Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

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Onda de pessimismo se abate sobre a Web 2.0

Por Carlos Castilho em 13/10/2008 | comentários

A indústria da internet começou a sofrer os efeitos da crise no mercado financeiro mundial e a primeira conseqüência é a decisão dos investidores de risco de reduzir, e até congelar financiamentos para novos projetos na área da chamada Web 2.0, ou Web social.


 


Há uma semana, os principais capitalistas de risco da Califórnia iniciaram uma série de reuniões com seus financiados para cobrar resultados imediatos e avisar que estavam fechando as torneiras do dinheiro, à espera de tempos melhores.


 


Financiadoras como a Sequoia Capital, uma das mais importantes na área do Sillicon Valley, advertiram que vai ser muito difícil daqui por diante obter novos financiamentos e alertaram que as vacas magras devem durar entre 10 a 15 anos, o ciclo histórico de duração dos períodos de recessão econômica.


 


Isto deflagrou uma imediata onda de rumores sobre a situação de inúmeros projetos vinculados à Web social, as páginas virtuais que usam intensivamente a interatividade com usuários para formar capital intelectual, como é o caso do Google.


 


Os primeiros a sofrer os efeitos do aperto de cintos são os departamentos de marketing das empresas da Web 2.0 que consumiam quase metade dos orçamentos na tentativa de obter visibilidade rápida num mercado entulhado de novos programas e softwares cuja única diferença está, muitas vezes, apenas no nome.


 


Francis Pisani, um respeitado especialista europeu em questões da internet, Ilustração reproduzida do site Techcrunchadiantou em seu blog Transnets que o aperto pode vir em boa hora para pôr um pouco de ordem no mercado de softwares. Outros especialistas assinalam que a troca de marcha nos negócios da Web vai aumentar o interesse por projetos baseados na produção colaborativa, nos quais os custos de mão-de-obra são menores e a propriedade coletiva pode reduzir as necessidades de financiamento.


 


Como acontece em toda a encruzilhada econômica, há os que apostam no pior e já falam na morte da Web 2.0 — um slogan que ficou muito popular por volta de 2005, quando sites como a Wikipédia, YouTube, Flickr, Orkut e outros dispararam na preferência dos usuários da Web.


 

Mas ao que tudo indica não haverá uma repetição do pânico que tomou conta da indústria da internet logo depois da explosão da bolha especulativa, na virada do século, quando o mercado se deu conta que havia dinheiro demais investido em projetos inviáveis. Houve uma marcha-a-ré coletiva dos investidores e foi um deus-nos-acuda entre as empresas web.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/10/2008 Ivan Moraes

    Voce: ‘O que posso dizer?’: (eu) ‘que a web colaborativa é um fenômeno recente em nossa escala convencional de tempo’. (Voce) ‘A web colaborativa é um fenômeno recente em nossa escala convencional de tempo’. (eu): ‘Nao disse?’ Nao sei se voce chegou a examinar de mais perto o link da wikipedia e o SLATES mencionado, mas eles estao apontando a uma direcao aa qual o desenvolvimento da internet ja apontava… 15 anos atraz! Nao eh o bastante se apropriar de um futuro obvio pois nao sobra uma diferenciacao nitida entre webs 1 e 2. No entanto minha impressao inicial e fonte da minha objecao principal eh que o web22 esta sendo tratado como um business project: ‘…the philosophy of mutually maximizing collective intelligence and added value for each participant by formalized and dynamic information sharing and creation’: doi de feio e traz filas aa porta de saida, e a ‘evolucao natural’ entre Freemium e Premium nada tem de natural, ela eh programada no sistema tanto como a tv a cabo baratiiiiiiinha de 15 dolares por mez, que depois de infiltrada na sociedade sube pra 50, 60, 80, ou mais, ou os cartoes de credito com juros baixiiiiinhos e casas com ‘facilidades de compra’ que… tem cara de projeto de poder desde o inicio. Sei nao… tenho suspeitas enormes, gigantes, a respeito de todo e qualquer projeto ultimamente, porque a estrutura do business eh sempre a mesma.

  2. Comentou em 18/10/2008 Carlos Franco

    O que posso dizer? A web colaborativa é um fenômeno recente em nossa escala convencional de tempo.

    Ela aparentemente corrige algumas das distorções mais grotescas da pré-história da Web, mas traz consigo algumas caracteríisticas que podem ser utilizadas de forma ‘indevida’.

    Sou um profissional da área e acho este um momento muito interessante em termos de possibilidades. Inclusive a possibilidade de escapar do contexto clássico de poder.

    Leia Cory Doctorow (basta clicar no link), é uma excelente referência

    Quanto às suas preocupações com a questão da identidade/privacidade e a relação destas com a pós-modernidade financeira, é um assunto que daria um livro, então não ouso tentar discorrer sobre ele .
    em um modesto post.

    Obrigado.

  3. Comentou em 17/10/2008 Ivan Moraes

    Excelente mas foi pouco, Carlos. Alguns paragrafos mais. (Nao o texto em ingles, mas a analise.)

