Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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O que não se pergunta aos perguntadores

Por Luiz Weis em 29/04/2008 | comentários

A seu modo, a colunista Dora Kramer levanta no Estado de hoje uma questão que parece nunca ter passado pela cabeça de um repórter:

Por que os institutos de pesquisas fazem certas perguntas?

Ela se refere à inclusão, na série de levantamentos do Instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes sobre a popularidade dos presidentes brasileiros, de uma pergunta e de uma alternativa relacionadas com algo que não só não existe legalmente, como o presidente Lula não se cansa de dizer que não quer que exista: o terceiro mandato.

A 2 mil brasileiros de 136 cidades em 24 Estados, o Sensus perguntou:

”O sr. (a) é a favor ou contra a alteração na Constituição do país possibilitando que Lula se candidate à Presidência da República pela terceira vez consecutiva?”

Metade dos entrevistados respondeu “a favor”, 45% responderam “contra” – e o resultado, na mídia inteira, puxou o noticiário sobre mais essa sondagem que confirma a posição do presidente nos píncaros da popularidade [57,%% avaliam o seu governo como positivo e 69,3% aprovam o seu desempenho pessoal].

Pode-se argumentar que a pergunta é legítima porque existem no Congresso embriões de projetos de emenda constitucional para introduzir a mudança que Lula repele e da qual se beneficiaria.

É verdade que nenhum desses projetos obteve o número mínimo de adesões para começar a tramitar. Mais ainda: se obtiver, é quase certo que não irá a lugar algum, porque dependeria, como se sabe, dos votos de 3/5 dos parlamentares na Câmara e no Senado, e em duas votações. Na Câmara, onde o governo tem maioria, o próprio líder do PT, Maurício Rands, já disse que a bancada votaria contra. No Senado, onde a maioria do governo é movediça, aí não passaria mesmo.

Mais estranha ainda, em todo caso, foi a decisão do Sensus de incluir entre os cinco cenários traçados para a sucessão presidencial um em que o candidato da oposição seria José Serra e o do governo – Lula. [O presidente bateria o governador por 51,1% a 35,7%, repetindo aproximadamente o desfecho do segundo turno de 2002.]

Escreve Dora Kramer que a pergunta e a alternativa eleitoral “são duas questões virtuais” e “se prestam a suspeitas sobre as intenções metodológicas [sic] da pesquisa”.

Ou, como acrescenta, “por que tratar do que não existe?”

As “intenções metodológicas” do Sensus podem ser as mais puras possíveis. Mas perguntar não ofende – e é pena que a nenhum jornalista envolvido com o noticiário da pesquisa tenha ocorrido pedir ao diretor do instituto, Ricardo Guedes, uma palavra sobre o assunto. Até para dissipar, entre os leitores, eventuais dúvidas como as que manifestou Dora Kramer.

À parte esse caso específico, já era tempo de a imprensa ir além de publicar resultados de pesquisas políticas e buscar junto “aos suspeitos de sempre” – no bom sentido, no bom sentido – as devidas interpretações.

Pois, se a imprensa considera que o leitor deve ser informado sobre os números e eventuais significados dos levantamentos, por que não oferecer-lhe também o que se chama, na expressão um tanto pedante, a “leitura crítica” do trabalho dos institutos?

Além disso, decerto se sabe nas redações que, com motivo ou sem, muita gente desconfiia das pesquisas – não dessa ou daquela em particular, mas de todas.

Todos os comentários

  1. Comentou em 01/05/2008 ademar gandra

    weis!!!mantendo este quadro atual,como sera 2010,não poderemos ter o apagão da midia?ja tem gente falando pra ninguem,e nada pior é qdo vc fala e as pessoas viram as costas pra vc,basta ver a majestade globo ,vem perdendo o glamour e começa baixar o nivel,visto o caso isabela

  2. Comentou em 01/05/2008 Otaciel de Oliveira Melo

    Ah sim, algo que o PIG (partido da imprensa golpista) não comentou: na pequisa espontânea o Serra só foi lembrado por 5% dos potenciais eleitores. Gostaria que a Dora Kramer comentasse este fato. Por quê a mídia se calou diante desses 5%? O que é mais importante? Uma resposta induzida ou uma expontânea?

  3. Comentou em 01/05/2008 Douglas Puodzius

    É triste este observatório repercutindo mais uma besteira de Dora Kramer. ccomo se nunca antes, tivesse a mesma comentado as pesquisas inócuas inventadas pela imprensa para esquentar materias de pseudo indignação ética para colaborar na conquista do grande Objetivo: Derrubar o LULA.
    Passou sim em branco ao olhos dos ‘Observadores’ a maior enganação em termos de pesquisa que alguem pode fazer. Foi aquele ranking fajuto que colocava Uribe da colombia como sendo o presidente mais bem aprovado do planeta.
    Primeiro qualquer estudante de mkt, sabe que bnão se pode comparar pesquisas com diferentes metologias. A pesquisa colombiana foi realizada em apenas quatro cidades deixqndo a classe E de fora. E parta piorar os peridos eram todos diferentes. Tinha pesquisa feita com até um ano de diferença uma da outra… Um absurdo. Eu vi analises que diziam que Uribe era popular mesmo depois de invadir o equador… A pesquisa da Colombia foi feita em Março de 2007 – 2007 – e a invasão foi em 2008. E os observadores nem notaram… Vergonhoso.
    Agoar vem com ona Kramer falar de pesquisa… Faça-me o favor..
    vamos trabalhar em sério.

  4. Comentou em 30/04/2008 Jose de Almeida Bispo

    Eu até que concordo com você, Weis, quando se soma ao questionamento de Dora Kramer sobre os reais motivos de tal ‘capciosa’ pergunta, todavia, não nos façamos de morto e questionemos primeiro: e porque a própria Dora Kramer não se cansou de, há algum tempo atrás, usar dessa arma – acusar o presidente de querer o terceiro mandato – como forma de mais uma vez tentar demonizá-lo? Rotular-lhe de ‘o ditador’? A Folha e a Veja só faltaram acusar a Casa Civil de já ter o ante-projeto e já estar em campo – como o foi a menos de dez anos – para distribuir dinheiro com deputados e senadores. O que o Sensus colheu foram as frutas pecas do que foi plantado pelo jornalismo tapioca do PiG. Ora, se pesquisa sobre coisas que se fala.

  5. Comentou em 30/04/2008 Geraldo Vida

    Acho que o SENSUS fez essa pergunta pelos mesmos motivos que levam a imprensa a publicar as especulações sobre o terceiro mandato, mesmo depois do Presidente e do PT já terem repudiado essa mudança na Contituição. A pergunta da jornalista é valida tambem para a Imprensa; por que que a imprensa divulga/enfatiza certos assuntos?

  6. Comentou em 30/04/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    A pergunta a ser feita não é quando Lula vai admitir a idéia do 3o. mandato, mas por que Lula não admite logo, né? Assim, a imprensa e a oposição teriam um bom motivo para cair de pau mais uma vez sobre o governo. O último motivo foi um dossiê, que na verdade era uma fraude engendrada nas hostes oposicionistas. Quando descobriram, todos se calaram, para não montar um Alvarogate. Trataram logo, logo, de pôr paninhos quentes. Agora, há a exigência de que Lula assuma um 3o. mandato de uma vez. ‘Pô, Lula, vamo combiná’, diria Arthur Vergilio, ‘diga logo que você quer um 3o. mandato. A gente não aguenta tanta satisfação assim’. Sinceramente… que falta do que fazer, não.

  7. Comentou em 30/04/2008 Otaciel Oliveira Melo

    Olha, quem começou com essa história de que Lula almejava um 3º mandato foi a oposição. A coisa foi ganhando corpo com o auxílio de PIG e, agora, muitas pessoas, pelo menos do meu ciclo de amizades, já discutem o tema abertamente. Eu, por exemplo, ja improvisei um adesivo com a frase ‘sem essa de intermediários:Lula em 2010 outra vez’ e preguei no vidro lateral do meu carro. Aliás, diga-se de passagem, esta foi a única idéia brilhante que a oposição teve nesses últimos 14 anos (nos oito primeiros ela esteve no poder), que foi a de lançar o nome do Lula para 2010. Parabéns, Arthur Virgílio, parabéns, Álvaro Dias.

  8. Comentou em 30/04/2008 carlos alberto

    Dois pesos e duas medidas. Quando se trata de coisas boas relativas ao Presidente Lula, é criada uma falsa contestação, em forma maliciosa e outras tantas vezes de forma fortemente discriminatória, tentando-nos induzir a um sofisma. Não somos ingênuos nem tolos, pensamos, tá bem? A verdade é uma só: o Governo Lula mexeu com a vida de aproximadamente 40 milhões de pessoas para melhor. Eis a razão do sucesso. O povo tem vez. A pesquisa retrata a verdade através de fatos concretos. O que acho mais lamentável é que a mídia em vez de ser apartidária, patina nos seus caminhos tortuosos do ódio e do descrédito, para não dizer coisa pior ainda.

  9. Comentou em 30/04/2008 Francisco de Assis Cortez Gomes

    Desde a implantação da República no Brasil – 1889, nunca o Brasil teve um mandatário à altura do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro a, real e eficazmente, pensar no sofrido povo brasileiro. Inclusão social é o grande passo para o aperfeiçoamento da democracia no Brasil. Isto está Lula fazendo desde o primeiro dia de seu governo. Segundo: desconcentração da riqueza do país.
    Que bonito ver um país em que seu Presidente é seu porta-voz! Lembram-se na era FHC com aqueles senhores nas TVs, com a bandeira do Brasil como pano de fundo, a anunciarem: o sr. presidente manda dizer que….. etc. etc. Ridículo não, que ridículo!
    Hoje é diferente. Nosso Presidente fala direto com seu povo. O Brasil mudou: vive o seu melhor espaço, ambiente e progresso democrático. Oposição?! Que oposição?! Nhen nhen nhém! que desespero! O BRasil mudou e Lula, o operário ‘analfabeto’ (como dizem os perversos da perversa classe dominante do Brasil) dá lição aos havardianos, oxfordianos e uspianos, etc. Viva o Brasil e seu povo que estão ao redor de seu Presidente para o que der e vier. É Lula o primeiro Presidente do Brasil que não vê a realidade como o cego vê a flor. Ele vê todo o jardim! todo o canteiro, toda a floresta, seja amazônica, seja o cerrado, sejam os pampas do sul brasileiro. Vê todo o país: verde, amarelo, branco, preto, azul, vermelho, amarelo.

  10. Comentou em 29/04/2008 PAULO PEREIRA

    Os comentários estão excelentes!

  11. Comentou em 29/04/2008 marina chaves

    mudar a constituiçao para que o presidente lula possa se reeleger faltando dois anos para as eleiçoes parece-me uma situaçao estranha… mas por outro lado eu concordo um pouco com lula: oito anos de presidencia é pouco para tanta coisa que o pais precisa….. eu as vezes me surpreendo com os paises europes: alguem foi eleito primeiro ministro e voce o acompanha na midia durante muitos anos e anos…. é surpreendente a estabilidade politica que esses paises tem…. agora, no brasil, cem anos ainda é pouco….

  12. Comentou em 29/04/2008 Wagner Moraes

    Weiss,

    o DNA do terceiro mandado é o sociologo Leôncio Martins Rodrigues, provocado numa entrevista ao Estadão. E depois este jornalão foi copiado por todos os outros. O primeiro instituto a fazer esta pergunda pertence a outro jornalão: Folha de São Paulo, que diante da resposta, à época 70% contra um terceiro mandato, tascou um editoral detonando a idéia.
    E na última pesquisa que o fez (o DATA FOLHA) com certeza fez a pergunta, mas diante do aumento dos que defendem o treceiro mandato calou-se.
    dora Kremmer, está como Maria Antonieta, diante guilhotina da HISTÒRIA, vendo seu mundo (o mundo do PIG) cair , e pensando nos Brioches.

    Disto descrito acima não faz sentido para você?

  13. Comentou em 29/04/2008 alfredo sternheim

    Como diz o sociologo Chaves, ninguém se impórtou com apergunta quanfo feita na pesquisa Data Folha e deu um resutado desfavorável a um terceiro mandato. Agora, questionam a pergunta. Se a questão não tem importância, porque a imprensa, os medalhões dos comentários políticos martleam nela todos os dias? Por que aqui também se contempla essa questão enquanto outras mais importantes para a Imprensa (o festivalde jornalistas, 129, contrtados pelo Senado) são desrezadas? É curiosa (ou partidária?) essa indignação de D.Kramer Ela já se manifestou sobre o inchaço de jornalistas no senado?

  14. Comentou em 29/04/2008 Sidnei Brito

    Pergunta para Dora Kramer: por que a imprensa trata tanto de um assunto que não existe?

  15. Comentou em 29/04/2008 Luiz Fernando Chaves

    Um dado curioso neste debate é fazer também a pergunta aos ‘jornalistas’ que comentam as pesquisas: ‘Por que esta pergunta te incomodou?’, pois vejamos quando da pesquisa Datafolha publicada em 2 de dezembro de 2007 deu na primeira página do Jornal Folha de São Paulo que 65% do eleitorado rejeitava um terceiro mandato para o presidente, não vi nenhuma reação ao datafolha por ele fazer esta pergunta. Por que será?

  16. Comentou em 29/04/2008 Miro Junior

    Concordo plenamente. Mas me questiono porque nas pesquisas anteriores, quando Serra apontava sozinho, ninguém se lembrou de fazê-las.

  17. Comentou em 29/04/2008 Marco Antônio Leite

    Pesquisa no Brasil nada mais é que manipulação de números. Outra situação que é marca registrada dos políticos brasileiros esta relacionado com o sofisma, isto porque quando ele fala que é contra o terceiro mandato, ele no fundo esta a favor. Porém, se houver manifestação de sua parte, a oposição para tirar dividendos políticos dessa posição passa a fazer um discurso “honesto” de que é contra essa postura. Já quando ele é contra, trata-se somente de discurso, na realidade ele é a favor. Voltando ao assunto em tela, pesquisa é feita de cima para baixo, ou seja, as perguntas são formuladas pela a empresa que contratou ou esta realizando esse levantamento para agradar ou desagradar o pesquisado do momento. O correto seria que a pessoa questionada falasse claramente o que ele esta vendo ou sentindo na pele aquilo que o governo (s) está realizado de bom ou ruim.

  18. Comentou em 29/04/2008 WAGNER MORENO AGUILAR

    muito provavelmente a confederação dos transportes, encomendante da pesquisa, deve ter solicitado essa pergunta, ora bolas!!!

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