Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CÓDIGO ABERTO > Desativado

Os riscos de uma idéia razoável

Por Luiz Weis em 24/11/2006 | comentários

Quando um governo subsidia micro e pequenas empresas em geral, os seus clientes não correm o risco de comprarem delas bens ou serviços cuja natureza e qualidade tenham sido atingidos pelos estímulos concedidos aos fornecedores. Os produtos vendidos por uma pequena confecção beneficiada pelo poder público, por exemplo, não prejudicarão – em razão disso – os seus consumidores.

Mas o mesmo não se pode dizer, necessariamente, dos produtos de pequenas empresas de mídia incentivadas pelo governo com redução de impostos ou aumento da sua participação na distribuição do bolo publicitário oficial, para democratizar a mídia.

A concentração da mídia faz mal à democracia, e são legítimos, em princípio, planos e propostas para contrabalançar essa distorção, cada vez mais acentuada no mundo inteiro – apesar do ilimitado espaço que a internet proporciona à diversidade de informações e opiniões.

Nem por isso devem ser ignorados os potenciais efeitos perversos, por indesejáveis, de qualquer política de apoio a órgãos de comunicação que dão um duro danado para sobreviver, diante do poder esmagador dos colossos do ramo.

Quando o PT propõe, como informa hoje a Folha, que o governo não se guie apenas por critérios de mercado – o poder de penetração de jornais, revistas e emissoras – para escolher onde anunciar, parte de uma realidade inegável.

Como diz o dirigente Valter Pomar, ‘a mídia brasileira é muito monopolista. É um grupo pequeno de empresas controlado por um grupo pequeno de famílias. Isso vai criando uma espécie de círculo vicioso. Como são grandes, recebem uma cota maior, e graças a essa cota maior continuam grandes’.

No entanto, também procede a questão de como saber se o incentivo econômico oficial a órgãos de comunicação presumivelmente independentes – a juízo dos incentivadores, é claro – ‘não transformaria tais veículos menores em órgãos oficiosos do Planalto’, como se pergunta a Folha.

É mais ou menos como dizia o escritor americano Upton Sinclair, citado no admirável filme ‘Uma verdade inconveniente’, sobre o aquecimento global:

‘É muito difícil encontrar alguém que entenda uma coisa quando o seu salário depende de não entendê-la.’

Quando o ‘salário’ de uma pequena organização jornalística depender de ela não ‘entender’ os eventuais malfeitos do governo que o paga, a conta sobrará inevitavelmente para o interesse público.

***

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Todos os comentários

  1. Comentou em 26/11/2006 Patrícia Valiño

    Mas aí teremos sempre os barões insatisfeitos à reclamar, livres, do governo que não lhes dá mais verbas publicitárias…

  2. Comentou em 25/11/2006 maria santos

    Um bom exemplo. Hoje se trama, quase em surdina, um aumento vergonhoso para o poder judiciário e legislativo( com minúsculas mesmo). Se a mídia estivesse ao lado da verdade, procuraria caminhos para denunciar e coibir tal calamidade; mas não. Quem está pondo a boca no trombone são os pequenos blogs, na Internet. Capitaram? Foi terrível para o povo, de um modo geral, constatar que a imprensa brasileira está a serviço de uma rodinha de poderosos. Fomos enganados durante muitos anos, lamentávelmente.

  3. Comentou em 25/11/2006 ERNESTO MARQUES

    Weis nos oferece uma reflexão muito interessante. De fato, há riscos na proposta defendida por Valter Pomar. Mas é louvável que dirigentes do PT (também sou militante do partido) tenham disposição para encarar o debate com uma proposta tão ousada. O risco levantado por Weis é uma possibilidade. Mas publicações como Veja têm demonstrado de maneira cabal que o interesse público não é o norteador de seu ‘jornalismo’. Os grandes conglomerados da mídia brasileira se robusteceram com recursos públicos das verbas de propaganda oficial. Na Bahia, onde há precedente para todo tipo de absurdo, o erário já foi desavergonhadamente utilizado de duas maneiras: para privilegiar as empresas da família do senador ACM e para garrotear outros veículos (aconteceu com o Jornal da Bahia, na década de 1970, e, mais recentemente, com o A Tarde). Acho que podemos correr o risco, se o desejo é estimular a democratização do setor. Difícil é continuar vendo dinheiro público vitaminando uma imprensa que, agora despudoradamente, defende interesses privados. É muito melhor travarmos este debate em público do que confiarmos em decisões de gabinetes com base em ‘critérios de mercado’.

  4. Comentou em 25/11/2006 Jose de Almeida Bispo

    Toda essa discussão sobre concentração de mídia, apesar de válida, não terá lugar daqui a mais cinco anos. Sem ter nada a ver alguém lá atrás criou um sistema que, dentre outras coisas está propiciando esta discussão, que não haveria condição com cartas – que sempre iam ao lixo – para as redações. Uma pessoa, uma máquina, um opinador. Quem (já) acabou a concentração da mídia foi a internet. Acabou. Só falta ‘passar o papel’. Aos jornalistas – novos e antigos – aconselho a procurar ver o que acontece com muitos radialistas, especialmente de cidades médias – que hoje são ‘donos de seu próprio negócio’, ou seja, arrendam espaços nas emissoras por própria conta e risco. Acabou o emprego. A qualidade do rádio tá uma m., mas, não tem volta. No caso do jornalismo, salvo raros casos – sempre os haverá – tá todo mundo condenado a blogar. Pra não perder o pique, também vender livros como sempre fez. Esqueçam os patrões porque eles já estão de malas prontas para outras paragens. Jornais e revistas de tiragens de milhões, já era. Daqui pra frente isso será coisa de hobistas. O rádio e a TV não conseguiram acabar com a imprensa. A rede também não. Mas vai reduzi-la a coisa de, como disse, hobistas.

  5. Comentou em 24/11/2006 Rosa Sart

    A estética da arte não se manipula. No entanto, a preocupação procede, principalmente, vindo de profissional experiente e experimentador de outras artes. Queiramos ou não, a midiatização requer volumes de dinheiro, que se diga, bem aplicáveis na coisa pública. Se há vertentes que não se dialogam, isto se trata de outro negócio. A disposição de se investir em empresas estatais de comunicação transcende o desejo apenas de algum interlocutor que se mostre bem intencionado. Urge demonstrar ao público a correta aplicabilidade dos dinheiros. Se não há retorno que sugira melhoria do sistema, da programação, da tecnologia, etc. algo deve estar errado. Mas, em princípio, requer-se maior atenção por parte de pessoas que labutam no campo das idéias e da arte de escrever, e seus posicionamentos devem ser bem-vindos em país democrático cuja democratização da mídia ainda se encontra na Idade da Pedra. É bom que se diga isso. Nosso país tem sido muito ‘generoso’ com os meios de comunicação existentes. Muitas bobagens enchem cabeças dominicais, enquanto o analfabetismo campeia entre nós. Tevê comunitária exibe programação variada e de grande interesse popular e nacional. Quando uma grande tevê privada discutiria a questão da educação e da cultura no interior do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra? O preconceito esbanja na sociedade e a mídia fortalece. Por que não se discute isso?

  6. Comentou em 24/11/2006 Ivan Moraes

    ‘que o governo não se guie apenas por critérios de mercado – o poder de penetração de jornais, revistas e emissoras – para escolher onde anunciar, parte de uma realidade inegável’ Entao troquemos ‘anunciar’ por ‘vender’ que faz mais sentido para o meu argumento. Os ladrilhos do meu subsolo, que eu compro por 99 centavos, sao turcos. Exceto que da ultima vez, eu comprei uns diferentes e os coloquei no meu chao, sao lindos, e distraidamente olhei a caixa… ‘Santiago’, da Cecafi. Made in Cordeiropolis, Brazil. QUanto eh que eles custam no Brasil mesmo? Porque cargas dagua eu compro ladrilhos chiques do Brasil -a 99 centavos de dolar por pe quadrado- em New Jersey? Porque os incentivos pra se tirar ambos produto e dinheiro do Brasil, tanto do governo americano como do proprio governo brasileiro, sao tao grandes que eh mais lucrativo exportar a 99 centavos de dolar do que vender no Brasil ao preco que seja! Mesmo que o mercado americano seja o mais competitivo do mundo!!!! SInto muito pelos que acham que eh tudo preto no branco, deus-ou-diabo, petista ou tucano: o PT esta certissimo. A concentracao nao faz so ‘mal aa democracia’ mas rouba o povo de seu produto legitimo, ao qual teriam pleno direito se nao fosse por completa ignorancia do que esta acontecendo. O ‘incentivo economico’ aas pequenas empresas, como da pequena media, so pode melhorar o Brasil. Piorar nao.