  4. Comentou em 17/10/2008 Carlos Franco

    Prezado Ivan,

    • 1 – Para manter este post dentro do assunto e não complicar desnecessariamente, peço a você que pesquise o termo OpenID.
    • 2 – É óbvio que business está relacionado à Web2. O modelo de negócios, porém, é a questão central
    • 3 – Para que outros leitores possam entender melhor a questão, seguem os antecedentes da Web2, que não tive tempo de traduzir. Mas imagino que 99% das pessoas interessadas no assunto sejam fluentes nesta língua:

    ‘After the technology industry´s financial bubble collapsed in 2001, internet firms regrouped and redefined themselves. There were business lessons to be learned, technologies to be re-evaluated, and people´s perceptions had changed. By the middle of the decade, many trends and differences became clear. The term ‘Web 2.0′ started to surface, to draw separation between new sites and sites that gained popularity in the late Nineties. The term was vague and seemed suspiciously gimmicky at first. However, the differences between old and new were real. They were not just historical and chronological. Sites like Google, YouTube, and Flickr demonstrated new approaches to building a web business. These sites often had simple interfaces, fully embraced web services, and returned a lot of control to the user. Many of these sites relied solely on their users for content.’

  5. Comentou em 16/10/2008 Ivan Moraes

    2–Quanto a ‘contas abertas’, nao era, como parecia, a respeito de sua conta bancaria, era a respeito da falta de vontade de todos os governos mundiais de garantir o valor do dinheiro. Ninguem quer ver o dolar cair. Ninguem quer ver o real cair. Mas nao existem garantias. Foram roubadas. Eu quero uma garantia real pro dinheiro virtual porque o dinheiro real so tem garantia virtual. Devido a ‘tratados’ economicos mundiais que asseguram o desaparecimento do dinheiro dos paises pobres, corruptos, e nao-brancos, todas as garantias reais hoje para dinheiros virtuais sao dadas EXCLUSIVAMENTE aos cassinos, aas bolsas de valores: isso tem que acabar, e pra isso a Web 2 vai servir, a isso se refere o ‘contas abertas’. Por enquanto. (Mais tarde vai mudar de cara, e como vai mudar de cara! Mais ou menos assim: CONTAS ABERTAS DOS GOVERNOS MUNDIAIS AGORA E JA!)

  6. Comentou em 16/10/2008 Ivan Moraes

    Carlos: o artigo eh sobre a Web 2, a respeito da qual nao existe word of mouth, portanto eh um projeto duvidoso. Como eu nao sabia do que se tratava, achei que Castilho estivesse errado a respeito da naturesa da Web 2 e disse que a conversa a respeito da ‘morte’ dela era autopublicidade deles *mesmo que* de fato estejam com pouco funding: todo o mundo ta na mesma situacao. No segundo comentario, no entanto, descobri a pessima intencao atraz do projeto atravez da fala de O´Reilly: nao eh a respeito da Web, eh a respeito da infiltracao do business dentro dela; concluo que a promessa ‘Web 2’ nao pode clamar o proprio nome, pois um ‘Web 2’ resolveria o problema mundial do ID, seja com password, encryption, ou dongle -que nao eh token, eh um chip que se liga diretamente ao computador e ao qual o site se refere em vez de te pedir pra entrar uma lista de dados e password. Me referi aa implementacao do dongle a nivel de hardware porque eh obvia, mas nem isso eles fizeram. Dai pra frente eu falei do que um ‘Web 2’ de verdade estaria suposto a fazer a respeito de ID, porque e como os ataques bancarios na web vao acontecer, porque os governos vao aceitar 2 tipos de usuario. Porem, meu ponto de vista eh sempre, exclusivamente, o da provavel virtualizacao do dinheiro. O ‘Web 2’, como esta, quer trazer uma estrutura dinossaurica pra dentro do mundo virtual. Nao da!

  7. Comentou em 15/10/2008 Rubens Cercani

    Preocupados com a Web Social? Hum, legal! Os que continuam financiando e assumindo os riscos sem ficar com os lucros das empresas privadas, nestes momentos de crise, agradecem a preocupação neoliberal.

  8. Comentou em 15/10/2008 Carlos Franco

    Desculpe, porém não consegui entender uma única frase do que este senhor de Newark disse em tantas linhas. O que ele quis dizer é algo relativo à privacidade dos usuários na rede? O uso de tokens? Um comentário sobre o famoso texto de Tim O´Reilly que serve de marco divisório? E se for isto, qual é exatamente o ponto que ele expôs, ou defendeu? E qual é a relação disso com problemas financeiros que podem afetar projetos ligados à Web colaborativa?
    Peço humildemente que ele explique de forma mais simples, pois meu raciocínio não consegue voar tão alto.
    Obrigado.

