Sexta-feira, 25 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Os cegos e o elefante

Por Luiz Weis em 26/08/2008 | comentários

Se é de quantidade que se trata, o leitor não tem do que se queixar. De sábado a segunda, Folha, Globo e Estado publicaram pelo menos 30 matérias e 10 textos de opinião (entre artigos assinados e editoriais) sobre o pré-sal.

Três reportagens fortes: a do Globo, revelando que o governo poderá desapropriar os oito campos já licitados para a Petrobras e associadas, ainda no regime da lei do petróleo de 1997, que deverá mudar; a da Folha, informando que o presidente Lula vai autorizar, sim, o aumento da participação da União no capital da Petrobras, mas sem chegar aos US$ 100 bilhões que a empresa pediu (e o Globo foi o primeiro a noticiar, na semana passada); e a do Estado, anunciando que o governo abriu o debate sobre como gastar a dinheirama que espera arrecadar com a exploração das megarreservas das profundezas do mar.

Só que, a exemplo da cobertura do caso Varig e da Operação Satiagraha, para citar dois momentosos assuntos recentes, a imprensa falha ao não organizar a massa de informações que vem publicando.

Nenhum dos três grandes jornais se deu o trabalho de facilitar a vida do leitor, a cada dia, com um texto-síntese que o ajudasse a percorrer as matérias que, por sinal, raramente conversam entre si. O resultado lembra a história dos cegos que deviam dizer o que é um elefante com base no que cada um tateou no bicho.

O melhor que se conseguiu fazer para arrumar a cabeça do leitor foi, sem brincadeira, um editorial – o da Folha de domingo. Não pelo que o jornal acha ou deixa de achar das discussões sobre o assunto (“campeia a demagogia”, diz o texto, estadonicamente, logo na primeira linha), mas por apresentar um roteiro com aquelas que seriam as cinco questões essenciais que não se podem perder de vista nessa formidável história: a capacidade dos novos campos, o custo da extração, o controle de produção, a mobilização do capital e o destino da renda.

Salvo engano, aliás, até então a imprensa tinha passado ao largo de um aspecto determinante, destacado no segundo item: a partir de que cotação internacional o novo manancial brasileiro será rentável, considerando que não há precedentes, na indústria petrolífera mundial, para uma exploração maciça sob parâmetros tão severos.

Também salvo engano, dos comentários assinados – que, se não estiverem encharcados de ideologia sugerem caminhos para o leitor se situar – só um, o do economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ainda na Folha, ontem, defendeu a criação de uma empresa 100% estatal para ficar com as reservas e fazer os contratos de exploração no sistema de partilha de produção, diferente do atual, de concessão.

Mas quantos leitores sabem exatamente que é uma coisa e outra? Só resta repetir, com as devidas desculpas: a imprensa tem de explicar, tornar a explicar, explicar ainda uma vez e outra, pelo menos aqueles aspectos da questão que, se não forem comprendidos, nada do resto será.

Todos os comentários

  1. Comentou em 28/08/2008 Carlos N Mendes

    Discussão bizantina. O que faz brilhar os olhinhos dos abutres são os royalties – é o jeito mais fácil de um político de segunda por a mão em uma grana de respeito. Minha cidade foi eleita para sediar uma unidade de negócios da Petrobras, que deve operar aqui a partir de 2009. Vocês não fazem idéia da tralha que está querendo se ‘arrumar’ como vereador por aqui…

  2. Comentou em 28/08/2008 Ney José Pereira

    E o ibamático companheiro Carlos Minc?. Ele já deu as licenças marítimo-ambientais para a exploração do petróleo em camada oceânica pré-sal?. Ou isso é com a Marinha?. Ou o aspecto ‘ambiental’ será negligenciado?. Ou vamos poluir (novamente) tudo, e, depois que enriquecermos, despoluamos?. E a distribuição delfimina desta riqueza?. Esperaremos o petróleo crescer para depois distribuir essa tal riqueza ‘de Deus’?. Ao que parece, vem aí um novo (e último?) milagre econômico neste país?. Só que agora não será delfimino. Será mesmo lulático.

