleitores de Marina devem seguir seu destino, ou seja, votar em Serra.São eleitores de direita e tem que assumir.

  6. Comentou em 03/10/2010 Marcelo Carvalho

    Os grandes ‘Jornalões’ perderão credibilidade porque não há
    credibilidade moral alguma em suas redações. Infelizmente, para
    eles, para cada parágrafo ‘tendencioso’, há, na internet, 10
    contrários, com uma vantagem: quantos exemplares vendem os
    grandes jornais? Quantos cidadãos são atingidos pela internet?
    Pois é.
    Todo jornal deve se posicionar, a questão não é essa. Como já disse
    Millôr: jornalista é oposição. A questão é: por que se esconder na
    palavra ‘imparcialidade’ quando as redações não tendem a isso?

  7. Comentou em 03/10/2010 Vanessa Lemes

    Excelente matéria! Podemos ver nitidamente o que acontece hoje
    nos jornais de grande porte do nosso país. Matérias que são
    publicadas carregadas de ideologias, intenções, posição política, não
    mostram os dois lados da moeda. A imparcialidade completa é
    utópica, mas o jornalista deve ser o mais imparcial possível. A mídia
    tem um papel a cumprir. É no período da eleição que as empresas
    jornalísticas revelam o quanto são parciais.

  8. Comentou em 02/10/2010 Luiz Carlos Castilho

    Não somos favoráveis a um partido único e sem oposição, tampouco sem imprensa livre, no entanto alguns órgãos da imprensa estão extrapolando na função de informar, e muitos deles distorcem a noticia de maneira que ela garanta a vendagem de alguns jornais ou revistas a mais, ou signifique alguns pontos a mais no Ibope.
    E não é só na eleição de 2010; em assuntos de outros pautas parece às vezes, que alguns jornais e televisões querem ver o pior dos cenários.
    Aqueles que assim agem sairão da cobertura das eleições 2010, com sua credibilidade sériamente prejudicada, alguns de uma forma irreversível.

  9. Comentou em 02/10/2010 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Salvo raras exceções a mídia brasileira se comportou como uma
    correia de transmissão da candidatura José Serra (o mesmo que
    despejou milhões na Veja, Estadão e Folha de São Paulo quando era
    governador de São Paulo). Portanto, não ficarei triste se a reação do
    PT for impor restrições a abusos deste tipo, inclusive com a punição
    civil, profissional e penal de jornalistas.

    A mídia entrou na guerra, perdeu e agora terá que sofrer as
    consequencias da derrota. Não dúvida quanto a isto.

  10. Comentou em 01/10/2010 Salesio Correia

    sinto que cada vez mais, parte dos meios de comunicação estao com
    postura cada vez mais tendenciosa!

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