  9. Comentou em 15/10/2008 Ivan Moraes

    O problema seriissimo, mundial, da identificacao dos usuarios, se resolvido amanha de manha, vai imediatamente criar duas classes de usuarios, publicos e privados, que serao instituidas por governos. Mais ou menos da mesma maneira que dinheiro tem dois tipos, o que voce usa e o que eh roubado de paises inteiros, continentes inteiros, como os paulistas sabem muito bem. Presentemente o que esta acontecendo sao varios usuarios que sao o mesmo: eh so trocar de nome. Eu, MasteroDont, BomDiaCavalo, AhkBaraing, jamais usei nome falso pra trapacas e sabotagens, mas a porta internauta esta aberta a ela e nao eh do interesse de ninguem fechar la ainda. E ai esta o ponto crucial. Aliases, como dinheiros, teem de existir em niveis diferentes exclusivamente para trapaca. O dia que os governos mundiais quizerem se livrar dela vao ter que se livrar das proprias trapacas. CONTAS ABERTAS AGORA E JA, PRO MUNDO INTEIRO!

  10. Comentou em 15/10/2008 Ivan Moraes

    Addendum: ‘chaves de identificacao (dongles) pessoais pra cada pessoa, que eh o que a maioria das pessoas na rua provavelmente estava pensando’: seu TELEFONE tem mais protocolos de cyber-identificacao do usuario do que seu computador. Note que a chamada telefonica eh tao altamente controlada para fins de cobranca que todas as contas telefonicas d o m u n d o sao uma epica licao de cricrificacao social. Nao eh ‘pro bem’ do usuario, nao tem a ver com facilidade de uso nem velocidade de acesso: eh pra cobranca privatizada. Se um ‘business’ standard novo pegar na Web, em 2 anos ela esta arrazada pois o que ele quer dizer eh privatizacao: mais contas, do server casual que voce usa uma vez por semana, do seu server do bairro, do server de cada um dos estados e paises que voce visitar na web, e assim vai. Nao eh perpetuacao da estrutura de COBRANCA que vai incentivar alguem a levar a web pra frente, mil vezes nao. EH A IDENTIFICACAO do usuario -suspeitissima ‘lei Azeredo’ aa parte. Primeiro, identificacao. Nada mais. Depois 50 centavos com zero porcentagens de qualquer pessoa ou compania ou governo, como instituicao mundial. So quero isso. Isso e um poni.

  11. Comentou em 15/10/2008 Ivan Moraes

    Castilho, voce estava correto: http://en.wikipedia.org/wiki/Web_2.0… era um projeto de software. Eles colecionaram alface e esqueceram que nao dura mais que uma semana. O tom do nome implica uma nova web melhorada, MAS tambem com chaves de identificacao (dongles) pessoais pra cada pessoa, que eh o que a maioria das pessoas na rua provavelmente estava pensando. O Web 2 nao chega nem sequer perto do cheiro disso. Aqui esta a ma intencao atraz dele: ‘According to Tim O´Reilly: “Web 2.0 is the ***business*** revolution in the computer ***industry*** caused by(…)’ e o leitor imediatamente se lembra que nao tem obrigacao de terminar de ler essa sentenca. Nao eh surpresa alguma. Web 2 eh eternapromessabrasileiraware.

  12. Comentou em 14/10/2008 Ivan Moraes

    Re 5o paragrafo: os departamentos de ‘marketing’ podem ir tirando o cavalinho da chuva. Voce foi enganado pela proprio marketing deles, Castilho. Ta todo mundo na pior. Se o projeto Web 2 tivesse se importado com o trabalho a fazer eu ja teria ouvido falar dele na media. Nadicas ate agora. O tal ‘projeto’ NAO esclareceu a ninguem a que vira ainda, e de fato, voce o confunde (ou talvez eu o esteja entendendo errado) com um projeto de *software* quando ele nao deveria jamais tocar em software, somente em protocolos de comunicacao. Se software era realmente o que ele era, comecou errado. Estava suposto a ser um NOVO protocolo de comunicacao aberto e sem cordinhas, a ser implementado a nivel de hardware. Se os rumores teem agora que o projeto empacou agora ‘por causa de dinheiro’ pode desconfiar que o que empacou foi a criacao de protocolos. (Mas por favor me diga aonde tem mais informacao, porque sendo ou nao sendo buzz -ou pior, vaporware- ninguem entendeu ainda: buzzword sem word of mouth eh o kiss da death!

  13. Comentou em 14/10/2008 João Moura

    Nada de verdadeiramente grave , na minha opinião.

  14. Comentou em 14/10/2008 João Moura

    Nada de verdadeiramente grave , na minha opinião.

  15. Comentou em 14/10/2008 Carlos Franco Savoya

    É conveniente lembrar que o Flickr, maior fenômeno da democratização do acesso á imagem
    do planeta, consegue ser plenamente gerenciado e mantido por apenas 11 funcionários (ou
    pelo menos assim o era no início).
    Com o uso cada vez mais disseminado do open source, estruturas cada vez mais eficientes e
    enxutas, a não-necessidade de se reinventar a roda ou propor idéias mirabolantes (como
    ocorreu na bolha) e o fato de que o usuário é quem essencialmente mantém os sites
    colaborativos vivos, imagino que a Web esteja imune, de modo geral, aos problemas de
    cpaitalização do mundo real.
    Na verdade imagino na ocntramão: Acho que é o único segmento de mídia que poderá se
    manter imune e fortalecido diante da questão econômica global.

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