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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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Obama, o preferido da blogosfera norte-americana

Por Carlos Castilho em 06/02/2008 | comentários

O senador Barack Obama pode perder a indicação presidencial na convenção democrata prevista para agosto, em Denver (Colorado), mas ele já é o candidato eleito pela maioria esmagadora dos internautas e blogueiros norte-americanos.


 



Obama bateu todos os recordes de coleta online de dinheiro para a sua campanha, bem como supera todos os demais candidatos, inclusive os republicanos, em matéria de acessos a seu site Obama08, criado a partir dos princípios da Web 2.0 (participação do usuário) e com uma qualidade que os especialistas compararam a dos grandes projetos da categoria como o MySpace e FaceBook.


 



A coleta de dinheiro é um indicador seriíssimo nas preferências eleitorais dos norte-americanos, tanto que a imprensa presta quase tanta atenção à arrecadação dos candidatos, quanto aos seus índices de popularidade. É quase um axioma eleitoral o fato de que quando as doações ficam rarefeitas, o prestigio despencará logo em seguida.


 



O senador negro pelo estado de Illinois conseguiu juntar em janeiro cerca de 28 milhões de dólares só em contribuições feitas pela internet. É mais do que o seu colega de partido Howard Dean conseguiu juntar em toda a sua campanha nas primárias de 2004. E quase 1/3 a mais do que o total coletado pela senadora Hillary Clinton, a principal oponente de Obama, segundo o blog TechCrunch.


 



Da mesma forma que na campanha de Dean, a internet está se mostrando a melhor ferramenta para a coleta de pequenas contribuições. Isto deu aos candidatos menos vinculados à elite econômica norte-americana, a chance de recorrer ao varejo das doações.


 



Tradicionalmente os aspirantes à Casa Branca adotam uma política atacadista em matéria de fundos de campanha, recorrendo basicamente aos cheques gordos de grandes empresários e banqueiros. Agora, graças à Web, surge um novo veio financeiro que já mostrou o quanto pode mudar a rotina das eleições norte-americanas.


 



Noventa por cento dos 250 mil doadores online de Barack Obama mandaram menos de 100 dólares para a campanha. Cem mil mandaram menos de 10 dólares, indicando como o trabalho de base passou a ser importante como alternativa à política tradicional de cortejar as grandes fortunas e os grandes formadores de opinião.


 



O professor história da Universidade da California, Raphael Sonenshein, um especialista em campanhas eleitorais norte-americanas, confirma a importância da política da “sola de sapato” , mencionando o fato de Obama ter chegado muito perto de Hillary nas primárias da Califórnia, um estado que ele não visitou às vésperas das primárias e onde a mulher do ex-presidente Bill Clinton esperava uma vitória por larga margem.


 



A internet está viabilizando a participação política dos segmentos da sociedade norte-americana que estão desencantados com a política e com processos eleitorais que geralmente levam a mais do mesmo.


 



Obama não é o primeiro pré-candidato presidencial nos Estados Unidos a usar o slogan da mudança como a palavra chave de sua campanha. Os anteriores, como Dean, fracassaram porque a elitização da estrutura partidária norte-americana os obrigava a pedir mudança para quem não tinha muito interesse em mudar.


 



Já Obama tem o canal da internet para chegar aos jovens e desiludidos. E o está usando a todo vapor. O seu site afirma ter registrado quase 300 mil perfis de voluntários que estão fazendo o corpo a corpo eleitoral, de forma descentralizada e não remunerada, usando palanques eletrônicos como os sites MoveOn e MeetUp.


Todos os comentários

  1. Comentou em 08/02/2008 Odracir Silva

    Acho q o post pode ser atee verdade, porem tenho duvidas se o efeito de Obama na blogosfera vai se espalhar na realidade e virar realmente um fato. Ee soo parar um pouco e analisar. 1) Os mais idosos estao a favor de Hillary. E nos EUA, o voto ee um direito e nao um dever, i.e., ee facultativo. Qual ee a parcela da populacao q mais vota nos EUA? sao os idosos. 2) Se vc quer realmente um efeito quase espontaneo, entao vc tem q tirar o chapeu para Huckabee. Ele quase nao tem dinheiro para campanha, mas leva um bom naco dos conservadores americanos. E ee um bom amigo do McCain. 3) Na hora do vamos ver… a eleicao e nao as primarias, haveraa a campanha suja. Se vcs pensam q o Clinton jogou pesado no Obama, esperem os republicanos. Lembrem-se o Bush ganhou do Gore sem os votos de Nova Iorque ou California. 4) Sobre o Obama, e toda a retorica de ‘vamos mudar tudo q estaa ai’ (Lula deve cobrar os copylefts), ee mais facil dizer do q fazer. Ele ee o q estaa na moda, c/ artistas e celebridades o apoiando. Mas atee agora, quem mostra mais como muda as coisas ee a Hillary Clinton. Por exemplo, o programa dela do SUS americano ee muito mais abrangente e ‘universal’ do q o do Obama. 5) o Obama sempre reclama das campanhas de terceiros para a Hillary, porem nao reclama q varios sindicatos fazem campanha para ele.

  2. Comentou em 08/02/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    Engana-se quem pensa que Obama representará a parcela negra do povo americano e que sua candidatura seria um sinal de mudanças culturais naquele país. Assim como Lula, no Brasil, precisou se apaulistar, Obama precisou se embranquelar.

  3. Comentou em 07/02/2008 Dante Caleffi

    Imaginem ,Obama ,eleito, ex-aluno de Mangabeira Unger, em Harvard.
    Afinidades eletivas?Haverá?Sim , é melhor cair da nuvens,do que do terceiro andar, como ensinava Machado.Por enquanto a eleição americana
    serve de espaço comercial, ao jornalismo desenvolvido pelas ‘Organizações Tapióca’:’calunialismo’.

  4. Comentou em 07/02/2008 Arlindo Almeida Jr.

    É curioso como o modo de financiamento eleitoral norteamericano antes da era Obama se parecia com o nosso. S sistema eleitoral brasileiro ainda se encontra entregue aos grandes financiamentos de empresas. Caso essa mudança sinalize também futuras mudanças nas nossas eleições, a internet prestará um grande serviço a democracia.

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