Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O que é ‘isso’?

Por Luiz Weis em 26/10/2007 | comentários

Do governador fluminense Sérgio Cabral Filho ao site G1:

‘Você pega o número de filhos por mãe na Lagoa Rodrigo de Freitas, Tijuca, Méier e Copacabana, é padrão sueco. Agora, pega na Rocinha. É padrão Zâmbia, Gabão. Isso é uma fábrica de produzir marginal.’

Manchete da Folha de ontem:/P>

‘Para Cabral, fertiidade faz de favela ´fábrica de marginais´’.

De Cabral à Folha:

‘Foi um erro da Folha. Eu não disse que a favela é uma fábrica de produzir marginal, como está na manchete. […] Não é a favela que é uma fábrica de produção de marginal, mas o fato de o Estado não ter uma política pública e não oferecer às mulheres pobres a chance de suspender a gravidez.’

A Folha errou?

Dependeria, à primeira vista, do que se entende pelo ‘isso’ na fala de Cabral ao G1. Eu entendo que ‘isso’ é o que a Folha pôs na manchete. Cabral estaria certo se a manchete fosse: “Para Cabral, favela é ‘fábrica de marginais.´’

A palavra ‘fertilidade’, no título, absolve o jornal. É o ‘isso’ a que o governador se referiu na entrevista polêmica – julguem-se como se queiram as relações que ele estabeleceu entre demografia, pobreza e criminalidade.

Para o Estado, por exemplo, Cabral ‘rebaixou a conversa de botequim, recheada de meias-verdades e preconceitos inteiros, a discussão, pertinente e infinitamente mais complexa’ daquelas possíveis relações.

Ou, como escreve o colunista Clóvis Rossi, na Folha:

‘Pode-se dar mil voltas à frase, mas ela equivale a dizer que pobre gera marginal e ponto final.’

É isso.

Todos os comentários

  1. Comentou em 29/10/2007 douglas puodzius

    Esse caso me lembra as palavras de Serra justificando o péssimo desempenho de são paulo no que se refere a educação durante a gestão tucana. Ele deu uma de Tucano sem asa colocando a culpa nos nordestinos. Foi infeliz… Não houve alarde. O olhar de Pirata de nosso observador não viu o deslize. Mirou com o olho do Tapa olho. Agora sim, com o olhar da luneta demonstra toda a sua indgnação em comentario no qual distiguimos a defesa de uma ética já caracterizada pela seletividade. Se é que isto existe. É verdade, foi uma declaração tão baixa quanto a de Serra. Os colaboradores deste espaço com sua imparcial conduta reconhecem o preconceito nefasto que permeou as duas observações. O fazem diferentemente de alguns observadores Piratas deste blog. Mas, por ossos do oficio de tão nobre profissão e pertencendo ao PIG, caberia a imprensa remexer um pouco mais esse assunto, pois que, sendo o governador um defensor do governo Lula: – Não haveria nessa declaração, uma ação deliberada do sapo barbudo para obter o terceiro mandato ou talvez, a tentativa de esconder o Mensalão, ou quem sabe, ofender o caseiro, ou pegar dinheiro das farcs ou na garrrafas de rum vindas de cuba, ou para derrubar um avião da boing, ou quem sabe, para estuprar crianças junto com o Lanzelloti? Vai saber… Está aí é só usar a criatividade.

  2. Comentou em 28/10/2007 Paula Abreu

    Sempre que os problemas crônicos do país são abordados os representantes de certos segmentos da ‘esquerda’ ou pretensos adoram vir com suas soluções fáceis de fachada ‘progressista’. Legalizar o aborto e liberar o comércio das drogas é receitado para tudo, daqui a pouco até para curar dor de cabeça. Se Sergio Cabral acha que pobres e negros deveriam parar de reproduzir, que banque uma política de saúde pública eficiente, baseada na educação sexual, cuidados com o próprio coro e oferta de recursos contraceptivos. De minha parte, nada tenho contra o aborto, mas sabe-se que isso esbarra em diversas questões filosóficas e religiosas, sensíveis em culturas como a brsaileira, predominantemente católica. Há métodos contraceptivos para evitar a gravidez. Aborto não é um deles, não custa lembrar. Quanto à liberação das drogas, eu gostaria que os defensores dessa patacoada mostrassem um mísero exemplo de país que incorreu em tamanha estupidez, pois nem na Holanda drogas são liberdas, lá apenas a comercialização da maconha é mais ou menos livre em alguns espaços pré-determinados, mas ainda assim regulada. Liberar o comércio de drogas pra quê? Só para aparecermos como um arremedo de um país moderno que não somos nem temos a menor condição de ser — aliás, nenhum país do mundo bancou uma política de liberação de drogas, como fantasiadas na imaginação de muitos!