  3. Comentou em 28/08/2008 Marcio Luiz Hipólito

    Por favor, sr Weiss, TODO leitor da Internete sabe que a MÍDIA de JORNALECÃO, de TVZONA, de REVISTECONA, etc. apenas TORCE. Uns p´rum lado, outros por outro. Conforme o momento e as necessidades de faturamento. INFORMAÇÃO de qualidade mesmo, que é bom, NADA. Será que o sr leu o artigo do sr Dines de ontem? Lá ele reconhece (muito tardiamente) que a IMPRENSA verdadeira informaçãoacabou este mês(?). Ficaram os ‘negócios’.

  4. Comentou em 28/08/2008 Ivan Moraes

    Aqui esta o que vai acontecer com a Petrobrax: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080827/not_imp231321,0.php … vai ser uma ‘estatal’ que vai estar sempre cheia de lobistas e amigos do peito de politicos, uma ‘estatal’ que vai ser sabotada por politicos e lobistas, que vai estar de maos amarradas toda santa vez que tiver que fazer uma escolha entre o desenvolvimento do pais e as preferencias das companias internacionais. Quando foi diferente?

  5. Comentou em 27/08/2008 Ivan Moraes

    ‘economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ainda na Folha, ontem, defendeu a criação de uma empresa 100 estatal para ficar com as reservas e fazer os contratos de exploração no sistema de partilha de produção, diferente do atual, de concessão’: mas isso evita que o congresso e o senado tenham que passar leis de protecao aa industria brasileira e ao empresario brasileiro, pois o que os brasileiros teem garantia de ter sao ataques diretos partidos do governo, e mais precisamente da direita brasileira. Petrobrax uma ova, a Petrobras foi sabotada de sua propriedade e do fruto de seu investimento e de suas pesquizas ou nao foi? Ou era tudo encenacao e pertence a alguem mais que nao sabemos, como a ‘tecnologia’ ‘brasileira’ de carros a alcohol? Alguem sabe responder?

  6. Comentou em 27/08/2008 Ivan Moraes

    ‘economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ainda na Folha, ontem, defendeu a criação de uma empresa 100% estatal para ficar com as reservas e fazer os contratos de exploração no sistema de partilha de produção, diferente do atual, de concessão’: mas isso evita que o congresso e o senado tenham que passar leis de protecao aa industria brasileira e ao empresario brasileiro, pois o que os brasileiros teem garantia de ter sao ataques diretos partidos do governo, e mais precisamente da direita brasileira. Petrobrax uma ova, a Petrobras foi sabotada de sua propriedade e do fruto dde seu investimento e de suas pesquizas ou nao foi? Ou era tudo encenacao e pertence a alguem mais que nao sabemos, como a ‘tecnologia’ ‘brasileira’ de carros a alcohol? Alguem sabe responder?

  7. Comentou em 27/08/2008 Luciano Prado

    Mas o leitor esperto pode rapidamente escolher o melhor caminho e a melhor solução para os interesse do Brasil e seu povo, mesmo sem entender o assunto com profundidade. Basta adotar como ponto ‘sul’ as opiniões de Míriam Leitão e dos tucanos. Daí é só orientar-se para o norte. A melhor responsta e melhor solução para o Brasil e seu povo estarão lá. No ponto oposto.

  8. Comentou em 26/08/2008 Ney José Pereira

    E o neocompanheiro Luiz Carlos Gonçalves Bresser Pereira ex-ministro da Reforma do Estado (repito, da Reforma do Estado) [É isso mesmo, no governo FHC houve, sim, esse ministério da Reforma do Estado] agora é prosélito do estatismo empresarial petroleal federal lulal. do tal pré-sal. Já pensou se essa idéia tiver êxito?. Será bresseral e colossal!. Para os partidários da Petro-Sau.

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