Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

OhmyNews parte para a globalização do jornalismo cidadão

Por Carlos Castilho em 23/02/2006 | comentários


O jornal online sul-coreano OhmyNews acaba de receber um reforço de caixa da ordem de US$ 5,2 milhões de dólares para ampliar o alcance de sua exitosa experiência de publicação de notícias e informações produzidas por leitores.


Trata-se da primeira vez, em todo mundo, que um projeto de jornalismo cidadão (que incorpora não profissionais na produção de notícias) consegue financiamento de uma instituição bancária de nível internacional. O SoftBank é um banco de investimentos em projetos de tecnologia que já financiou o sistema de buscas Yahoo, o site de hospedagem de homepages GeoCities e a editora Ziff Davies.


A parceria entre o banco norte-americano e o site sul-coreano permitirá o surgimento da versão japonesa do OhmyNews e a ampliação do ambicioso projeto OhmyTV , a primeira televisão online, baseada na convergência de meios, onde os espectadores podem inserir vídeos produzidos por eles.


O financiamento recebido pelo OhmyNews mostra que os investidores estão perdendo o medo de apostar em projetos de jornalismo cidadão, um dos fenômenos mais inovadores da internet. O jornal sul-coreano, fundado há seis anos, é lido atualmente por cerca de cinco milhões de pessoas, tem quase 40 mil colaboradores e um staff de 80 profissionais entre jornalistas e pessoal técnico.


O sucesso da fórmula está na cobertura dos temas locais pelos próprios leitores, razão pela qual a ampliação do projeto só poderia ser feita através da criação de outras versões nacionais. O financiamento recebido permitirá a globalização da experiência pois já existem outros países interessados em integrar a futura rede mundial do OhmyNews.


Trata-se de um projeto que ainda é dificil de ser reproduzido em países latino-americanos, por exemplo, devido às especificidades da Coréia do Sul, um dos paises com maior índice per capita de conexão à internet via banda larga no mundo, sem falar no elevado grau de escolaridade do país.


O complexo sistema de avaliação de confiabilidade dos colaboradores, um elemento chave para garantir a credibilidade do jornal, ainda não foi testado em ambientes sociais com grande polarização econômica e ideológica. Mas apesar disto, o desempenho do jornal está sendo acompanhado com lupa pelos principais estudiosos da mídia online porque é considerado um paradigma mundial de jornalismo cidadão.


O aval bancário ao OhmyNews deve reduzir ainda mais as resistências ideológicas ao jornalismo com participação dos leitores em geral. Duas outras experiências parecidas, as revistas eletrônicas Slashdot e Digg já são consideradas projetos consagrados, mas seu público é formado basicamente por especialistas em tecnologia e nerds (fanáticos pela Web).


Aos nossos leitores: Serão desconsiderados os comentários ofensivos, anônimos e os que contiverem endereços eletrônicos falsos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 24/02/2006 José Antonio Meira da Rocha

    Espero que a coisa se espalhe. BTW, temos uma brasileira colaborada assídua do OMN: Ana Brambilla: http://www.ambrambilla.blaz.com.br/libellus/

  2. Comentou em 23/02/2006 Fabio de Oliveira Ribeiro

    Não me estranha o fato da Coréia, que foi destruída durante uma guerra civil e a intervenção militar americana e chinesa em 1958, ter alcançado um nível de cidadania respeitável. Os coreanos lutaram para obter a independência, lutaram para preservá-la, para implantar o capitalismo e/ou socialismo e para reunificar um país dividido. A cidadania na Coréia é ativa, ou seja, o cidadão participa e é incentivado a participar. Nesta terra brasilis milhões de brasileiros ainda lutam apenas pelo que comer (e muitas vezes passam fome) e muitos políticos fazem de sua profissão desestimular a participação ativa da população. Até mesmo o Lula tem incorrido neste vexame, pois trata a população como platéia de comício até quando não deveria. Nossa cidadania é de papel e nem os Juizes a respeitam quando estão em jogo os interesses da população de baixa renda. Na mesma semana em que aprovou a compra de um notebook para cada Juiz de primeira instância, o Tribunal de Justiça de São Paulo legitimou o massacre do Carandirú como se os presidiários não tivessem direito á vida e à integridade física. É por estas e por outras que considero a morte um privilégio: é a única forma de deixar de ser brasileiro sem deixar o país.

Código Aberto

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem