Segunda-feira, 25 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CÓDIGO ABERTO > Desativado

Os fatos, ora os fatos

Por Luiz Weis em 19/03/2008 | comentários

A rigor, o duro editorial da Folha de hoje – ‘Bolsa mesada’ – contra a extensão do Bolsa Família a jovens de 16 e 17 anos era dispensável.


A matéria de ontem a respeito já dava conta do recado que o jornal queria passar.


Estava no título:


‘Bolsa Família cresce e alcança 1,7 mi de potenciais eleitores’.


Estava no sub-título:


‘A sete meses da eleição, benefício é estendido a jovens de 16 e 17 anos, que podem votar’.


Estava na abertura do texto:


‘A menos de sete meses das eleições municipais, marcadas para outubro, o governo iniciou ontem o pagamento do Bolsa Família para jovens de 16 e 17 anos, num limite de dois por família. No Brasil, o voto é facultativo entre 16 e 18 anos.’


E estava no infográfico mostrando, de um lado, um mapa da votação de Lula em 2006; de outro, um mapa do atendimento do Bolsa Família.


Juntando tudo, as legendas emendadas por reticências:


‘Estados onde Lula teve entre 44% e 80% dos votos válidos no 1º turno de 2006… …coincidiam com Estados onde 26,1% a 50% dos habitantes viviam em domícilios atendidos pelo Bolsa Família’.


O que decerto induz o leitor a concluir que o Bolsa Família foi criado para reeeleger o presidente – e que o seu desdobramento se destina a reeleger prefeitos e vereadores alinhados com o presidente.


É o tipo da arbitrariedade tão comum no jornalismo como a tinta de impressão que suja as mãos do leitor: transformar uma correlação em causação.


A correlação expressa no infográfico é o óbvio ululante de que falava Nelson Rodrigues: tal seria que nos Estados onde é maior o contingente de habitantes/eleitores abaixo da linha da pobreza, onde maior também, portanto, a população alcançada pelo programa de transferência de renda, o vencedor da disputa pelo Planalto fosse Geraldo Alckmin ou qualquer outros dos menos votados no país inteiro.


Já a causação não é evidente por si mesma. Precisa provar de alguma forma que o governo tomou a intenção de desencadear o programa essencialmente por razões eleitorais.


Ou, por outra: a associação entre dois eventos não é o mesmo que uma relação de causa e efeito entre eles.


[Veja, a propósito, a nota “Os jacus, as garças e as notícias”, de 19 de setembro passado.]


O argumento do governo para a extensão do Bolsa Família – reduzir a evasão escolar na passagem do ensino fundamental para o médio – foi aceito pelo último grande jornal brasileiro que se possa acusar de lulismo: o Estadão.


‘Bolsa-Família vai até 17 anos para conter evasão’, se lê no título da respectiva matéria na edição de ontem.


‘A medida, que eleva o repasse do programa em R$ 34,7 milhões por mês, visa a tentar controlar o abandono escolar acima dos 15 anos, idade em que o Bolsa-Família terminava’, se lê no primeiro parágrafo.


Na Folha, o argumento também aparece – no último dos 15 parágrafos da reportagem. Só ali o pobre eleitor tem acesso ao outro lado da história:


‘De acordo com o Ministério da Educação, 18% dos adolescentes entre 16 e 17 anos estão fora da escola. ‘A idéia é manter os jovens na escola ou trazê-los de volta à escola’, diz André Lázaro, secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade da Pasta.’


No editorial, a Folha considera ‘afrontosos’ e ‘irrelevantes’ os argumentos do governo de que o número de domicílios agraciados não se ampliou e o benefício não será pago ‘aos jovens eleitores [sic], mas a seus pais’.


De resto, não se limita a isso a animosidade do jornal ao ‘donativo’ concedido por Lula, ‘de olho no desempenho eleitoral de seu partido e aliados’.


O texto sugere que a idéia de prorrogar a permanência do aluno na escola é uma justificativa pobre para a ‘mesada’:


‘Apenas receber o estipêndio pouco influi no aprendizado e na qualificação dos jovens, pois isso depende mais da capacidade da escola de dotá-los de aptidões úteis.’


Se assim é, tanto faz se o jovem pobre continua estudando, ou se desiste para ajudar no sustento da família – uma das principais causas da evasão escolar ao fim do ciclo fundamental.


De novo não há elementos objetivos para sustentar o raciocínio. Mas isso nunca impediu um órgão de imprensa no Brasil de dar a sua opinião à revelia ou na contramão dos fatos.

Todos os comentários

  1. Comentou em 21/03/2008 José Orair Silva

    ‘O jornalista, no seu sacerdócio, deve ser sereno como um juiz, honesto como um confessor, verdadeiro como um justo.’ Com uma citação do advogado formado em Letras e Filosofia, Darcy Arruda Miranda Júnior, iniciam-se os processos movidos em varas diferentes no Fórum Central de São Paulo contra o jornalista Luis Nassif…

  2. Comentou em 20/03/2008 Jose de Almeida Bispo

    A Folha é hoje o exemplo acabado da prepotência e arrogância da classe dirigente paulista, desde empresariado, passando por intelectuais até os políticos. Voltou aos seus tempos de apoio à preparação ao Golpe de 1964. Eu não sei até onde eles querem levar isso, mas que será bom pra São Paulo, isso não o será. Nem para o Brasil. Até mesmo porque, como disse o mais paulista dos baianos, o Caetano Veloso, ‘São Paulo é como o mundo todo’ (Gal Costa in Vaca Profana). A Folha vive de ignorar isso. Adoro São Paulo. Detesto sua elitezinha descendentes de Domingos Jorge Velho e Bartolomeu Bueno.

  3. Comentou em 20/03/2008 Amaury Andrade - O BRASILEIRO

    O Nobre professor só SE ESQUECEU DE DIZER QUE ATÉ COMPLETAR A MAIORIDADE O VOTO É FACULTATIVO, E NÃO OBRIGATÓRIO.
    PORTANTO VOTA O JOVEM QUE QUISER CONTRIBUIR COM A DEMOCRACIA DE NOSSO PAÍS.

  4. Comentou em 20/03/2008 ubirajara sousa

    Será que a oposição terá coragem da desinteligência? Acho que não. Ir contra essa ampliação será um forte argumento de campanha para o Governo. Assim, a OPOSIÇÃO fica na seguinte POSIÇÃO: se correr o bicho pega; se ficar o bicho come. E ainda dizem que os ‘cumpanheros’ são burros. Será?

  5. Comentou em 20/03/2008 Ailton Fernando Santos

    Gostaria que os órgãos de imprensa fizessem o mesmo patrulhamento em relação ao PSDB/DEM, que de forma irracional tentam obstaculizar todas as votações no Congresso Nacional, com intenções meramente eleitoreiras e a mídia finge que está tudo bem. Os cartões corporativos utilizados por Jose Serra e Cia. com saques diretos na boca do Cash foram maiores do que a de todo governo Federal e a ‘grande’ imprensa simplesmente ignora e para mim isso é conivência. Na minha função eu os indiciaria na condição de CO-AUTORES.

  6. Comentou em 20/03/2008 Odracir Silva

    Acho q entendo o argumento do editorial da folha, e entendo o argumento do blogueiro. O fato ee q dar dinheiro para os pobres, vai ajudar. Mas acho q a questao ee, vai ser eficaz para combater a desigualdade? ou seraa q ee soo um lance eleitoreiro? ou sao os dois? Acho q ee isso q o editorial da folha estaa a criticar. Este tipo de ‘ajuda’ faz lembrar-me do bilhete unico de SP. A ideia ee muito boa, mas do jeito q foi implatado pela gestao Suplicy nao dava p/ a prefeitura sustenta-lo sem haver um aumento de tarifa, o q ocorreu na administracao Serra. Quero dizer, ee um bom programa q foi eleitoreiro e q, qdo implantado, nao era sustentavel. Voltando a ampliacao do bolsa-familia, seraa q o aumento vai dar bons resultados concretos, ou seraa uma coisa inocua como o primeiro emprego (i.e., desperdicio do dinheiro publico). Se houver bons resultados, o blogueiro estaa certo, se nao, a FSP esta correta. A conferir…

  7. Comentou em 20/03/2008 Mário Rodrigues

    Acho realmente um absurdo manipular tudo contra ou a favor do governo. No caso dos programas sociais, que constituem um diferencial inequívoco do atual governo, cujo êxito foi responsável pela diminuição de 31% no nível da pobreza, considero lamentável atrelar êxitos e ações positivas do governo a projetos eleitoreiro.
    Se os políticos que hoje criticam o governo tivessem feito o mesmo que o atual governo, ou até mais, em termos de política social e de vontade política, certamente teríamos hoje um país menos injusto e violento.
    Se o Lula obtém vantagem eleitoral em decorrência do políticas sociais exitosas, nada mais justo. É melhor votar em quem me tira da miséria que votar em quem faz promessas demagogas, me dá uma sandália ou manda me matar…….isso explica a grande votação do Lula em áreas beneficiadas por programas sociais. O povo mostra que sabe reconhecer quem faz o que jamais foi feito.

  8. Comentou em 20/03/2008 Salete Rocha

    Queremo o Paulo Henrique Amorim, Quero ler o que ele escreve. Eu sei que o OI é hospedado pela [ ] do IG que tirou todas as colunas do ConversaAfiada da Net, mas acho que vocês não vão apoiar esta atitude, ou vão? Escuta, cadê a liberdade de imprensa? Tem alguém (decente) aí?

    Nota do OI: Tem.

  9. Comentou em 20/03/2008 Heverton Leme

    Se a FSP assumisse ser um panfleto antilulista em vez de um veículo de nformação não teria nada de mais que publicassem essas mistificações. O errado é conspurcar a missão do jornalismo ao usar essa denominação para seus textos, que já não passam de propaganda política.
    Por isso não serve mais nem para embrulhar mercadorias na peixaria… Os peixes reclamam do mau cheiro que emana desse panfleto.

  10. Comentou em 20/03/2008 Julio Valerio Neto

    Luis, seria a imprensa brasileira fascista?

    Ja temos o grupo Naspers entre nos, alem de grandes grupos financeiros terem participaçao em jornais de grande circulaçao.
    Td que é progressita ou tem um vies esquerdista ou socialista é taxado pela mídia de mal, ruim ou anacrônico.
    Vivemos uma nova ditadura.

    Isso merece um artigo!

  11. Comentou em 19/03/2008 Marco Antônio Leite

    Senhor Luiz rogo a vossa dignidade para falar mal do governo Serra, bem como de todo PSDB. Coragem companheiro esse será o nome do próximo filme que estará em cartaz na tela do site em questão. Estou aguardando na minha confortável cadeira e na tela de 22 polegadas do meu micro. Não sou petista, porém o que lemos no cotidiano é somente criticas ao atual governo e seus aliados, procure virar o disco ou trocar de ritmo. Espero que esse filme não passe pela censura?

  12. Comentou em 19/03/2008 Marco Antônio Leite

    Senhor Luiz quanta censura com os meus comentários, não se esqueça, quando entramos numa empresa para trabalhar iniciamos com dois pés, na hora da saída dessa mesma empresa saímos com três, não se esqueça disso, é apenas uma questão de tempo, boa sorte!

  13. Comentou em 19/03/2008 Fabio Passos

    Nassif também fez crítica similar. É realmente lamentável que a mídia continue sistematicamente criticando um programa destinado aos mais pobres. Isto em um país internacionalmente famoso por sua aviltante desigualdade. E faz isto por pura pequenez. Porque todo mundo já está careca de saber que este Frias é um mero cabo eleitoral de José Serra.

  14. Comentou em 19/03/2008 Marco Antônio Leite

    Senhor Luiz rogo a vossa dignidade para falar mal do governo Serra, bem como de todo PSDB. Coragem companheiro esse será o nome do próximo filme que estará em cartaz na tela do site em questão. Estou aguardando na minha confortável cadeira e na tela de 22 polegadas do meu micro. Não sou petista, porém o que lemos no cotidiano é somente criticas ao atual governo e seus aliados, procure virar o disco ou trocar de ritmo.

  15. Comentou em 19/03/2008 ailton filho

    Seria tão mais digno se a Folha assumisse sua preferência pela direita, ao invés de ficar, todo santo dia, tentando fazer o presidente parecer mal.

  16. Comentou em 19/03/2008 Luciano Prado

    O governo tem uma politica social de inclusão clara, conhecida de todos e referendada nas urnas. Além de bem sucedida é elogiada no mundo inteiro. Até a Hillary quer copiar. Quando a Folha ganhar as eleições ela muda tudo isso. Faz do modo como sugere em seu Editorial. Enquanto não governa o país, a Folha tem (será?) o ‘direito’ apenas de ‘discursar’. Vai discrusando, discursando, opinando, opinando, fazendo política e tentando substituir os partidos.

  17. Comentou em 19/03/2008 Fernando Lemos

    Weis, como eu já sou vacinado contra a ideologia subjacente dos textos da Folha, seu artigo não me causa surpresa, apesar de ter gostado de seu texto, claro. Fica aqui minha menção ao joguinho desesperado que a oposição exerce atualmente. Atitudes como essa e milhares que testemunhamos na imprensa em geral, só nos faz pensar no asco e leviandade que essas instituições esbarram.

  18. Comentou em 19/03/2008 Ana Rodrigues

    A folha de são paulo está em plena campanha para as eleições 2008/2010. Assim como toda a ‘grande imprensa’, ela já escolheu seu candidato. Mais honestos são o Estadão e Carta Capital que assumem quem apoiam sem disfarce. A Folha acha que nós acreditamos na sua isenção. É até ridículo. Eles deviam olhar para a tiragem que vem caindo dia a dia, e os anúncios também. Na minha casa a folha não entra mais.

  19. Comentou em 19/03/2008 Julio Valerio Neto

    Eu pergunto : Esperar o que da Folha de Sao Paulo?

  20. Comentou em 19/03/2008 Mara Silva

    Como eu já comentei antes, não interessa onde começa a matéria, você sempre termina dizendo que o Lula tem razão.
    Isto é que é imparcalidade….

  21. Comentou em 19/03/2008 Fernando Schweitzer .

    Sou contra a governos de direita como o do Presidente Lula, mas essa seria uma medida correta… Já que nãpo consegue criar empregos que auxilie estudantes… Porque bolsas de estudo para universitários sim e para secundaristas não…?

  22. Comentou em 19/03/2008 Sidnei Brito

    E o pior de tudo é que, de acordo com algumas notícias esparsas dos últimos tempos, vários municípios de população largamente atendida pelo bolsa-família são administrados por políticos do DEM e do PSDB, ou seja, pelos grupos de oposição. Se é que o programa é eleitoreiro, é-o também para os prefeitos filiados aos partidos de oposição. Adoraria ter mais informações sobre isso. Poderia ser na Folha mesmo…

  23. Comentou em 19/03/2008 Gersier Lima

    E depois vão a organizações internacionais reclamar que estão tentando amordaçar a imprensa. Que imprensa? Desde quando pode se considerar folhetim como imprensa? Franklin Martins deveria pressionar e fazer o reporter provar que os argumentos tendenciosos têm fundamento. Todo mundo sabe que em muitas cidades o impossível está acontecendo que é a aliança entre PT e PSDB para lançamento de candidaturas única. Lula cansa de falar que não é candidato a nada, que o Governo ao aplicar as verbas federais não está preocupado em saber de que legenda é o Governador ou o Prefeito e sim das necessidades da população. Mas isso é tendenciosamente e sistematicamente colocado de lado . Como esses reporteres, como diria PHA, são verdadeiros selados, acreditam que Lula age conforme os políticos dos demos e tucanato estão acostumados a agir, ou seja, os atos dos mesmos sempre visam uma maneira de continuarem suas carreiras políticas.Estão sempre preocupados com a perpetuação de seus ‘puderes’.

  24. Comentou em 19/03/2008 Rogerio de Almeida Abreu

    Caro Weis, belo artigo… objetivo e factual. Acho que a FSP deveria de vez assumir sua posição, não só ideológica, como partidária. Isto não depoem contra o ‘jornalão’. É prática comum na mídia de primeiro mundo (o NYT, por exemplo, se posicionou pela candidatura da Hillary em editorial). Na verdade seria uma postura mais justa, particulamente com seus leitores. Se atitude do gênero vai ‘quebrar’ o conteúdo de sua publicidade – a pluralidade (a Folha plural, etc e tal) – lamento. Mas que seria verdadeiro e sintonizado com os fatos (tão aclamados como princípios básicos do jornalismo) isto seria. O problema da FSP é que editoriais como o de hoje (e, como tal, são opinativos) enraizam-se nas entranhas de suas coberturas diárias, impedindo ao seu leitor aquela coisa básica: fazer seu juízo de valor sobre os fatos e as opiniões (todas) que o circundam.

  25. Comentou em 19/03/2008 TACIANA OLIVEIRA

    Quanto um jovem de classe média alta custa aos seus pais para estudar?E de classe média?Além disso,eles não são obrigados a sustentar a família, e ainda têm as suas mesadas, certamente maiores que a bolsa que é paga aos jovens de classe baixa para continuar a se manter e estudar em escola pública. O jovem das classes médias, tem um pai ou mãe que lhe ensina as tarefas de casa ou um professor particular para isso. Tem a internet para consulta( ou cópia) e outros recursos mais. Não precisa de dinheiro para transporte público e é bem alimentado.O jovem de classe baixa não tem esse apoio, precisa às vezes fazer pequenos trabalhos no turno em que não está na escola e acaba se submetendo – quando se desnivela – a ter que dormir em filas intermináveis para conseguir vagas nos chamados ‘colégios supletivos’. É lógico que isso apareça agora, pois a geração que foi apoiada pelo bolsa, agora está ficando sem o apoio de antes. E os bandidos estão aí para acolhê-los( este argumento talvez sensibilize aqueles cuja rodada de pizza do fim de semana custa mais que a ‘bolsa’ dos pobres). Mas na realidade, esse Governo tem outros programas de apoio ao jovem que não se conhece. Como por exemplo, aquele desenvolvido junto com o Exército ou o de treinamento e colocação em empregos. Alguém conhece?

  26. Comentou em 19/03/2008 André Martins

    Parabéns, análise perfeita. Aguarde que logo você será taxado de petista.

  27. Comentou em 19/03/2008 Ricardo Pereira

    Pergunta que nao quer calar: se fosse o FHC ou qualquer outro, haveria tal editorial? A atitude pro-tucana, mas acima de tudo, pro capitalismo selvagem do sr Otavio Frias Filho nao é novidade, concordam? Eu lamento que bons nomes do jornalismo nacional tenham que aceitar as ordens deste personagem sinistro. A FSP merecia um dono melhor…

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