  3. Comentou em 27/10/2007 alberto santana

    O governador está correto, e o Luis Weis está errado.
    A Folha de São Paulo sempre foi um jornal tendencioso, quer nas manchetes quer no conteúdo das matérias. O referido jornal, é contumaz usuário de termos capiciosos que difamam e constrangem personalidades públicas. Distorce fatos a seu bel prazer. Utiliza, também, fotos (inocentes) tiradas em condições normais, e as exibe em posições que ridicularizam e constrangem os personagens.
    De uns anos a esta parte, qualquer aliado do Presidente Lula passa a ser alvo de bizarrices desse jornalão antiquado. Já fui leitor e assinante dessa coisa horrorosa, sobretudo quando morava em São Paulo, e fico muito triste com a decadência do jornalismo paulista.
    E pensar que eu criticava as manchetes do também falido Notícias Populares.
    É um sinal claro de que o ciclo de jornal já acabou.
    Meus pêsames ao Grupo.

  4. Comentou em 26/10/2007 glaucia bonfim

    Gostaria de parabenizar a folha de São Paulo pela excelente materia,no qual o governador do estado do rio de janeiro mostra o quanto ele é preconceituoso , racista, elitista,eurocentrico e outras mais, um discurso lamentável para uma pessoa o qual foi eleito por grande parte desta’ fabrica de marginais’.Folha parabéns!!!!!!

  5. Comentou em 26/10/2007 Fabio Passos

    Muito além de infeliz a declaração de Cabral. De qualquer forma a descriminalização do aborto e das drogas é tema importante e sério. É questão de saúde pública e não de polícia. Agora… Este Clóvis Rossi não me comove. Tirou uma onda do governador, mas é evidente que a imensa desigualdade e injustiça social, o desemprego altíssimo e a absoluta falta de perspectivas das populações marginalizadas, são fermento para a criminalidade. Por que será que Clóvis Rossi não escreve sistematicamente pedindo por escola, creche, saneamento, posto de saúde, hospital e urbanização nas favelas? Eu penso que é porque ele não dá a mínima e ponto final

  6. Comentou em 26/10/2007 Marco Antônio Leite

    A paz e a miséria não da liga. A PAZ só existirá de fato, quando tivermos um conjunto de fatores que entrelaçados proporcionará que tenhamos um mundo melhor. Enquanto tivermos ricos e pobres, o conflito de classes será eterno, o rico procurando ficar mais rico, já o pobre perseguindo sair da miséria em que foi colocado. Isso mostra claramente às diferenças mais especificamente no Estado do Rio de Janeiro, lugar aonde os abonados moram em luxuosos condomínios, cercados de muita mordomia e segurança nos quatro cantos dessa ilha dos prazeres. Na outra ponta, estão os milhões de pobres, dependurados em morros sem a mínima infra-estrutura, cujos cidadãos de uma forma ou de outra contribuem com o desenvolvimento do Estado. E esse Estado vira às costas para essa população, deixando-os morrer a mingua, caso a polícia não antecipe e mate centenas de pessoas, filhos legítimos do capitalismo excludente. Essa guerra de guerrilha urbana nunca terá fim, morrem dez, surgem vinte, o ódio contra essa elitizinha medíocre não terá um final feliz. O cansei carioca não obterá sucesso enquanto tiver um cidadão marginalizado pelo “encantador” sistema neoglobalizante.

  7. Comentou em 26/10/2007 Andrikófelys Morais

    A frase do Governador do Rio de Janeiro pode até ter sido infeliz, mas chama atenção para uma coisa que toda sociedade brasileira deveria se voltar. Faz-se urgente criar um controle de natalidade para as populações de baixa renda, do contrário, Cabral pode ter um certo fundo de razão(coisa que prefiro não acreditar de maneira tão simplória)

  8. Comentou em 26/10/2007 Marco Antônio Leite

    O que podemos esperar de um Governador que criou e implantou a polícia do terror, polícia que tem matado indiscriminadamente. Um governo que diz que às mães pobres, moradoras em ambientes inabitáveis são às culpadas pôr gerar futuros bandidos, isso parece verborragia de lavrador que trata da criação alheia. Verdade seja dita, esse sistema neoliberalista tem fabricado monstros como o fulano de tal, e que estão espalhados em todos às áreas da política nacional, criando dificuldades de gêneros diversos para que a população fique sem saída, aumentando ainda mais o mal estar entre os pobres. As mulheres de conduta ilibada, deveriam solicitar que o Governador venha a público e peça desculpas a todas às mães sofridas desta bagunça generalizada. Mães que, inclusive, ajudaram a eleger um desumano desse porte através de uma propaganda enganosa, os votos dessas mulheres naquela ocasião eram bem-vindos. Ou não, com à palavra o senhor Governador?

  9. Comentou em 26/10/2007 Marco Antônio Leite

    Caso o Governador tenha falado uma heresia dessas, creio que ele se equivocou, ou não tem condições políticas para governar o Estado. Como político e governador de um Estado progressista, ele tem pôr obrigação de saber que a fábrica de bandidos muitas vezes esta nos bairros mais abastados, os quais são poucos, pertencentes a famosa elite branca mal cheirosa. Outro fato relevante, espero que ele saiba, em todos às esferas dos Governos estão abarrotadas de bandidos, portanto não é na favela que existe tal fábrica. Na favela existem pobres pôr imposição de um sistema de distribuição de renda desumano, tem também milhares de trabalhadores honestos, os poucos bandidos que ali vivem é conseqüência dessa bagunça chamada Brasil, cujos pais chamam-se capitalista e desigualdade, os quais fazem parte desse esquema sujo. Será que ainda não vencemos a ditadura da discriminação e do preconceito contra o povo pobre desta quase nação, nação semelhante ao continente Africano, dos nossos irmãos explorados pêlos Americanos e Europeus, não tenho nada contra os negros, apenas fazendo um paralelo da miséria.

  10. Comentou em 26/10/2007 Paulo Ramos

    Luiz, não achas que, independente de erro ou acerto, os jornais deveriam dar menos atenção à polêmica declaração (vendedora de jornais) e mais atenção à questão de fundo? Ou, ao menos, tratar das duas questões em paralelo?
    O que é mais útil para a cidadania, afinal? Francamente, considero a atitude de iluminar o tema bem mais útil.
    Caso contrário, resta um embate retórico circunscrito, como sempre, aos palácios e redações da ‘Elite Branca’, sem nenhum efeito prático na comunidade em questão.
    Penso que fazer chover em copo d´água, nesse caso, desautoriza o governador e praticamente mata o debate sobre planejamento familiar.
    E não me parece que haja, no momento, outra liderança desse calibre disposta a encarar essa questão…

  11. Comentou em 26/10/2007 Fábio de Oliveira Ribeiro

    Quando li o que o governador do Rio disse, confesso que fiquei chocado. A que ponto chegaremos? O cara só faltou dizer que favelado deve ser exterminado. O Clovis Rossi entendeu perfeitamente o sentido da frase ‘pobre = criminoso’. O mais assustador é que as palavras do ‘estadista carioca’, que doeram em nossos ouvidos, certamente devem ter sido consideradas bastante suaves aos admiradores do filme TROPE DE ELITE. Nos EUA o Bush fala em guerra preventiva, mas é contra o aborto. No Brasil o ‘estadista carioca’ fala em guerra preventiva com uso do aborto. Qual dos dois é pior?

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem