Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CÓDIGO ABERTO > Divórcio informativo

Os eremitas da notícia

Por Carlos Castilho em 07/12/2015 | comentários

A agenda noticiosa da imprensa convencional, especialmente os jornais e telejornais de grandes empresas jornalísticas, transformou-se um dialogo entre tomadores de decisões na política e na economia. Eventualmente a temática predominante é alterada pela introdução de algum desastre natural, crime impactante ou ameaça sanitária, sem falar nas datas e eventos de calendário.

Esta situação sinaliza o aprofundamento de um divorcio informativo entre o que a imprensa considera importante e o que o leitor valoriza. Este não é um fenômeno novo, mas se tornou mais visível com o surgimento da internet, quando o público ganhou um canal para expressar suas percepções e opiniões.

Este divórcio informativo está levando um número cada vez maior de pessoas a simplesmente abandonar a imprensa convencional por desilusão e desconfiança, fatores que agravam os efeitos econômicos da crise no modelo de negócios de jornais, revistas e até nos telejornais.

Os eremitas da notícia deixaram de prestar atenção ao que diz um Eduardo Cunha, uma Dilma Rousseff ou Aécio Neves, porque tudo o que eles declaram ou propõem está determinado por interesses político-eleitorais que inevitavelmente giram em torno da permanência ou conquista do poder político ou econômico. É um teatro institucional que o público é obrigado a assistir porque a imprensa simplesmente deixou de ser um serviço de utilidade pública para se tornar um parlatório de políticos, lobistas e empresários.

O mais perverso se tudo é que a imprensa, cedendo a um cacoete incorporado há anos em sua prática quotidiana, tende a partidarizar tudo o que vira notícia. Os fatos passam a ser analisados mais por suas implicações na luta pela conquista ou manutenção do poder, do que pelo seu significado real para o cidadão.

Quem deixar de acompanhar a cacofonia noticiosa em torno do impeachment de Dilma Rousseff não vai perder muita coisa. Pelo contrário, pode até livrar-se do contágio da polarização e radicalização das opiniões políticas criada por partidos e políticos interessados na defesa ou afastamento da presidente. . O cidadão eleitor, seja qual for a seu posicionamento, foi relegado a condição de mero espectador e o inevitável pagador das consequências da radicalização partidária.

O público, gradualmente, está tomando consciência desta situação e transfere para as redes sociais e páginas web noticiosas e independentes o debate sobre as preocupações da cidadania, que não encontram espaço na agenda da imprensa convencional mais preocupada com o que acontece nos corredores do Congresso, do Palácio do Planalto ou nos monitores dos computadores da etérea entidade chamada marcado.

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