Sexta-feira, 26 de Maio de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº943

CÓDIGO ABERTO > Desativado

O verbo e a verba

Por Luiz Weis em 21/03/2007 | comentários

Pela precisão e pela concisão, nota 10 para o editorialete do Globo de hoje, ‘Mistura indesejada’, sobre a anunciada criação do Ministério da Comunicação Social.

Segundo o noticiário, o presidente Lula quer juntar numa única estrutura a Secretaria de Imprensa, que inclui o porta-voz presidencial, ligada diretamente ao seu gabinete; a Secretaria de Comunicação, responsável pela publicidade da administração direta e indireta, ligada à secretaria-geral da Presidência da República; e a Radiobrás.

Se há uma estrutura cronicamente instável no Planalto é a da comunicação. Lida-se com ela como se fosse uma sanfona: conforme o presidente, ela se abre e se desdobra, ou se fecha e se concentra.

Em qualquer formato, é um cobertor curto. E não há uma avaliação unânime sobre as vantagens de um modelo sobre outro.

Um único ponto parece pacífico. Levar ao mesmo forno o verbo (comunicação do governo) e a verba (publicidade estatal) é dar sopa para o azar – ou para coisas ainda mais indigestas.

Daí o acerto da posição do Globo:

‘O presidente Lula planejaria juntar, na Secretaria de Comunicação, o trabalho de contato com a imprensa — que já é feito — com o guichê de publicidade do Executivo.

O secretário, possivelmente com novo status, agora de ministro, atuaria em duas frentes nas empresas de comunicação: daria informações à redação e veicularia anúncios junto ao departamento comercial, pagando por eles.

É péssima solução. Pois as boas práticas recomendam que dinheiro e notícia mantenham uma grande e visível distância profilática.

Por isso, os anúncios são separados do noticiário em qualquer veículo de imprensa.

O governo não deve se deixar acusar de pagar pela publicação das notícias de seu interesse, nem a imprensa séria aceita se sujeitar a situações em que possam se misturar dois mundos tão diferentes. O presidente precisa refletir melhor sobre a sua política de comunicação.’

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 21/03/2007 ubirajara sousa

    Desde criança que eu ouço isto: A emenda foi pior do que o soneto. Iso se aplica à resposta do senhor Luiz Weis ao comentário do senhor José Ayres Lopes. ‘Salvo engano, a primeira notícia sobre o Ministério saiu semana passada no Valor.’ Isto foi dito pelo senhor Luiz Weis. Caro Senhor, não seria prudente uma pesquisa que propiciasse um fundamento factível ao seu artigo? A meu ver, a dúvida está explícita, a partir da sua resposta, em ambos: no artigo e na resposta. Desculpe-me se estiver errado. É apenas o meu ponto de vista.

  2. Comentou em 21/03/2007 borba borba

    é bom nao arriscar, principalmente nesta fase em que estamos vivendo de altissima falta de confiança em nossos politicos/politica, pois nao podemos dar mole para o azar e deixar a raposa tomando conta das galinhas.
    Verba e verbo tem sim que andar separados.

    BORBA

  3. Comentou em 21/03/2007 nelson perez de oliveira junior

    Estranho, se empresários usam uma concessão pública para ganhar muito dinheiro com programações que usam e abusam de sexo, violencia e rock and roll e de que quebra fazem oposição descarada ao governo federal em prol de seus interesses políticos, ninguém neste observatório não fala e nem critica, mas, o governo atacado entende que deve haver pluralidade na divulgação da informação nem que para o espectador fazer média das mentiras ou inverdades ditas pelos doi lados. Weis não comenta que o pouco que vi do OI de 20/03/2007, LUIZ DULCI deu um banho em cima dos jornalistas conservadores e arrivistas. Informou que em democracia não há nada de errado em que o estado tenha sua voz em meio ao vozeirão de uma mídia vendida e comprada, que mal faz , afinal o estado na letra da lei é impessoal, se se desviar há outros holofotes a mirar em sua conduta. Dulci ainda disse que a midia nega a este governo o que deu de bandeja em seu antecessor, e que suas preocupações são maiores ou menores em questões identicas na dependencia de que seja o governo e depende do alinhamento ou não desta midia com o governo de plantão. Disse que LULA foi eleito para ser o gestor da coisa pública e deve ter autonomia para tanto. FOI A SOCIEDADE QUEM DISSE E DEU ESTE MANDATO.
    DEIXA O HOMEM TRABALHAR!!! AH, A GLOBO SÓ MANDA E DESMANDA NO BBB7, E SEU CRAPULA POPULAR.

  4. Comentou em 21/03/2007 virgilio tamberlini

    Weis:
    Você não acha que a Globo antes de dar tanto palpite deveria pagar os bilhões que deve.
    Você viu a Folha dizendo que forma gastos 554 mi com as emissoras estatais. Você não acha que este valor é muito inferior às renuncias fiscais da quais o baronato da imprensa se beneficia.
    Resvistas tipo Cara, Amiga, Sexy… não pagam um real de ICMS, já a cesta básica paga. O papel de imprensa é CONSTTUICIONAMENTE proibido de ser taxado.

  5. Comentou em 21/03/2007 Euclides Rodrigues de Moraes

    Sr. João,

    Que imagem de governo precisa ser reforçada após uma eleição com mais de 60 milhões de votos e com uma aprovação de mais de 60% da população? O Sr. acha isso pouco? Por favor abandone esse argumento pois ele não se sustenta na realidade.

  6. Comentou em 21/03/2007 José Ayres Lopes

    De onde tiraram isto? Quem quer criar tal ministério?
    Por que jornalistas, que se supõe sérios, acreditam? Por que perder tempo com um editorial destes?
    Talvez seja porque a GLOBO se não tem, inventa.

  7. Comentou em 21/03/2007 Joao Ferreira

    Mas uma demonstração de confusão dentro do Executivo, nosso presidente se diz perseguido pela mídia e a todo custo agora, procura utilizar os meios de comunicação e nosso dinheiro para fortalecer a imgem de seu governo.
    Triste.

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