Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CÓDIGO ABERTO > Código Aberto

Os blogs têm ética?

Por Carlos Castilho em 08/05/2005 | comentários


Advogado e jornalista Adam Cohen, membro do conselho editorial do The New York Times (acesso mediante cadastro)  provocou uma enorme polêmica dentro da comunidade mundial de blogueiros, neste fim de semana, ao pedir que os weblogs sejam submetidos aos mesmos princípios éticos que regem a atividade jornalística.


Cohen acredita que os weblogs não podem ser mais classificados como alternativos no jogo da informação, pois muitos deles ganharam tanta visibilidade pública que já poderiam ser enquadrados dentro da mídia convencional, e portanto sujeitos às mesmas leis sobre publicação de informações inverídicas.


Esta discussão vai longe porque cada lado tem um pouco de razão, e ninguém está totalmente errado. Os grandes jornais foram os primeiros a insinuar que os blogueiros são levianos no trato da informação que publicam em seus weblogs, porque não seriam rigorosos na checagem das informações, dariam livre curso a boatos e muitos se escondem no anonimato.


Cerca de 300 blogueiros, reunidos na sexta e sábado (6 e 7/5) num congresso do setor, em Nashville, contratacaram jogando na cara dos jornalistas os últimos escândalos de corrupção, a crise de credibilidade e erros crassos de apuração de notícias que colocaram a chamada main stream media (grande imprensa) dos Estados Unidos numa situação muito desconfortável perante seus leitores.


O que realmente está em questão é a veracidade e a transparência da informação. O telhado de vidro da grande imprensa está bastante danificado, especialmente nos EUA. Mas os blogs, como um todo, também não podem apresentar um certificado de boa conduta no item credibilidade.


A concentração da imprensa em poucos veículos a torna especialmente vulnerável à crises de credibilidade. Já o grande número de blogs (9,7 milhões são considerados ativos e monitorados pelo site Technorati) oferece, teoricamente, mais garantias contra a desinformação, porque o leitor tem mais opções de fontes de notícias.


O desafio é desenvolver novos sistemas capazes de aumentar tanto a veracidade como a transparência das notícias porque os existentes estão desatualizados. A verificação de uma informação não pode mais se limitar a ouvir os dois lados, porque aumenta a complexidade dos fatos e processos, bem como o número de interessados e atingidos.


O enxugamento e o aceleramento do ritmo de produção nas redações inviabilizou a maioria dos procedimentos clássicos de checagem de notícias. Este é apenas um dos vários setores da imprensa, onde a informação ficou complexa demais para ficar apenas sob controle dos jornalistas.


Portanto é inviável obrigar os editores de blogs a seguir os mesmos manuais das redações. A busca de novos parâmetros de credibilidade na blogosfera (comunidade mundial de blogueiros) recém está começando e por isto é concreta a sensação de desordem e descontrole. Tudo indica que a certificação da veracidade e transparência de uma informação daqui por diante vai depender mais dos chamados sistemas de reputação do que de leis e códigos.


Os sistemas de reputação conseguem estabelecer a credibilidade de uma pessoa ou instituição com base na conduta passada, usando-se informações armazenadas na Internet. O sistema já é usado em vários sites de buscas como o Google, a livraria virtual Amazon e o site de comércio eletrônico eBay. O sistema,cujos princípios teóricos podem ser vistos no documento Manifesto for the Reputation Society  , tende a se tornar mais preciso e rápido na medida em que aumentar o número de pessoas acessando a rede, garantem os pesquisadores.


A inclusão digital torna-se assim não um mero luxo social mas o alicerce da nova ética comunitária, pois a sociedade não pode viver sem padrões mínimos de certificação da veracidade e transparência. Enquanto isto não acontece a única saída para o consumidor de informações é confiar desconfiando.

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