Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Operações especiais

Por Mauro Malin em 09/05/2006 | comentários

O comandante do Batalhão de Operações Especiais, Bope, da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Mario Sergio de Brito Duarte, afirma hoje em artigo no Globo (“O Bope vai investigar”) que o livro Elite da Tropa, lançado ontem no Rio, foi produzido de olho nas vindouras eleições. Jornais e revistas deram grande espaço à divulgação do livro. Devem aos leitores todos os esclarecimentos. Ou apurar o que há de verdade nessa acusação, ou repelir como insinuação a manifestação do oficial da PM.


Mas há no texto a referência a uma questão criminal, relacionada à explicação, dada pelos autores, de que partiram de fatos verdadeiros de que foram testemunhas, ou que chegaram a seu conhecimento, mas os misturaram ficcionalmente de tal maneira que nada possa ser especificamente identificado:


“Será que os dois capitães [um da reserva, Rodrigo Pimentel, outro da ativa, André Batista; o outro autor é o antropólogo Luiz Eduardo Soares] assistiram a quaisquer daquelas coisas horrendas? Será que não são eles mesmos os criminosos? A confissão escamoteada e remunerada (o livro deverá render muito) os isenta dos crimes que podem ter cometido? Ora, se tudo isso for verdade, há débitos com a lei que precisam ser resgatados”.


Duarte ameaça:


“Caberá ao Bope colaborar para a elucidação dos fatos, desmisturando-os, descombinando-os e descobrindo-lhes autoria, para que [….] não sirvam somente para escandalizar uns e enriquecer outros. Para isso, o Batalhão espera contar com a colaboração dos próprios autores e já adotou providências iniciando a recuperação dos registros das intervenções dos dois oficiais, durante todo o período que estiveram entre seus ´homens de preto´.”


Essa linguagem intimidatória é característica do que antigamente se chamava de “linha-dura”. Mas não dispensa indagações e respostas. Sobretudo por parte do Globo, primeiro a divulgar o livro em duas páginas diagramadas com senso de espetáculo (fundo preto). O jornal precisa fazer agora o que fez com uma carta recebida na semana passada do ex-governador Anthony Garotinho: esclarecer ponto por ponto.


Seria um grande equívoco tratar o assunto como briga interna da Polícia Militar. Não existe nada na atividade da PM que não seja de interesse público.

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/01/2008 Fatima Rosa de Carvalho

    Bobagem querer saber quem e quem na autoria do tropa de Elite.Nao acontece so isso,mas acredito que muito pior!

  2. Comentou em 15/10/2007 Marcelo Nogueira

    Cadê o link para o artigo do coronel? (não sabe escrever para internet, OI?) Fala sério!

  3. Comentou em 16/09/2007 charles bh

    O filme mostra de maneira simples e brilhante todas as facetas de um problema que cada vez mais nos aflige, a violência, que é tratada na realidade de maneira hipócrita por todos nós, principalmente da classe media para cima, o filme mostra simplesmente a realidade.
    precisamos repensar o que queremos, nao da para combater violência nos vestindo de branco e mais tarde subindo o morro para comprar drogas, é necessário que sejamos enérgicos, que nao permitamos violência de espécie alguma, que denunciemos todos os criminosos à policia e que cobremos da justiça que cumpra seu papel, precisamos e temos direito constitucional à segurança publica, não só o BOPE mas milhares de policiais, anônimos, honestos querem cumprir seu papel, e são criticados e tidos como corruptos, por causa de uma minoria.
    O filme é exemplo, ao contrario de Carandiru e outros filmes brasileiros, que colaboram com uma inverçao de valores, mostra POLICIAIS de honra, verdadeiros heróis no combate ao crime, parabéns aos criadores vocês acertaram em cheio no que estávamos precisando, policiais heróis, como nos filmes americanos, continuem assim há um campo vasto a ser explorado.

  4. Comentou em 10/09/2007 Alicia Moreno

    MAILIN

    SUA OPINIÃO DE ACHAR O TEXTO DO PM, AMEAÇADOR É RESERVADA PARA VOCE. LI E RELI E NÃO PERCEBI NADA DE AMEAÇADOR, APENAS ACHEI ENFÁTICO. TEMOS QUE TOMAR CUIDADO COM A NOSSA RESPONSABILIDADE DE IMPARCIALIDADE DE IMPRENSA PERANTE A OPINIÃO DAS PESSOAS.

  5. Comentou em 15/09/2006 MARIO SERGIO DE BRITO DUARTE

    Há alguns meses atrás, o Observatório da Imprensa comentou artigo meu publicado no jornal “O Globo”, no qual eu analisava as declarações dos autores do livro a “Elite da Tropa”, àquele jornal. Atirando-me acusações de estar sendo “ameaçador”, e de utilizar instrumentos (discursos) da “linha dura”, o “OI” buscou desacreditar minha afirmação, das intenções políticas sub-reptícias dos autores, cujo livro seria uma alavanca de campanha. Gostaria de convidar os senhores, nesta data, 15 de setembro, a procurarem na página 5 do jornal “O Dia”, a confirmação do que eu antecipei. Lá encontrarão uma grande propaganda do candidato a deputado federal Luiz Eduardo e, junto à sua fotografia, uma imagem da capa do “Elite da Tropa”, servindo de “crédito-propaganda”. Talvez os senhores continuem acreditando que os autores são desinteressados e destemidos lutadores na causa dos direitos humanos, ou talvez me creditando a pecha de ameaçador, mas, algo, estou certo, os senhores não refutarão: o fato. Mario Sergio de Brito Duarte Tenente Coronel Comandante do BOPE

  6. Comentou em 25/06/2006 KID PRETO

    Não existem fatos a elucidar. Todos os operadores cursados em operações especiais sabem da realidade funcional e do emprego finalístico de uma tropa especial: Surpresa, terror e destruição máxima. Não use, Sr. Comandante, discursos políticos para encobrir o que os senhores ‘caveiras’ sabem fazer muito bem! Vamos deixar a hipocrisia de lado e mostrar que realmente estamos em uma guerra, onde os comandantes bebem 12 anos juntos e discutem os próximos bodes espiatórios…Chega de politicagem. Vamos nos reportar ao princípio constitucional da manutenção da ordem pública: SERVIR E PROTEGER. Vamos unir forças, chega de combate…é cíclico…não resolve…vamos na fonte…vamos unir social, saúde, educação, civilidade e compaixão…vamos deixar de desejar aquela cobertura na Barra, inacessível através do salário suado, mas fácil diante de uma máfia…Vamos olhar outros países, como a Itália, que perdeu muitos magistrados, mas embuidos na missão, perderam suas vidas…mas fizeram…Chega de molecagem. BOPE É BOPE, e sempre será. Não é ferramenta política.

  7. Comentou em 17/05/2006 Mário Sérgio Duarte

    Prezado Senhor Malin Li com detida atenção vosso texto, acerca do artigo de minha autoria, publicado no jornal O Globo. Gostaria, inicialmente, de expressar minha satisfação pela honraria em receber vossa crítica. Todavia, não posso me abster de refutar dois julgamentos explicitados pelo senhor, por considerá-los inadequados. Esclareço: 1. O senhor acusou-me de ‘ameaçar’ os capitães, referindo-se às providências que adotei, legais e legítimas, para auxiliar na elucidação das barbaridades narradas na obra. Aproveitando-se de toda carga hipertensiva da expressão, atirou-me uma acusação; sub-reptícia, inteligente mas perceptível. Então, apresentando-me como ‘ameaçador’, desclassificou-me como argumentador. 2. Também, juntou a vossa opinião uma inferência, digamos, esbofeteadora: rotulou meu discurso como ‘linha-dura’. Respeitável jornalista, as providências que anunciei já as adotei. Se o senhor entende que reagir legalmente à leviandade de um agressor é ‘ameaçar’, digo-vos que meu conceito sobre o verbo é outro. Só corvades fazem ameaças, prezado professor. E, pior, não cumprem. Ainda assim, agradeço-vos por contribuir com a vossa enriquecedora e douta opinião, analisando e comentando a minha. Mário Sérgio de Brito Duarte Tenente Coronel Comandante do BOPE

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