  7. Comentou em 24/11/2006 Maria do Carmo

    Onde é que vende esse aparelhinho que jornalista tem prá medir o que é de ‘interesse público’?
    Tô precisando montar um negócio de sucesso!

  8. Comentou em 24/11/2006 Márcia Coelho

    A Folha de São Paulo, por acaso, não fala em nome do interesse próprio? É claro que os gigantes vão espernear diante de qualquer perspectiva que lhe reduza alguns centímetros.

  9. Comentou em 24/11/2006 Danilo Prociuk

    O problema é que a grande maioria dos jornalistas, não se dá o respeito.

  10. Comentou em 24/11/2006 adilton sacramento dos santos

    Como está, é que não pode ficar. Vemos a cada dia o poder da Globo, influenciando eleições, manipulando informações etc.
    Já que adotamos tudo que vem dos estados unidos, porque não adotarmos o modelo de concessões deles. Se alguma família ou grupo possui uma rede de tv, não pode ter também, revistas, radios etc,
    Só assim teremos uma mídia verdadeiramente democrática.

  11. Comentou em 24/11/2006 Procópio Mineiro

    Weis expôs bem os riscos de o financiamento da mídia alimentar uma imprensa ‘a favor’. Deveríamos, contudo, estender o raciocínio a toda publicidade (nem falo de empréstimos bancários oficiais especiais, etc…), a qualquer meio de comunicação.
    A discussão de fundo é essa: a publicidade dirige a opinião e a orientação editorial dos meios de comunicação? Ou: a opinião e a orientação editorial dos meios comunicação são os ‘qualificadores’ básicos para a a captação da publicidade privada e oficial? Uma questão secundária é investigar se existe mesmo um oligopólio da mídia brasileira dotado de um consenso básico sobre como influir na opinião pública e, eventualmente, produzir resultados políticos especificos, dirigidos a beneficicar determinados segmentos. Bem, nossa história parece ter farto material para o exame dessa questão.
    Então, caberia a pergunta: se o interesse do conjunto da sociedade (muito ricos, ricos, médios, submédios, pobres e miseráveis) corresponde ao interesse da nação por desenvolvimento e efetiva democracia, a nossa mídia atual tem estado atenta ao interesse do conjunto nacional ou tem sofrido limitações de visão decorrentes de seu modo de financiamento?
    Já se falou (ou ainda não?) no ‘partido da mídia’. Talvez uma distribuição mais horizontal da publicidade oficial possa tornar esse partido mais plural, não necessariamente governista.

  12. Comentou em 24/11/2006 Gonçalo Osório

    O problema do PT não é democratizar a informação (aliás, ninguém sabe o que é isso). O problema do PT é dirigir a informação. Nada melhor do que o controle de verbas publicitárias. Todo governo que se vê acusado de malfeitorias pela imprensa, como é o caso do governo do PT, começa a rugir que vai remanejar as verbas de publicidade. Milhões já foram gastos em patrocínios dos mais duvidosos por parte de estatais para setores da imprensa simpáticos (ou vendidos) ao PT. Mas vamos lá ao que o Weis não abordou: os grandes jornais e as grandes revistas ficam no mercado porque são melhores. O mesmo acontece com o telejornalismo. Os maiores são maiores pois são melhores. Oferecem um produto melhor. Tadinho do PT. Vai fazer o que, por exemplo, com a Rede Globo, que não depende de publicidade oficial? Ou com o Estadão? Ou Folha? Ou Veja? Na hora em que o público quer notícia, informação correta, orientação, avaliação das coisas, corre para o pessoal citado acima. O público não é bobo, sabe que essa turma que imprime cartilhas com o dinheiro público quer agora imprimir outro tipo de cartilhas — com o dinheiro público, claro. Sabem porque não há um órgão de imprensa ‘petista’ de grande alcance, grande público e grande influência (e respeito)? Pura e simplesmente porque há uma contradição básica entre ‘petismo’ e bom jornalismo. É como um pernete querer jogar futebol.

  13. Comentou em 24/11/2006 Clifford Hodgson

    Concordo com o articulista. Na minha opinião a medida tem um viés ideológico nitidamente perigoso. Alguém acha que veículos com o perfil editorial de ‘Midia sem Máscara’ ou ‘Primeira Leitura’ receberiam o mesmo tratamento de ‘Carta Capital’ ou ‘Caros Amigos’?

  14. Comentou em 24/11/2006 Marcos Fonseca

    Os problemas expostos na última campanha eleitoral, com vítimas de um lado (Veja, Globo, Folha etc) e de outro (IstoÉ, Correio Braziliense, Carta Capital etc), são em grande medida decorrentes do enfraquecimento dos jornalistas como categoria profissional. Enquanto houver 87 candidatos (jornalistas ou não) para cada vaga aberta nas redações e os enxugamentos forem uma espada sobre a cabeça dos profissionais ainda empregados, mesmo os mais experientes, não é difícil entender, por exemplo, como IstoÉ e Correio Braziliense puderam fazer o serviço que fizeram aos seus leitores, comprovadamente, no caso do dossiê fajuto. Para impedir que os grandes interesses políticos e econômicos — por extensão, os dos patrões em geral — interfiram em seu trabalho, os jornalistas precisam da defesa de um efetivo código de ética e de conduta. Para tanto, precisam ser uma categoria de verdade, com princípios, valores e necessidades comuns. Isso só se consegue com diploma específico, regulamentação profissional e unidade em torno de grandes e pequenas reivindicações. Infelizmente, não é para esse lado que caminhamos.

  15. Comentou em 24/11/2006 Francisco das Chagas Alves

    Mesmo sem conhecer profundamente o projeto, calculo que não se fará uma divisão ‘per-capita’. Devem os pequenos entrarem num pequeno percentual do bolo. Por outro lado, faço uma sugestão à FSP e a tantos outros grandes que venham a jurar que não estão protestando por dinheiro mas para que os pequenos não sejam tentados pelo vil metal a apoiar o governo: doem a parte que lhes cabe no latifúndio para o Incor. Então, acreditarei que estamos falando do bem do Brasil varonil.

  16. Comentou em 24/11/2006 Manuel Amaral Bueno

    (Luiz Weis, a pergunta foi para você, mas pode qualquer comentarista desse site pode respondê-la)

  17. Comentou em 24/11/2006 filipe veiga

    Bom, este argumento é meio falacioso. a publicidade é realmente importante para um veículo de mídia, mas o que conta realmente é o número de leitores, que compram o serviço. Se o dinheiro do governo ajuda empresas pequenas a melhorar sua qualidade, e elas escolhem falar bem do governo, isto cabe a elas, assim como cabe aos leitores/espectadores escolher de que fonte receber notícias. Temos assistido a um verdadeiro massacre do governo federal (que tem boa parte da culpa), mas o arranjo atual de verbas publicitárias não tem sido capaz de fomentar discussões reais e profundas sobre a realidade brasileira, se limitando a uma cadeia de fofocas (fulano disse isso, aí beltrano respondeu aquilo, etc) que é sinal de fraqueza e indigência das redações. Felizmente a internet tem sido um pouco mais plural. Daí que por que não mudar?Certamente os grandes da mídia tem melhores chances de se financiar no mercado (sim o mercado, ou ele só existe quando é pimenta nos olhos dos outros). Que tal um pouco de choque de capitalismo na mídia?

  18. Comentou em 24/11/2006 Manuel Amaral Bueno

    Se há uma necessidade de ‘democratização da mídia’, como você sugere que você que ela seja suprida?

  19. Comentou em 24/11/2006 Fábio Carvalho

    A reportagem da Folha afirma, no segundo parágrafo, que democratizar as comunicações é ‘pretexto’ para o PT discutir mudança critérios para a distribuição de publicidade oficial. Essa democratização está longe, muito longe, de ser uma idéia razoável. O título da matéria é um escândalo de ‘imparcialidade’.

  20. Comentou em 24/11/2006 Francisco Bezerra

    Na história de Lula teve um episódio em que o pai dele comprou sorvete para os filhos da segunda família, constituída em São Paulo e negou aos da primeira, de retirantes nordestinos, porque esses não sabiam ainda o que era sorvete. O raciocínio da Folha, aqui ratificado por Weis, é o mesmo. Quer evitar que os nanicos se lambuzem. O nome do filme seria ‘O primeiro sorvete negado II’ ou ‘O segundo sorvete negado’?

  21. Comentou em 24/11/2006 Francisco Bezerra

    Pode-se substituir o último parágrafo por: ‘Quando o salário de um jornalista (pequeno ou grande) depende de ele não entender os eventuais malfeitos do oligopólio que o paga, a conta sobra inevitavelmente para o interesse público’.

  22. Comentou em 24/11/2006 danilo silva

    Faz todo o sentido essa política de desconcentração das quotas publicitárias.Com mais recursos, os pequenos veículos melhorarão suas publicações, venderão mais exemplares e se farão mais conhecidos. Qualquer tentação de se tornar veículo oficial será coibido por nós leitores, assim como estamos controlando os veículos que se dizem ‘isentos’ mas que a toda hora caem na crítica vazia, para dizer o mínimo…

    É normal essa gritaria dos grandes veículos de comunicação: todos criticam o Estado no Brasil, mas no fundo todos querem mamar nas tetas do erário público…

    Ainda se tivessem criticando toda e qualquer publicidade oficial tudo bem, mas criticar a repartição das verbas com grupos menores é o cúmulo do cinismo e da hipocrisia. Para mim, toda publicidade oficial deveria ser proibida pela Constituição. Somente campanhas educativas ou de utilidade pública deveriam ser autorizadas. Mas acho que isso é querer demais… Um cidadão não faz verão !!!

  23. Comentou em 24/11/2006 Fábio Carvalho

    Também é muito difícil a Folha entender uma coisa quando o atual salário dela depende de não entendê-la. Também convém questionar por que o jornal jamais informou aos seus leitores nada sobre o tal inegável monopólio da mídia. A Folha, afinal, integra um monopólio? Ou será que aquela família teme entrar numa ‘frias’?

  24. Comentou em 24/11/2006 Reginaldo Almeida

    O melhor mesmo é não haver verba publicitária. Por que o governo tem que fazer propaganda dos seus feitos? Se os feitos forem realmente ‘bem feitos’, certamente todos saberão dos mesmos, e inclusive a mídia, que escreve o que os seus eleitores gostariam de saber, certamente daria uma cobertura maior. O problema é que hoje (e antes) a maioria dos feitos é de qualidade duvidosa, daí a necessidade da publicidade.

    Na minha opinião, publicidade só de utilidade pública, tipo campanhas do ministério da saúde e não muito mais.

    Vamos investir esse dinheiro em coisas mais úteis ou vamos desonerar os impostos!

  25. Comentou em 24/11/2006 Ivan Bispo

    E vamos concentrar, por que dar mais verba publicitária a Carta Capital se a Veja e a Época tem tiragens maiores? Verba publicitária é somente para os grandes, porque os pequenos têm que ser pequenos. Democratizar a mídia jamais. Democratização por incrível que pareça faz mal a grande mídia. Não entendo críticas ao governo por democratizar mais a mídia.

  26. Comentou em 24/11/2006 Lica Cintra

    A concentração da mídia faz mal a democracia, essa é a questão fundamental. A idéia do governo é pertinente, não devemos ter medo das mudanças, a democratização da comunicação e informação é urgente. O que não dá é perpetuar esse esquema monopolista com o argumento de que a distribuição do bolo será fatalmente ‘aparelhada’. O modelo atual já é completamente ‘aparelhado’ aos interesses das empresas de mídia. Dividir o bolo, rediscutir a Lei da Comunicação, modificar as regras de concessão e regulamentar a atividade jornalística são ações que contribuem para a democratização da mídia e são essas questões que estão por trás da crítica que fazem as empresas de mídia e seus funcionários.

  27. Comentou em 24/11/2006 Dante Caleffi

    Quatro famílias dominam a opinião pública no país.A mais poderosa delas,tem a seu favor um complexo midiático sem paralelo em democracias ocidentais:possue mais de 60% de audiência televisiva.
    Nutre -se ,há decadas de benesses oficiais através de fundações,telecursos,promoções de cunho caritativo ou benefiscente.
    Essas organizações têm apoio intercontinental,de associassões corporativas que protegem mútuamente seus interesses.Jamais os seus clientes,que são o povo;jamais a democracia.O exemplo venezuelano é lapidar.Lá os Cisneros e aliados chegaram ao ponto de promover um golpe de estado, exitoso por 48 horas.Aqui, seus êmulos nacionais , não lhes ficam muito atrás.Como democratisar as comunicações sem ferir suceptibilidades liberais e democráticas?Sem que histéricamente,se acuse de ditador ,caudilho,autoritário,chavista,fidelista, os seus proponentes?É hora de renunciar ao falso companheirismo ,têrmo inventado para cooptar profissionais e submetê-los à falsa ilusão de solidariedade corporativa.
    Patrão naõ é companheiro,não ´pertence ao mesmo sindicato,tampouco divide suas ideologias e seus ideais.É apenas um empresário,que entreviu uma oportunidade de explorar a vaidade de uns e o mêdo de outros.Dessas matérias-primas, é que fazem impérios.

  28. Comentou em 24/11/2006 Sírio Possenti

    Weis:

    Defina ‘interesse público’. É bastante óbvio que ‘público’, em geral, quer dizer ‘de alguns grupos’.
    Dito de outra maneira: O Dines escreveu por aqui, dias atrás, que Lula calou a mídia no primeiro ano de seu governo com promessas de financiamento. Suponhamos que seja verdade. Qual a diferença entre calar – ou não calar os grandes com grana ou falta dela – e deixar (ou até fazer) falar os menos grandes?

  29. Comentou em 24/11/2006 Marco Costa Costa

    Para uma imprensa livre de expressão e democrática torna-se impensável depender de verbas dos governos em geral. Na medida que esta imprensa esteja envolvida com a politicagem exercida pelos políticos, não tenham duvidadas que esta empresa pôr obrigação, não poderá fazer denuncias nem criticas de quem quer que seja. Uma imprensa livre se faz com pessoas competentes e, que o custo de seus veículos de comunicação alcancem um maior números de leitores. Desta forma, vamos ter um circulo vicioso positivo, ou seja, custo reduzido, maior produtividade, mais gente poderá adquirir a noticia, mais profissionais contratados, melhora na qualidade, entre outros beneficios, tanto para a empresa, como para o leitor. Sendo assim, a empresa estará livre para exercer plenamente suas atividades

  30. Comentou em 24/11/2006 Mário De Luca

    Só compro jornais aos domingos, nos demais dias só navego e ouço rádio para me inteirar das notícias. Isto fez-me descobrir a Carta capital e a Tribuna da Imprensa além de outras mídias que mostram que há vida além da ‘grande’ imprensa.

    Não é por acaso que ‘eles’ já estão procurando uma forma de controlar a ineternet utilizando desculpas das mais estapafúrdias .

  31. Comentou em 24/11/2006 Ruy Acquaviva

    Quanto corporativismo!!! Então só os jornalões é que podem publicar propaganda oficial??? Eles é que são isentos não é??? Isso sim é que é um ionsulto à inteligência dos leitores.

  32. Comentou em 24/11/2006 Pablo Arruti

    Concordo que o apoio financeiro pode interferir na qualidade da informação das pequenas empresas de mídia. Mas, de qualquer forma, não estimula uma concorrencia neste ‘mercado’, favorecendo o ‘consumidor’? Infelizmente não tenho melhores termos que estes para falar do conflito entre a variedade de informações que surgiriam se as pequenas empresas de midia tivessem condição de alcançar um maior número de pessoas, com um melhor serviço. A curto prazo pode ser que tais pequenas favorecidas ‘puxem a sardinha’ pro governo. Mas não terá a própria ‘grande mídia’ força para explicitar tal parcialidade, se ela surgir? E desta forma o consumidor de informação não poderá ver uma critica de mídia evidente, consistente e constante?

  33. Comentou em 24/11/2006 Eduardo Guimarães

    Luiz, temos aí uma situação interessante. Realmente pode ocorrer a situação que a grande imprensa prevê no caso de distribuição mais equânime de verbas oficiais a veículos de comunicaçãop menores. Porém, um dos mecanismos para que tal situação não ocorra é o de garantir em lei a fatia do bolo de verbas publicitárias a essas empresas pequenas e também às grandes, de forma que o veículo que quiser discordar do governo possa fazê-lo sem temor de ser discriminado. Não é tão difícil pôr em prática a democratização das verbas sem que sejam usadas para coagir. Assim, o argumento da meia dúzia de famílias que concentra poder midiático, não procede. Sob o argumento do interesse público, tratam de se precaver contra a perda da boquinha de açambarcarem para si a quase totalidade das verbas da publicidade oficial, num processo que mantém concentrada a mídia nacional. Tomara que jornalistas como você consigam convencer seus pares da imprensa – e, sobretudo, os donos da imprensa – a não manipularem o debate, pois isso acabará obrigando o governo a vir a público à revelia da imprensa, a fim de esclarecer a sociedade sobre do que se trata o assunto.

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