Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

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Os melhores remédios estão na feira, não nas farmácias

Por Bruno Blecher em 28/11/2006 | comentários

Energia, saúde e bem-estar devem ditar a moda da agricultura mundial nos próximos anos. O homem busca a cura para doenças graves, como o câncer e a depressão, na feira e nos mercados, e não apenas na farmácia. Os chamados ‘alimentos funcionais’’, sejam frutas, verduras, legumes e peixes, passam a ser cada vez mais utilizados para a prevenção de doenças e a garantia de uma vida mais saudável.


Por outro lado, o Brasil se tornou um exemplo para o mundo também na área de energia alternativa, ao desenvolver a tecnologia do etanol e dos carros flex-fuel, sucesso econômico e ambiental que ajudou a reduzir a poluição nas grandes cidades. Mais um ponto para a saúde dos homens e do Planeta.


Produtos agrícolas brasileiros como o café, a banana e o feijão são considerados hoje como verdadeiros remédios. Com grande quantidade de antioxidantes, o café, a banana, a maçã, a uva e o vinho podem reduzir o ritmo do envelhecimento e contribuir para uma vida mais saudável, demonstram pesquisas científicas.


Capitalismo orgânico



Veja desta semana (29 de novembro de 2006) traz duas informações curiosas nesta área. Nas páginas amarelas, o grande guru do capitalismo norte-americano, o bancário (e, lógico, bilionário) David Rockefeller, se confessa um adepto da agricultura orgânica.


Ele criou a Stones Barns, fazenda de produtos orgânicos situada no Estado de Nova York, que hoje cultiva 200 variedades de vegetais sem usar uma gota de agrotóxico ou fertilizantes químicos. E os EUA, vale lembrar, responsáveis pela chamada Revolução Verde, espalharam pelo mundo no pós-guerra os chamados defensivos agrícolas.


Na mesma edição, à página 117, David Servan-Schreiber, psiquiatra francês que condena o uso indiscriminado de antidepressivos, expõe uma teoria no mínimo curiosa sobre o crescimento de casos de depressão e ansiedade nos últimos anos.


Para ele, isso está diretamente relacionado à nutrição animal. ‘A qualidade dos alimentos mudou drasticamente desde a 2ª Guerra Mundial. Até então, a alimentação dos animais era bastante diversificada. Eles comiam os legumes e vários tipos de grãos que encontravam nos pastos. Com isso, as carnes, as manteigas, os queijos e os ovos eram ricos em ácidos graxos ômega-3. Este tipo de gordura é essencial para o bom funcionamento do cerébro, ao estabilizar o humor, controlar a irritabilidade e a agressividade’.


De uns tempos para cá, os animais passaram a ser alimentados apenas com milho e soja. Na opinião de Servan-Schereiber, a dieta humana perdeu não apenas o sabor, mas também a qualidade. A falta de uma de suas principais fontes de ômega-3 resultou em pessoas mais irritadas e agressivas.


Seja como for, o consumo de alimentos orgânicos está em plena expansão não apenas no mundo como também no Brasil. Em diversos países do mundo, o mercado dos orgânicos já representa entre 2% e 3% do total dos alimentos consumidos, como Dinamarca, Áustria e Suíça.


A taxa anual de crescimento no consumo dos alimentos e bebidas orgânicas já chega a 15% ao ano (2003 a 2005). Nos países europeus, a média é de 10 %. No Brasil, o consumo de orgânicos cresce a taxa de 25% a 30% ao ano. Bom sinal.


Todos os comentários

  1. Comentou em 29/11/2006 CELIO LEVYMAN

    Realmente há opiniões as mais estranhas possíveis.A questão de alimentos orgânicos e os genéticamente modificados deixo para os especialistas – a questão efetivamente,como o Prof. Ernani colocou,é afeita à area médica.Objetivamente:depressão não é um diagnóstico simples,fácil.Pode ser exclusivamente psicológica,até mesmo natural (como o período de luto,por exemplo),a um complexo desarranjo bioquímico cerebral,com pouca ou nenhuma interferência do meio ambiente,ao contrário do que certa corrente ultra-psicoterápica-não-medicamentosa quer fazer crer.A relação entre o ômega-3 e a depressão é risível,sem evidência científica.As bases neuroquímicas da depressão não se encontram nos radicais livres,tampouco nos alimentos,e sim na produção e nos receptores de um neurotransmissor denominado serotonina – é por aí que os medicamentos atuam.Depois da II Guerra até pode ter se modificado a alimentação dos animais,mas o aumento de casos de depressão encontra explicação mais simples na própria mudança social,das relações familiares e financeiras e até mesmo do diagnóstico,feito em maior número por se pensar mais no mesmo.Cada macaco no seu galho…CELIO LEVYMAN,médico,mestre em neurologia pela UNIFESP.

  2. Comentou em 29/11/2006 Ernani Porto

    Realmente, não sei quanto um psiquiatra sabe de nutrição animal, nutrição humana, zootecnia e tecnologia de alimentos para fazer tantas afirmativas.

    Como veterinário e doutor em Ciências de Alimentos, sei que atribuir ao consumo de soja pelos animais o aumento da agrassividade entre humanos é uma estultice.

    Aliás, nem precisa de diploma para chegar a essa conclusão. Bilhões de chineses provam o contrário.

    Fontes jornalísticas devem ter as devidas credenciais para serem utilizadas. Como cientista na área de alimentos, não faria o caminho inverso. Não iria dar palpite do que conheço (alimentos, nutrição, tecnologia de alimentos e veterinária) sobre o que desconheço; psiquiatria.

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